Vana Lopes, a mulher que caçou o estuprador Roger Abdelmassih

Biografia conta a história da vítima que dedicou sua vida para levar o ex-médico à Justiça e, mesmo após duas décadas, conseguiu alcançar seu objetivo

Vanda Lopes teve sua história arruinada pela violação sofrida, mas dedicou 20 anos de sua vida a trazer seu algoz à justiça, podendo ser considerada a principal responsável por sua prisão

Vanda Lopes teve sua história arruinada pela violação sofrida, mas dedicou 20 anos de sua vida a trazer seu algoz à justiça, podendo ser considerada a principal responsável por sua prisão

Marcos Nunes Carreiro

15 de agosto de 1993. Vanuzia Lopes Gon­çalves entra em uma clinica de reprodução assistida na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. Após seis anos de casada, ela ainda não havia conseguido engravidar e, mesmo já tendo adotado uma menina anos antes, queria muito ter seus próprios descendentes. Por isso, estava ali naquele dia.

Aquela era a terceira tentativa. A segunda quase tinha sido bem sucedida, mas acabou não dando certo. Com uma rotina pesada que exercia à frente de suas empresas no ramo da moda, Vana, como é chamada, saiu rapidamente para ir até o local e estava esperançosa de que dessa vez iria dar certo. Era a última tentativa do pacote de tratamento que comprou com o marido naquela clínica.

O médico entrou na sala, simpático e otimista, e disse que iria colocar nela quatro embriões. “Quando acordar, estará com seu bebê no ventre”. Vana mal conteve a alegria e ansiedade. Era tanta que relevou o passar de mãos do doutor em sua coxa. Bebeu o remédio dissolvido em um copinho e adormeceu, como das outras duas vezes.

Porém, como já tinha tomado o remédio antes, na mesma dose, acordou antes do esperado. Afinal, seu corpo havia desenvolvido certa tolerância ao anestésico. Se não fosse isso, não teria visto o que estava acontecendo com ela. Viu o médico ejaculando nela, gemendo. Seu corpo, pesado devido à anestesia, não tinha forças suficientes para reagir. Sentia dores no ânus. Com dificuldade, em segundos que pareciam horas, passou a mão e viu que havia sangue.

Levantou-se com dificuldade, sua cabeça latejava. Ha­via um cheiro acre no ar. A cena era surreal. Saiu da sala e desceu as escadas cambaleando, enquanto os funcionários da clínica tentavam acalmar as outras pacientes que presenciavam o episódio. Diziam ser normal. Após sair da clínica, ainda zonza, entrou em um táxi. Vomitava. Ao motorista, relatou com dificuldade que tinha sido violentada. Este a levou a uma delegacia. Lá, Vana começaria uma jornada que duraria mais de vinte anos. O denunciado: Roger Abdelmassih.

Divulgação

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Essa história é narrada em “Bem-vindo ao inferno”, biografia de Vana Lopes escrita pelos jornalistas Claudio Tognolli e Malu Magalhães — não a cantora. A história é contada em um intenso flashback e, entre as idas e vindas, é possível delinear como foi a vida desta mulher após ser violentada por Abdelmassih naquele distante dia de 1993. Os problemas foram muitos e imediatos. Cinco dias após o estupro, Vana deu entrada no Hospital Israelita Albert Einstein apresentando quadro de infecção generalizada, gerada pela Escherichia coli, bactéria que o pênis de Abdelmassih transportou do ânus para a vagina de Vana durante o estupro.

Logicamente, os médicos não descobriram isso, pois quase ninguém sabia ainda da violação sofrida. No dia 31 de agosto, foi submetida a uma cirurgia para limpar seus órgãos da infecção. A alta só veio no dia 6 de outubro, mas nunca retomou sua vida. Entrou na clínica na busca de engravidar. Saiu de lá estéril, doente física e psicologicamente — desenvolveu depressão, diabetes, além de hepatite C, devido à transfusão de sangue que precisou fazer por causa da infecção generalizada. Meses depois viu seu casamento acabar. Também já não conseguia trabalhar.

Depois de 1993, Vana só voltaria a ver Abdelmassih pessoalmente em 2014, algemado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, depois que este, condenado a 278 anos de prisão por aproximadamente 60 estupros de pacientes, passara quase três anos foragido da polícia. Mas até que esse dia chegasse, muita luta aconteceu.

Roger Abdelmassih era o “médico das estrelas”, figura sempre presente na imprensa e nos programas de celebridades. Era influente. Talvez seja por isso que o B.O. protocolado por Vana no fatídico dia de 1993 não tenha recebido atenção. O mesmo aconteceu com o procedimento aberto por ela no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), em abril de 1994.

Vendo sua busca pela justiça frustrada e se sentindo incapaz, Vana voltou para Diamantina (MG), cidade onde viveu na infância. Queria reestruturar sua vida, estudar Direito. Queria se preparar para fazer justiça. Viveu com esse pensamento até que, em 2009, de volta a São Paulo, importantes notícias chegaram: novas vítimas de Abdelmassih começaram a aparecer.
Em um retorno a uma delegacia após 15 anos, ela foi engrossar as denúncias. Agora com conhecimento do funcionamento jurídico, levou documentos e um depoimento firme.

Contou com a ajuda de Celi Paulino Carlota, delegada da Delegacia da Mulher responsável pelo início das investigações contra o médico. Uma enxurrada de denúncias apareceu na mídia. Abdelmassih era acusado de 56 estupros. Não durou muito até que o médico fosse preso. Prisão que duraria quatro meses, até que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes concedesse a ele um habeas corpus, muito devido à influência de seu advogado, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, já falecido.

A notícia da prisão do médico criou alívio em Vana, tão grande quanto o desapontamento que seguiu a informação do habeas corpus e que quase a matou. Nessa época, Vana já era conhecida por sua luta contra Abdelmassih. Preso, o médico não poderia fazer nada contra ela, mas solto, sim. Por isso, teve uma crise de pânico ao saber da soltura de seu algoz e, na tentativa de dormir, sem perceber tomou 12 comprimidos do calmante Dor­monid. Foi salva por amigos.

A caçada

Roger Abdelmassih foi condenado, em 23 de novembro de 2010, a 278 anos de prisão pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo. Em 20 de maio do ano seguinte, teve seu registro profissional cassado pelo Cremesp. Porém, mesmo condenado, o ex-médico não foi preso. Motivo: fugiu. Começou assim a caçada de todos pelo estuprador em série, caçada essa liderada, de certa forma, por Vana Lopes.

Ela criou, com a ajuda da internet, uma enorme rede de pessoas para aglomerar informações que levassem ao paradeiro de Abdelmassih, entre vítimas, simpatizantes da causa, desafetos, ex-funcionários e até parentes do ex-médico. Foi assim que conseguiu contas telefônicas, extratos bancários, notas promissórias, contratos sociais, documentos pessoais de Abdelmassih e até a localização quase em tempo real de pessoas que poderiam levar ao foragido.

Em três anos de caçada, Vana muniu a imprensa, a polícia e o justiça com todas essas informações, o que fez de Abdelmassih um dos brasileiros mais procurados pela Interpol. Os contatos de Vana chegaram a apontar a passagem do ex-médico por países como França e Paris, além de idas às cidades do interior mineiro Avaré e Jabuticabal. Esteve sempre próximo a ele, mas sem achá-lo.

Perto do segundo semestre de 2014, as buscas entraram em um período de constante suspender de respiração. A localização do ex-médico estava tão próxima que Vana já não poderia fazer mais nada a não ser esperar. Aproveitou esse momento para tratar de sua saúde. Estava obesa, muito devido à depressão, e queria voltar a viver bem. Internou-se em uma clínica na Bahia.

Voltou do tratamento um mês depois pesando aproximadamente 70 quilos a menos. Começava a se recuperar fisicamente e queria fazer o mesmo psicologicamente. Como havia conhecido um “novo amor”, foi se encontrar com ele em Portugal. Porém, mesmo de lá, recebeu uma informação que poderia levar ao paradeiro de Abdelmassih. Um de seus contatos, Madame X, disse que ele poderia se encontrar no Paraguai. Vana orientou sua fonte a fazer a denúncia e indicou os meios. A denúncia foi feita em 15 de agosto.

Quase na mesma época, Vana retornou ao Brasil. Se aproximava a segunda quinzena de agosto. Poucos dias depois, receberia a ligação que tanto esperava.

Quando o grito sai da garganta: “Bem-vindo ao inferno” 

Ex-médico Roger Abdelmassih, no dia em que foi preso pela no Paraguai — na foto, conduzido por oficial da Secretaria Nacional Antidrogas

Ex-médico Roger Abdelmassih, no dia em que foi preso pela no Paraguai — na foto, conduzido por oficial da Secretaria Nacional Antidrogas

19 de agosto de 2014. Este foi o dia em que a angústia descrita por Vana Lopes ao longo de todo o seu livro enfim acabou. Ela havia chegado de Portugal há pouco tempo, onde foi se encontrar com seu namorado – o início de uma nova vida – e logo recebeu um telefonema. Era noite de segunda-feira, 18 de agosto quando o telefone tocou informando que Roger Abdelmassih tinha sido preso em Assunção, no Paraguai.

Foi um alvoroço. Não pensou duas vezes, correu ao Facebook e divulgou a notícia: “Roger foi preso!”. Não demorou muito até que seu telefone começasse a tocar freneticamente. Na maioria, vítimas e jornalistas querendo saber como e onde. Aos jornalistas, não muito a dizer naquele momento; às vítimas, o compromisso: ir ao aeroporto para ver o ex-médico com os próprios olhos. Iria representando quase todas as mulheres violadas por Abdelmassih.
Não dormiu muito naquela noite, como é possível imaginar. Contudo, banho tomado, precisava ir. Daqui em diante, deixo a narração por conta do livro:

“Peguei a bolsa e, dentro, coloquei uns biscoitos e um remédio para dor de cabeça, que, por falta de dormir, começava a latejar. Tomei um comprimido com um suco de laranja e me dirigi à porta, onde já havia jornalistas me esperando. Ao mesmo tempo, meu telefone não para parava de tocar, uma ligação atrás da outra, e sempre a imprensa. As perguntas eram as mesmas: como estava me sentindo e o que pensei na hora da prisão.

“Avisei as outras vítimas, que também estavam dando entrevistas, da minha ida ao aeroporto. Elas falaram que iriam também, me perguntando exatamente o horário e qual aeroporto seria. Para saber isso, eu ficava em contato direto com o Dr. Fabio, da Secretaria de Segurança Pública [de São Paulo], que me dizia onde estava Roger, passo a passo. No final daquela manhã, soube que ele se encontrava a caminho, preparando-se para voltar ao Brasil. Havia dúvidas sobre aonde iria primeiro. Se seria à Polícia Federal ou para o aeroporto de Congonhas.

“Eu queria pegá-lo descendo do avião para ter certeza de que não iria escapulir. Para isso, coloquei sapato baixo, pensei que teria de andar pelas pistas. Foi quando me avisaram que ele primeiramente iria para o DHPP – Depar­tamento de Homicídios e Proteção à Pessoa –, e lá já estavam repórteres com a mesma informação. Na dúvida, ao ligar para a Secretaria, soube que o local ideal para encontrá-lo seria o aeroporto de Congonhas, na delegacia. Eles me deram o nome do delegado, Dr. Nico Gonçalves, responsável por recebê-lo e encaminhá-lo para o presídio. Essas informações privilegiadas da marcha de Roger me eram fornecidas diretamente pela Secretaria, que sabia o quando eu me esforçara para aquele desfecho.

“Não tive muito tempo para pensar em nada. Lembro-me da chegada em massa de curiosos de todos os tipos e de jornalistas. Ao saberem que eu era uma das vítimas, e a única até então no aeroporto, queriam uma palavra minha. Mostrava a eles documentos do meu primeiro processo [datado de 1993], entre tantos papéis, o meu primeiro B.O. Então, brandia esse papel e respondia a todos, calmamente, referindo estar feliz e, que finalmente, a justiça estava feita no meu caso, numa espera de mais de vinte anos.

“Alguém me deu um copo d’água. Estava com a boca seca de tanto que tinha falado. Foi um câmera que gentilmente trouxe a água, quando viu que eu estava ficando rouca. Não tinha me alimentado desde a manhã e, quando a água desceu pela garganta, foi uma sensação de frescor como jamais havia experimentado. Aquilo não era somente água: era o hidrante dos séculos!

“Foi a última coisa que me lembro de ter sentido antes de ver Roger se locomovendo, e daí eu passar a viver tudo novamente. Os repórteres se amontoaram: eu soube que em questão de segundos Roger entraria pelo saguão. Apesar de ele estar com colete à prova de balas e ladeado por dois policiais que o seguravam, num cordão de isolamento, ao olhar para aquela figura meu pânico voltou terrivelmente. Fui varada por uma seta ardida no coração. Só ouvia gritos. Gritei também, num minuto de coragem, para desfalecer em seguida. Minhas pernas ficaram bambas, e uma ânsia de vômito tomou conta de mim. O cheiro horrível do dia em que ele me violentou, com seus lábios herniados e mãos predatórias, impregnava o ar abafado, com tantas pessoas.

“Não desmaiei, apenas as pernas ficaram moles e, no meio da multidão, ouvia alaridos, gritos. Estava prostrada, sem conseguir me mexer, como se o mal, mesmo encarcerado, tivesse vendido. Nesse momento, segundos talvez, muita coisa passou na minha mente, como se fosse um filme. Os anos no computador, toda a angústia, ele me violentando, ao mesmo tempo eu na frente da juíza, o dia do habeas corpus. Preparei-me para vomitar, mas vi que estava no escuro, no chão. Notei muitos pés e não poderia fazer isso ali, nas pessoas. Levantei-me na intenção de sair dali e ir ao banheiro. Quando ressurgi, como quem estava nas profundezas da dor, me enchi de coragem. Vomitei o que podia naquele momento: palavras presas e gritos mudos na minha alma.

“‘Vim dar a este estuprador as boas-vindas ao inferno!’. Enfim, pude me aproximar do monstro, sem medo. O letargo inverossímil que me consumira anos a fio tinha chegado ao fim. Naquele momento meu deixava de viver às apalpadelas, iria a uma plenitude que havia duas décadas eu desconhecia”.

3 respostas para “Vana Lopes, a mulher que caçou o estuprador Roger Abdelmassih”

  1. Avatar hugo disse:

    Oh minha querida Vana vc é demais minha amiga lhe dizer parabéns é muito pequeno,acho que tbem a medalha da ordem do cruzeiro é igualmente nada.Bom é o seguinte vc é demais,agora, eu lhe pergunto,este vagabundo está mesmo na cela? eu duvido talvez de dia ele possa ficar,mas de noite eu não acredito ele tem grana, é influente e é tbem protegido pelo GIGI é esse mesmo aquele que lhe concedeu o habeas e deve ser tbem maçon já viu algum preso? só se for em prisão domiciliar.

  2. Avatar ALCIDES JAMO LITTLE BROWN disse:

    Roger Abdelmassih: o médico tarado era maçom e tinha apoio da Associação de Medicina de São Paulo e do Brasil

    Aos meus queridos amigos, irmãos, pastores e maçons em todo o Brasil.

    Como pastor cristão evangélico e protestante, tenho o dever de levar aos seus eruditos conhecimento mais esta tragédia miserável causada por um médico maçom, que por ser maçom durante anos contou como é de costume com a parcialidade e covarde omissão das instituições genuinamente maçônicas que são as associações médicas, de medicina regionais e nacionais, onde existem milhares de reclamações vergonhosas, iguais a esta e piores. Que mesmo a história de Papillon, onde um Juiz maçom tomou a esposa de um advogado e ao mesmo tempo condenou este advogado a uma prisão, aqui próximo ao Brasil, nas Guyana Francesa, cuja história se transformou em um grande filme e o Livro Papillon até hoje é um grande best sellers, uma vergonha mundial para a instituição maçônica.
    O que levou Adolf Hittler que era maçom, a romper com a maçonaria e mandar exterminar todos os maçons da Europa. Não tenho dúvidas amigos maçons, que a história envolvendo a maçonaria protegendo um médico tarado e louco, por ser maçom, também vai se transformar em um grande filme e livros de sucesso, desta vez mostrando a verdade verdadeira sobre esta instituição maçônica, envolvendo cerca de 60 mulheres, esposas casadas que desejavam serem mães, cujos sonhos foram detonados por um médico maçom tarado, cuja tara criminosa e vergonhosa era a de anestesiar as pacientes e estuprá-las, a começar pelo anus, para ter o prazer de também estuprá-las pela vagina, com o objetivo sádico e criminoso de contaminá-las com o vírus vindo do anus para depois a paciente não ter desculpa e pedir indenização, a desculpa é que a paciente só não conseguiu o objetivo de engravidar por causa de contaminação vaginal.
    O que aconteceu com essa heroica mulher, dona Vana Lopes, que acreditando no apoio de seu marido, foi à delegacia e prestou queixa e sem saber que seu esposo também era maçom, quem sabe até da mesma Loja Maçônica deste médico tarado e tendo em vista suas obrigações com a maçonaria, abandonou-a covardemente, mal sabia ela ser seu esposo amado, que ela tanto desejava dar um filho. O sofrimento a esta mulher corajosa, dona Vana Lopes, uma heroína brasileira, vai se tornar em grandes literaturas best sellers e filmes de grande sucesso.
    Meus amigos maçons, depois dessa, como é que vocês ficam diante de suas esposas e filhos, eles sabem que você também é maçom, convido-o a ter um encontro com o Senhor Jesus Cristo, eu em particular, gostaria muito de ter um encontro profissional com esta senhora, cuja coragem extrapola os limites de um ser humano.
    Não me preocupei com os parágrafos, acentos, pontos e vírgulas, fica a critério de quem ler. Estou deveras envergonhado como todos os brasileiros estão, não só pelos estupros que esta senhora som as demais vitimas sofreram e sim, também pela covardia de seu esposo.
    Que Deus tenha misericórdia dele e abençoe grandemente a dona Vana, lhe dando muita paz e felicidade com o seu verdadeiro e novo amor.

    Pr. Alcides Jamo Little Brown
    Leia o Jornal

  3. Avatar Anna disse:

    Mulher de fibra, de raça…Sinto muito por ter acontecido isso com vc e outras tantas. Mas sua luta nos enobrece muito. Parabéns por nunca ter desistido de colocar esse monstro na cadeia!!!!!!!!!!!!!!!

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