Quatro deputados estaduais tomam caminho natural e miram Brasília em 2018

Dos 17 representantes goianos na Câmara Federal, 10 passaram pela Assembleia Legislativa. Francisco Júnior, Jean Carlo, José Nelto e Lincoln Tejota são os postulantes da vez

Lincoln Tejota, Francisco Júnior, Jean Carlo e José Nelto: do Legislativo estadual para o federal | Fotos: Agência Assembleia de Notícias

“Um passo de cada vez.” É assim que o deputado estadual Lincoln Tejota (Pros), que está em seu segundo mandato, justifica a sua motivação para buscar uma cadeira na Câmara Federal. Para ele, este é o momento certo para tentar tal ascensão política. “Nunca pulei degrau”, afirma.

Além dele, outros três deputados estaduais devem deixar a As­sembleia Legislativa com o objetivo de pleitear uma das 17 vagas disponíveis para deputado federal. Até o momento, Francisco Júnior (PSD), Jean Carlo (PSDB) e José Nelto (Podemos) anunciaram pré-candidatura.

Segundo Lincoln Tejota, a população está demonstrando descontentamento em relação ao Congresso Nacional. E este momento de renovação pelo qual o Brasil deve passar, no entendimento do deputado estadual, também o motiva para estar em Brasília. “Sei que tem nomes com espaço para renovação. Minha base me fez este pedido e eu venho trabalhando por isso já há algum tempo”, pontua.

Deputado estadual desde 2011, Francisco Júnior diz acreditar que o País está enfrentando grandes discussões e seguirá enfrentando-as pelos próximos anos. Por se tratar de questões e valores com os quais se identifica, o parlamentar quer fazer parte deste debate. “Iniciei uma discussão com as bases que me apoiam e o entendimento foi o mesmo. Quero dar uma contribuição significativa para o Congresso Nacional.”

Entre tais questões e valores estão a organização das cidades — “desde a regularização à modernização, passando pela parceria entre União, Estado e município” —, a proposta de Escola Sem Partido, a defesa da família e da vida, como as polêmicas sobre aborto e eutanásia, além das reformas eleitoral e tributária, que, para Francisco Júnior, são necessárias.

Em 2014, quando foi eleito pela quinta vez consecutiva, José Nelto assumiu o compromisso de que este seria o seu último mandato no Legislativo goiano. “Cumpri o meu papel. Chegou a hora de disputar um cargo mais alto”, ressalta. “Disse, àquela época, que seria candidato a deputado federal, senador, vice-governador ou governador. Hoje, sou pré-candidato a deputado federal.”

Se chegar a Brasília, José Nelto assegura que votará “a favor de todas as reformas para tirar o Brasil da crise”. Ademais, o parlamentar diz que tem o objetivo de defender a família, posicionando-se contrário a projetos que permitam a legalização do aborto ou a ideologia de gênero nas escolas.

Jean Carlo está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa e, devido à oportunidade enxergada por ele de ter novos quadros na Câmara Federal, pretende se lançar a deputado federal já nas eleições de deste ano. “Sem desmerecer os que já estão lá, dos quais muitos são ótimos parlamentares, mas existe uma tendência de abrir oportunidades a novos nomes. A população clama por isto”, sublinha.

Para ele, existe, sim, o risco de eventualmente ficar sem mandato. “Quem se candidata está sujeito a tudo. Inclusive a se eleger”, brinca. Jean Carlo, contudo, demonstra confiança e diz estar trabalhando com o­ti­mismo. Lincoln Tejota, Francisco Jú­nior e José Nelto têm a mesma li­nha de raciocínio. O primeiro frisa que não se intimida e o segundo re­conhece que poderia ter uma reeleição tranquila, mas é enfático ao dizer que não tem medo. Já o último garante estar focado na palavra “vitória”.

Mais votos
No pleito de quatro anos atrás, Lincoln Tejota foi o terceiro mais votado, com 45.091 votos. Por sua vez, Jean Carlo obteve 34.872 e José Nelto, 28.042. Já Francisco Júnior, além de 2014, disputou eleições em 2016 para prefeito de Goiânia. Na primeira ocasião, foram 29.718 votos. Na segunda, 63.712 e, apesar do quarto lugar, foi a principal surpresa daquela corrida eleitoral.

Em 2018, todos concordam que vão precisar aumentar, e muito, a quantidade de votos. Fala-se em um número mágico entre 90 mil e 100 mil. Cabe destacar que, dos quatro, apenas Francisco Júnior não trocou de partido durante a última janela partidária e permaneceu no PSD, partido ao qual era filiado Lincoln Tejota, que decidiu ir para o Pros. José Nelto foi do MDB para o Podemos e Jean Carlo, do PHS para o PSDB.

Como a eleição para deputado federal exige mais do que a de deputado estadual, principalmente em termos financeiros e de ampliação das bases, a chapa pela qual os partidos dos candidatos concorrerão é essencial para a campanha.

Lincoln Tejota e Francisco Júnior são fortes nomes para compor o chamado chapão da base governista. No Podemos, José Nelto certamente vai necessitar de menos votos do que necessitaria caso não tivesse saído do MDB. Por outro lado, Jean Carlo — que também tende a estar no chapão —, mesmo tendo migrado de um nanico para um gigante, argumenta que, no PSDB, a estrutura partidária é muito maior, o que deve ajudá-lo na disputa.

Legado
“Mais de 90% dos meus mandatos foi destinado à saúde”, salienta Lincoln Tejota, que acredita estar deixando um legado importante para esta área, além do fortalecimento dos municípios por meio de emendas.

Jean Carlo é outro deputado estadual que se considera municipalista. A educação foi o segmento que, segundo ele, mais se consolidou durante a sua passagem pela Assembléia Legislativa. Destacam-se ainda a valorização do servidor público e a defesa do consumidor. Em Brasília, o tucano espera participar de discussões que dizem respeito a temas nacionais.

Para Francisco Júnior, o legado que irá deixar é referente à qualidade de vida da sociedade, ao meio ambiente e à transparência no setor público, bem como à saúde e à educação.

Por fim, José Nelto considera que seus mandados foram marcados pela fiscalização do governo estadual e por uma oposição séria. “Soube fazer um bom combate.”

Histórico
Dos atuais 17 deputados federais goianos, 10 passaram pela Assembleia Legislativa, o que equivale a 58,8%. São eles: Célio Silveira (PSDB), Daniel Vilela (MDB), Fábio Sousa (PSDB), Flávia Morais (PDT), Jovair Arantes (PTB), Magda Mofatto (PR), Pedro Chaves (MDB), Rubens Otoni (PT), Sandes Júnior (PP) e Thiago Peixoto (PSD).

Apenas Célio Silveira, Jovair Arantes e Magda Mofatto não foram do Legislativo estadual diretamente para o federal, pois ocuparam cargos municipais entre os mandatos. Em outras palavras, 41,2% dos atuais representantes goianos na Câmara Federal fizeram exatamente o que Francisco Júnior, Jean Carlo, José Nelto e Lincoln Tejota vão tentar fazer em 2018. Este é, portanto, um caminho natural a ser seguido

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