Oposição propõe ruptura de modelo para governar Goiás

A partir do dia 16 de agosto fica permitida a realização de propaganda eleitoral, comícios, carreatas e distribuição de materiais gráficos

Candidatos apesentam discurso para serem os novos inquilinos da casa verde, na Praça Cívica

Felipe Cardoso

Há menos de 15 dias do início das propagandas eleitorais, candidatos que participam da disputa pelo cargo máximo do Executivo em Goiás começaram a traçar as principais propostas de campanha e a estudar a melhor maneira de se aproximar do eleitor goiano. Na tentativa de antecipar algumas das principais ideias que irão pautar os próximos passos dos candidatos, o Jornal Opção conversou com candidatos e coordenadores de campanha que retrataram o que tem sido planejado.

Em entrevista, o vereador Paulo Da­her, do DEM, adiantou que diante da situação caótica em que o Estado se encontra, o foco da campanha conduzida pelo senador Ronaldo Caiado estará voltado a reverter as demandas apresentadas pela sociedade, sobretudo, no que diz respeito às questões relacionadas a saúde, educação e segurança pública.

Segundo Daher, o plano de governo ainda está sendo montado e será divulgado logo após as convenções realizadas pelo partido. “Esta­mos realizando uma série de encontros regionais, e eles servem justamente para nos fazer sentir aquilo que a população deseja. No momento o nosso foco está voltado a fazer um “raio x” das necessidades do Estado, para então começarmos a classificar o nosso plano de ação”, disse.

Para ele, Caiado ainda não sabe como irá assumir o Estado, nem qual a situação real do cofre. “Temos visto o governo em busca de dinheiro e sem crédito para captar recursos, ou seja, esse é um reflexo muito ruim da economia do Estado. O que adianta ter planejamento se encontrarmos uma situação precária e sem condições de se governar?”, indagou.

O vereador disse que diante do cargo deve haver alguém com capacidade e preparo para ingressar com ações que retomem o crescimento do Estado, além de sanar os inúmeros anseios que tem sido externados pela população goiana. “Caiado é um candidato com experiência e posicionamento firme. As pessoas estão enxergando essa possibilidade no senador.”

Apesar do plano de ação ainda não ter sido finalizado, Paulo Daher adiantou à reportagem que a segurança pública terá uma atenção especial. “Precisamos aumentar o contingente, acabar com esse salário de R$ 1.500 dos nossos policiais, aumentar o número de delegados, dentre outras coisas. Essas observações serão pontuadas e estarão no nosso plano de governo.” De acordo com Daher, a Organização das Nações Unidas (ONU) determina que haja um policial a cada 240 habitantes. “Em Goiás, temos um policial para mais de 1.200 pessoas”, lamentou.

Daher disse ainda que nas próximas semanas irão trabalhar para apresentar ao cidadão a trajetória de vida de Caiado e que esse é, sem dúvidas, um grande diferencial do concorrente na disputa. “São 30 anos na vida pública, sem absolutamente nada que arranhe a sua reputação estadual. Nossa chapa é composta por pessoas que possuem uma história de trabalho, boa conduta e um passado limpo. Isso certamente irá contribuir para um futuro promissor.”

Em entrevista concedida ao Jornal Opção, o deputado estadual Lívio Luciano (Podemos) já havia declarado que o melhor nome para os adversários da base aliada na eleição majoritária é o do senador democrata. Para ele, Caiado tem o melhor desempenho ao se opor a tudo o que está acontecendo.

Lívio diz acreditar que o momento é de renovação política e mudança prática. Para ele, “qualquer pesquisa que se faça hoje mostra que a maioria da população quer mudança em todas as esferas. Caiado conseguiu ter discurso de oposição a tudo que acontece no Estado”.

Senador Ronaldo Caiado (DEM), deputado federal Daniel Vilela (MDB), professora Kátia Maria (PT), Weslei Garcia (Psol) e Marcelo Lira (PCB) se colocam como mudança que o Estado precisa

Kátia Maria (PT)

Já a professora Katia Maria, do PT, afirmou que irá desenvolver um governo com integração do desenvolvimento econômico, social e sustentável. A candidata diz apostar em uma gestão integrada, descentralizada e participativa como a melhor saída para encarar as demandas de Goiás.

Em seu plano de governo, atribuiu à educação e cultura pesos significativos. “Compreendemos que esses são pilares muito fortes na transformação da sociedade, uma base sólida de mudança de comportamento e de pensamento.” A candidata acredita ainda que o Estado precisa de um modelo de educação integral, “não apenas do ponto de vista da jornada de 8 horas, mas de uma formação que possa preparar o cidadão para o mundo, com pensamento crítico”.

Quanto ao plano de governo sustentável, fortemente defendido por ela, a professora fez questão de ressaltar que quando se fala em sustentabilidade, não se trata apenas do ponto de vista ambiental. “Estamos falando de sustentabilidade financeira do Estado, sustentabilidade das relações com a população de Goiás, sustentabilidade nas formas tratativas do pacto federativo. Queremos, dentro desse tripé da integração dos três eixos de desenvolvimento, garantir qualidade de vida para as pessoas.”

De acordo com a petista, o ideal é fazer com que essa gestão integrada, descentralizada e participativa desperte no povo o sentimento de fazer parte do processo de administração do Estado, além de estimular a distribuição de renda e o desenvolvimento dos municípios. Ideia que, por sua vez, é fortemente defendida pelo candidato ao Senado Federal, Luis Cesar Bueno (PT).

Para ele, há uma grave crise no crescimento econômico do Estado. “A professora Kátia trará uma gestão sincronizada, compartilhada, onde todas as estruturas do Estado se comuniquem com a população. A partir desse modelo de gestão o nosso foco estará voltado para retomada do poder aquisitivo da população goiana”, destacou o parlamentar.

Na visão do deputado, o Estado precisa estabelecer algumas políticas públicas para incrementar o empreendedorismo e a atividade econômica a fim de que as pessoas consigam voltar a ter renda. “Se as pessoas continuarem diante dessa crise econômica, o comercio não vende e a indústria não produz. Então, entendemos a necessidade de execução de políticas públicas para incrementar a economia em diversas regiões do Estado.”

O candidato ressaltou ainda as medidas adotadas por Katia Maria, que visam o combate à violência no Estado. “Políticas concretas nos permitirão garantir o fortalecimento das investigações criminais realizados pela Polícia Civil (PC), além de também ampliar o número de efetivos da Polícia Militar (PM).” Paralelo a isso, o parlamentar fez questão de destacar o “grande número de armas e drogas que passam pelas fronteiras do nosso Estado sem qualquer obstrução policial. Nossas fronteiras estão desguarnecidas e precisam de uma atenção especial”.

O Partido dos Trabalhadores contará com um espaço significativo de propaganda eleitoral nos veículos de comunicação. Porém, apesar da importante abertura, o parlamentar disse que será realizado um amplo trabalho nas redes sociais a fim de garantir a aproximação do eleitor goiano e disseminar as propostas que compõem o plano de governo da petista. “Contaremos também com um intenso trabalho por parte dos diretórios que estão estabelecidos nos municípios e irão garantir uma verdadeira participação popular em prol das propostas da nossa candidata”, assegurou.

Daniel Vilela (MDB)

Em entrevista ao Jornal Opção, Wagner Siqueira (MDB) disse que para a campanha de Daniel Vilela, do MDB, haverá um eixo baseado em critérios que giram em torno do planejamento, modernidade, eficiência e mudanças. “O plano de governo do Daniel tem traçado a mudança que Goiás tanto precisa”, assegurou.

Para ele, o grande erro da atual gestão ao longo de duas décadas de mandato foi o crescente distanciamento do Estado com o povo. “Nós iremos romper essas barreiras, abusar da tecnologia e de tudo o que a modernidade vem nos oferecendo para diminuir os gastos e desburocratizar o estado de Goiás.”

No que diz respeito à desburocratização do Estado, o deputado ressaltou que há, por parte de Daniel Vilela, o anseio de aperfeiçoar e facilitar os agendamentos de consultas para a população goiana, promover a digitalização de processos e requerimentos, compartilhar frotas e inserir a tecnologia em outros setores relevantes da sociedade. “Queremos usar a tecnologia em favor do nosso governo, trazendo mais modernidade e agilidade para tantas burocracias que existem atualmente em nosso Estado.”

Outro grande avanço a ser dado pelo candidato, será o estímulo ao empreendedorismo. “Temos planos sociais com projetos reais de mudança. Sabemos que só será possível alcançarmos essas mudanças com o planejamento e tecnologia na tomada de decisão. Teremos também mais atenção com as pessoas em estado de vulnerabilidade.”

Quanto ao último, para inibir os altos índices de goianos nessas condições, o candidato aposta em estimular o empreendedorismo. “Sabemos que essa atividade capacita as pessoas e oferece a elas uma oportunidade de deixar essa situação. Convivemos com os altos índices de desemprego e a baixa renda de uma parcela expressiva da sociedade, então pretendemos ter um Estado mais participativo, que interfira de forma a incentivar, capacitar e transformar aquele cidadão em estado de vulnerabilidade.”

Para que o plano se torne concreto, o parlamentar disse que haverá investimento em cursos técnicos e profissionalizantes, “com estudos sociais amplos para dar os subsídios necessários para que essas pessoas encontrem uma solução”, destacou.

No que diz respeito a aproximação de Vilela com o eleitorado goiano, Waguinho disse que o emedebista tem abusado das mídias digitais e demais ferramentas de tecnologia para divulgar suas propostas. “Além disso, teremos um tempo considerável na televisão e no rádio, isso também será usado ao nosso favor. Sem contar as nossas bases que tem trabalhado de forma efetiva para disseminar nossas ideias de renovação.”

Weslei Garcia (Psol)

O candidato pelo Psol, Weslei Garcia, disse em entrevista que o partido possui um grande diferencial em relação aos demais concorrentes que disputam a cadeira no Palácio das Esmeraldas. “Diferentemente dos outros, buscaremos o fim das privatizações. Sabemos que nessas relações sempre há um único beneficiado, o que consequentemente reflete em desigualdade.”

Uma das propostas do partido é promover a desprivatização da antiga Celg, hoje, Enel. “Sabemos que não será uma tarefa simples, mas essa é uma de nossas propostas que levaremos aos eleitores goianos.” Weslei Garcia disse também que uma outra proposta a ser apresentada será acabar com as subdelegações existentes na Companhia Sane­amento de Goiás (Saneago). “Outro exemplo são as Organizações Sociais (OSs) que não trouxeram a melhoria esperada para saúde do Estado. Um verdadeiro gargalo de dinheiro que vem sendo desperdiçado”, analisou.

Weslei assegurou ainda que, caso seja eleito, terá também sua atenção voltada para um problema pertinente do Estado: a segurança pública. “Teremos uma atenção especial sobre as deficiências da segurança em Goiás. Priorizare­mos, sempre, a promoção dos direitos humanos. Logo, uma das propostas que irei apresentar será a desmilitarização da polícia e a criação de uma polícia única.”

Quanto às medidas voltadas para a educação, o candidato foi incisivo. “Pública, laica e democrática. Queremos equipes pedagógicas eleitas pela própria comunidade escolar. Transformar o modelo de educação para que os alunos possam produzir seus próprios lanches sem deixarem de ter acesso a práticas ligadas ao lazer, cultura e esporte. Criaremos colégios que prepare os indivíduos com uma formação integral.”

No plano de governo de Weslei Garcia há também projetos que envolvem a valorização dos professores. Para ele, é de fundamental importância que professores tenham, dentro de sua jornada de trabalho, horários extra sala de aula. “Sabemos que esses profissionais se desgastam em longos períodos em sala de aula. Trabalharemos então para que eles tenham um horário voltado para as coordenações, ou seja, um momento em que possam trabalhar com o planejamento das aulas, correção de provas, capacitação própria e outras questões que, no modelo atual, são levadas para casa e tornam suas rotinas extremamente exaustivas.”

Para a saúde, Weslei apresentará ao eleitor a proposta do Saúde em Casa. Trata-se de equipes lideradas por médicos e demais profissionais de saúde que irão realizar atendimentos em domicílio. De acordo com a proposta, essas equipes seriam instaladas em pontos estratégicos para realizarem o mapeamento das casa e atendimentos médicos na região. “Isso possibilitará a produção de relatórios médicos preventivos dos pacientes que ali residem, sem contar que tornaria o procedimento médico mais humanizado.”

De acordo com Garcia, o maior desafio da sigla será a aproximação com os eleitores, tendo em vista que “o processo democrático não existe”. Para ele, “é impossível utilizar o nosso pequeno espaço de tempo nos veículos de comunicação para apresentar tantas propostas ao eleitorado goiano”. “Espero e trabalharemos para que daqui para frente possamos ter mais oportunidade de nos apresentar e de explicar os fundamentos de nossas propostas.”

Marcelo Lira (PCB)

Marcelo Lira, que concorre na disputa pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), disse à reportagem que após os registros das candidaturas, seguirão empenhados em propagar o princípio fundamental do poder popular. Para ele, é de extrema importância levar esse entendimento à população goiana, tendo em vista que sua campanha trará uma discussão relacionada à criação de órgãos populares autônomos.

“Esses seriam órgãos que, por si só, realizariam o planejamento, fiscalização e organização dos diversos setores da sociedade. Sendo a composição desses órgãos realizada por trabalhadores comuns. Profissionais esses que, de fato, entendem do funcionamento, da dinâmica e das necessidades de seus locais de trabalho”, esclareceu.

Para ele, o fato dos próprios trabalhadores conhecerem o funcionamento e as reais necessidades das áreas que atuam poderia desencadear “uma ampla participação popular”. “Esses trabalhadores teriam o poder de interferir nos processos de decisão, tendo em vista que vivemos uma grave crise na democracia representativa”, ressaltou. O candidato disse acreditar que essa insatisfação geral tem contribuído com o alto índice de abstenções, então, “para solucionar esses problemas apresentaremos nos próximos dias essa possibilidade de governo aos eleitores goianos”.

Caso eleito, Lira quer criar conselhos na área da educação, o que romperá com a política de militarização dos colégios. “Uma prática que tem sido adotada pela atual gestão e que, cada vez mais, tem sido propagada. No nosso entendimento, trata-se de uma medida absurda, trabalharemos em prol da escola única e princípio integrado.”

Outra proposta defendida pelo candidato é que a polícia goiana seja desmilitarizada. Para ele, a desigualdade entre policiais é o grande problema do país, tendo em vista que as corporações não dialogam. “Com uma polícia unificada, teremos a possibilidade de formar uma frente investigativa capaz de apontar os criminosos e prendê-los.”

O partido tem também como uma de suas propostas o foco em descriminalizar o aborto por entender que se trata de uma questão de saúde pública. “Mas não só, as pesquisas apontam que a criminalização dessa prática não inibe que ela ocorra. Enquanto essa realidade não for alterada, continuaremos a enfrentar um problema de classes onde mulheres pobres, que não possuem condições de custear um procedimento seguro, acabam por realizar o aborto em condições precárias, podendo desencadear problemas graves de saúde ou até a morte.”

Quanto à apresentação das propostas em propagandas eleitorais, o candidato disse ao Jornal Opção que considera esse sistema absolutamente restritivo e responsável por beneficiar os grandes partidos. “Como não teremos a mesma oportunidade, trabalharemos com a maior dedicação possível nas redes sociais, e também contaremos com o intenso trabalho das militâncias que contribuirão com a disseminação de nossas ideias. Dessa forma, pretendemos adentrar aos meios em que não temos voz ativa.”

De acordo com Marcelo Lira, o engajamento dessas militâncias e o intenso trabalho promovido nas redes sociais certamente os ajudarão a acessar novos espaços. “Tentaremos ao máximo divulgar os nossos programas nos municípios cobertos pelos grandes partidos. Sabemos que não será uma tarefa fácil e sim muito complexa, mas a nossa ideia é mobilizar as nossas forças para isso.”

O último a entrar na disputa foi o jornalista Paulo Beringhs, que foi surpreendido quando, na última quarta-feira, 1°, o presidente do Patriota, Raniery Nunes, optou pelo cancelamento da pré-candidatura. Segundo Raniery, a decisão foi tomada em conjunto com Santana Pires, vice-presidente do partido. Apesar de ter sido afastado da disputa, o jornalista disse ao Jornal Opção que pretende continuar na política e caminhar em defesa do Estado.

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