O espaço urbano em pauta: por que Goiânia é assim?

Elder Dias

Adensamento, expansão urbana, planejamento e Plano Diretor. Pode-se dizer que, sob o comando desses quatro termos mágicos, se faz (ou se desfaz) uma cidade. O Jornal Opção foi à caça de atores envolvidos com esse debate na capital em que há locais de assombrosa concentração de prédios e trânsito — como é o caso do Jardim Goiás e do Setor Bueno —, mas onde também há cerca de 100 mil lotes vagos.

Apenas uma das muitas contradições que podem ser observadas na cidade que virou metrópole e enfrenta, com esse crescimento, uma série de desafios. Foi por isso que a reportagem foi atrás de técnicos e políticos envolvidos com a questão da cidade — alguns deles na atual gestão ou pretendendo estar na próxima, inclusive na vaga hoje ocupada por Paulo Garcia (PT).

“Expansão não é pauta prioritária da Prefeitura”
Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Paulo César Pereira, secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável: Titular da pasta que centraliza a discussão sobre o planejamento urbano e territorial da capital, ele afirma que promover expansão urbana não é algo que interesse à atual gestão e que o investimento nos eixos estruturais (corredores) vai pautar
o restante do mandato de Paulo Garcia

A expansão urbana não é uma pauta prioritária para a Prefeitura. A equipe de planejamento está o tempo todo avaliando a macrozona e a área rural — nosso foco no momento é o zoneamento econômico e ecológico. Obviamente há, digamos, expectativas do setor imobiliário sobre a expansão urbana. Quando isso ocorrer, serão observados os aspectos técnicos de acordo com a visão de cidade sustentável que temos. Isso deve ser articulado com a revisão do Plano Diretor, em 2017.

Vamos investir no adensamento das vias estruturais, o que determina as cidades compactas. É a concepção mais adequada ao mundo moderno. “Espalhar” a cidade é jogar a população carente para as franjas, distante do trabalho e dos serviços públicos. Esse espalhamento faz demandar um congestionamento onde há concentração de serviços e é uma compreensão equivocada de desenvolvimento urbano.

Estamos trabalhando por um sistema viário eficiente. O governo Paulo Garcia procura fazer melhorias no transporte. Promessas de soluções rápidas como forma de construir plataforma de pedir votos, em cima daquilo com que a população esteja angustiada, têm feito Goiânia pagar um preço muito alto por gestões passadas em que isso ocorreu. Precisamos de um debate técnico, mais qualificado para a próxima eleição, apontando o que seja factível.

Vejo a crítica do Legislativo como correta sobre a questão dos lotes vagos e do imposto progressivo, mas a conta não se soluciona somente com isso, o que não significa que não seja também uma forma de atacar o problema. A partir do próximo ano, poderemos aplicar o imposto progressivo sobre propriedades.

Embora não queira entrar no mérito do que foi aprovado para parcelamentos como Jardins do Cerrado [região oeste] e Orlando de Morais [região norte], é correto citá-los como exemplos negativos para apontar preocupações com relação à expansão urbana sem critérios técnicos. Mas digo com toda a convicção: as orientações que recebo do prefeito são sempre pelo interesse público e assim tenho me pautado.

Para discutir a questão urbana, me relaciono com todos os interessados: entidades como Secovi [Sindicato da Habitação do Estado de Goiás], Ademi [Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás], Sinduscon [Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás], bem como com vereadores e lideranças. A discussão precisa se pautar com cuidado e levando em conta proposições positivas, tendo em vista os eixos de adensamento e a ocupação dos vazios urbanos. Isso é o mais sensato. Não podemos fugir do interesse público.

“O urbanismo de Goiânia só foi respeitado de 1937 a 1942”
Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Maria Ester de Souza, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU): O olhar político faz a cidade paralisar e não agir em prol do interesse público. É isso que se denota das palavras da vice-presidente do CAU de Goiás. A arquiteta e mestre em Geografia critica de forma veemente a falta de execução na gestão pública

O CAU tem dois tipos de atuação, digamos assim. Um é zelar pelo exercício profissional; outro é atuar com a preocupação de estimular que se discuta a cidade. Para se falar de planejamento urbano, há dois vieses: um é o da gestão pública, sempre tomado pela questão política. A Lei Orgânica de um município é traçada em um arranjo político, obviamente. Outro viés é a teoria e toda a estrutura de conhecimento científico de planejamento urbano. Esses dois vieses não “conversam” entre si. Mas é bom lembrar que é no município que as coisas acontecem — alagamentos, violência, dificuldades no trânsito e tudo o mais.

Observando como isso se processa, fico espantada como ainda não haja uma commodity oficialmente chamada de “lote”. Mas há sempre um grupo que solicita ao gestor que satisfaça seus interesses, e encontram-se áreas para que esse segmento possa ter lucro. Chamam a esse processo de expansão urbana. A primeira pergunta é: para que vamos discutir expansão urbana?

A lei de expansão urbana modifica o perímetro. É óbvio que, olhando para o quadro que temos na Câmara, alguns vereadores vão ser sempre favoráveis a manobras assim. Só que o CAU não vai olhar para aspectos políticos. Eu só consigo olhar para o lado urbanístico. E, pela lógica, por que expandir mais o perímetro se há 100 mil lotes vagos dentro da cidade?

O urbanismo de Goiânia só foi respeitado de 1937 a 1942. A partir daí, entraram no jogo os grandes proprietários de terra. Do ponto de vista urbanístico, não tem lógica expandir mais a cidade. Mas, pela lógica do segmento econômico, essa é a solução — para o mercado imobiliário. Então, existe uma solução. Mas solução para quem?

Não conseguimos ter um gestor para as pessoas, mas para si e seu grupo interessado. Está errado? Quem está “dentro” não acha — e isso inclui vereadores, políticos, secretários, empreendedores etc. O argumento do mercado econômico é de que, se a cidade não se expande, não se desenvolve. Não demonstram, porém, tal interesse quando o tema é educação para o trânsito ou reciclagem do lixo, porque isso não dá lucro.

A palavra sustentabilidade virou moda nos anos 80. Todo mundo tinha de falar nisso. Virou slogan. Agora, é a expressão “cidade compacta”. Só que isso é um conceito muito mais amplo. O programa Minha Casa Minha Vida injetou dinheiro e modificou a paisagem onde foi inserido. Mas não faz sentido ter casa e não ter padaria, açougue, posto de saúde. Não adiantam 5 mil casas se ali não houver padarias, ônibus, escolas e tudo o mais.

O Plano Diretor de 2007 tenta resol­ver os espaços vazios. Histo­ricamente, porém, temos gestões que só conseguem se movimentar para atender quem lhes interessa. Como na cabeça de um médico gestor está sendo aplicada a gestão da saúde? E a da educação? Se não está a contento nessas áreas, como será para a cidade, a mais complexa das construções, onde há de tudo (telefone público, árvore, animais, asfalto, bicicleta, grama, escola, parque, crianças, posto de saúde, ônibus)? É uma complexidade astronômica. Então, um planejamento urbano só serve se for a meta aplicá-lo.

O problema é que a gestão pública não tem execução. Vai fazer o que interessa a ela. A implantação dos corredores preferenciais é “pra ontem”, mas tem gente ainda a critica ferozmente — ora, com 1 milhão de carros nas ruas é impossível imaginar que isso ainda não tenha sido implantado, é minimamente lógico, basta usar o bom senso. Mas há uma questão cultural: só fazer depois que o caos completo estiver instalado.

“O problema de Goiânia não é plano. São as gestões”
Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Luiz Fernando Teixeira – XIBIU, arquiteto e consultor de planos urbanísticos: Goiânia não tem carência de planejamento. O que falta é gestão — e isso há várias administrações. Esse é o ponto de vista do arquiteto Luiz Fernando Teixeira, o Xibiu, um dos nomes locais mais respeitados nacionalmente.

Considero “cidade sustentável” aquela que se aproxima de média de 300 habitantes por hectare. E sustentabilidade não é uma questão ideológica, é criar condições de vida. Menos trânsito, menor expansão da área urbana. Mas Goiânia tem 30 habitantes por hectare. Isso é insustentável. Temos regiões que são exceções — como o Setor Bela Vista, o Jardim Goiás, o Setor Bueno, com até 600 pessoas por hectare —, mas que são consequência de planos passados.

E não se pode adensar somente por adensar, isso tem de ser planejado ao longo dos eixos de transporte. É como a história do ovo e da galinha: se não tiver densidade não tem transporte, e vice-versa. Ambos têm de vir ao mesmo tempo. Têm 19 eixos para executar e até agora só dois ou três foram de alguma forma implantados. E ainda há o que fazer, por exemplo, no da T-63, que nem é um dos mais importantes. O transporte urbano só tem como se sustentar com a implantação dos corredores. O Plano Diretor de Goiânia trabalhou nesse sentido para que no futuro tenhamos capacidade de implantar um transporte com a maior carga possível de passageiros. O principal corredor, o Eixo Anhanguera, é uma área muito mal ocupada. Seria importante que houvesse incentivo para fazer seu adensamento de forma ordenada.

Plano Diretor não pode ser para controlar altura de prédio e recuo de calçada. Então, nosso problema não é de plano, é de gestão. Não temos conseguido isso nas últimas gestões. Em 1969 tivemos um plano em que se estabeleceram os grandes eixos, as áreas de adensamento, e sua implantação foi consequente. Na década de 80, ao contrário, tivemos um Plano Diretor do qual nada foi implantado.

Do plano de 2007, até agora, de fato, nada foi implantado, nada em relação aos projetos estruturantes previstos — acessibilidade, habitação, mobilidade, terminais etc., indicando onde e como tem de se investir. São quase dez anos e não se fez nada. O plano tem de ser comandado pelo Executivo. À época, queríamos a volta do Iplan [Instituto de Pesquisa e Planeja­mento], mas isso foi vetado pelo então prefeito Iris Rezende. Acabar com um órgão como esse já tinha sido um desastre, e seria fundamental para o Plano Diretor que ele ressurgisse. Infelizmente, isso não ocorreu.

O plano é muito abrangente, mas, depois de todo esse tempo, não foi aplicado em praticamente nada. Daqui a alguns anos, vão fazer outro plano, com o argumento de que não há planejamento. Ora, Goiânia tem planejamento — como prova o Plano Diretor —, o que não tem é gestão. E a Secretaria de Planejamento infelizmente não está lá para planejar, mas para controlar.

Trabalhei com Jaime Lerner [ex-prefeito de Curitiba e considerado uma grande referência em gestão urbana] e ele me falava: “De manhã planejo a cidade; de tarde, atendo às pessoas.” Gestão é perceber onde e quando há um problema e agir ali para corrigir. Nos gabinetes, infelizmente, o pessoal se perde atendendo favores e não tem tempo para governar. Por outro lado, a iniciativa privada não espera. A velocidade do poder público é inversamente proporcional à do setor privado.

“Sem leis complementares, o Plano Diretor fica capenga”
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

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Anselmo Pereira, presidente da Câmara de Goiânia. O vereador do PSDB, nome mais experiente do Legislativo goianiense, o qual dirige, não vê como implementar as condições de cidade adensada sem que antes haja a aplicação do Plano Diretor. E para isso é preciso, antes, que ele seja complementado com leis do Executivo.

O Poder Executivo está pecando. A evolução dos eixos preferenciais está sendo atacada de forma muito lenta, em relação ao prazo que o Plano Diretor estipulou. Na verdade, a maioria dos prazos não está sendo cumprida. Já deveria ter havido muito mais investimento nos eixos, porque só assim vamos facilitar a mobilidade. As quadras próximas a eles ficariam para um adensamento maior. Mas, se não houver um transporte mais qualificado, de nada adianta a lei. Ninguém vai construir em um local para ter de continuar andando de carro. A ideia é que o cidadão deixe o carro em casa e vá trabalhar no transporte de massa.

Então, ainda falta muita coisa para complementar o Plano Diretor. Ficaram “dívidas” em forma de leis. Sem essas leis, se torna um plano capenga. Por exemplo, tem a Lei de Parcelamento de Solo, que até agora não chegou à Câmara. Há também o Código Ambiental, a reforma do Código de Posturas e a do Tribu­tário, entre outras. Tudo isso era preciso para tornar o Plano Diretor exequível.

Também estava previsto que ele tivesse uma atualização de dois em dois anos e uma revisão de dez em dez anos. Até agora foi feita apenas uma atualização, em 2013. Ou seja, a Prefeitura está pecando em não obedecer à lei. Como vamos discutir a adequação ambiental da cidade se não há código ambiental?

O Plano Diretor foi concebido sob a visão da cidade compacta. Entretanto, ficaram, das últimas determinações de macrozona construída, vários vazios entre áreas densamente povoadas. É preciso corrigir isso, porque a pressão urbanística exige. Goiânia já chegou a ter mais de uma centena de loteamentos clandestinos, justamente para que o parcelamento fosse forçado. Já temos vários espaços sofrendo pressão novamente para isso.

Um exemplo está na região sudoeste. Entre o Residencial Itaipu e o Real Conquista tem uma área com esse tipo de pressão. Se não corrigirmos isso agora, corremos o risco de ter parcelamentos disfarçados — daqueles em que se modula uma área para certo uso e se faz outro, dividindo-a em vários lotes. Temos áreas rurais corrigidas no meio urbano, então temos de atualizar a macrozona de modo corretivo. Ninguém quer expansão urbana para especulação.

Já tivemos exemplos de erros no projeto de expansão. Os setores Madre Germana [região sudoeste] e Orlando Morais [região norte] são exemplos, foram uma imposição em cima do Plano Diretor, que mostram que o Executivo rasga sua própria carta.

“Os vazios urbanos encarecem a cidade com estrutura ociosa”
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

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Elias Vaz, vereador (PSB): bastante crítico da ocupação do espaço urbano, Elias Vaz (PSB) foca a questão do adensamento em um dado alarmante: a existência de 100 mil lotes vagos na malha já ocupada do perímetro urbano da cidade — o que evidencia que talvez não seja necessário executar mais um projeto de expansão.

Defendo uma ocupação racional, planejada, compacta. Precisamos adensar, mas isso não pode ocorrer de forma exagerada, como houve no Setor Bueno. O Plano Diretor de 2007 adotou um caminho correto, mas há muito a ser feito. Goiânia tem mais de 100 mil lotes vagos. Estamos falando de um total de 400 mil pessoas — se colocarmos uma família de quatro pessoas por lote — que poderiam ser inseridas sem que houvesse qualquer expansão, tornando a cidade mais compacta.

No sentido de implantar o que rege o Plano Diretor, a Prefeitura tem tido uma atuação muito insipiente, como ao retardar a implantação do imposto progressivo. Não é que queiramos inibir que o cidadão tenha mais de uma propriedade, mas é preciso que esta tenha função social. Até aqui, temos jogado dinheiro fora, pois os vazios urbanos encarecem a cidade com muita estrutura ociosa. É o que ocorre com um conjunto urbano espalhado. Isso prejudica, onera e faz aproveitar mal redes de esgoto, linhas de ônibus, energia, água.

Outra medida é fazer com que cada pessoa possa resolver o máximo de sua vida ao redor de sua casa. A necessidade de deslocamento tende a ser menor e uma região como a noroeste da Goiânia pode passar a ter vida própria, com uma lógica de ocupação racional.

Acima de tudo, para que o Plano Diretor dê certo, será fundamental que o transporte público funcione. Em Bogotá, temos um eixo de transporte que faz o deslocamento ocorrer a 27 km/h. O metrô de São Paulo faz a média de 32 km/h. Precisamos desenvolver o BRT e os demais eixos e dar-lhes rapidez e agilidade.

“Goiânia precisa dialogar com toda a região metropolitana”
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

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Waldir Soares, deputado federal (PSDB): Embora ainda a um ano do início da campanha eleitoral, o goiano supercampeão de votos para a Câmara dos Deputados é também um dos mais citados nas pesquisas para a sucessão municipal. O deputado-delegado entende que Goiânia precisa dialogar com os municípios vizinhos

Temos de respeitar o planejamento urbano. E é bom lembrar que em Goiânia — que teve planejamentos desenvolvidos de forma moderna mesmo antes de Curitiba — as últimas gestões não seguiram esse planejamento, especialmente no que se relaciona às vias estruturais.

Sou contrário à expansão. Devemos ocupar os imóveis ociosos e evitar o adensamento eleitoreiro, focado por interesses de grupos imobiliários. Isso é uma covardia com o cidadão, é um crime esparramar a cidade, porque depois não conseguimos levar escolas, delegacias redes de esgoto etc., e assim prossegue o desmantelamento de uma cidade.

Vejo também que o ex-governador e ex-prefeito Iris Rezende levou o adensamento para a região noroeste, por exemplo, mas se esqueceu de levar os benefícios. O que deve ser feito? Defendo a manutenção da área rural que temos hoje e que passemos a adensar junto às vias estruturais, perto do transporte coletivo. O Eixo Anhanguera é um caso de grande via que tem um adensamento muito aquém do que poderia, com relativamente pouca moradias.

Por outro lado, não podemos desprezar o crescimento de Goiânia em relação à região metropolitana. Tem de haver um estudo uniforme, em consonância com os demais municípios. Fazer um estudo de Goiânia de forma individualizada, sem conversar com os prefeitos vizinhos, é um grande erro também — sabemos que alguns municípios são dormitórios e que a população deles trabalha na capital. Enfim, não se pode conseguir uma cidade sustentável de maneira isolada.

Vejo exemplos como os de Palmas e Curitiba — cidade onde já morei em Curitiba, trabalhando na prefeitura de Cássio Taniguchi (1997-2005) como auditor fiscal. São cidades em que o planejamento está dando certo. Goiânia teria tudo para dar certo também, porque nossa capital tem planejamento. Como eu já disse, seus agentes políticos é que não o têm cumprido.

“Precisamos ter 100% de conhecimento do que é o Plano Diretor”
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

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Vanerlan Cardoso, ex-prefeito de Senador Canedo e pré-candidato à Prefeitura de Goiânia: Com experiência de gestor tanto na iniciativa privada (é um próspero empresário) e no setor público (como ex-prefeito de Senador Canedo), Vanderlan Cardoso está no jogo para a disputa da Prefeitura de Goiânia. Mas diz que vai aguardar discussões do grupo de trabalho do partido para externar posição.

O PSB está fazendo um grupo de trabalho para pensar, fazer levantamentos sobre o que queremos para Goiânia. Vamos apresentar soluções para o candidato do partido apresentar. Por isso, prefiro não entrar em polêmica sem ter 100% de noção do que vamos ter em mãos. Precisamos nos inteirar da forma correta sobre como anda o Plano Diretor de Goiânia e estamos fazendo isso por meio desse grupo técnico. Vamos apresentar nossa posição no momento certo, e creio que isso será bem próximo de se iniciar a pré-campanha. Até lá, será preciso ter o máximo possível de dados sobre tudo.

“Ou solucionamos o problema ou a cidade arruma suas soluções”
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

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Agenor Mariano, vice-prefeito de Goiânia: Além de vice-prefeito, ele é um dos nomes mais próximos daquele que deve ser o candidato peemedebista à sucessão — o ex-prefeito Iris Rezende. No entanto, Agenor pensa que o partido tem pouco a falar sobre o caso, já que, apesar de participar da gestão de Paulo Garcia, não ocupa a pasta responsável pelo planejamento da cidade.

O PMDB ainda vai colocar em pauta a discussão sobre Goiânia. Creio que seja melhor não falar ainda como partido. Se pelo menos estivéssemos pelo menos na secretaria responsável (Semdus), até poderíamos nos atrever. Como o partido não está na execução da pasta, não temos como falar. O que posso dizer é que temos um excelente Plano Diretor e que ele foi aprovado na gestão de Iris Rezende. Esse plano moderno, portanto, é um fruto de sua administração.

Mas discutir planejamento e adensamento urbano é algo tão polêmico que um vereador pensa de um jeito e outro de forma totalmente diferente, mesmo estando no mesmo partido.

Espero que sejamos capazes de encontrar uma solução melhor para Goiânia, nos lembrando sempre de que as pessoas precisam de moradia e de que todo dia chega gente nova a Goiânia — e de que todo dia nasce mais gente também. Se tomarmos a densidade demográfica desde a elaboração do Plano Diretor, veremos que Goiânia já aumentou em centenas de milhares de habitantes. Temos diversos problemas, mas o crescimento da cidade não vai parar apesar deles. Temos de dar solução rápida para o problema, porque senão a cidade mesma arruma “soluções” que em geral não são as melhores — as favelas são exemplo disso.

“É preciso puxar Goiânia para o ritmo do Estado”
Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Jayme Rincón, presidente da Agência Goiânia de Transportes e Obras (Agetop): Responsável pela face mais “executora” do governo Marconi Perillo, o presidente da Agetop é o nome mais citado no PSDB para a disputa da próxima eleição em Goiânia. De estilo contundente, ele fala em uma série de “equívocos” das últimas gestões e diz que o maior deles foi ter um Plano Diretor “ditado pelo setor imobiliário”.

É óbvio que o nível de adensamento que temos em algumas regiões de Goiânia está errado. Vejo, por exemplo, que uma região como a do Setor Bueno está insuportável. Morei na T-38, em uma quadra planejada para ter de 40 a 50 residências, e que hoje está entupida de prédios. Lá, há 500 ou 600 famílias atualmente. Tenho certeza de que o objetivo dessa ocupação não foi para benefício de Goiânia.

Em minha avaliação, de todos os equívocos cometidos pelo grupo que está no poder na cidade, o maior foi um Plano Diretor ditado pelo setor imobiliário. A capital tem uma área de expansão enorme e os planos diretores poderiam ter sido elaborados pela característica da cidade plana que temos.

É preciso setorizar o município, procurando colocar o trabalho mais próximo da residência, levando o crescimento da cidade para as regiões, conseguindo uma evolução dos serviços e do comércio. Isso também tem sido desrespeitado, porque cada um hoje pode fazer o que quiser em qualquer lugar. Para essa setorização planejada, é preciso levar os serviços públicos e o comércio também, senão depois haverá complicações, como no trânsito.

Temos na região noroeste, para citar um exemplo, uma outra cidade, que cresceu de forma desordenada e hoje é enorme, mas sem nenhuma infraestrutura. Um dos grandes desafios do próximo prefeito será requalificá-la. O Hugol [Hospital de Urgências Governa­dor Otávio Lage, nome escolhido para batizar o Hugo 2], que o governo estadual, vai inaugurar no próximo mês, será um instrumento importante para isso.

Outro caso típico de erro é o Parque Flamboyant. Encheram os arredores do parque de prédios e, onde tinha de ser pista dupla, não dá mais para resolver a questão do trânsito com mão e contramão. Isso porque tudo foi concebido somente para atender ao poder imobiliário. O Parque Flamboyant é a cara de Iris Rezende no que diz respeito a planejamento urbano, não há como circular por lá. Se não repensarmos um Plano Diretor discutindo com a sociedade, elaborando-o para os próximos 50 anos sem que ninguém mais mexa no planejado, nada vai dar certo. E essa discussão de expansão urbana tem de ficar para o próximo prefeito e não para um prefeito em fim de mandato.

É preciso lembrar que transporte coletivo, por melhor que seja, nunca será tão bom quanto andar de carro. Só que transitar no Centro com carro, em uma cidade como a que temos, é algo que não pode existir mais. É preciso priorizar o transporte público. O prefeito Paulo Garcia até tentou, mas mexe com interesses que já estão aí há muito tempo. Claro, há dificuldades, mas alguém tem de ser afetado em benefício da maioria. E é preciso alguém com credibilidade, liberdade de ação e firmeza para fazer isso.

O grande desafio de Goiânia é dar o salto que foi dado nos governos de Marconi Perillo (PSDB). É preciso puxar Goiânia para colocá-la no ritmo do Estado. Temos a vantagem de ter uma cidade plana, sem favelas, com um traçado original que foi preservado. O próximo prefeito será um divisor de águas nessa história.

Uma resposta para “O espaço urbano em pauta: por que Goiânia é assim?”

  1. Ana Flávia Rissati disse:

    qual a data desta publicação?

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