Marconi faz jogo de cena ao dizer que outras siglas querem seu passe?

No cenário da sucessão municipal, os deputados Delegado Waldir e João Campos fazem a mesma negaça no PSDB

Assim como Aécio Neves “estudaria” troca de legenda para disputar a Presidência novamente, Marconi insinua que poderia sair do PSDB; João Campos também ameaça deixar o ninho tucano, enquanto Delegado Waldir não concorda que os goianienses queiram “gerentão”

Assim como Aécio Neves “estudaria” troca de legenda para disputar a Presidência novamente, Marconi insinua que poderia sair do PSDB; João Campos também ameaça deixar o ninho tucano, enquanto Delegado Waldir não concorda que os goianienses queiram “gerentão”

Henrique Morgantini
Especial para o Jornal Opção

Marconi deu duas se­nhas neste final de semana em Goiânia. Distante da política partidária neste começo de ano como um gestor em início de mandato – e com inúmeros “desafios” (desafio é o eufemismo mais utilizado na política para definir “problemas”) deve fazer, o governador tucano deu duas bicadas importantes para que se possa entender suas vontades e ambições nas duas próximas eleições: 2016 e 2018.

E observar as vontades de Marconi Perillo é compreender por onde o tucanato goiano deve andar.

A primeira delas, mais pessoal, referiu-se ao sepultamento dos boatos de que estaria estudando uma mudança de partido a fim de que tivesse projeção e condições de entrar no debate sobre a confecção das chapas nacionais para 2018. O assunto não é novo nem exclusivo de Marconi. Há quem constantemente fale que Aécio Neves – que vive de fagocitar a trajetória do avô – também estudaria uma troca de legendas para ser novamente candidato à Presidência em 2018. Mas, no caso de Marconi, vindo de Goiás, um Estado numericamente inexpressivo em densidade eleitoral, adentrar pelo PSDB num debate nacional tão fechado seria quase um sonho. O PSDB nacional é reconhecido por “paulistanizar” as decisões e dificilmente abriria espaço ao goiano. Para permitir a ascensão de Aécio já foi um parto.

Mas Marconi tentou apaziguar o mundo das fofocas políticas com uma declaração decisiva e charmosa: não sai do PSDB “em hipótese alguma”. Segundo o próprio, “felizmente” ele já recebeu convites de outros partidos, mas – diz o tucano – tem “uma história vitoriosa no PSDB”. A afirmação tem duas vertentes a serem observadas. A primeira delas é a fidelidade na qual reafirmou. Mas a segunda parte deixa um quê de assédio, de charme, de disputa. Algo na linha do “quem não dá assistência, abre espaço para a concorrência”. A concorrência, no caso, é o assédio de Gilberto Kassab, que gostaria de ter Marconi Perillo no seu PSD.

Contribui para todo este cenário, os elogios que Marconi Perillo andou fazendo à presidente Dilma e, em especial, à blindagem que realizou nela quando da sua visita a Goiânia. O PSDB teria ficado enciumado com tamanha corte feita pelo governador à petista. Nada como um belo golpe de charme para tornar todas as relações bem mais interessantes. E de charme político, Marconi Perillo é um Dom Juan de Marco.

Vejam que este mesmo charme vai ser usado já-já por João Cam­pos, o pastor-delegado-de­pu­tado para obter a mesma atenção do PSDB, desta vez, o goiano.

Mas ainda não é hora disso.

O fato é que a declaração de Marconi Perillo muito mais insepulta do que enterra a atenção do PSD – ou de outras legendas – pelo seu passe. Perillo pode, sim, ter chance de entrar na montagem de uma chapa nacional como vice em 2018, algo que é praticamente inviável nos dias de hoje dentro do PSDB. Não que o currículo do tucano não sirva – ele serve aliás bem mais do que os que já foram escolhidos em outras oportunidades – mas, como se sabe, pesa a leveza de Goiás como colégio eleitoral. Se forem somados como ingredientes o fato de Kassab ser ministro de Dilma e os galanteios políticos de Marconi à presidente, tem-se um prato cheíssimo para as especulações.

A outra declaração de Mar­co­ni Perillo é bombástica em vários níveis. Remete à disputa da Pre­feitura de Goiânia em 2016. Du­rante o evento tucano que colocou Rafael Lousa no comando metropolitano da legenda, Perillo sentenciou que não tem como o PSDB não lançar candidato na disputa da capital no ano que vem. É um disparo que atinge direta e indiretamente diversos alvos.

Os primeiros alvejados são os quadros dos partidos da base marconista que já se organizavam para montar projetos e grupos de apoio a fim de apresentar ao governador à espera de sua bênção. A lista é grande e, mais recentemente, o melhor dos nomes disponíveis se aproximou da base de Marconi. Trata-se de Vanderlan Cardoso. O ex-prefeito de Senador Canedo nega uma aproximação tácita e explica que está apenas mantendo o diálogo, o que faz com diversas lideranças de várias legendas. No entanto, com a fusão do seu partido com o PPS, o caminho natural de todos é se agruparem sob o jugo marconista. Restaria a Cardoso ser ungido por Marconi.

Mas o governador já disse: desculpe, mas não vai ter como.

Ele e o PSDB sentem o grande momento que atravessam em decorrência da administração de Paulo Garcia. Sabem que a atuação do atual prefeito petista é um tiro certeiro no PT e também no seu padrinho político, Iris Rezende. Resumo: o tucanato nunca se sentiu tão perto do paço municipal. E então foi fundamental afirmar: o PSDB não fica de fora.

Mitologicamente, Marconi Perillo agiu como uma Éris que, no casamento de Peleu e Tétis, um evento repleto de deusas vaidosas e cheias de autoestima, lançou uma maçã no salão e ofereceu: “Uma maçã para a mais bela”. Claro que, como em todo casamento de celebridade, o pau comeu porque todas as deusas – e estamos falando de Hera, Atena e Afrodite – saíram no braço por se acharem a mais bela e merecedoras da tal maçã. Nascia ali a Discórdia.
Portanto, ao garantir o espaço do PSDB na eleição do ano que vem, Marconi faz o tucanato agonizar numa euforia dos deuses.

Jayme Rincon é uma espécie de protegido, preferido, já pré-ungido, mas entram na briga pela atenção do líder-maior pelo menos dois nomes: Delegado Waldir e João Campos. Ambos deputados federais e delegados da Polícia Civil, cada um reagiu à sua maneira no mesmo evento em que ocorreu o anúncio do governador. Waldir, rápido no gatilho de proferir bobagens políticas, partiu para o ataque aberto ao colega de ninho. Disse que Goiânia não precisa do tal “gerentão”, mas de um xerife. Ele, claro, se coloca como candidato a homem da lei a andar pelas ruas com um distintivo de estrela e uma arma na cintura à captura dos vilões. Tudo muito risível e trágico.

A pior coisa que poderia acontecer a Goiânia era, após Paulo Garcia, acontecer um Delegado Waldir. É um Katrina e um Sandy, assim, na sequência.

Já João Campos, mais experimentado nas coisas da política e calejado com os inúmeros processos partidários internos que já passou, preferiu usar a tal tática do charme. Ao Opção Online, Campos diz que jamais procurou ninguém, mas que tem sido bastante procurado por partidos políticos, entre eles, olha só quem… o PSD. O delegado evangélico usa com o PSDB goiano o mesmo expediente, com os mesmos personagens de assédio, que Marconi Perillo faz com o tucanato nacional. Tudo na base do “estou aqui com vocês, mas se vocês não me quiserem e alguém lá fora me quiser…”.

Quem não dá assistência…

O fato é que não existe movimento em falso na política partidária de Marconi Perillo. Não houve um passo em falso ou uma declaração infeliz sequer. Do contrário, assim como todo líder de partido e agente político experiente, Marconi promoveu e estimulou a disputa interna. Um homem só se faz forte quando sobrevive a inúmeras batalhas. E ao lançar a maçã da candidatura do PSDB no salão de festas metropolitano, Marconi coloca Rincon, Waldir e Campos no espaço aberto da disputa. Cada um deverá escolher seus aliados, suas estratégias e suas armas. Cada um deverá tentar chegar ao final do processo com menos ferimentos e mais vitórias. E vivo, politicamente.

O que pisar de pé e em primeiro lu­gar ao Olimpo deverá ser o ungido.

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