Líder nas pesquisas, Caiado representa “renovação” segundo apoiadores

Aliados veem no senador democrata a possibilidade de vitória da oposição e MDB enfrenta divisão entre caiadistas e vilelistas

Levantamentos recentes mostram Caiado à frente nas intenções de votos,
mas o senador também lidera índice de rejeição

Faltando cerca de quatro meses para a população ir às urnas, o senador Ro­nal­do Caiado (DEM), pré-candidato ao governo de Goiás, segue liderando as pesquisas. De acordo com um dos levantamentos mais recentes, a segunda rodada da pesquisa Serpes/O Popular, divulgada no dia 10 de junho, o democrata aparece com 38% na estimulada. Em seguida, vem o governador José Eliton (PSDB), 10%; depois o deputado federal Daniel Vilela (MDB), 5,6%. Na sequência, Kátia Maria (PT), com 4,6%, e Weslei Garcia (PSol), 1,1%.

Até o momento, vários parlamentares e lideranças importantes manifestaram seu apoio à candidatura de Caiado. Entre os argumentos utilizados por seus aliados, ganha destaque o de que o senador representaria novos horizontes para o Estado, após quase 20 anos de gestão liderada pelo PSDB. A oposição ao governo, no entanto, tem protagonizado cisões partidárias, especialmente o MDB, que se divide entre os apoiadores de Caiado e os defensores da candidatura própria de Daniel Vilela.

Ronaldo Caiado e Bolsonaro têm perfis parecidos, segundo Delegado Waldir

Aliado e uma das prováveis apostas para deputado federal da base cai­a­dista, o deputado Delegado Waldir Soares (PSL), em entrevista ao Jornal Opção, alega que Goiás precisa de mudanças. Segundo ele, os últimos anos foram “traumáticos” para a segurança pública, uma de suas bandeiras mais elementares. O deputado enxerga em Caiado oportunidade de renovação, afirmando que o nome do senador não está envolvido na operação Lava Jato. “Precisamos de uma pessoa corajosa e honesta para o governo e Caiado tem o perfil que os eleitores pedem.”

Para o delegado, caso eleito, o pré-candidato terá três grandes principais desafios: resolver questões relacionadas à segurança, oferecer soluções para a saúde pública e dar continuidade a obras inacabadas. O deputado chega a comparar o senador ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), um dos motivos que justificariam seu apoio ao democrata. De acordo com ele, alguns posicionamentos em comum fundamentam a comparação: são contra o aborto, priorizam medidas de segurança pública e são contra a legalização das drogas. “Eles têm muitas semelhanças, ideologicamente. Algo essencial neste momento.”

Dr. Zacharias Calil afirma não ter interesse em assumir Secretaria Estadual da Saúde

Recém-filiado ao DEM, o médico Zacharias Calil também defende a ideia de “novo”, que recorrentemente é atrelada a Caiado por parlamentares que o apoiam. “Caia­do é o que todo mundo espera, uma nova gestão na política, alguém que é bem visto em toda a sociedade”, explica. É na classe médica, todavia, que o renomado cirurgião encontra ainda mais motivação para caminhar ao lado do senador. “É importante ter uma pessoa da nossa classe nos representando. Caiado tem uma proposta muito boa, que é a formação de uma frente parlamentar de médicos”, pontua Calil, referindo-se à carreira de Caiado como médico ortopedista.

No início do ano, o senador teria esboçado a promessa de indicar o deputado Dr. Antônio para a Secretária de Saúde e o nome de Calil também estaria cotado para a pasta. Pré-candidato a deputado federal, Calil afirma que não tem interesse em assumir a função, reiterando sua vontade de atuar na Câmara. “É o momento exato de a gente entrar na política e trabalhar mais produtivamente. Nunca tive essa oportunidade em gestões anteriores.” O médico destaca como proposta, sobre a qual já teria conversado com Caiado, a construção de um hospital pediátrico em Goiás.

A saúde também é um tema abordado pelo deputado estadual Lívio Luciano (Podemos). “Caiado irá atender verdadeiramente as questões sociais e apresentar mudanças na saúde, com a regionalização do atendimento e aplicação de 12% da receita na área”, pontuou. Esse valor já é previsto em lei, determinando o porcentual mínimo das arrecadações que os Estados devem aplicar na saúde.

Lívio Luciano foi um dos que deixaram MDB para fortalecer chapa caiadista

Lívio Luciano foi um dos parlamentares que deixaram o MDB para fortalecer a chapa caiadista. O deputado filiou-se ao Podemos, em abril, e no mesmo mês a presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP), veio a Goiânia oficializar a pré-candidatura do político como vice de Caiado. De acordo com o deputado, a indicação ocorreu após minuciosas discussões dentro do partido. Mesmo assim, cauteloso, ele diz que é preciso aguardar até as convenções para efeito de quaisquer vislumbres.

Outra peça importante na polarização emedebista é o prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale (MDB). Desde o ano passado, o gestor vem manifestando seu apoio à candidatura do democrata. Para esclarecer sua posição, o prefeito lembra a influência de Caiado no setor agropecuário. “Goiás é vocacionado para o agronegócio e Caiado é hoje uma das principais e mais fortes lideranças do setor. Tenho convicção de que ele reúne as condições de levar Goiás a uma nova fase de desenvolvimento econômico e social.”

Enquanto administrador municipal, Paulo do Vale sublinha projetos voltados para as cidades. “Caiado já mostrou que olha para os municípios. Acredito que seu grande mérito como governador será tratar os municípios de maneira igualitária, conforme a vocação de cada um e sem discriminações políticas.” Para complementar, ele pontua que “Rio Verde é um polo regional que atende a população de mais de 20 municípios com demandas em todas as áreas, precisando de pontualidade de repasses do governo estadual”.

MDB

Ao final do mês de março, uma cerimônia na Assembleia Legislativa de Goiás oficializou o que já se esperava: uma divisão no MDB entre caiadistas e vilelistas. Prefeitos emedebistas da ala pró-Caiado declararam seu apoio ao pré-candidato em um ato encabeçado pelos chefes municipais Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa), Fausto Mariano (Turvânia), Paulo do Vale (Rio Verde), Renato de Castro (Goianésia) e o então líder do partido na Assembleia, o deputado estadual José Nelto, agora filiado ao Podemos.

A “união da oposição” é a consideração que determina o discurso. Ainda em março, o próprio Caiado esteve na Câmara Municipal de Goiânia e afirmou estar “convicto” dessa aliança. O apoio do MDB teve participação importante na eleição do democrata ao Senado, em 2014. As incertezas, contudo, ainda ditam o tom do jogo político. Segundo José Nelto, “90% do partido apoia a candidatura de Caiado”, porém seria impossível presumir algum tipo de aliança nesta altura do campeonato. O deputado, que deixou o MDB após três décadas na sigla, afirma categórico: “Não vai ter mais aliança. Daniel Vilela virou um coronel do partido”.

De acordo com o político, o pré-candidato emedebista não teria aberto espaço para diálogo, inviabilizando negociações que decidiriam “o melhor para a sigla”. Conforme José Nelto, Vilela não discutiu em nenhum momento, se negou a conversar e pensou apenas nele mesmo. “Ele agiu como um coronel e o MDB é, agora, comandado por Daniel.” O deputado estadual acredita que a união das oposições é essencial, mas a possibilidade de participação do MDB nessa coalizão está descartada.

Sobre o assunto, Paulo do Vale pondera. Apesar de seu apoio ao senador, ele afirma que não pretende sair do MDB, cultivando “imenso respeito” pelo partido. O prefeito considera uma possível união durante as convenções. “Uma grande parte do partido rejeita frontalmente qualquer tipo de aliança com o grupo que hoje está no poder e deve marchar com Caiado nas eleições.” O político, esperançoso, diz que a meta sempre foi a união das oposições. “Continuaremos perseguindo esse alvo até o fim.”

O deputado Lívio Luciano, que, assim como José Nelto, também filiou-se ao Podemos, defende a unificação. Para ele, os eleitores já “abraçaram” Caiado e a aliança emedebista seria uma realidade possível. “Enquanto estive no MDB, lutei com unhas e dentes para que o partido se unificasse. Ainda vejo alguma possibilidade nisso e se acontecer, a vitória das oposições é certa”, esclarece.

Carreira

Nascido na cidade de Anápolis, em 25 de setembro de 1949, Ronaldo Caiado tem seu nome consolidado como um dos principais representantes da bancada ruralista. Membro de uma tradicional família de produtores rurais e políticos, o senador é também médico ortopedista, formado pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.

Caiado já concorreu à Presi­dência da República, em 1989. Mas seu primeiro cargo político só veio dois anos depois, quando foi eleito deputado federal por Goiás. Voltou ao cargo na eleição de 1998 e foi reeleito em 2002, 2006 e 2010. Engana-se quem pensa que o pré-candidato nunca concorreu ao cargo de governador do Estado. Em 1994, ele emplacou uma candidatura ao Executivo, recebendo 23% dos votos.

Em 2014, com 1,2 milhão de votos, o parlamentar chegou ao Senado, tornando-se, no ano seguinte, líder da bancada do DEM na Casa. Além disso, é presidente regional do partido. Segundo levantamento feito pela organização Ranking dos Políticos, Caiado está na 70ª posição na classificação que avalia deputados e senadores do “melhor” para o “pior”. O senador perdeu 24 pontos no critério “presença nas sessões” e ganhou 24 pontos no medidor “privilégios”.

De acordo com os dados, o pré-candidato compareceu em 287 das 348 sessões, ou seja, abaixo da média dos demais parlamentares. O saldo positivo da pontuação, todavia, vem do fato de ter gasto R$ 743.548,16, valor menor que a média liquidada por outros senadores.

Levantamento aponta alto índice de rejeição e de eleitores indecisos

Nas últimas pesquisas, o senador Ronaldo Caiado é o candidato com maior vantagem numérica tanto nas estimuladas quanto nas espontâneas. Conforme a segunda rodada do levantamento Serpes/O Popular, Caiado aparece com 38%, na primeira modalidade. Na espontânea, quando o eleitor declara sua intenção de voto sem a apresentação de listas prévias, o nome do pré-candidato é o mais citado, mas com apenas 9,2%.

Nessa categoria, o governador José Eliton surge com 2,2%, em seguida vem Daniel Vilela, com 0,4%. Já os candidatos Weslei Garcia e Kátia Maria aparecem com 0,1% cada. Apesar da diferença significativa entre o primeiro candidato e os demais, as taxas de indecisos e de branco ou nulo chamam atenção. Na espontânea, 75,8% dos eleitores ainda não sabem em quem votar e 11,4% afirmaram que votarão nulo ou branco. Já na estimulada, a quantidade de eleitores indecisos somam 23,1%, e os que pretendem anular o voto, 17,6%.

A pesquisa também avaliou o índice de rejeição. A pergunta feita para os entrevistados foi: “Se as eleições para governador fossem hoje e esses fossem os candidatos, em quais você não votaria, de jeito nenhum?”. Os dados apontaram que Caiado é o candidato mais rejeitado entre os eleitores. 20,8% deles não votariam no senador. Em seguida, com 18,2%, aparece o nome de José Eliton. Kátia Maria apresentou 18%; Daniel Vilela, 15%; e o professor Wesley, 13,4%. A quantidade de eleitores que não rejeitou ninguém foi de 46,4%.

Imprevisível

É natural que haja algum grau de desconfiança em relação às pesquisas de intenções de votos. Principal­mente quando falta um tempo considerável para as eleições. Um estudo publicado pelo jornal britânico “Nature” revelou que em países de sistema presidencialista, como o Brasil, a taxa de acerto das pesquisas aumenta quando elas são feitas em datas mais próximas das eleições.

O deputado estadual José Nelto afirma que é muito cedo para antecipar a vitória de Caiado, ainda que os números o favoreçam. Para ele, há muito trabalho a ser feito pela frente e o pré-candidato precisa focar sua campanha tendo em vista as necessidades das camadas mais carentes da população. Mesmo apoiando o senador, o deputado destaca que o pré-candidato precisa “dobrar a humildade” e enfatiza: “Ne­nhuma eleição está ganha até o dia do resultado”.

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