Lição de 98 é que liderança na pré-campanha pode não resultar em vitória nas urnas

Candidaturas competitivas seguem um padrão estrutural, mas isso não significa que uma eleição pode ser decidida previamente; ninguém ganha ou perde com antecedência

Parece que foi ontem, mas lá se foi um pacotaço de tempo com nada menos que 20 anos. A última eleição para governador do século passado, 1998, talvez não frequente mais a memória de muitos que participaram ativamente daquela disputa eleitoral, provavelmente a mais espetacular de toda a história de Goiás. Muitos outros não eram nascidos. Milhares que hoje estão no auge, por volta de 30 anos de idade, eram apenas crianças naquela época. Então, talvez seja bom olhar para 1998 como se fosse hoje. Até porque o espírito de uma eleição não mudou nada, e sequer envelheceu.

Há muitas lições históricas a se observar sobre a disputa pelo poder estadual em 1998. A primeira delas, muito provavelmente, é a de que ninguém ganha ou perde uma eleição previamente. Se isso não fosse verdadeiro, Iris Rezende teria sido o grande vencedor daquele ano. Jamais, em tempo algum, um candidato ao governo de Goiás começou com tamanha liderança em todas as pesquisas eleitorais: 74% — conforme alguns institutos. E desta primeira lição deve-se concluir uma derivação pertinente: pesquisa não é, e nunca teve pretensão de ser, uma projeção de voto futuro.

Mas, então, nenhum favoritismo apontado por pesquisas eleitorais tem valor? Claro que tem, mas somente enquanto carga informativa, e não como cartas de vidente com antecipação de resultado das urnas. Para o público, que passa dois anos alheio à política e aos políticos — limitando sua atenção para alguma indignação com fatos escandalosos envolvendo este ou aquele político —, as pesquisas são eletrizantes. Aliás, também a maioria dos políticos/candidatos tem total fascínio sobre porcentuais que lhe apresentem cenários favoráveis, abominando, obviamente, números que lhe sejam desfavoráveis. E aí, olhando para 1998, aparece mais uma lição: quem lidera pesquisa não é vencedor de nada. A única palavra que realmente vale nesse jogo é das urnas.

Isso significa que aparecer como líder nas pesquisas não é um fator positivo? Claro que é um ótimo fator, mas não se pode balizar a atuação da candidatura sobre porcentuais. Costuma-se dizer que pesquisa é um retrato do momento. Sim, é. Estendendo esse entendimento, junte-se um velho ditado jornalístico que garante que uma imagem (foto, retrato) pode valer mais que mil palavras. Naquele exato momento, parado no tempo e não evolutivo.

As pesquisas atualmente se tornam banais o suficiente para influenciarem, como já influenciaram, boa parte dos eleitores. Não é que elas perderam credibilidade. Não é isso. O problema é que quase ninguém, a não ser os “pensadores de campanha”, se debruça sobre todas as informações que uma pesquisa carrega. O que ocorre é uma autêntica inundação, um tsunami, de pesquisas, a maioria das quais feitas por institutos de qualidade duvidosa, para dizer o mínimo. Então, a maioria acompanha os números tabulados, os tais porcentuais, e não sobre o conteúdo que levaram à essa tabulação. Os comitês de campanha estão lotados de “assessores” que pensam pesquisas dessa maneira. De certa forma, as redações dos veículos de comunicação também. E, no final, os números não exercem influência sobre os eleitores.

Eleição é vencida ou perdida durante. Nem antes, e muito menos depois. Iris Rezende até 1998 era um mito eleitoral imbatível, que simplesmente não poderia ser derrotado por ninguém. E foi derrotado. E mais do que isso: seu MDB, um grupamento extraordinariamente forte, venceu todas as demais eleições daquele ano, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado. E mais uma vez fica evidente que ninguém vence eleições nas pesquisas e previamente.

Mas, afinal, por que Iris Rezende perdeu uma eleição que parecia ser — e era —- a mais fácil de vencer em décadas? A soberba (e a prepotência) sempre foi fatal nas campanhas eleitorais. É um veneno destilado aos poucos pela sensação de invencibilidade — que algumas vezes se materializa na forma de pesquisas eleitorais. Enfim, 1998 é um manancial de lições que jamais deve ser esquecido.

Hoje, Ronaldo Caiado, pré-candidato do DEM, lidera as pesquisas eleitorais. Mas tem de ficar de olho no resultado de outras eleições — como 1998, 2002 e 2006, para mencionar apenas três. Se começar a cair, e uma outra candidatura começar a crescer de maneira consistente — como pode ser o caso do governador José Eliton, pré-candidato do PSDB —, a tendência de uma reviravolta poderá ser iminente.

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Elias Rocha

Ah… Tá! Você quer que o candidato chapa branca ganhe… Mais saiba que tá muito difícil! Em tempo: sou apolítico. Seu jornal Opção tá perdendo credibilidade. Sou teimoso. Sei que não vão publicar. Escrevo isso como cidadão que trabalha como médico há mais de 40 anos e ouço o que o povo fala… Para mim, nada quero. Mas o governo Marconi, a quem já apoiei e a quem nada devo, tá muito desgastado, mesmo no interior. Olha que nem Marconi pode perder para Senador… E vcs, como ficam?