Legado de Marconi será positivo

Ao encerrar seu 4º mandato como governador, mesmo se sair meses antes do final para se candidatar, como previsto, tucano vai deixar saldo incontestável de avanços em todas as áreas

Marconi Perillo: quatro vezes governador garante lugar na história de Goiás como político e administrador público

Cezar Santos

Em 31 de dezembro do ano que vem expira o quarto mandato de Mar­coni Perillo como governador de Goiás. Sabe-se, no en­tanto, que ele deve renunciar alguns meses antes para sair candidato ao Senado ou a algum outro cargo nacional, cedendo a cadeira de titular do Palácio das Esmeraldas para o vice José Eliton (PSDB). Quatro mandatos é um feito inédito em tempos de normalidade democrática na história do Estado.

Marconi e aliados entraram no go­verno em 1º de janeiro de 1999. São, portanto, 20 anos de domínio no comando do Estado de Goiás, um período extenso bastante e marcadamente distinto em termos de gestão na comparação aos antecessores para que a ciência política denomine como “marconismo”.

Desse período, a rigor, devem ser descontados os quatro anos (de 2007 a 2010) do governo de Alcides Rodrigues, com quem o tucano rompeu. Mas há que se lembrar que a (re)eleição de Alcides em 2006 só foi possível graças ao empenho pessoal e à influência de Marconi.

Feito o preâmbulo, a pergunta que cabe é: qual será o legado desses 20 (ou 16) anos de Marconi Perillo para o Estado de Goiás?

O historiador Nasr Chaul afirma que o papel do governador no contex­to social, econômico e cultural de Goiás nestes 18 anos é positivo e historicamente inquestionável.

Em entrevista na semana passada, numa rápida análise de fundo histórico, Chaul afirmou: “Nós viemos de um contexto agropecuário muito forte, desde os anos 1960 até os anos 1980 para, a partir do fim do governo de Iris Rezende (1983-1985) e o governo de Henrique Santillo (1987-1990), passar a um processo de agroindustrialização, do qual um bom exemplo é a Comigo [Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano], que mostra, em Rio Verde, a evolução do processo de agropecuária mais pura para essa nova fase. Marconi é filho do governo Santillo, que procurou mais planejamento, consultas populares, questionários etc., embora tenha sofrido seus reveses”.

O historiador observa que, mesmo com o fato de ser amigo e auxiliar de Marconi desde o primeiro governo, sua análise é em cima de resultados palpáveis que estão disponíveis para toda a sociedade: “Marconi pega essa história como um trampolim e dá um salto para a modernidade. Posso falar isso de cátedra, pois estou no governo desde 1999”.

Então, a quente, quando ainda está em curso o quarto mandato de Marconi Perillo, a avaliação que pode ser feita do ponto de vista político e de realizações é altamente favorável ao tucano, que sairá deixando um Estado bem melhor do que o que ele pegou. Conceitos como planejamento estratégico e priorização em tecnologia, que eram palavras estranhas nas gestões anteriores, foram incorporados pela administração governamental com Marconi Perillo.

Goiás teve avanços consideráveis desde então. Há números a atestarem esse fato. Talvez o mais significativo desses números é o do Produto Interno Bruto-PIB (a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região durante um período determinado). PIB em 1999: R$ 17,98 bilhões; em 2016, R$ 179 bilhões (estimativa do Instituto Mauro Borges). Até o final de 2018, essa cifra vai crescer, talvez rompendo a casa dos R$ 200 bilhões.

Boas práticas de governança como meta

Na quarta-feira, 26,Marconi Perillo comandou reunião de trabalho com representantes da Falconi Consultoria, que mostrou a superação em muito da proposta de economia feita pelo governo de Goiás em 2015/16. A empresa foi contratada para melhorar a receita pública e a qualidade dos gastos do Executivo estadual. Marconi disse que a meta era atingir R$ 27 milhões e o governo conseguiu economizar R$ 83 milhões com esse trabalho.

Os serviços de consultoria da Falconi, contratada pelo governo de outubro/2015 a setembro/2016, resultaram em economia de R$ 83 milhões para os cofres públicos no período. A empresa foi recontratada este ano. “Nós superamos a meta de economia que era de R$ 27 milhões. Nós queremos deixar um legado de boas práticas de governança, com metas estabelecidas quando deixarmos o governo do Estado, em 2018. Esse é um ato de honestidade para o futuro do nosso Estado e do nosso governo. Eu conto com o engajamento de todos os secretários”, disse o governador.

A meta de economia dos gastos pú­blicos para 2017 e 2018 é de R$ 209 milhões, mas Marconi acredita que essa cifra pode ser ultrapassada. “Se avaliarmos o que aconteceu, poderemos chegar a uma oportunidade muito maior de controle de gastos, ou seja, controle de desperdício”, afirmou.

Visibilidade nacional incomoda oposição

Em 2014, Goiás alcançou a liderança nacional do Ideb do ensino médio na rede estadual

O trabalho do governador Marconi Perillo em Goiás nestes quatro mandatos lhe deu visibilidade nacional, a ponto de seu nome ser cogitado até para uma candidatura à Presidência da República. Isso, naturalmente, incomoda a oposição. São programas como o Vapt Vupt, do primeiro mandato, até as missões internacionais que possibilitam a vinda de empresas para o Estado.

Esses programas ganharam repercussão, sendo copiados pelo governo federal e por outros Esta­dos, como o Renda Cidadã (que serviu de modelo para o então presidente Lula da Silva implantar o Bolsa Família), Bolsa Universitária (referência para a criação do ProUni do governo federal), Cheque Moradia, entre outros.

Uma das prioridades de Marconi Perillo é a chamada “rede de proteção social”, que é vitrine de suas gestões, desde o primeiro mandato. O conjunto de programas — que vão desde a distribuição de renda à moradia, passando pela educação e qualificação profissional — foi copiado por outros Estados.

O destaque é a Renda Cidadã, que serviu de modelo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para criar a Bolsa Família. Além do programa de distribuição de renda, a Bolsa Universitária, o Cheque Moradia e, mais recentemente, a Bolsa Futuro também são programas sociais goianos que foram copiados.

Os investimentos na área social foram mantidos graças ao ajuste fiscal implantado a partir do final de 2014, o que fez o Estado sofrer menos os efeitos da crise econômica que assola o País.

Bolsa Universitária

A Bolsa Universitária foi criada em 1999, já no início da primeira gestão de Marconi Perillo. O programa, gerido pela Organização das Volun­tárias de Goiás (OVG) e que serviu de modelo para o governo federal criar o ProUni, já atendeu quase 170 mil estudantes de todo o Estado.

Outro programa gerido pela OVG é o Restaurante Cidadão que, desde 2003, oferece alimentação balanceada a um custo acessível à população de baixa renda. São 10 unidades do restaurante, abertas de segunda à sexta-feira. Uma unidade está localizada no Centro de Goiânia, e as outras em cidades do interior.

O programa Meninas de Luz atende adolescentes e jovens gestantes com idades entre 12 e 21 anos. Elas recebem apoio psicológico, nutricional, acompanhamento do pré-natal e oportunidade de participar de curso de artesanato para melhorar a renda familiar.

Banco do Povo

O programa Banco do Povo concede empréstimos a pequenos em­pre­endedores a juros baixos e com carência. Com os empréstimos contraídos pelos empreendedores são gerados empregos e aumento de renda.

O programa Renda Cidadã é o maior administrado pela Secretaria Cidadã. Assim como no caso da Bolsa Universitária, também serviu de inspiração para o governo federal e alguns Estados. Aos moldes da Renda Cidadã, o governo federal criou a Bolsa Família. Em 2015, a Ren­da Cidadã atendeu a mais de 60 mil pessoas, com investimento de mais de R$ 35 milhões. O programa Pão e Leite destina recursos às instituições filantrópicas para compra de pão e leite. O governo estadual concede, ainda, isenção de energia e água para inúmeras instituições de caridade.

Cheque Moradia

Entre 2015 e 2016, o Governo de Goiás investiu, por meio da Agência Goiana de Habitação (Agehab), R$ 92,3 milhões em políticas habitacionais. Foram construídas 4,6 mil unidades habitacionais, em parceria com prefeituras e com o governo federal. Dos cofres do Estado foram investidos R$ 43,8 milhões, por meio do Cheque Mais Moradia – modalidade “Construção”.

Nas demais modalidades, “Re­forma” e “Comunitário”, foram entregues 15 mil cheques, que foram utilizados na reforma de residências e também praças e prédios públicos. Nestes programas, o investimento somou R$ 48,4 milhões.

O Governo Junto de Você (GJV), que leva mais de 230 serviços aos cidadãos de todas as regiões de Goiás. Centenas de milhares de pessoas têm acesso a serviços que reforçam sua cidadania.
O GJV disponibiliza serviços co­mo CNH, IPVA, CPF, Carteira de Trabalho, Título de Eleitor, Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho, Passaporte do Idoso, Passe Livre do Deficiente, Renda Cidadão, 2ª via de Certidão de Nascimento e Casa­men­to, enfrentamento às Drogas, além de dezenas de outros atendimentos. Na área da saúde são realizados exames, vacinação, doação de óculos e remédios e higiene bucal.

Um dos programas de maior abran­­gência entre os jovens, o Passe Li­vre Estudantil (PLE) garante acesso gratuito aos estudantes nos ônibus da Região Metropolitana. Em 2016, o PLE beneficia 50,4 mil alunos de 18 municípios que utilizam o sistema de transporte coletivo para as atividades escolares. Goiás é pioneiro nesse tipo de programa.

Educação

Em 2014, Goiás alcançou a liderança nacional do Índice de De­sen­vol­vimento da Educação Básica (Ideb) do ensino médio na rede estadual, mas o governo estadual seguiu investindo pesado na educação pública estadual. Por meio de programas que incentivam alunos e também o corpo docente, o governo trabalha para melhorar cada vez mais a qualidade do ensino.

O Programa Reconhecer bonifica professores efetivos, coordenadores, tutores e o grupo gestor, que se destacam em sala de aula em relação ao compromisso com os alunos e a assiduidade. Por meio do programa Novo Futuro, a rede pública estadual conta, atualmente, com 21 escolas em tempo integral do Ensino Médio.

Missões internacionais geram resultados 

Investimentos externos na economia de Goiás garantiram mais de 1 milhão de empregos na última década

Sob comando de Marconi Perillo, o governo goiano exerce a mais arrojada política externa entre os Estados brasileiros. As missões internacionais viabilizam o fechamento de contratos de negócios com empresários goianos e até a vinda de empresas estrangeiras para Goiás.

Após a projeção conquistada com a implantação da maior rede de proteção social entre os Estados e os expressivos resultados do Programa de Ajuste Fiscal (PAF), Marconi Perillo vem chamando a atenção de lideranças políticas e empresários em todo o País pela ousada política de relacionamento com diferentes nações pelo mundo.

Esse arrojo, por sinal, é objeto de crítica equivocada de opositores, como o deputado estadual José Nelto, do PMDB — certamente por influência velada do líder maior do partido, Iris Rezende, que acha insuportável viajar (consta que foi uma vez a Portugal, em férias, por muita insistência da família). Fato é que as missões internacionais de Marconi produzem resultados.

Integrantes das diferentes representações diplomáticas que estiveram com Marconi em Goiás, Brasília e nos países destinos das missões comerciais são unânimes ao afirmar que o governador tem tido uma atuação destacada no comércio exterior e que isso está inserindo o Estado no primeiro time das economias nacionais, liderada por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Até então, apenas esses três Estados tinham relevância nas relações de comércio exterior para além da atuação do Itamaraty.

Resultados

Desde o início de 2015, protocolos já assinados preveem a instalação de 39 novas empresas e geração de 30 mil empregos nos próximos três anos e meio. Desde o primeiro mandato, iniciado em 1999, Marconi liderou 33 viagens internacionais, com participação de sua equipe de governo, sempre enxuta, e de empresários, que viajam com recursos próprios. Em todas as missões, a bagagem do retorno sempre vem com negócios muito bem encaminhados, boa parte deles já confirmados e encaminhados.

A estratégia vem funcionando e a balança comercial de Goiás vem registrando sucessivos superávits, mesmo com o País ainda sofrendo os efeitos da crise econômica nacional, que deve provocar tombo de 5% no PIB nacional este ano. Os investimentos privados anunciados para o Estado são os maios variados – outro resultado extremamente importante para a economia goiana (vale lembrar que um dos fatores que definem economias fortes é a variedade das atividades).

São empresas das mais diversas áreas, com destaque para o setor de alimentos e bebidas. O maior investimento confirmado foi o da Heineken, que está aplicando R$ 650 milhões na construção e operação de unidade de produção em Itumbiara – a primeira inteiramente construída pela cervejaria holandesa.

No ano passado, mais quatro empresas anunciaram investimentos da ordem de R$ 460 milhões, para instalação de unidades em Goia­ná­polis, Itumbiara e Goianésia. Somadas, Adimax Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, Zotue Motors do Brasil Ltda, Electro Motors do Brasil Ltda e a Can-Pack S/A devem gerar mais 2,2 mil empregos no Estado.

Incentivos e participação ativa nas negociações

Os números são resultados diretos dos atrativos de Goiás apresentados por Marconi nos países visitados. Entre eles, os principais são o cenário de segurança jurídica, de incentivos fiscais oferecidos pelo Estado e os permanentes investimentos estaduais na expansão da infraestrutura. Além do apoio governamental necessário para promover o fomento, empresas que se instalam em Goiás têm financiamento de até 73% do ICMS até 2040.

De acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SED), 60% dos 39 protocolos confirmados neste quarto mandato só foram possíveis graças às viagens feitas pelo governador e comitiva. “É uma forma de estimular investimentos, renovar tecnologia e garantir o aumento da competitividade”, avaliou o economista Adriano Canedo. Ainda de acordo com ele, a política de incentivos também possibilita a redução do custo logístico, a diminuição dos riscos empresariais e o custo financeiro das empresas.

“Esses investimentos vão tirar Goiás mais cedo da crise econômica nacional, gerando novos empregos e distribuindo renda. Isso é excepcional em meio à situação atravessada pelo País”, confirmou Marconi, ao comentar a chegada das novas indústrias. O governador tem ressaltado também o protagonismo dos empreendedores que sabem aproveitar as oportunidades que as crises geram: “Eles estão apostando mais uma vez em um dos diferenciais que o nosso Estado tem, que é a competitividade. Goiás é, hoje, um Estado estratégico para o desenvolvimento nacional”, avaliou.

Geração de empregos

Como reflexo dos investimentos externos na econômica de Goiás, mais de 1 milhão de empregos na foram gerados no Estado na última década. O Estado liderou a geração de empregos no País no primeiro semestre, com a criação de 16,6 mil novas vagas, o triplo do segundo colocado, o Mato Grosso – todas as demais unidades da federação tiveram saldo negativo na geração postos de trabalho.

Em 2015, ano mais agudo da crise econômica, a população ocupada em Goiás era de mais de 3,5 milhões de pessoas, sobretudo por pessoas com melhor qualificação: mais de 50% dos trabalhadores, com carteira assinada, tem o ensino fundamental e/ou médio completo. Entre 2004 e 2015, o PIB de Goiás cresceu em média 4,8% ao ano, enquanto o aumento médio do País ficou em 3,4%, segundo dados do Banco Central (Bacen). Goiás cresceu 50% acima da média nacional.

Outro reflexo desses investimentos está na diminuição da desigualdade. Entre 2005 a 2015, os 20% mais pobres do Estado tiveram crescimento na sua renda de 7,3 pontos, numa escala de 0 a 10. Os 20% mais ricos avançaram metade deste índice. Esse crescimento da renda das famílias carentes foi real, não causado pela transferência de renda. (com informações: Assessoria de Imprensa do governo estadual)

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