O crescimento da aviação em Goiás já não pode ser medido apenas pelo número de aeronaves que cruzam os céus do Estado. O avanço do setor também se reflete na expansão de hangares, oficinas e centros especializados em manutenção, transformando Goiás em um dos maiores polos aeronáuticos do país. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o Estado ocupa atualmente a sexta posição nacional em número de aeronaves, com 1.723 registros ativos, mas desponta em um segmento ainda mais estratégico: é o segundo colocado no Brasil em quantidade de organizações de manutenção certificadas, com 75 bases em operação.

Além disso, Goiás reúne 26 aeródromos públicos e 230 aeródromos privados cadastrados, formando uma infraestrutura que sustenta a expansão da aviação executiva e agrícola.

Segundo empresários do segmento, a pujança do setor está diretamente ligada ao perfil econômico do Estado. Impulsionado pelo agronegócio, pela localização estratégica no centro do país e pela necessidade crescente de mobilidade de empresários e produtores rurais, Goiás consolidou-se como uma das principais bases da aviação privada brasileira.

O Estado abriga atualmente a maior frota de aviação executiva privada do Centro-Oeste e uma das maiores do país, enquanto a aviação agrícola também avança em ritmo acelerado. Hoje, Goiás possui a quarta maior frota agrícola do Brasil, segmento que exige manutenção constante, profissionais especializados e uma cadeia de serviços cada vez mais sofisticada.

O fenômeno é visível principalmente na Região Metropolitana de Goiânia. O antigo Aeródromo Nacional de Aviação (ANA), conhecido durante décadas apenas como “Escolinha”, passou por uma transformação profunda e se tornou um dos maiores polos de manutenção aeronáutica do país.

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Ilustração criada por ChatGPT

O espaço reúne mais de uma centena de hangares e recebe aeronaves vindas de diferentes estados para revisões, reparos estruturais, manutenção de motores, hélices e sistemas eletrônicos. Empresas especializadas se instalaram no local e ampliaram a oferta de serviços, atraídas por custos operacionais competitivos e pela proximidade com os grandes mercados do Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste.

Ao mesmo tempo, novos empreendimentos prometem ampliar ainda mais essa vocação aeronáutica. Projetos como o AeroParque Bela Vista, apontado como o maior aeroporto privado em construção no Centro-Oeste, e o Antares Polo Aeronáutico, em Aparecida de Goiânia, foram concebidos para atender à crescente demanda da aviação executiva e abrigar empresas de manutenção, fornecedores de peças, hangares e prestadores de serviços especializados.

O movimento acompanha uma tendência nacional: o Brasil possui a segunda maior frota de aviação geral do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e Goiás desponta como uma das regiões mais dinâmicas desse mercado.

Mas a rápida expansão do setor também impõe desafios. Empresários e especialistas apontam a escassez de mão de obra qualificada como um dos principais gargalos para sustentar o crescimento das oficinas e centros de manutenção. A formação de mecânicos aeronáuticos, inspetores e técnicos exige anos de capacitação e certificações específicas, enquanto a demanda por profissionais aumenta em ritmo superior ao da oferta.

Ainda assim, o setor mantém perspectivas otimistas. Com investimentos em infraestrutura, novos aeroportos e a expansão da aviação agrícola e executiva, Goiás deixa de ser apenas um ponto estratégico no mapa aéreo brasileiro para se consolidar como um dos principais centros de desenvolvimento da aviação nacional. Vale ressaltar que o setor gera mais de mil empregos diretos somente em Goiânia.

Empresários, mecânicos, engenheiros, pilotos e representantes do setor ouvidos pela reportagem são unânimes: a aviação privada goiana vive um ciclo de expansão contínua, mas a falta de mão de obra especializada é um dos principais gargalos atuais.

O setor mantém perspectivas otimistas | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Secretário nacional destaca expansão da aviação em Goiás

O crescimento da aviação geral em Goiás acompanha o fortalecimento da economia e consolida o Estado como um dos principais polos do setor no país. A avaliação é do secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Ramos Longo, que é natural de Ceres. Ele destaca a relação direta entre a expansão econômica e o aumento das atividades ligadas ao transporte aéreo, à aviação agrícola, aos serviços aeromédicos e ao aerolevantamento. “O crescimento da aviação geral é um indicador da pujança econômica do país e, mais especificamente, do Estado de Goiás e do Centro-Oeste brasileiro”, afirma.

Longo também ressaltou o avanço do Estado na área de manutenção aeronáutica. Durante visita ao Aeródromo Nacional de Aviação (ANA), em Goiânia, ele afirmou que o governo federal trabalha para fortalecer toda a cadeia produtiva da aviação civil e vê com entusiasmo o surgimento de novos centros especializados. “Poder presenciar o surgimento de mais um centro de manutenção, dessa vez voltado para a aviação geral, é algo positivo para a aviação brasileira”, disse. Segundo ele, dependendo dos critérios utilizados, Goiás já ocupa posição de destaque nacional em alguns segmentos da manutenção aeronáutica e tem potencial para alcançar a liderança do setor.

O secretário destacou ainda o crescimento de áreas emergentes, como a aviação agrícola, os drones e os chamados eVTOLs – aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical. “Trabalhamos para desenvolver toda a cadeia produtiva da aviação brasileira. Isso inclui o fomento a novos centros de manutenção e também a mobilidade aérea avançada, que abarca tanto os drones quanto os eVTOLs”, afirmou. Ele lembrou que a fabricante brasileira Embraer está investindo nessa tecnologia, considerada uma das apostas para o futuro do transporte aéreo.

Em relação à formação de mão de obra, Daniel Longo informou que a Secretaria Nacional de Aviação Civil prepara o Programa Nacional de Formação e Capacitação de Profissionais de Aviação Civil, previsto para ser lançado até o fim deste ano. O projeto prevê a realização de diagnósticos sobre oficinas, centros de manutenção e necessidades de qualificação do setor, além da oferta de bolsas e parcerias para formação de profissionais. “O Brasil já é uma referência internacional na aviação. Temos a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, a segunda maior aviação geral e o terceiro maior mercado de aviação doméstica. Somos uma potência do setor aéreo global”, concluiu.

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Daniel Ramos Longo: “o crescimento da aviação geral é um indicador da pujança econômica do país” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

ANA se consolida como polo de manutenção aeronáutica em Goiás

O Aeródromo Nacional de Aviação (ANA), em Goiânia, tornou-se um dos principais centros de manutenção de aeronaves do país após um processo de recuperação iniciado em 2018, quando o local estava fechado por determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) devido a problemas de segurança e infraestrutura.

 Segundo o diretor de Infraestrutura do ANA, Rivas Rezende, a reabertura da pista foi apenas o primeiro passo de um projeto que hoje movimenta a economia local e atrai empresas do setor. “Nós entendemos que aqui era uma oportunidade de negócio, geração de empregos e receita para o Estado e para a Prefeitura. Fizemos a regularização fundiária, investimos em infraestrutura e nos preparamos para o desenvolvimento. Se você estiver preparado, os negócios acontecem”, afirmou.

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Vista áerea do Aeródromo Nacional de Aviação (ANA) | Foto: Divulgação/ANA

Atualmente, o complexo conta com 108 hangares, mais de mil aeronaves hangaradas e cerca de 1,5 mil empregos diretos, além dos postos de trabalho indiretos gerados por oficinas, empresas de tecnologia e fornecedores. O ANA já ocupa a segunda posição nacional em manutenção de aeronaves da aviação geral e busca se tornar o maior polo brasileiro de manutenção da aviação agrícola. “Hoje atendemos todos os modelos de aeronaves agrícolas e queremos também ser referência na manutenção de drones. O agronegócio é fundamental para esse projeto e a demanda cresce ano após ano”, destacou Rezende.

O diretor afirma que o crescimento do aeródromo está relacionado à combinação entre infraestrutura, localização e custos operacionais mais baixos em comparação a aeroportos maiores. “Aqui o custo para operar é muito menor do que em aeroportos privatizados. Isso atrai oficinas e empresas. Recebemos aeronaves do Brasil inteiro, principalmente do Centro-Oeste e Norte”, disse.

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Rivas Rezende: “tudo que tiver de mão de obra vai estar empregado” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Apesar da expansão, ele reconhece que a falta de mão de obra especializada ainda é um desafio. “Tudo que tiver de mão de obra vai estar empregado. Os salários são atrativos e estamos trabalhando, junto com a Prefeitura e o Senai, para criar uma escola de formação profissional aqui.”

Nos próximos anos, a expectativa é ampliar ainda mais a estrutura do ANA, com a construção de uma nova torre de controle, sala de embarque, auditórios para treinamento e novos hangares. Os investimentos privados no complexo já ultrapassam R$ 65 milhões, somando recursos aplicados na recuperação do aeródromo e na expansão recente. “Hoje somos o segundo maior centro de manutenção do Brasil, mas isso vai mudar. Temos espaço para crescer e não tenho dúvida de que, em breve, estaremos em primeiro lugar.”

Goiânia atrai aeronaves de todo o Brasil

O crescimento da aviação privada e agrícola tem impulsionado a instalação de empresas e serviços especializados em Goiás, especialmente em Goiânia, que hoje abriga um dos principais polos aeronáuticos do país. Diretor comercial e sócio-proprietário da Global Parts, Leonardo Peixoto afirma que a localização estratégica do Estado e a força do agronegócio explicam esse avanço. “A aviação geral tem crescido muito no país devido à falta de estrutura em rodovias e outros meios de transporte. Goiás, por estar no centro do país e ser um grande produtor agrícola, se tornou um polo natural para a aviação executiva e agrícola”, destaca.

Segundo Peixoto, o Aeródromo Nacional de Aviação (ANA) se transformou em referência nacional na manutenção de aeronaves. “Hoje temos mais de 100 hangares e quase mil pessoas trabalhando diretamente aqui. Isso se tornou um polo de manutenção pela logística e pela qualidade de vida da cidade”, afirma.

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Leonardo Peixoto: “Goiânia se transformou em referência nacional na manutenção de aeronaves” | Foto: Global Parts

A Global Parts, instalada no local há 26 anos, possui sete hangares e realiza manutenção completa em aviões a pistão e turboélices, além de revisões de motores, hélices e componentes. Mais de 50% das aeronaves atendidas pela empresa vêm de outros estados, como Mato Grosso, Pará, Amazonas e Rondônia.

Apesar do crescimento, a escassez de mão de obra qualificada ainda é um desafio para o setor. “Temos uma parceria forte com o Senai para capacitar profissionais, mas ainda há dificuldade para encontrar trabalhadores especializados. Mais de 50% dos nossos colaboradores não são de Goiânia”, explica. A empresa também atua em um segmento bastante restrito: a revisão de turbinas PT-6, serviço realizado por apenas cinco empresas no Brasil. “Somos uma delas e trouxemos essa capacidade para Goiânia”, ressalta.

Sobre a aviação agrícola, Leonardo Peixoto avalia que o segmento continuará em expansão, impulsionado pela necessidade de aumentar a produtividade no campo. “Sem a aviação agrícola, o Brasil não conseguiria produzir o que produz hoje. A expectativa é que, em poucos anos, o país ultrapasse os Estados Unidos em número de aeronaves agrícolas”, afirma. Ele acredita que os drones ganharão espaço, mas de forma complementar. “Nas pequenas lavouras, eles têm eficiência. Mas, nas grandes áreas agrícolas de Goiás e Mato Grosso, avião e drone devem trabalhar juntos por muito tempo”, conclui.

A aviação geral tem crescido muito no país | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Aeroparque Bela Vista atrai empresas de manutenção aérea

O crescimento da aviação executiva em Goiás deve ganhar um novo impulso com a construção do Aeroparque Bela Vista, empreendimento privado voltado à aviação geral e executiva que está sendo implantado na Grande Goiânia. Engenheiro, piloto e sócio da Aeroplan, Paulo Lemes explica que o projeto será um condomínio aeronáutico fechado e não um aeroporto público. “É um aeroporto executivo de grande porte na modalidade de condomínio fechado. É importante esclarecer isso porque há muita informação errada circulando. É um empreendimento voltado para empresas prestadoras de serviços da aviação geral, dos mais variados segmentos”, afirma. Segundo ele, a expectativa é que o complexo seja entregue até o fim de 2028.

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Paulo Lemes: “hoje, o Estado só fica atrás de São Paulo em manutenção de aeronaves” | Foto: Reprodução

Lemes destaca que Goiás já ocupa posição de destaque nacional no setor de manutenção aeronáutica. “Goiás é pioneiro e há muitas décadas exerce papel de liderança na região Centro-Oeste. Grande parte das oficinas e dos serviços voltados para a aviação geral está concentrada em Goiânia e arredores. Hoje, o Estado só fica atrás de São Paulo em manutenção de aeronaves”, diz. O engenheiro ressalta que a manutenção envolve diversas especialidades, desde oficinas autorizadas pelos fabricantes até empresas dedicadas a aviônicos, hélices e motores, formando uma ampla cadeia de serviços.

No Aeroparque Bela Vista, a previsão é reunir ao menos dez marcas ligadas ao setor de manutenção e serviços aeronáuticos, incluindo empresas já instaladas em Goiânia e outras vindas de fora do Estado. “Teremos empresas que virão na condição de filial ou como centros autorizados vinculados a fabricantes e modelos específicos de aeronaves. Ainda é cedo para detalhar cada operação, porque isso depende dos clientes que vão se instalar no empreendimento”, explica. Segundo ele, o foco será exclusivamente a aviação privada, embora possam existir oficinas voltadas à manutenção de aeronaves agrícolas.

Para Paulo Lemes, o protagonismo goiano no setor é resultado de fatores históricos e logísticos. “Goiânia foi, durante décadas, a porta de entrada para o Norte e o Centro-Oeste quando as rodovias eram precárias. Isso fez surgir aqui importantes empresas de táxi aéreo e toda uma cadeia de serviços ligados à aviação”, afirma. Atualmente, além das oficinas de manutenção, a região abriga importadoras e montadoras de aeronaves, empresas de UTI aérea e de compartilhamento de aviões. “Quem está no Mato Grosso, no Pará ou em outras regiões próximas prefere trazer a aeronave para manutenção em Goiânia pela logística, pelo custo-benefício e pela rapidez. Isso faz com que Goiás continue sendo uma referência nacional no setor”, conclui.

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 Maior aeroporto privado em construção no Brasil | Foto: Foto: Reprodução

Goiás já é o segundo maior mercado para fornecedores

Diretor de vendas da Boeing no Brasil para os segmentos de aviação geral e executiva, Carlos Werner van Eijk afirma que Goiás já se destaca nacionalmente também na comercialização de peças e materiais aeronáuticos.

“Eu consigo confirmar que, tirando São Paulo, Goiânia é o meu ponto número dois em canal de vendas. Temos muitas empresas atuando tanto no fornecimento de materiais quanto na prestação de serviços de manutenção de aeronaves, hélices, motores e outros componentes”, afirma.

Carlos Werner van Eijk: “Goiânia é o meu ponto número dois em canal de vendas” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Segundo ele, praticamente todas as peças comercializadas são fabricadas nos Estados Unidos e importadas para o Brasil. Ainda assim, a demanda em Goiás segue em expansão. “Estou nesse mercado há nove anos e, durante este tempo, apenas vejo números positivos. É só crescimento”, resume.

Mecânicos recebem aeronaves de todo o país

Há 12 anos na profissão, o mecânico aeronáutico Nilton Cezar começou a trabalhar como auxiliar em uma oficina em Goiânia e, depois, buscou a formação técnica no Senai.

“Eu comecei lavando peças e ajudando os mecânicos. Peguei gosto pela profissão e comecei a estudar”, conta.

Ele explica que a formação exige conhecimentos em motores, hélices e estruturas da aeronave, além da aprovação em provas da Anac. Hoje, Nilton trabalha em uma oficina que atende aeronaves vindas de várias regiões do país.

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Nilton Cezar: “”Eu comecei lavando peças e ajudando os mecânicos” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

“A maioria das aeronaves que a gente atende é de fora de Goiás. Pela localização geográfica, Goiás fica bem no centro do país e facilita muito. Além disso, temos disponibilidade de peças e estrutura para atender rapidamente.”

O tempo de permanência de um avião na oficina varia de acordo com o tipo de inspeção. “Tem aeronave que fica três dias e outras que permanecem até quinze dias. Depende do serviço que precisa ser feito.”

De aprendiz a dono de oficina

A trajetória do mecânico João Victor Carvalho ilustra o momento vivido pelo setor. Apaixonado por aviação desde a adolescência, ele começou a trabalhar aos 15 anos em oficinas de manutenção agrícola e, hoje, aos 29, possui a própria empresa no aeródromo de Goiânia.

João Victor Carvalho: “Goiânia sempre foi um polo de manutenção” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

“Eu sempre tive esse sonho. Trabalhei para outras oficinas, fui conhecendo mais a aviação e decidi seguir carreira solo”, relata. Especializado em manutenção estrutural de aeronaves agrícolas, João Victor afirma que a expansão do setor é evidente.

“Goiânia sempre foi um polo de manutenção, mas hoje está dominando esse mercado. Eu acredito que será o maior polo de manutenção do Brasil.”

Ele lembra que, quando começou, havia apenas duas ou três oficinas na região. “Hoje são mais de cem hangares. Cresceu de um jeito impressionante.”

Mas , na avaliação do empresário, o crescimento trouxe um problema. “O maior desafio hoje é a falta de mão de obra. Pouca gente está se profissionalizando e formar um mecânico leva tempo. Não é uma profissão que se aprende rápido.”

Segundo ele, um profissional experiente pode receber salários entre R$ 10 mil e R$ 12 mil mensais.

O maior desafio hoje é a falta de mão de obra | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Motores chegam até do exterior para revisão em Goiânia

A expansão do setor também é percebida nas oficinas especializadas em motores aeronáuticos.

O engenheiro aeronáutico, Geraldo Azevedo, explica que a unidade em que trabalha realiza revisões gerais de motores PT6, um dos modelos turbo-hélice mais utilizados no mundo.

“É o motor turbo-hélice mais fabricado do planeta e equipa desde aeronaves executivas até aviões militares, como o Super Tucano.”

Segundo ele, motores chegam a Goiânia vindos de várias regiões do Brasil e até do exterior. “Recebemos motores do Peru e do Equador. Eles vêm para cá apenas para a revisão e depois retornam para as aeronaves.” Um overhaul completo pode levar até três meses.

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Revisões gerais de motores PT6 | Foto: Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Falta de mecânicos preocupa empresas

Se a demanda cresce, encontrar profissionais qualificados se tornou um desafio. “A demanda está maior do que a quantidade de mecânicos disponíveis”, afirma Geraldo Azevedo.

Segundo ele, engenheiros ainda são encontrados com relativa facilidade, mas a escassez de mecânicos especializados preocupa. “O crescimento das oficinas está maior que o crescimento da quantidade de profissionais.”

O supervisor de manutenção Rodrigo, com 27 anos de experiência, afirma que a formação exige tempo. “Um mecânico bem formado precisa de pelo menos três anos de experiência prática. Para se tornar inspetor e liberar uma aeronave para voo, leva muito mais tempo.”

Ele observa que a nova geração busca crescimento mais rápido. “A aviação exige aprendizado contínuo. A pessoa entra como auxiliar, faz treinamentos, ganha experiência. Não existe atalho.”

A demanda está maior do que a quantidade de mecânicos disponíveis | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Antares aposta em estrutura para fortalecer o setor

O crescimento da aviação executiva também impulsiona novos empreendimentos.

Diretor do Antares Polo Aeronáutico, Marcos Bernardo afirma que o aeroporto público-privado em construção foi planejado para atender a expansão da aviação em Goiás.

“O Antares nasce voltado para a aviação executiva, mas já preparado para, no futuro, receber aviação comercial e de cargas.”

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Marcos Bernardo: “a manutenção de aeronaves será realizada por empresas parceiras” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Segundo ele, a manutenção de aeronaves será realizada por empresas parceiras que se instalarão no empreendimento. “Já comercializamos cerca de 30 unidades na primeira etapa e existe procura por empresas ligadas à manutenção e aos serviços aeronáuticos.”

Marcos destaca que, em um raio de 50 quilômetros da capital, existem cinco aeroportos ou aeródromos. “Isso demonstra a robustez da aviação em Goiás.”

Até o momento, cerca de R$ 50 milhões já foram investidos no empreendimento, que deve receber mais R$ 70 milhões até a conclusão das obras.

Faculdade Senai oferece cursos para a formação de profissionais

A dificuldade para encontrar mecânicos levou o Senai a ampliar os investimentos na área.

O diretor da Faculdade Senai Ítalo Bologna, Dário Queija, explica que Goiás se consolidou como centro de manutenção devido à localização estratégica e à existência de oficinas especializadas.

“Goiás se tornou uma referência porque está fora do eixo Sul-Sudeste, mas em uma posição logística privilegiada.”

Segundo ele, a instituição oferece formação em três áreas: motopropulsão (motores), aviônicos e célula (estrutura das aeronaves).

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Dário Queija: “oferecemos formação em três áreas” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Agora, o Senai prepara uma expansão. “Estamos desenvolvendo um projeto de R$ 25 milhões para ampliar nossa capacidade de formação, lançar curso superior e criar parcerias com fabricantes.”

A formação completa pode durar quatro anos e custar cerca de R$ 45 mil. “É uma formação longa, complexa e exige conhecimento técnico e até domínio do inglês.”

Mesmo assim, a procura é alta. “Todos os semestres abrimos turmas com 35 ou 40 alunos, mas cerca de metade acaba desistindo ao longo do curso.”

Os salários, entretanto, ajudam a manter o interesse. “Um mecânico experiente pode ganhar entre R$ 9 mil e R$ 10 mil.”

Agronegócio e infraestrutura impulsionam aviação

Para o comandante Eduardo Batagim, o crescimento da aviação privada em Goiás está diretamente ligado ao agronegócio, à posição geográfica do Estado e aos investimentos em infraestrutura.

“O produtor rural goiano precisa de mobilidade para conectar fazendas, indústrias e centros de distribuição. Isso impulsiona a aviação.”

Ele destaca que a aeronave deixou de ser apenas um patrimônio e passou a ser vista como ferramenta de produtividade. “Hoje empresários e produtores usam a aviação para economizar tempo e ganhar eficiência.”

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Eduardo Batagim: “Arede de manutenção existente fortalece ainda mais o setor” | Acervo pessoal

Batagim avalia que a rede de manutenção existente fortalece ainda mais o setor. “Uma aeronave parada gera custo. Quando existe manutenção próxima, você reduz deslocamentos, aumenta a disponibilidade e melhora a eficiência operacional.”

Na avaliação do comandante, Goiás já ultrapassou a condição de mercado consumidor. “Hoje o Estado não é apenas um lugar onde as aeronaves operam. É um lugar onde a aviação cresce, se desenvolve e cria soluções para todo o Brasil.”

Aviação impulsiona economia de Goiânia

Representando o prefeito Sandro Mabel no evento, o secretário municipal de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços (Sedicas), Adonídio Neto Vieira Júnior, destacou que Goiânia se consolidou como um dos principais polos da aviação brasileira, tanto no transporte de passageiros quanto nos segmentos executivo e agrícola.

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Adonídio Neto Vieira Júnior: “A aviação em Goiânia é muito forte” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

“A aviação em Goiânia é muito forte. Temos um aeroporto entre os dez maiores do Brasil e uma grande estrutura voltada tanto para a aviação executiva quanto para a aviação agrícola. Isso gera empregos, arrecadação e desenvolvimento para o município e para o Estado”, afirmou.

Segundo o secretário, a Prefeitura atua em parceria com o aeródromo de Goiânia e instituições do setor para ampliar a formação de profissionais, diante da crescente demanda por mão de obra especializada.

“Tudo na aviação exige certificação e hoje existem vagas abertas que não conseguem ser preenchidas. Estamos trabalhando com a Secretaria Nacional de Aviação Civil e com o Sistema S para lançar ainda este ano cursos gratuitos para mecânicos e pilotos, abastecendo esse mercado com profissionais qualificados”, disse.

Adonídio Neto Vieira Júnior ressaltou ainda que Goiânia exerce papel importante para o agronegócio, mesmo sem concentrar grandes áreas de produção agrícola, por sediar empresas e serviços ligados à aviação agrícola.

“O aeródromo de Goiânia se tornou um dos maiores polos de manutenção de aeronaves do Brasil. Isso representa geração de empregos, arrecadação tributária e desenvolvimento tecnológico. A Prefeitura está de mãos dadas com o setor privado para criar todas as condições necessárias para que ele continue crescendo”, concluiu.

Goiânia se tornou um dos maiores polos de manutenção | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

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