A escolha de Goiás para sediar o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg) 2026, considerado o maior evento mundial do segmento, reflete a crescente relevância do Estado no setor aeroagrícola. O encontro será realizado em agosto, no Condomínio Aeronáutico Liberty, em Goianápolis, e deve reunir cerca de 5 mil participantes, entre empresários, pilotos, fabricantes, pesquisadores e autoridades.

O lançamento oficial do evento ocorreu na terça-feira, 16, em Goiânia, no hangar da Global Parts, localizado no Aeródromo Nacional de Aviação, às margens da GO-070. A cerimônia contou com a presença de autoridades, entre elas o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Ramos Longo, além de empresários e representantes do setor.

Segundo o economista e diretor operacional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Cláudio Júnior Oliveira, Goiás reúne uma série de fatores que pesaram na decisão do conselho da entidade pela escolha do Estado como sede do congresso.

“Goiás possui a quarta maior frota aeroagrícola do Brasil e apresentou um crescimento significativo nos últimos anos. Além disso, conta com empresas prestadoras de serviços, fornecedores, infraestrutura logística, proximidade com aeroporto e rede hoteleira adequada para receber um evento desse porte”, afirma.

Ele ressalta que a região Centro-Oeste concentra a maior parte da frota aeroagrícola brasileira e que Goiás tem se consolidado como um dos principais polos do setor no país, tanto pelo crescimento da atividade quanto pela estrutura disponível para atender à demanda do agronegócio.

Negócios e novas tecnologias

De acordo com Cláudio Júnior Oliveira, a realização do congresso deve impulsionar negócios e promover discussões sobre o futuro da atividade.

“O evento movimenta a venda de aeronaves, equipamentos e tecnologias, mas também promove debates técnicos, palestras e discussões com órgãos reguladores. O Brasil possui a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, mas é a mais utilizada, já que as aeronaves operam praticamente o ano inteiro”, explica.

Cláudio Júnior Oliveira: “Goiás possui a quarta maior frota aeroagrícola do Brasil” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

O congresso também será uma vitrine para novas tecnologias, como drones, inteligência artificial, sistemas avançados de navegação e aeronaves tripuladas e não tripuladas. Para ele, a tendência é de complementaridade entre drones e aviões agrícolas.

“Os drones têm avançado nas pequenas propriedades, enquanto os aviões continuam sendo mais eficientes em grandes áreas. Há espaço para ambos crescerem, especialmente porque a aplicação aérea ainda representa apenas entre 20% e 25% do potencial do mercado brasileiro”, ressalta.

Ao abordar as críticas relacionadas à sustentabilidade e à pulverização aérea, o diretor do Sindag argumenta que a aviação agrícola brasileira é referência mundial em práticas sustentáveis.

“Mais de 20% da frota utiliza etanol, um biocombustível que reduz significativamente as emissões de carbono. Além disso, a aplicação aérea consome muito menos água do que os equipamentos terrestres. Se substituíssemos todos os aviões por pulverizadores terrestres, haveria um aumento expressivo no consumo de água, com impactos ambientais relevantes”, afirma.

Falta de mão de obra preocupa setor

O crescimento do setor, no entanto, traz desafios, especialmente na formação de mão de obra qualificada. Segundo Cláudio Júnior Oliveira, há carência tanto de pilotos especializados quanto de mecânicos de aviação agrícola.

“Precisamos de mais incentivo para aeroclubes, escolas e centros de formação. Goiás está entre os quatro estados mais importantes do setor e continuará crescendo. Isso significa mais demanda por manutenção, qualificação e apoio institucional. É um momento decisivo para a aviação agrícola brasileira”, conclui.

Aviação agrícola impulsiona agronegócio

O diretor comercial da Global Parts, Leonardo Peixoto, destacou que a realização do congresso em Goiás ocorre em um momento de expansão e otimismo para a aviação agrícola brasileira.

Segundo ele, a atividade é um dos pilares que sustentam a competitividade do agronegócio nacional.

“A aviação agrícola é uma alavanca para o agronegócio. Realmente a gente precisa deles. Eles fazem um bem danado para a agricultura. Sem eles a gente não conseguiria produzir como a gente produz, não conseguiria ser líder no mundo na produção de grãos”, afirmou.

O executivo também projetou um cenário de crescimento acelerado do setor. “A previsão é que daqui a mais quatro ou cinco anos a gente ultrapasse inclusive os Estados Unidos em frota de avião agrícola”, disse.

Leonardo Peixoto: “A aviação agrícola é uma alavanca para o agronegócio” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Peixoto ressaltou ainda que o congresso reunirá tecnologias voltadas tanto às aeronaves tripuladas quanto aos drones.

“O Congresso Nacional de Aviação Agrícola é tanto para aviões quanto para drones. Então, a gente tem os dois mercados lá disponíveis para quem quiser conhecer”, explicou, acrescentando que empresas de manutenção também participarão do evento.

Ele destacou que a realização do encontro é resultado de uma articulação conjunta entre empresas e entidades do setor. “É um evento que a gente fez conjugado aqui com o pessoal do sindicato da aviação agrícola. “Espero que o evento seja um sucesso”, afirmou.

Goiás ganha destaque nacional

Natural de Ceres, o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Ramos Longo, destacou a importância de Goiás sediar o Congresso da Aviação Agrícola.

“Goiás tem ganhado destaque nacional e internacional quando o assunto é aviação. Hoje, o Estado ocupa a sexta posição nacional em número de aeronaves registradas e a segunda em número de organizações de manutenção”, afirmou.

Daniel Ramos Longo: “Goiás tem ganhado destaque nacional e internacional quando o assunto é aviação” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Longo parabenizou Goiás pela realização do evento e defendeu a ampliação de parcerias entre o governo federal e o setor. “Quero parabenizar Goiás pelo lançamento do Congresso de Aviação Agrícola e deixar uma mensagem de portas abertas para que a gente siga desenvolvendo projetos em conjunto, trabalhando em parceria para levar adiante iniciativas que sejam de interesse da aviação brasileira e do setor aéreo como um todo”, disse.

Segundo ele, Goiás possui a quarta maior frota de aviação agrícola do Brasil e é um dos principais polos de manutenção e inovação do setor aeroagrícola no país.

Aviação impulsiona economia de Goiânia

Representando o prefeito Sandro Mabel no evento, o secretário municipal de Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Agricultura e Serviços (Sedicas), Adonídio Neto Vieira Júnior, destacou que Goiânia se consolidou como um dos principais polos da aviação brasileira, tanto no transporte de passageiros quanto nos segmentos executivo e agrícola.

“A aviação em Goiânia é muito forte. Temos um aeroporto entre os dez maiores do Brasil e uma grande estrutura voltada tanto para a aviação executiva quanto para a aviação agrícola. Isso gera empregos, arrecadação e desenvolvimento para o município e para o Estado”, afirmou.

Segundo o secretário, a Prefeitura atua em parceria com o aeródromo de Goiânia e instituições do setor para ampliar a formação de profissionais, diante da crescente demanda por mão de obra especializada.

Adonídio Neto Vieira Júnior: “a aviação em Goiânia é muito forte” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

“Tudo na aviação exige certificação e hoje existem vagas abertas que não conseguem ser preenchidas. Estamos trabalhando com a Secretaria Nacional de Aviação Civil e com o Sistema S para lançar ainda este ano cursos gratuitos para mecânicos e pilotos, abastecendo esse mercado com profissionais qualificados”, disse.

Adonídio Neto Vieira Júnior ressaltou ainda que Goiânia exerce papel importante para o agronegócio, mesmo sem concentrar grandes áreas de produção agrícola, por sediar empresas e serviços ligados à aviação agrícola.

“O aeródromo de Goiânia se tornou um dos maiores polos de manutenção de aeronaves do Brasil. Isso representa geração de empregos, arrecadação tributária e desenvolvimento tecnológico. A Prefeitura está de mãos dadas com o setor privado para criar todas as condições necessárias para que ele continue crescendo”, concluiu.

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