Em Goiás, economia criativa gera empregos e aquece o PIB

Recém-criada, Superintendência da área projeta metas ousadas até 2022

Superintendente de Economia Criativa e Solidária, André Franco: meta é gerar 350 mil empregos e participar de 7,5% do PIB goiano até 2022 | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Vinculada à Secretaria de Desenvol­­vimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED), a Superintendência de Economia Criativa e Solidária foi criada em janeiro de 2018 com o objetivo de estimular esta área em Goiás.

No comando da Superintendência desde o começo, André Franco explica ao Jornal Opção que a economia criativa — “nova economia” ou “economia do século XXI” — é baseada na geração de valor por meio da criatividade humana e de processos inovadores. “Cada pessoa tem uma bagagem específica. A matéria-prima principal é o capital humano”, diz.

No início, surgiu uma preocupação em razão de algumas áreas da economia criativa — artesanato, artes plásticas, cinema, teatro e circo — já serem tradicionais em outras pastas, como a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce).

“Me questionaram muito se iria levar para mim estas áreas de atuação e sempre respondi que não. Meu papel aqui é complementar as outras secretarias. Elas já têm o know-how e eu tenho uma equipe que pode somar. Não quero competir. Quero parcerias”, afirma o superintendente de Economia Criativa.

Estudo

Segundo André Franco, existe um foco muito grande em eventos culturais em outros Estados onde há órgãos relacionados à economia criativa, mas pouca preocupação com a medição do impacto econômico e o mapeamento da cadeia produtiva.

Foi pensando nisso que, em Goiás, a pasta elaborou um estudo, em parceria com o Instituto Mauro Borges (IMB), e constatou que a economia criativa emprega 279 mil pessoas e representa 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A meta é aumentar estes números para 350 mil empregos gerados e 7,5% do PIB até 2022.

“Precisávamos ter uma ideia da participação do setor na economia goiana e saber onde temos que investir mais. Caso contrário, ficaríamos fazendo eventos sem perceber o real impacto”, ressalta André. “Uma das nossas principais missões é colocar a economia criativa no radar dos prefeitos e de secretários de Indústria, Comércio, Cultura e Turismo.”

Projetos

Apesar do pouco tempo de atuação, a Superintendência já tem importantes projetos engatilhados, como o “Ser Tão Goiás”, que visa estruturar e fomentar o setor da moda com eventos específicos a fim de criar uma moda típica de Goiás, o “Arquitetura na Periferia”, que objetiva oferecer condições às mulheres que vivem nas periferias de municípios goianos a reformarem suas casas, e o “Tecendo o Amanhã”, que busca o resgate histórico das técnicas de tecelagem manual no distrito de Olhos D’Água, em Alexânia.

Além disso, o setor de economia criativa em Goiás trabalha em três outras frentes: melhoria do ecossistema de startups, Campus Party Goiânia e criação de polos audiovisuais em Rio Verde, Anápolis e na região Nordeste do Estado.

André Franco frisa que uma das finalidades é gerar núcleos de coworking e startups no chamado “interior do interior”, onde as dificuldades costumam ser maiores. Em relação ao Campus Party, é perceptível que o evento já não está restrito aos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília — recentemente, houve uma edição em Porto Velho. Por isso, a ideia é trazer para Goiânia em breve.

Na área de audiovisual, o Ministério da Cultura tem um projeto de aportar R$ 6 para cada real investido por um município ou Estado em um projeto. “Se conseguirmos fazer com que um município aporte R$ 1 milhão e o Estado mais R$ 1 milhão, esses dois milhões viram quatorze”, pontua André, que é mestre em cinema latino-americano pela Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

O audiovisual é um segmento que paga bem e, além de gerar emprego e renda, capacita mais as pessoas. “Se um filme precisar de um marceneiro ou eletricista, tem que ser alguém muito bom, porque o audiovisual paga acima da média salarial da atividade”, sublinha o superintendente. “A tendência é que as pessoas se tornem cada vez mais especializadas à medida em que o audiovisual for vingando nos municípios. Queremos descentralizar a cadeia do audiovisual no Brasil.”

Economia solidária

Por sua vez, a economia solidária tem um foco diferente da criativa. No caso, pode-se gerar renda e ser uma forma de empregabilidade, mas a preocupação não necessariamente é ganhar dinheiro, e sim o trabalho em comunidade com uma produção mais associada por meio de autogestão, ou seja, sem patrão e empregado.

No âmbito da Superintendência, André Franco destaca duas ações: agricultura familiar e o Projeto Estadual de Upcycling — termo utilizado para definir uma “nova maneira de reciclagem”, em que a matéria-prima volta à economia transformada em forma de arte —, que capacita catadores de lixo por meio de aulas de artesanato a transformarem tudo o que recolhem em arte.

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Neires

Parabéns André Franco pelo excelente trabalho em favor dos Artesão de goias e tenho certeza que a frente desta Superintendência vai nos ajudar mais ajuda a divulgar e valorizar nosso Artesanato Goiano e a todos que trabalha com a economia solidária.
Parabéns o seu sucesso e o nosso sucesso