Aumenta o número de vítimas de golpes praticados na internet em Goiás

Crimes cometidos na rede mundial de computadores, em especial o do comércio de falsas mercadorias, evidencia falta de fiscalização do poder público e ausência de legislação mais rígida

Modelo fotográfica Bruna Cristine Menezes de Castro, mais conhecida como “Barbie 171”, usava seu charme nas redes sociais para lesar internautas. Seus golpes somaram um prejuízo de cerca de 300 mil reais

Modelo fotográfica Bruna Cristine Menezes de Castro, mais conhecida como “Barbie 171”, usava seu charme nas redes sociais para lesar internautas. Seus golpes somaram um prejuízo de cerca de 300 mil reais

Frederico Vitor

Quem se deparava com o perfil da Bru­na Cristine Menezes de Castro, de 25 anos, nas redes sociais não poderia desconfiar que aquela moça esbelta era na verdade uma golpista. Quase ninguém poderia imaginar que a beldade de longos cabelos loiros, de rosto bonito de feições suaves, que se apresentava na internet por meio de fotos produzidas e repletas de glamour, seria uma estelionatária que lesou dezenas de pessoas em Goiás e Estados, causando prejuízos que somaram, segundo a polícia, mais de R$ 300 mil.

O caso da modelo fotográfica golpista que ficou nacionalmente conhecida como “Barbie 171” é apenas um de vários outros que vêm aumentando as estatísticas das delegacias goianas. Há vários estelionatários que se camuflam em perfis falsos nas redes sociais como Instagram e Facebook em busca de novas vítimas. Os criminosos virtuais anunciam smartphones, perfumes, produtos de maquiagem e eletrônicos importados, com o objetivo de enganar consumidores atraídos pelos preços competitivos e muito abaixo do praticado pelo mercado formal.

No caso da modelo fotográfica, as vítimas depositavam adiantamentos em contas correntes que ela indicava. Os depósitos eram efetuados, mas a mercadoria não era entregue. Após os clientes confirmarem o pagamento da encomenda, a “Barbie 171” inventava uma desculpa, na maioria das vezes dizia que ela, ou alguém da família, estava doente e, por isso, não conseguiria entregar o produto no prazo. Após a consumação do golpe, de imediato a “bela da internet” encerrava sua conta na rede social e abria outra com novas características e nomes falsos, sempre usando da sedução e boa conversa para iludir novas vítimas.

Bruna Cristi­ne usava a beleza como arma para persuadir clientes, homens e mulheres que acreditavam em seu caráter baseados na sua boa aparência, que transmitia credibilidade. “Barbie 171” seduziu um jovem pelo Face­book, o analista de sistema Ryan Balbino, com quem teve um rápido relacionamento. Ele, que mora no Rio de Janeiro, teve um prejuízo calculado em R$ 25 mil.

Bruna Cristine mentia ao rapaz que estava com câncer no útero e por isso precisava de dinheiro para seguir com o tratamento. Para persuadi-lo e comovê-lo, mandava fotos de cabelos caídos, dizendo que aquilo era efeito colateral da quimioterapia, o que não passava de uma grande farsa. O carioca conta que chegou vir a Goiás para encontrá-la e conheceu parte de sua família. Ao encontrar o pai da moça, teria ouvido do ex-sogro que Bruna Cristine estava bem e não sofria de nenhum problema grave de saúde. Ao descobrir a farsa, o homem prestou queixa contra a estelionatári numa delegacia no Rio de Janeiro.

Contra a “Barbie 171” foi cumprido mandado de prisão preventiva no dia 12 deste mês pelo crime de estelionato. Bruna Cristine foi localizada num apart-hotel no Jardim Goiás, bairro nobre de Goiânia, onde estava hospedada havia 30 dias. Segundo a Polícia Civil, ela fez pelo menos 23 vítimas — 20 de Goiás, duas do Distrito Federal e uma do Rio de Janeiro. Somente os prejuízos das vítimas goianas foram calculados em mais de R$ 300 mil, segundo a polícia.

Além da “Barbie 171”, há outros golpistas em atuação na web

Delegado Eduardo Prado: “Vítimas são atraídas por produtos a preços vantajosos impraticáveis no mercado“

Delegado Eduardo Prado: “Vítimas são atraídas por produtos a preços vantajosos impraticáveis no mercado“

De acordo com o titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), Eduardo José do Prado, Bruna Cristine não é a única que aplicava golpes pela internet em Goiânia. Atualmente, há mais gente sob investigações por agir criminosamente de forma muito parecida com a “Barbie 171”. O delegado é atuante no mesmo espaço dos estelionatários virtuais, e em sua página do Facebook, que conta com mais de 22 mil seguidores, dá dicas e repassa informações preventivas de como evitar aborrecimentos e prejuízos com golpes pela internet.

A pena por estelionato é de até cinco anos de cadeia por cada crime cometido. Segundo Eduardo Prado, Bruna Cristine confessou os golpes, porém não soube dizer o valor que retirou dos clientes e quantas vítimas fez, mas disse que vendia os produtos e depois não os entregava. “Ela afirma que não tem dimensão do que fez.”

O titular da Decon disse ao Jornal Opção que a jovem demonstra sinais de mitomania, que é um transtorno de personalidade caracterizado por contar mentiras compulsivamente e acreditar nelas. De acordo com ele, mesmo presa e algemada ela demonstrava frieza e postura altiva. “Ela vivia uma realidade que não era a dela e passou acreditar naquilo”, disse.

Eduardo Prado orienta a quem for vítima deste tipo de golpe, primeiramente precisa procurar uma delegacia, com todas as documentações em mãos, como os originais de extratos, depósitos e transferências bancárias e todas as mensagens de e-mail e do aplicativo Whatsapp que foram trocadas com o golpista. As documentações servem como provas para a abertura de um registro de boletim de ocorrência (BO) para que o inquérito seja instaurado. “As vítimas têm que vir até a autoridade policial, mas em muitos casos elas pensam que não vai dar em nada, o que é um engano”, afirma.

Mas, afinal, há regulamentação de comercialização de produtos na internet? Produtos importados podem ser vendidos livremente em redes sociais na internet? Todos os produtos que entram no Brasil precisam ser informados à Receita Federal. Mercadorias como smartphones, notebook, tablets, joias, roupas, maquiagens e perfumes precisam ser notificados à Receita. Caso contrário se configura em crime de descaminho, ou seja, quando há importação de mercadoria em que, no todo ou em parte, há omissão do pagamento de imposto pela entrada dos produtos. O crime é sancionado com pena de um a quatro anos.

Receita Federal

De acordo com informações da Receita Federal, poderão ser efetuadas importações de bens destinados à revenda somente com a aplicação do Regime de Tributação Simplificada (RTS), que são submetidas a despacho aduaneiro, mediante Declaração Simplificada de Importação (DSI). No regime comum de importação, o despacho aduaneiro de mercadorias ocorre mediante a verificação e exatidão dos dados declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas. A tributação e os procedimentos administrativos são definidos de acordo com a classificação tarifária dos bens, bem como a legislação vigente.

Já o controle aduaneiro promovido Receita Federal não tem caráter arrecadatório. A fiscalização verifica, por exemplo, se os produtos receberam as devidas anuências, oferecendo, portanto, condições de sanidade e segurança para o uso do consumidor brasileiro. Além disso, não há tratamento diferenciado quanto à fiscalização aduaneira nos aeroportos e fronteiras brasileiras, respeita-se, porém, as especificidades de cada modal de importação, e em todos os casos deve ser observada a legislação aplicável.

Pesquisa prévia de idoneidade da empresa, ou pessoa, é fundamental antes de fechar um negócio na internet

Para fugir de golpes na internet, principalmente em acordos comerciais, o delegado Eduardo Prado lembra que há vários procedimentos que ajudam os consumidores a evitar dor de cabeça. A primeira delas é nunca efetuar uma compra sem antes pesquisar na internet as referências de quem se está fechando negócio. É primordial sempre pesquisar o nome da loja, do vendedor, ou da pessoa quem está se mantendo negócio. Quando o internauta deparar com preços muito abaixo do mercado, e perceber que há mudanças frequentes no nome da empresa ou do perfil, é sinal para a necessidade de mais cautela e pesquisa mais aprofundada em relação a idoneidade de quem está ofertando o produto ou o serviço.

O delegado Eduardo Prado explica que há um marco civil da internet, mas em relação aos crimes que nela são cometidos não há diferenciação do restante da legislação em vigor. Outra questão que preocupa o titular da Decon é em relação à falta de estrutura da polícia, de maneira geral, no combate aos crimes cibernéticos. Segundo ele, em razão demanda, as instituições policiais precisam de mais delegados e agentes com cursos e treinamento específicos para reprimir e investigar práticas delituosas na rede mundial de computadores. “Crimes na internet são muito específicos, já que há quebra de IPs e outros procedimentos complexos.”

Não somente as falsas vendas de produtos eletrônicos são praticadas na internet. A Decon já recebeu inúmeras denúncias de golpes envolvendo venda de passagens aéreas falsificadas na rede. Geralmente, os golpistas atraem as vítimas por meio de bilhetes falsos a preços muito abaixo do praticado no mercado e, por causa da diferença de 100 a 200 reais, muitos acabam caindo na armadilha. Em muitos casos, as vítimas somente descobrem que caíram em um golpe quando estão no aeroporto e o guichê da companhia aérea recusa os tíquetes falsificados.

Outra modalidade de golpe comum é da venda de veículos em sites de vendas ou em grupos de comércio nas redes sociais, principalmente o Facebook. O golpista anuncia o carro numa rede social (Instagram ou Facebook), ou em site de vendas (OLX, Mercado Livre) a um preço muito atrativo. A vítima, ao manifestar interesse, é orientada pelo golpista a efetuar o pagamento de um sinal em dinheiro para receber em troca o documento único de transferência (DUT) escaneado, porém falso. O titular da Decon informou que em média, por mês, aproximadamente 50 usuários da internet se tornam vítimas de golpes virtuais e procuram a delegacia. Somente em 2015, foram 280 ocorrências registradas no Estado.

 

Principais golpes da internet e como evitar cair na armadilha

O que fazer para prevenir golpes virtuais?
Comprar por sites conhecidos e bem avaliados. Pesquisar também em sites de reclamação de serviços na web. Procurar acessar sites diretamente e não através de ofertas vindas por e-mail, exceto aquelas referentes a sites em que houve um cadastro prévio e que o usuário já tenha confiança.

Falsos emails de instituições financeiras
Bancos jamais vão fazer atualização de dados enviando um e-mail ou pedindo por telefone. Estes correios eletrônicos, devem ser imediatamente removidos de sua conta, assim seu provedor entende que você não gosta de receber estes e-mails e futuramente joga-os diretamente na caixa de spam, evitando assim esta bizarrice.

Oportunidades de emprego falsas
Assim como os golpes econômicos estão os golpes que prometem emprego online, com vagas de trabalho a partir de casa. No golpe de trabalhar em casa, as vítimas são atraídas por conta de uma variedade de oportunidades. Esses sites podem ser tão convincentes que as vítimas frequentemente são levadas a descontar cheques e ordens de pagamento enviados pelo correio. Lembre-se que não existe dinheiro fácil e sequer emprego dos sonhos na internet.

Romances pela internet
Nessa modalidade de crime digital, golpistas criam falsos perfis no Facebook para seduzir mentes e corações de homens e mulheres com o intuito de lhes arrancar boas quantias de dinheiro. Existem até casos de suicídio.

O que fazer caso eu for vítima de crime virtual?
A sugestão que é passada por autoridades, até para que a polícia possa ter o conhecimento real sobre esse tipo de crime, é de que a vítima possa, municiada de todas informações possíveis, dirigir-se até a delegacia de polícia mais próxima e efetuar o registro de ocorrência.

Uma resposta para “Aumenta o número de vítimas de golpes praticados na internet em Goiás”

  1. Avatar Eurânio Batista Alves Batista disse:

    Leva esta bichinha que não tem nada de bonita, como falam, para morar com Fernandinho Beira Mar. Eles vão dar certinho, certinho!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.