Anápolis não esquece: Iris quase quebrou o Daia

Enquanto o PMDB sofre forte rejeição por parte do eleitorado anapolino, Marconi Perillo tem alta aprovação por conta de obras como a expansão do Daia, implantação do polo farmoquímico, aeroporto de cargas e o centro de convenções

Distrito Agroindustrial é um marco para Anápolis, com quase 200 empresas que empregam 18 mil trabalhadores

Distrito Agroindustrial é um marco para Anápolis, com quase 200 empresas que empregam 18 mil trabalhadores

Frederico Vitor

Historicamente, o mu­ni­cípio de Anápolis sempre proporcionou votação expressiva ao governador de Goiás e candidato à reeleição, Marconi Perillo (PSDB). Esta condição tem desequilibrado o jogo em favor do projeto tucano no decorrer dos pleitos, desde a consolidação do projeto político do chamado Tempo Novo. Os adversários, em especial Iris Rezende (PMDB), não têm apresentado bom desempenho nas urnas no colégio eleitoral anapolino. Pelo contrário. O líder peemedebista vem recebendo votações ínfimas, se considerado a importância da cidade no contexto socioeconômico de Goiás.

Mas não é por acaso que Marco­ni é aclamado eleitoralmente em Anápolis e Iris rejeitado. Há todo um longo processo de folha de serviços e benfeitorias prestados pelas administrações do tucano que levam os anapolinos a votarem em massa na continuidade do governo do PSDB. Somado a isso, há um contencioso histórico da cidade com o PMDB que remonta desde a primeira passagem de Iris Rezende pelo Palácio das Esmeraldas. A rusga permaneceu em seu retorno à chefia do Executivo estadual, logo após a administração de Henrique Santillo. Soma ao contencioso o desprestígio de Maguito Vilela em relação ao setor produtivo local.

O período peemedebista no poder quase levou o Distrito Agro­in­dustrial de Anápolis (Daia) à bancarrota e, pelo que parece, os eleitores anapolinos não se esqueceram deste fato e tampouco apagaram da memória o salto de desenvolvimento que o município experimentou nos últimos anos com os governos tucanos. Há quem afirme que a história de Anápolis é dividida em duas eras: antes e depois de Marconi. Parece exagero, mas os indicadores econômicos e sociais provam que, de fato, a “Man­chester Goiana” entrou de vez no radar dos investimentos em decorrência de políticas públicas acertadas nas administrações do PSDB, como o fortalecimento do Daia, que resultou no surgimento do segundo maior polo farmoquímico do Brasil e a instalação da montadora sul-coreana Hyundai.

Não por acaso Marconi tem recebido votações acachapantes quando seu principal adversário é Iris Rezende ou qualquer outro quadro do PMDB. No primeiro turno das eleições de 2010, o candidato tucano obteve em Anápolis 112.283 votos (65,01%), contra apenas 38.706 (22,41%) do líder peemedebista. No segundo turno, Marconi recebeu 124.173 votos (74,41%) e Iris Rezende 42.701 (25,59%). Como se nota, a margem de diferença de votos entre os dois candidatos é extensa e as urnas confirmam que os eleitores anapolinos rejeitam o retorno do PMDB ao governo e retribuem em forma de votos todas as realizações em Anápolis das administrações tucanas.

Nas eleições deste ano não tem sido muito diferente. No primeiro turno, o ex-prefeito e candidato ao governo pelo PT, Antônio Gomide, foi o mais votado em Anápolis com 110.700 votos (56,41%). O resultado do petista era mais do que esperado, levando em consideração que o governadoriável veio de uma administração municipal que teve avaliação alta na cidade. Mas nem por isso Marconi deixou de superar Iris com ampla vantagem. O governador obteve 66.980 votos (34,13%) e o peemedebista apenas 9.009 votos, apenas 4,59% dos votos válidos.

Passagens de Iris Rezende pelo governo não trouxe prestígio ao setor produtivo de Anápolis Marconi priorizou obras como o Aeroporto de Cargas e Centro de Convenções de Anápolis

Passagens de Iris Rezende pelo governo não trouxe prestígio ao setor produtivo de Anápolis
Marconi priorizou obras como o Aeroporto de Cargas e Centro de Convenções de Anápolis

Empresários reconhecem tucano como gestor transformador do município

Obras do Aeroporto Internacional de Cargas de Anápolis: produtos “made in Goiás” vão agora ganhar o mundo

Obras do Aeroporto Internacional de Cargas de Anápolis: produtos “made in Goiás” vão agora ganhar o mundo

Não há empresário anapolino que não reconheça a importância do governador Marconi como gestor transformador do desenvolvimento do município. Na época do PMDB, o Daia apenas existia, ou seja, não abrigava indústrias importantes e muito menos gerava empregos como atualmente. O distrito abrange uma área de mais de 1,7 mil hectares e conta com quase 170 empresas de médio e grande porte em pleno funcionamento, gerando mais de 16 mil empregos diretos. Há a perspectivas de novas instalações nos próximos anos e o governo já anunciou que vai investir na construção do Daia 2.

A história do Daia começou em novembro de 1976, durante o governo de Irapuan Costa Júnior, mas somente em 1980 o governo instituiu um programa de concessão de benefícios fiscais às empresas que se instalassem no local. Ultimamente, o Programa Fo­mentar foi substituído pelo Produzir, que proporciona até 100% de financiamento, além da isenção de impostos. Dentre as vantagens de se investir no Daia está o Porto Seco, a Ferrovia Norte-Sul e, em breve, o aeroporto de cargas que dará vida a Plataforma Mutimodal.

O Porto Seco é um terminal alfandegado destinado à prestação de serviços de movimentação e armazenagem de mercadorias sob o controle aduaneiro. Já a Plataforma Logística Multimodal vai promover pela primeira vez no País o conceito de central de inteligência logística, combinando os transportes ferroviário, aéreo e rodoviário. Com a expansão do consumo de remédios genéricos no Brasil o Daia também passou a abrigar um polo farmacêutico, considerado um dos maiores da América Latina, e responsável por um terço de todos os medicamentos consumidos no País.

Aeroporto de cargas

Outra obra de grande envergadura em construção próxima ao Daia, que vai melhorar ainda mais o aspecto econômico de Anápolis, será o Aeroporto Internacional de Cargas. Com a sua inauguração, empresas anapolinas vão poder exportar “a jato” seus produtos para o todo o mundo. Faltando poucos dias para ser entregue, o governo tucano tem tocado uma obra grandiosa, orçada em aproximadamente R$ 140 milhões, que consiste numa pista de 3,3 mil metros de extensão com 45 metros de largura, além de uma área de escape de 150 metros de um lado e outro e um pátio de estacionamento de aeronaves de 40 mil metros quadrados, com capacidade de suporte para aviões de até 420 toneladas.

Cerca de 60% das obras do Centro de Convenções de Anápolis (CCA) — um sonho antigo do empresariado anapolino — já estão concluídas. Construí­do às margens da BR-153, o CCA será o maior espaço do gênero e o mais moderno do Centro-Oeste. Serão quatro auditórios, com capacidade de receber 3.350 pessoas simultaneamente, além de dois estacionamentos com 3 mil vagas de estacionamento, três pátios de exposição, restaurante panorâmico, teatro de arena e demais dependências para apresentação de espetáculos musicais e de orquestras. O empreendimento trará maior competitividade às empresas instaladas em todo o eixo Goiânia-Anápolis-Brasília e será um marco para Goiás.

 

William O’Dwyer: “É o governador mais respeitado em Anápolis”

Secretário William O’Dwyer: “A dinamização da economia anapolina foi grande”

Secretário William O’Dwyer: “A dinamização da economia anapolina foi grande”

O secretário estadual de Indústria e Comércio, William O’Dwyer, também empresário do ramo automobilístico em Anápolis, afirma que Marconi deu todos os incentivos para que o Daia se transformasse no polo que é atualmente. Segundo ele, o que prejudicou muito a imagem de Iris Rezende em Anápolis foram as políticas agressivas de arrecadação de impostos, que trouxe para o PMDB uma situação incomoda junto ao empresariado anapolinos. “Tudo que se vê hoje em Anápolis de positivo está ligado aos governos de Marconi”, diz.

William O’Dwyer destaca que os incentivos fiscais implementados nas gestões tucanas consolidaram Anápolis como munícipio de economia dinâmica, tendo como os maiores destaques o polo farmoquímico e a chegada da montadora Hyundai. O secretário ressalta também outras realizações no campo social e cultural, como a construção do Hospital de Urgências Dr. Henrique Santillo (Huana) e a construção do centro de convenções. “A dinamização da economia de Anápolis foi muito grande em todos os aspectos nos governos de Marconi, e isso faz com que ele seja para o anapolino o mais destacado e respeitado dos governadores.”

 

Empresário diz que nas gestões do PMDB o Daia era um distrito industrial fantasma

Alexandre Moura afirma que Anápolis deve muito ao Marconi

Alexandre Moura afirma que Anápolis deve muito ao Marconi

O empresário e presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo de Anápolis, Alexandre Moura, afirma que historicamente, quando o PMDB esteve no poder, tanto nos governos de Iris Rezende quanto na única gestão de Maguito Vilela, o Daia foi praticamente destruído. Ele afirma que os governantes peemedebistas fizeram de tudo para dificultar e atrapalhar o desenvolvimento de Anápolis. Para o empresário, este período ficou marcado pela ida de indústrias que estavam instaladas na cidade para Rio Verde, Aparecida de Goiânia e até mesmo para fora do Estado.

Alexandre Moura lembra que no governo Marconi, o Daia começou a reverter a grave situação em que se encontrava, deixando de ser um distrito agroindustrial “fantasma” para se transformar em um dos principais polos produtivos do Brasil. Ele destaca como fator importante para este desenvolvimento, as políticas de incentivos fiscais implementadas nas administrações tucanas. “Anápolis deve tudo isso e muito mais ao governador Marconi.”
Alexandre Moura não acredita que os votos conquistados por An­tônio Gomide no primeiro turno venham a migrar para Iris. Apesar de Gomide ter sido um ótimo prefeito para Anápolis, ele acredita que o eleitorado não esquece as realizações de Marconi e é grato por isso. “Acredito que os votos do eleitorado anapolino são quase 100% de Marconi, Gomide não consegue transferir votos para Iris.”

 

Wilson Oliveira: “Nossa história se divide entre antes e depois de Marconi”

Wilson Oliveira não acredita na recuperação da imagem de Iris

Wilson Oliveira não acredita na recuperação da imagem de Iris

O empresário anapolino Wilson Oliveira afirma que quando Iris Rezende era governador o setor produtivo e os trabalhadores de Anápolis passavam por um duro período de incertezas. Segundo ele, no governo do Maguito Vilela (1995-1999), uma grande indústria têxtil — Vicunha — que operava na cidade fechou as portas e se transferiu para o Nordeste, deixando centenas de trabalhadores sem emprego. “Este e outros fatos contribuíram apara arranhar ainda mais a imagem do PMDB na cidade e não será hoje que ela será reconstruída”, diz.

Wilson Oliveira lembra que Marconi é muito querido em Anápolis e, em todas as eleições em que o tucano disputou, ganhou dos candidatos peemedebistas por uma grande diferença de votos. O empresário ressalta outra importante obra idealizada por Marconi que será um divisor de águas para o município, que é o Parque Tecnológico, que abrigará indústrias de produtos de alto valor agregado. “Anápolis será o novo ‘Vale do Silício’ do Brasil. Por esses e outros fatores que a história de Anápolis se divide em antes e depois de Marconi.”

 

Luiz Medeiros: “Não há aqui nenhuma obra importante construída pelo PMDB”

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Luiz Medeiros não acredita que Gomide venha transferir votos para Iris

O empresário e presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia), Luiz Medeiros, afirma que nos mandatos do PMDB não houve nada de expressivo em termos de obras e realizações para a cidade. Pelo contrário, o desprestígio dos governantes peemedebistas em relação à Anápolis ocasionou na fuga de empresas e investimentos que culminou na quase extinção do Daia. “Está aí a grande diferença do governador Marconi. Ele investiu pesado na reabilitação do distrito agroindustrial e em obras de infraestrutura em parceria com a prefeitura.”

Para Luiz Medeiros, Antônio Gomide fez história na cidade com uma administração municipal pautada na parceria com o governo estadual. O empresário lembra que em 2010, tanto Gomide quanto o deputado federal Rubens Otoni (PT) apoiaram Iris Rezende, mas no final, o peemedebista teve um resultado inexpressivo nas urnas. “Não acredito que a população de Anápolis venha a votar em Iris por pedido de Gomide.”

 

Sociólogos e lideranças políticas explicam a preferência de Anápolis por Marconi

Valto Elias lembra que o PMDB deixou Anápolis relegada ao abandono  Para Pedro Sahium, Marconi sempre foi sensível às demandas de Anápolis

Valto Elias lembra que o PMDB deixou Anápolis relegada ao abandono
Para Pedro Sahium, Marconi sempre foi sensível às demandas de Anápolis

Onaide Santillo diz que no período do PMDB o Daia não se desenvolveu Frederico Jayme afirma que anapolinos não sentem nenhuma saudade de Iris

Onaide Santillo diz que no período do PMDB o Daia não se desenvolveu
Frederico Jayme afirma que anapolinos não sentem nenhuma saudade de Iris

O professor, sociólogo e presidente do PSDB em Anápolis, Valto Elias, diz que os pífios re­sultados de Iris nas urnas em Aná­polis têm origens na polarização histórica entre o líder peemedebista e o ex-governador Hen­ri­que Santillo. Talvez por ser A­ná­polis a base de Santillo, Iris Re­zen­de teve uma política de indiferença com a cidade por um longo pe­ríodo que se estendeu em todas as últimas administrações do PMDB.

Durante a gestão de Maguito Vilela, por exemplo, Valto Elias lembra que Anápolis ficou relegada ao abandono e essa situação criou um ranço da população e do eleitorado em relação ao PMDB. O sociólogo lembra que Henrique Santillo chegou a criar um movimento com o mote “Reaja Aná­po­lis: diga não ao abandono”, quando foi candidato a prefeito nas eleições municipais de 1996, ocasião em que foi derrotado nas urnas. Mesmo com o revés político, a semente daquela reivindicação chegou a atingir a população, e a resposta veio em 1998 com a vitória de Marconi contra Iris Rezende, com uma votação arrasadora em Anápolis.

Com Marconi no governo Anápolis recuperou sua pujança econômica e política, e o governador tucano soube prestigiar as lideranças empresariais da cidade. Valto Elias lembra que a partir de então, todos os titulares da Secretaria de Indústria e Comércio passaram a ser escolhidos no meio empresarial anapolino. “O Daia recuperou seu dinamismo a partir do Tempo Novo e atualmente emprega cerca de 20 mil trabalhadores. Não por acaso, no advento do governo Marconi, Goiás liderou o ranking nacional do desenvolvimento.”

Sensível às demandas

O ex-prefeito de Anápolis, sociólogo e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Pedro Sahium diz que Marconi tem a estima do eleitor anapolino por ter sido em várias ocasiões sensível as demandas da cidade. Ele lembra a crise na saúde vivida pelo município no começo da década de 2000, em que oito hospitais fecharam as portas — Hospital Santa Paula, Hospital Dom Bosco, Hospital de Cardiologia Dr. Muriti, Hospital São Zacarias, Hospital Nossa Senhora de Lourdes e o Hospital Santo Antônio.

A crise sobrecarregou o Hospital Evangélico e a Santa Casa e apenas teve fim com a entrega do Huana, que veio suprir a necessidade de uma unidade de pronto-atendimento em Anápolis. “Aí está o diferencial de Marconi, pelo desenvolvimento seja econômico ou social ele faz obras importantes”, diz Pedro Sahium.

O ex-prefeito acredita que Gomide não consegue transferir votos para o candidato do PMDB pelo simples fato de os eleitores anapolinos terem desaprovado sua saída da prefeitura faltando ainda três anos para o término de seu mandato. “Iris é uma figura importante, mas neste contexto acho que Gomide não consegue transferir votos.”

Desprestígio irista

Até mesmo peemedebistas históricos reconhecem o valor de Marconi para Anápolis. O ex-deputado estadual Frederico Jayme afirma que os anapolinos não têm saudade de Iris, que foi marcado por governos de desatenção com a cidade. Segundo ele, o processo de desindustrialização sofrido pelo município no período do PMDB resultou num grande atraso em seu desenvolvimento, que ostenta o segundo maior PIB de Goiás — R$ 12 bilhões, segundo o Instituto Mauro Borges (IMB). “Iris desprestigiou e não levou em consideração a importância de Anápolis no contexto socioeconômico e cultural de Goiás.”

A ex-deputada estadual Onai­de Santillo lembra um fato interessante que pode explicar melhor a re­jeição de Iris em Anápolis. Ela conta que quando ele assumiu o governo pela segunda vez, o perguntaram o que faria por Aná­polis. A resposta do líder peemedebista foi taxativa: “Nada, porque Henrique Santillo fez tudo o que precisava ser feito.”

Essa afirmação deixou uma marca muito forte em Anápolis. Neste período em que o PMDB esteve no poder, o Daia não se desenvolveu e houve um enfraquecimento muito grande do parque industrial anapolino. Onaide Santillo afirma que com Marconi ocorreu o contrário. O Daia cresceu acima da média e saltou de pouco mais de 30 empresas na época no advento peemedebista para abrigar, atualmente, cerca de 180 indústrias. “Marconi deu um avanço muito grande a Anápolis, com o Daia, aeroporto de cargas, plataforma multimodal e agora o centro de convenções. Ele tem uma atenção muito significativa em Anápolis.”

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