Do isolamento ao agro: Vale do Paranã desponta como nova fronteira agrícola de Goiás
16 maio 2026 às 21h00

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O que durante décadas foi visto como uma das regiões mais isoladas e desafiadoras de Goiás começa agora a ganhar novos contornos econômicos. No Nordeste goiano, o Vale, ou Vão do Paranã vive uma transformação silenciosa, mas cada vez mais perceptível no campo. Com o avanço da agricultura mecanizada, a expansão da soja, os investimentos em irrigação e o fortalecimento da fruticultura, a região desponta como uma nova fronteira agrícola do estado, em movimento semelhante ao que ocorreu nos últimos anos no Vale do Araguaia.
A mudança já chama atenção do próprio Governo de Goiás. O secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, afirma que o Vão do Paranã reúne potencial para se consolidar como uma das áreas estratégicas para a expansão agropecuária goiana. Segundo ele, além do crescimento da produção de grãos, a região também pode se tornar referência em culturas irrigadas e até na produção de café. Em paralelo, projetos voltados à agricultura familiar, entrega de maquinários e a implantação de agroindústrias começam a alterar a realidade econômica de municípios historicamente marcados por baixos índices de desenvolvimento.
A paisagem do Vão do Paranã, formada por pequenas cidades, longas distâncias e desafios estruturais históricos, começa a conviver com novos investimentos em infraestrutura, energia elétrica e logística. Rodovias estão sendo pavimentadas, pontes construídas e sistemas de irrigação implantados para ampliar a capacidade produtiva da região. Ao mesmo tempo, produtores rurais enxergam nas características do território uma oportunidade para diversificar culturas e fortalecer atividades como a pecuária, a produção de frutas e a agricultura de médio porte.
Mesmo ainda distante dos números registrados em polos tradicionais do agronegócio goiano, o Vale do Paranã já apresenta crescimento consistente em culturas como soja, arroz, mandioca e frutas cítricas. Especialistas avaliam que, diante das limitações naturais da região, o desenvolvimento local deve seguir um modelo próprio, baseado na combinação entre tecnologia, irrigação e adaptação produtiva. Para muitos, o Nordeste goiano deixou de ser apenas uma região esquecida do mapa econômico estadual e passou a representar uma nova aposta para o futuro do agro em Goiás.

Importãncia do Rio Paranã
Vale ressaltar que o Rio Paranã, importante curso d’água do Nordeste goiano e afluente do Rio Tocantins, banha municípios como Formosa, onde nasce, Flores de Goiás, São João d’Aliança, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás. O rio é vital para a região da Chapada dos Veadeiros e desempenha papel fundamental no abastecimento hídrico e no desenvolvimento econômico local.
Na região Nordeste de Goiás, o Paranã também é estratégico para projetos de irrigação, especialmente em Flores de Goiás e em áreas próximas à rodovia GO-118. A Barragem do Rio Paranã impacta diretamente municípios como Flores de Goiás, São João d’Aliança e Formosa. Outro destaque é o Funil do Paranã, ponto turístico conhecido entre Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás.
Retrato do Vão do Paranã
A Microrregião do Vão do Paranã, localizada no Nordeste de Goiás, é considerada uma das áreas mais isoladas do estado e uma das que enfrentam os maiores desafios socioeconômicos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para fins estatísticos, a região ocupa uma área de aproximadamente 17,4 mil quilômetros quadrados e reúne 12 municípios: Alvorada do Norte, Buritinópolis, Damianópolis, Divinópolis de Goiás, Flores de Goiás, Guarani de Goiás, Iaciara, Mambaí, Posse, São Domingos, Simolândia e Sítio d’Abadia.
Com população estimada em cerca de 123 mil habitantes em 2019, o Vão do Paranã tem em Posse seu principal centro urbano, concentrando aproximadamente 28,8 mil moradores. Na sequência aparecem Iaciara, com cerca de 12,7 mil habitantes, Flores de Goiás, com 10,3 mil, e São Domingos, com aproximadamente 9,7 mil moradores.
Alvorada do Norte possui cerca de 8,2 mil habitantes, enquanto Simolândia tem aproximadamente 6,9 mil moradores e Mambaí, cerca de 6,4 mil. Os demais municípios têm população inferior a seis mil habitantes. Divinópolis de Goiás registra aproximadamente 5,3 mil moradores, Guarani de Goiás cerca de 4,1 mil, Damianópolis pouco mais de 3,5 mil, Buritinópolis aproximadamente 3,4 mil e Sítio d’Abadia cerca de 3,2 mil habitantes.
A economia do Vão do Paranã é sustentada principalmente pela pecuária extensiva e pela agricultura familiar de subsistência. Ao mesmo tempo, a região vem acompanhando o avanço do agronegócio, com a presença de grandes propriedades rurais voltadas para a criação de gado e, mais recentemente, para a expansão da agricultura mecanizada.
Seapa amplia projetos no Nordeste goiano
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Ademar Leal, afirmou que Goiás tem potencial para ampliar suas fronteiras agrícolas e se consolidar como um grande produtor de café, especialmente em regiões como o Vale do Araguaia e o Vão do Paranã.
Segundo ele, o fortalecimento da agricultura familiar e dos pequenos produtores está entre as prioridades da pasta. “Tenho encontros com entidades de pequenos produtores já agendados, e está no meu radar. Quero visitar, o mais breve possível, o projeto de irrigação do Vão do Paranã, que é um projeto voltado aos pequenos produtores, onde também realizamos recentemente a entrega de maquinários por parte da Seapa”, destacou.
Ademar Leal também anunciou que o Governo de Goiás deve inaugurar ainda este ano uma agroindústria de processamento de polpas de maracujá e manga na região do Vão do Paranã. De acordo com ele, o empreendimento recebeu mais de R$ 15 milhões em investimentos do Tesouro Estadual.

“No Vão do Paranã, vamos inaugurar ainda este ano uma agroindústria de processamento de polpas de maracujá e manga. Foram investidos mais de R$ 15 milhões do Tesouro Estadual para auxiliar os produtores de uma região que precisa muito desse apoio”, afirmou.
O Projeto de Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã foi implantado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em parceria com o governo federal, instituições de ensino e pesquisa e entidades representativas do setor produtivo. A iniciativa busca fortalecer a produção agrícola no Nordeste goiano, com geração de emprego e renda por meio da fruticultura irrigada.
Na primeira etapa do projeto, agricultores familiares dos municípios de Flores de Goiás, São João d’Aliança e Formosa foram beneficiados com 150 kits de irrigação. Os equipamentos foram adquiridos pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), com investimento federal de R$ 9,8 milhões.
A etapa inicial contempla cerca de 300 hectares irrigados pelas barragens do Rio Paranã e do Ribeirão Porteira. A expectativa é que a área alcance uma produção anual de aproximadamente 4,2 mil toneladas de maracujá e 6 mil toneladas de manga, a partir do segundo e terceiro anos de implantação das culturas.
Os produtores beneficiados foram selecionados com base em critérios técnicos, como disponibilidade de água e área produtiva, além do compromisso em participar das capacitações sobre manejo e gestão rural. Cada propriedade receberá um kit de irrigação para atender dois hectares — sendo um hectare destinado ao cultivo de manga e outro ao de maracujá.
As famílias participantes também contarão com assistência técnica da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás). O Sistema OCB-GO dará suporte à formação de cooperativas na região.

Produtores apostam no Vão do Paranã
Produtores rurais, prefeitos e agricultores familiares relatam crescimento da produção, chegada de novos investidores, expansão da soja e fortalecimento de projetos de irrigação. Eles destacam como principais atrativos da região o solo fértil, o custo mais baixo das terras e o potencial para ampliação das lavouras, apesar dos desafios relacionados à infraestrutura, relevo e questões ambientais.
Prefeito de São Domingos vê potencial gigantesco
O prefeito de São Domingos, Gilvanir Cardoso (PP), ressaltou que o município começa a migrar da pecuária para a agricultura.
“O que nós mais temos aqui é terra para potencial de crescimento”, declarou. Segundo ele, produtores de outras regiões já estão adquirindo propriedades no município. “O pessoal do Sul e da Bahia está descendo para cá. O potencial é gigantesco”, afirmou.

Gilvanir ressaltou que a principal dificuldade ainda é a infraestrutura rodoviária. “As rodovias que dão acesso às áreas produtoras ainda não são totalmente pavimentadas. Com a pavimentação, isso tende a crescer muito”, disse.
O prefeito também acredita que a agricultura deve impulsionar a geração de empregos. “A pecuária de corte não gera emprego. A agricultura sim, desenvolve o município.”
Prefeito de Alvorada do Norte destaca crescimento gradual
O prefeito de Alvorada do Norte, Davi Moreira de Carvalho (PSDB), afirmou que o município ainda tem forte presença da pecuária e da agricultura familiar, mas observa avanço das lavouras.

“Tem crescimento da soja, milho, sorgo e da laranja”, disse. Ele pondera que o potencial agrícola existe, embora de forma mais moderada. “Não muito, mas tem potencial sim”, destacou.
Agricultura familiar ganha força com irrigação
A agricultora Elisabete Gomes, do Assentamento Nova Piratininga, em Formosa, afirma que o acesso à irrigação por meio da Rota da Fruticultura ampliou a produção da família. “Antes a gente produzia só no período da chuva. Hoje conseguimos plantar maracujá, manga, mamão, melancia, tomate e hortaliças aproveitando a irrigação”, disse.

Ela conta que a família ainda não vive exclusivamente da produção, mas já conseguiu melhorar a renda com vendas em feiras e participação no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). “Já conseguimos vender pelo PAA e tivemos uma renda de R$ 14 mil. Ainda não dá para viver só disso, mas melhorou bastante a nossa vida”, afirmou.
Produtores destacam solo fértil e expansão da soja
O produtor Adeni Maronezi pontuou que a região passou a atrair agricultores da Bahia interessados no cultivo de grãos. “O pessoal percebeu que soja, milho e algodão dão mais lucro que o gado”, disse.
Segundo ele, apesar do relevo mais acidentado, o solo é superior ao de áreas tradicionais da Bahia. “O solo lá é muito melhor e mais fértil. Precisa de menos insumos.”

Maronezi relatou produtividade elevada já na primeira safra. “A média passou de 80 sacas por hectare. Foi melhor do que na Bahia”, declarou. Ele também confirmou a chegada de novos produtores. “Tem muitos produtores conhecidos se instalando na região”, disse.
“Primeiro doido” da região aposta no potencial desde 1979
O produtor Edson Caetano, que está na região desde 1979, brinca que foi “o primeiro doido” a acreditar no potencial agrícola do Vão do Paranã. “Eu não sei se acreditei ou se precisava trabalhar, mas o primeiro fui eu.”
Ele destacou que as terras da região estão entre as melhores do país. “As terras são as melhores do Brasil”, disse. Segundo Edson, a produtividade da soja vem crescendo significativamente. “Esse ano fechamos média de 85 sacas por hectare”, detalhou.

Edson observa aumento da procura por terras. “Está chegando muito produtor da Bahia procurando área aqui”, declarou.
Apesar disso, avalia que há dificuldade para aquisição de propriedades. “As fazendas aqui são muito sólidas, quase não tem terra disponível para venda”, explicou.
Produtor aponta terras mais fortes e mais baratas
O produtor Leandro Freire, que cultiva soja em São Domingos há três anos, afirma que decidiu investir na região pela qualidade das terras. “A terra aqui é mais forte que a da Bahia e mais barata também”, observa.
Ele afirma que o relevo não inviabiliza a produção. “Tem áreas de relevo, mas também tem áreas planas boas para lavoura”, classificou. Na última safra, Leandro registrou produtividade de 75 sacas por hectare. “Está crescendo sim, mas o preço da soja ainda segura um pouco os investimentos.”

Segundo ele, muitos produtores da Bahia têm migrado para Goiás pela falta de terras disponíveis no estado vizinho. “Na Bahia quase não tem terra à venda, e quando tem é muito cara”, declarou.
Vale do Paranã aposta em grãos e frutas
O Vale do Paranã, tem apresentado crescimento na produção agrícola e já desponta como uma nova fronteira do agronegócio em Goiás. A avaliação é do analista técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Vilmar Júnior, que destaca o avanço da área cultivada, principalmente de soja, além do potencial da região para fruticultura e pecuária.
“De 2022 para cá, houve de fato uma expansão muito grande da área de soja cultivada naquela região. Segundo o IBGE, foram cerca de 27%, de aumento da área e a projeção para esta safra é de aproximadamente 66 mil hectares cultivados”, afirmou Vilmar Júnior.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Vale do Paranã já ocupa posição de destaque em algumas culturas agrícolas no estado. No arroz, por exemplo, a região responde por 42,5% de toda a produção goiana. Flores de Goiás lidera o ranking estadual da cultura, superando inclusive municípios tradicionais como São Miguel do Araguaia.
Segundo Vilmar Júnior, o arroz possui forte presença em Flores de Goiás devido à existência de um projeto de irrigação. “O arroz está muito ligado à região de Flores de Goiás porque lá existe um projeto de irrigação que fomenta bastante esse cultivo”, explicou.
Os dados do IBGE também apontam participação relevante da região em culturas como abóbora e maracujá. Embora tenham menor peso econômico em comparação aos grãos, ambas registram participação superior a 10% na produção estadual, indicando potencial para o desenvolvimento da fruticultura e da horticultura especializada.

Além disso, a mandioca também se destaca no Vale do Paranã. A região concentra 4,4% da produção goiana, com Flores de Goiás ocupando a terceira posição entre os maiores produtores do estado. O cenário evidencia a convivência entre culturas tradicionais e o avanço mais recente da soja.
Apesar de ainda representar pequena parcela da produção estadual de soja e milho — com participações de 0,7% e 0,3%, respectivamente — o especialista avalia que justamente esses números demonstram o potencial de expansão da região nos próximos anos.
De acordo com Vilmar Júnior, além dos grãos, o Vale do Paranã começa a ganhar espaço também na fruticultura. Um projeto em desenvolvimento deve ampliar significativamente a produção de frutas na região.
“Hoje a laranja já representa cerca de R$ 10 milhões no Valor Bruto da Produção da região. A expectativa é que a participação das frutas aumente bastante nos próximos anos por conta desse projeto de irrigação voltado para a fruticultura”, afirmou.
Os municípios de Flores de Goiás e Sítio d’Abadia concentram cerca de 61% do Valor Bruto da Produção (VBP) regional, seguidos por São Domingos. Além de soja e arroz, a região também produz milho, feijão, mandioca, batata, sorgo e frutas cítricas.
Apesar do avanço, Vilmar Júnior pondera que o Vale do Paranã possui limitações naturais que dificultam a expansão de culturas em larga escala nos moldes observados em outras regiões do estado, como o sudoeste goiano.
“É uma região importante como fronteira agrícola, mas possui limitações topográficas, de solo e de regime de chuvas. Não dá para comparar com regiões extremamente favoráveis à soja e ao milho, como o sudoeste goiano”, ressaltou.
Segundo ele, justamente por essas características, o potencial econômico do Vale do Paranã pode estar mais ligado à fruticultura, à agricultura em menor escala e à pecuária.
“É uma região que vale muito o investimento e pode trazer muitos retornos, principalmente em áreas como fruticultura e pecuária, que já têm presença muito significativa ali”, destacou.
O analista também explicou que a irrigação é fundamental para garantir produtividade na região, especialmente diante da irregularidade das chuvas.
“Como em boa parte do Nordeste Goiano, a precipitação em algumas áreas é menor. Então o complemento com irrigação é muito importante para que a produção aconteça de forma consistente”, afirmou.
Outro destaque é a produção de mandioca, bastante presente em áreas de agricultura familiar e assentamentos rurais. “É uma cultura que se adapta muito bem às condições da região, principalmente porque exige menos mecanização, suporta melhor períodos de seca e não sofre tanta influência da topografia”, explicou.
Embora a produção ainda seja considerada tímida em alguns segmentos, Vilmar Júnior avalia que o potencial da região é promissor, desde que haja investimentos e projetos voltados à adaptação das culturas às características locais.
“É uma região que ainda carece de muito investimento e adaptação. Mas ela tem potencial e não pode ser desprezada. Eu acredito que, em um prazo não tão longo, vamos colher ótimos frutos do desenvolvimento do Vale do Paranã”, concluiu.
Vão do Paranã amplia força no agro
Com base nos dados mais recentes da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do IBGE, estas são as culturas predominantes nos 12 municípios que compõem a microrregião do Vão do Paranã:
- Alvorada do Norte — predominância de soja, seguida por milho e arroz.
- Buritinópolis — destaque para mandioca, com produção menor de feijão.
- Damianópolis — produção concentrada principalmente em mandioca.
- Divinópolis de Goiás — predominância de sorgo, com participação menor da soja.
- Flores de Goiás — principal polo regional, com forte liderança do arroz; também se destacam milho, soja, mandioca e feijão.
- Guarani de Goiás — produção majoritariamente de soja, seguida por mandioca.
- Iaciara — predominância de soja, além de milho, feijão e mandioca.
- Mambaí — destaque para maracujá e melancia, além de pequena produção de soja e mandioca.
- Posse — soja lidera a produção agrícola, seguida por sorgo, feijão e mandioca.
- São Domingos — forte produção de soja e milho, além de sorgo.
- Simolândia — milho aparece como principal cultura, seguido de soja e feijão.
- Sítio d’Abadia — destaque para soja e milho, além de laranja, feijão e batata-inglesa.
Os dados reforçam que o Vão do Paranã possui perfil agrícola diversificado. Enquanto municípios como Flores de Goiás, São Domingos e Sítio d’Abadia concentram produção de grãos em maior escala, cidades como Mambaí e Buritinópolis apresentam vocação mais voltada para fruticultura e agricultura familiar.
Equatorial amplia rede no Nordeste
Assim como ocorre no Vale do Araguaia, uma das principais demandas do Nordeste goiano é a ampliação da oferta de energia elétrica capaz de viabilizar a instalação de grandes indústrias na região.
A Equatorial Goiás informou à reportagem que concluiu mais de 350 mil obras de manutenção e modernização da rede elétrica entre 2023 e o primeiro trimestre de 2026 no Nordeste do estado, onde estão localizados os municípios do Vão do Paranã.
Para 2026, novos investimentos já estão previstos em Formosa, maior município da região. As ações incluem a ampliação da potência da subestação local, melhorias na subestação Itiquira para balanceamento de carga, implantação de um novo transformador de 33,3 MVA, construção de 17 quilômetros de rede trifásica e implantação de 15 quilômetros de um novo alimentador dentro da cidade.

No município de Posse, estão programadas a substituição e ampliação da potência do transformador, além da instalação de um novo capacitor, barramento duplo e outros equipamentos destinados a aumentar a robustez e a confiabilidade da rede elétrica local.
Já em Alvorada do Norte, será construído um novo alimentador de 84 quilômetros em direção ao município de Vila Boa.
Desde o início da concessão, há cerca de três anos, a companhia afirma ter investido mais de R$ 7 bilhões na ampliação e modernização da rede elétrica em Goiás. Somente no primeiro trimestre de 2026, foram concluídas mais de 84,3 mil obras em todo o estado, o equivalente a 94% da meta prevista para o período.
Segundo a Equatorial Goiás, os investimentos representam mais um passo no processo de reconstrução e fortalecimento da rede elétrica no estado, de forma planejada e alinhada às demandas de residências, comércios e indústrias.
Vale do Paranã recebe R$ 500 milhões em obras
Em meio ao avanço do agronegócio no Nordeste goiano, o Vale do Paranã tem recebido uma série de investimentos em infraestrutura rodoviária e logística. Segundo a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), os 12 municípios da região passam por um processo de transformação com obras voltadas à consolidação do território como uma das novas fronteiras agrícolas de Goiás.

Desde 2019, já foram investidos mais de R$ 500 milhões em obras rodoviárias na região. Os recursos contemplam serviços de pavimentação, restauração de rodovias, construção de pontes e melhorias funcionais em corredores estratégicos para o escoamento da produção agropecuária.
Além das obras nas rodovias estaduais, o governo também destinou recursos para programas de apoio à infraestrutura urbana e rural dos municípios. Entre eles estão o Goiás em Movimento Municípios, voltado à recuperação de ruas e avenidas; o programa Patrulhas Mecanizadas, destinado à manutenção de estradas vicinais não pavimentadas; e o Goiás em Movimento Estruturas, responsável pela substituição de pontes de madeira por travessias de concreto.
As intervenções têm como principal objetivo ampliar a integração logística do Nordeste goiano, conectando municípios produtores a importantes corredores estaduais e federais, como as BRs-020 e 153, além da GO-118. A estratégia busca fortalecer o transporte de grãos, insumos agrícolas e produção pecuária.
Entre as obras de destaque está a pavimentação da GO-447, entre Divinópolis de Goiás e a GO-118, no sentido de Monte Alegre de Goiás. O projeto inclui a construção de uma ponte sobre o Riacho Seco. Outra intervenção importante foi realizada na GO-110, entre Iaciara e o distrito de Estiva, em São Domingos, trecho que também recebeu uma ponte sobre o Rio São Mateus.
Na região de Guarani de Goiás, a pavimentação da GO-108 até o Parque Estadual Terra Ronca é considerada um dos principais eixos estratégicos da região, tanto para a logística quanto para o turismo. Além da pavimentação completa do trecho, a entrada do parque recebeu paver ecológico de concreto, solução apontada como mais sustentável. A obra inclui ainda ciclovia ao longo da rodovia e duas pontes sobre o Rio São Bernardo e o Ribeirão Palmeiras.
Como medida de preservação ambiental, também foi instalada uma passagem aérea para fauna, com o objetivo de garantir maior segurança aos animais silvestres e preservar a conectividade ecológica da região.

A Goinfra informou ainda que há investimentos em melhorias funcionais nas rodovias GO-110, GO-112, GO-114 e GO-446, em trechos que atendem municípios como Iaciara, Simolândia e Flores de Goiás.
Além das rodovias, a região também recebeu obras de construção e substituição de pontes em pontos estratégicos, como na GO-236, sobre os rios Santa Maria e Macaquinho. As estruturas ampliam a segurança e a capacidade de tráfego em rotas utilizadas pelo agronegócio.
Entre os projetos previstos está a pavimentação da GO-236, entre Flores de Goiás e Alvorada do Norte. Considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola e para a ligação com a BR-020, a obra está em fase de licitação e será executada com recursos do Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra).
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