Procissão dos Pretos Velhos reúne fiéis e movimenta Goiânia neste sábado, 30
26 maio 2026 às 17h46

COMPARTILHAR
Goiânia receberá, no próximo sábado, 30, uma procissão em homenagem aos Pretos Velhos, entidades veneradas nas religiões de matriz africana. A caminhada está marcada para as 16h, com saída do Centro Espírita São Miguel Arcanjo, no Setor Universitário, seguindo até a Praça Universitária. A expectativa é reunir representantes de dezenas de terreiros, médiuns e simpatizantes da tradição afro-brasileira.
De acordo com o dirigente da casa religiosa, Padrinho Zelismar, a iniciativa busca preservar uma tradição iniciada por Vó Erotildes e reforçar a valorização da cultura afro-brasileira na capital. “Esperamos centenas de participantes em um momento de fé, memória e respeito às nossas raízes”, afirma.
Segundo os organizadores, além da manifestação religiosa, o evento pretende ampliar a visibilidade das práticas de matriz africana e combater o preconceito religioso. “Queremos reafirmar a importância dos Pretos Velhos como símbolos de aconselhamento espiritual, acolhimento e cura”, destaca Zelismar.
A Madrinha Ester, que também coordena o Centro Espírita São Miguel Arcanjo, ressalta que a realização da procissão em espaço público representa um reconhecimento histórico da presença afro-brasileira em Goiânia. “É uma tradição que faz parte da identidade cultural da cidade e que precisa ser preservada”, diz.

A programação prevê a concentração dos participantes no Setor Universitário e, após a caminhada, a realização de cânticos, orações e bênçãos na Praça Universitária. Os organizadores informaram que o evento será conduzido em parceria com órgãos locais, seguindo orientações de segurança, trânsito e uso do espaço público.
As manifestações ligadas aos Pretos Velhos têm origem na memória dos africanos escravizados e na formação das religiões afro-brasileiras, que incorporaram elementos do cristianismo, do espiritismo e das tradições africanas. Na Umbanda, essas entidades são associadas à sabedoria, aconselhamento espiritual e práticas de cura.
A procissão também busca aproximar a sociedade das religiões de matriz africana e ampliar o diálogo sobre diversidade religiosa. “Nossa fé também é cultura, história e parte da construção da cidade”, conclui Padrinho Zelismar.
Quem foi Vó Erotildes
Vó Erotildes do Carmo ficou conhecida em Goiás pelo trabalho de acolhimento espiritual e preservação de saberes ancestrais. Descendente de pessoas escravizadas, ela fundou, na década de 1950, o Centro Espírita São Miguel Arcanjo, considerado um dos terreiros mais antigos do estado.
Reconhecida pelas bênçãos, rezas e ações de caridade, Vó Erotildes transformou o espaço em um local de apoio espiritual gratuito para a comunidade. Atualmente, o trabalho é mantido por Padrinho Zelismar e Madrinha Ester, que afirmam seguir a missão de preservar a ancestralidade e os ensinamentos deixados pela fundadora.
Leia também:
Religiões de matriz africana crescem em Goiás, aponta Censo 2022



