O ex-técnico Vanderlei Luxemburgo, de 74 anos, recebeu na noite desta quinta-feira, 21, o título de cidadão goianiense em sessão realizada na Câmara Municipal de Goiânia. Um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol brasileiro, Luxemburgo aproveitou a homenagem para reforçar sua entrada definitiva na política partidária.

Filiado ao Podemos e pré-candidato ao Senado pelo Tocantins, estado onde vive há sete anos, ele afirmou que pretende levar para a vida pública a experiência acumulada no futebol e defendeu uma política baseada no diálogo. “A política tem uma mania de transformar adversário em inimigo. Eu não quero viver uma política raivosa”, afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal Opção.

Conhecido como “Luxa” ou “Professor” no meio esportivo, o ex-treinador destacou a importância simbólica da homenagem recebida em Goiânia. Segundo ele, o título representa um reconhecimento nacional por sua trajetória profissional e pelos vínculos construídos ao longo de décadas com Goiás. “Receber o título de cidadão goianiense é importante porque é o reconhecimento daquilo tudo que eu já fiz pelo Brasil. Ser homenageado em uma cidade que não é do seu estado mostra carinho e respeito pela sua história”, declarou.

Vanderlei Luxemburgo lembrou amizades construídas em Goiás, como a relação com o ex-governador Maguito Vilela e com o cantor Leonardo, além de citar investimentos mantidos no estado e em outras regiões do país. “Tenho empreendimentos em vários lugares do Brasil: Tocantins, Goiás, Alagoas e Mato Grosso. A gente vai investindo e construindo relações”, disse.

“Quero levar minha experiência de gestão no futebol para a política”

Durante a entrevista, o ex-técnico também comentou o cenário político nacional e criticou a polarização ideológica. Para ele, o Congresso perdeu a capacidade de debater projetos para o país. “Nunca vi um Congresso com tanta raiva e tão pouco debate político. A democracia está perdendo espaço para rivalidades pessoais”, afirmou Luxemburgo.

Ao falar sobre sua entrada na política, Luxemburgo disse que pretende aplicar na vida pública os conceitos de gestão que desenvolveu ao longo da carreira no futebol. “Minha gestão no futebol não era só dentro de campo. Eu trabalhei com tecnologia, projetos sociais, modernização e gestão de grupos. Quero levar essa experiência para a política”, ressaltou.

O treinador também comentou temas nacionais, como a discussão sobre a escala de trabalho 6 por 1, e afirmou ser favorável à mudança. “Isso não é um projeto de esquerda ou de direita. É um projeto para o Brasil”, declarou Luxemburgo.

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“Receber o título de cidadão goianiense é importante porque é o reconhecimento” | Foto: Natielly Ribeiro

Pré-candidatura ao Senado

Vanderlei Luxemburgo confirmou que disputará uma vaga ao Senado pelo Tocantins nas eleições de 2026. Segundo ele, a decisão é resultado da relação construída ao longo de mais de duas décadas com o estado.

“Moro no Tocantins há sete anos, mas frequento o estado há 24 anos. Tenho história, investimentos e relacionamento político lá”, afirmou.

Luxemburgo revelou que já havia tentado disputar as eleições de 2022, mas desistiu após divergências partidárias. Agora, diz estar mais preparado para o desafio. “Entendo que tenho condições de representar o Tocantins e o Brasil no Senado”, declarou.

O ex-treinador afirmou ainda que pretende fazer uma política baseada no diálogo. “Adversário não é inimigo. Política precisa construir soluções para a sociedade”, disse.

Luxemburgo elogia Caiado e vê Daniel Vilela como continuidade em Goiás

Luxemburgo avaliou positivamente o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado. Para ele, Caiado reúne experiência política, forte aceitação popular e capacidade de projeção nacional.

“É um candidato que tem um conhecimento muito forte de política, vem da política há muitos e muitos anos. É um candidato com conhecimento. Tem dificuldade, como os outros também têm resistência, mas ele é um cara que pode ser projetado nacionalmente sem problema nenhum”, afirmou.

Luxemburgo também destacou a gestão de Caiado na área da segurança pública em Goiás. “Ele fez uma grande gestão aqui no estado de Goiás, acabando com a violência. Você vinha com o carro aqui para ir para Brasília e, se parasse uma caminhonete, era roubado. O Caiado entrou e acabou com esse negócio aqui”, disse.

O ex-técnico ainda comentou sobre o governador Daniel Vilela, apontado como possível sucessor político do grupo governista no estado. “O Daniel Vilela é um menino que eu vi com nove anos e que vai dar sequência ao que já vem sendo feito em Goiás”, pontuou.

Futebol, Ancelotti e Neymar

Na área esportiva, Luxemburgo avaliou positivamente a convocação feita pelo técnico Carlo Ancelotti para a Seleção Brasileira e saiu em defesa da presença de Neymar na lista. “O Neymar, mesmo com 50%, é o melhor jogador do Brasil”, afirmou.

Luxemburgo criticou as cobranças direcionadas exclusivamente ao treinador italiano pela situação física do atacante. “Existe um departamento médico e uma comissão técnica. Não é só responsabilidade do treinador”, disse.

Sobre a ausência do atacante Pedro, o ex-técnico minimizou a polêmica. “No Brasil sempre vão discutir quem ficou fora. Tem que apoiar quem foi convocado”, afirmou.

“Tem algumas coisas que eu faria diferente, mas ele sabe o que está fazendo. Estamos torcendo para que faça um grande trabalho”, ponderou Luxemburgo.

Ao comentar sua trajetória no futebol, Vanderlei Luxemburgo relembrou passagens por grandes clubes brasileiros, pela Seleção Brasileira e pelo Real Madrid. Flamenguista declarado, ele ainda brincou ao falar sobre o clássico entre Flamengoe Palmeiras, que será disputado no sábado, 23, às 21h, no Maracanã, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro Série A. “O Palmeiras está no meu coração pelas conquistas, mas eu sou flamenguista. Vou torcer para o Flamengo”, afirmou.

Maior vencedor da Série A

O treinador detém o recorde de títulos do Campeonato Brasileiro na era anterior ao atual formato de pontos corridos, com cinco conquistas da Série A no currículo.

Luxemburgo foi campeão brasileiro com o Palmeiras em 1993 e 1994, comandou o Corinthians no título de 1998, levou o Cruzeiro à conquista em 2003 e voltou a vencer a competição com o Santos, em 2004. Ainda pelo clube mineiro, conquistou a Copa do Brasil de 2003, temporada em que a equipe também venceu o Campeonato Mineiro, formando a chamada “Tríplice Coroa”.

No cenário internacional, Luxemburgo comandou a Seleção Brasileira na conquista da Copa América de 1999. Já no início da carreira, também conquistou a Série B do Campeonato Brasileiro com o Bragantino, em 1989, título que ajudou a consolidar sua ascensão como treinador no futebol nacional.

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