“Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil”, diz Caiado sobre adversários pelo novo tarifaço dos EUA
16 julho 2026 às 11h36

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O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), divulgou um vídeo nas redes sociais, nesta quinta-feira, 16, onde falou sobre os impactos da decisão dos Estados Unidos em cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo país. Na gravação, Caiado aproveitou para alfinetar os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), pela atuação de ambos perante o assunto.
“Veja que situação o Brasil está. Um fazendo piada com a dentadura do Trump e o outro pedindo para que realmente fosse adiado para depois das votações. Então, eu pergunto a Lula e ao Flávio. Vocês estão defendendo o interesse de uma campanha eleitoral. O Brasil ficou de fora da defesa de vocês”, destacou Caiado.
O ex-governador goiano caracterizou o novo tarifaço em mais de 4 mil produtos brasileiros como “uma penalização direta a quem trabalha e a quem produz no Brasil.”
Na legenda da publicação, Caiado afirma que “indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada”. O pessedista ainda diz que, somadas, a sobretaxa pode chegar a 37,5% e que “Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o Brasil”, finaliza.
O que diz o governo?
O Planalto classificou a decisão como um “marco latismável” e afirmou que irá adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade, além de recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O que diz Flávio?
O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), disse que “Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil” e compartilhou uma publicação do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio, onde ele afirmou que Lula colocou o próprio ego à frente das negociações.
Quais são os produtos?
Os Estados Unidos divulgaram, nesta quarta-feira, 15, a lista de produtos brasileiros que serão afetados pelo tarifaço.
- Etanol;
- Calçados;
- Vestuário;
- Açúcar orgânico;
- Papel;
- Máquinas agrícolas;
- Equipamentos de mineração;
- Ferramentas de jardinagem;
- Maquinário elétrico; Bens de capital;
- Produtos químicos diversos;
- Itens industriais processados;
- Manufaturados em geral.
Há também uma lista de produtos exportados pelo Brasil que ficaram de fora da nova tarifa de 25%:
- Carne bovina;
- Café;
- Petróleo bruto e gás natural;
- Laranjas e sucos de laranja;
- Peixes e crustáceos;
- Castanhas;
- Mel orgânico;
- Celulose de madeira;
- Pastas químicas de madeira;
- Determinados produtos de madeira tropical;
- Alguns minérios;
- Ferro-gusa;
- Produtos metálicos considerados estratégicos para cadeias produtivas norte-americanas;
- Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais;
- Helicópteros;
- Motores aeronáuticos e componentes do setor aeronáutico;
- Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico;
- Semicondutores e máquinas para fabricação.
Como justificativa para o aumento, o governo norte-americano considerou temas como Pix, regulação de plataformas digitais, políticas ambientais, propriedade intelectural, acesso ao mercado de etanol e barreiras comerciais. O Planalto contestou todas as acusações e afirmou que apresentou argumentos ao USTR, que é o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, para rebater as acusações.
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