O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), divulgou um vídeo nas redes sociais, nesta quinta-feira, 16, onde falou sobre os impactos da decisão dos Estados Unidos em cobrar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo país. Na gravação, Caiado aproveitou para alfinetar os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), pela atuação de ambos perante o assunto.

“Veja que situação o Brasil está. Um fazendo piada com a dentadura do Trump e o outro pedindo para que realmente fosse adiado para depois das votações. Então, eu pergunto a Lula e ao Flávio. Vocês estão defendendo o interesse de uma campanha eleitoral. O Brasil ficou de fora da defesa de vocês”, destacou Caiado.

O ex-governador goiano caracterizou o novo tarifaço em mais de 4 mil produtos brasileiros como “uma penalização direta a quem trabalha e a quem produz no Brasil.”

Na legenda da publicação, Caiado afirma que “indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada”. O pessedista ainda diz que, somadas, a sobretaxa pode chegar a 37,5% e que “Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o Brasil”, finaliza.

O que diz o governo?

O Planalto classificou a decisão como um “marco latismável” e afirmou que irá adotar medidas com base na Lei da Reciprocidade, além de recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que diz Flávio?

O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), disse que “Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil” e compartilhou uma publicação do secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio, onde ele afirmou que Lula colocou o próprio ego à frente das negociações.

Quais são os produtos?

Os Estados Unidos divulgaram, nesta quarta-feira, 15, a lista de produtos brasileiros que serão afetados pelo tarifaço.

  • Etanol;
  • Calçados;
  • Vestuário;
  • Açúcar orgânico;
  • Papel;
  • Máquinas agrícolas;
  • Equipamentos de mineração;
  • Ferramentas de jardinagem;
  • Maquinário elétrico; Bens de capital;
  • Produtos químicos diversos;
  • Itens industriais processados;
  • Manufaturados em geral.

Há também uma lista de produtos exportados pelo Brasil que ficaram de fora da nova tarifa de 25%:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Petróleo bruto e gás natural;
  • Laranjas e sucos de laranja;
  • Peixes e crustáceos;
  • Castanhas;
  • Mel orgânico;
  • Celulose de madeira;
  • Pastas químicas de madeira;
  • Determinados produtos de madeira tropical;
  • Alguns minérios;
  • Ferro-gusa;
  • Produtos metálicos considerados estratégicos para cadeias produtivas norte-americanas;
  • Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais;
  • Helicópteros;
  • Motores aeronáuticos e componentes do setor aeronáutico;
  • Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico;
  • Semicondutores e máquinas para fabricação.

Como justificativa para o aumento, o governo norte-americano considerou temas como Pix, regulação de plataformas digitais, políticas ambientais, propriedade intelectural, acesso ao mercado de etanol e barreiras comerciais. O Planalto contestou todas as acusações e afirmou que apresentou argumentos ao USTR, que é o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, para rebater as acusações.

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