O governo brasileiro foi comunicado pelo chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, que recomendou ao presidente estadunidense a imposição de uma nova tarifa sobre os produtos brasileiros. A informação foi publicada em primeira mão pela CNN Brasil, que indicou que houve a ampliação da lista de produtos que não serão taxados.

Nesta terça-feira, 14, aconteceu a última rodada de negociação entre os dois países e, de acordo com a publicação, Greer teria reclamado de uma suposta falta de empenho do Brasil nas negociações. A afirmação foi rebatida pelos ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), e pelos embaixadores Mauricio Lyrio e Audo Faleiro.

Segundo os interlocutores brasileiros, os EUA não apresentaram argumentos técnicos para embasar a investigação no âmbito da Seção 301, como as acusações sobre o aumento do desmatamento no Brasil, quando os números indicam justamente o contrário.

Caso confirmada a aplicação da nova tarifa, o Brasil pode se tornar o 2º país do mundo mais penalizado comercialmente pelos EUA. Entre os argumentos para o aumento da taxação, estão supostas práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca, além de ataques ao pagamento digital — Pix. Acima do Brasil, apenas a China sofre retaliações pesadas sobre seus produtos, aponta dados da Global Trade Alert (GTA).

A CNI calcula que as duas medidas, consideradas em conjunto, podem atingir 4.187 produtos e US$ 14,9 bilhões em exportações anuais. A Reuters também aponta que a cobrança de 25% pode alcançar mais de 4 mil produtos e aproximadamente US$ 15 bilhões, embora outras estimativas sejam menores.

Flávio Bolsonaro pediu que tarifa fosse aplicada após eleições

A pressão por sanções norte-americanas contra o Brasil teve participação direta da família Bolsonaro, sobretudo do deputado Eduardo Bolsonaro, que atuou em Washington para obter medidas contra autoridades brasileiras e constranger o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF). Flávio Bolsonaro, por sua vez, respaldou politicamente essa estratégia e defendeu o uso da pressão externa em reação ao processo contra o pai, Jair Bolsonaro. A ofensiva contribuiu para a imposição, em 2025, de tarifas que chegaram a 50% sobre parte das exportações brasileiras, apresentadas por Donald Trump como resposta à suposta “perseguição” ao ex-presidente.

Pré-candidato a presidente disse que tarifaço favoreceria Lula eleitoralmente | Foto: Reprodução

Com a aproximação das eleições e o desgaste provocado pelo tarifaço, Flávio mudou de posição e voltou aos Estados Unidos para tentar impedir a nova cobrança de 25%. Em 7 de julho, o senador participou de uma audiência do USTR em Washington e pediu o adiamento das tarifas, sob o argumento de que a medida prejudicaria empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países, além de fortalecer politicamente Lula. Em manifestação encaminhada às autoridades norte-americanas, sustentou ainda que as sanções anteriores não produziram os resultados esperados, numa tentativa de se afastar de uma política inicialmente utilizada pela família como instrumento de pressão em defesa de Jair Bolsonaro.

Saiba como está a taxação contra o Brasil

Atualmente, cerca de 4,1 mil produtos brasileiros estão submetidos a uma tarifa adicional temporária de 10%, prevista para vigorar até 24 de julho. A nova medida recomendada pelo USTR elevaria a cobrança para 25% e poderia atingir aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações anuais, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre os principais produtos potencialmente afetados estão ferro-gusa, etanol, açúcar, tabaco, máquinas, equipamentos elétricos e derivados de madeira.

A proposta, no entanto, prevê exceções para mercadorias consideradas estratégicas ao mercado norte-americano, como carne bovina, café, petróleo, minérios metálicos, terras raras e peças de aeronaves. Também devem permanecer fora da nova taxação os produtos já sujeitos a tarifas específicas pela Seção 232, como aço, alumínio, cobre, automóveis e autopeças, cujas alíquotas variam entre 15% e 50%. Uma segunda investigação, relacionada ao trabalho forçado nas cadeias produtivas, ainda pode acrescentar outros 12,5%, elevando a cobrança acumulada sobre parte dos produtos brasileiros a 37,5%.

Leia também:

Tarifaço de Trump contra produtos brasileiros pode começar nesta semana