A eleição presidencial do Peru continua em aberto. Com cerca de 92% das urnas apuradas, Keiko Fujimori aparece com 50,24% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez soma 49,75%, segundo dados oficiais divulgados pela autoridade eleitoral peruana.

A diferença entre os dois concorrentes é pequena e mantém o cenário de empate técnico. Por isso, especialistas evitam apontar um vencedor antes da conclusão da apuração.

A expectativa é de que os resultados definitivos ainda demorem alguns dias para serem conhecidos. Isso porque uma parte significativa dos votos pendentes vem de regiões rurais e mais afastadas do país, áreas onde Sánchez possui forte apoio eleitoral.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko chegou ao segundo turno após liderar a votação da primeira fase da disputa, quando obteve 17,2% dos votos válidos. Já Sánchez avançou com cerca de 12%, em uma eleição marcada pela fragmentação política e pelo elevado número de candidatos.

Ao todo, 35 postulantes disputaram a Presidência no primeiro turno, um reflexo da crise de representação que afeta o sistema político peruano. Para analistas, o elevado número de candidaturas demonstra a dificuldade dos partidos em consolidar lideranças nacionais e fortalecer suas bases eleitorais.

A votação ocorreu sem grandes incidentes, diferentemente do primeiro turno, que foi marcado por problemas operacionais e denúncias de irregularidades. As seções eleitorais foram encerradas às 17h no horário local.

A eleição acontece em um contexto de forte instabilidade institucional. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes diferentes, resultado de sucessivas crises políticas, renúncias, impeachments e mudanças de governo.

Para cientistas políticos, essa instabilidade está ligada à fragilidade das instituições peruanas e à constante disputa entre o Poder Executivo e o Congresso. Um dos pontos mais controversos é o artigo 113 da Constituição do país, que permite a destituição de presidentes por “incapacidade moral permanente”, decisão que cabe ao Parlamento.

O mecanismo foi utilizado diversas vezes nos últimos anos e contribuiu para a queda de diferentes governos, aprofundando a percepção de instabilidade entre os eleitores.

Pesquisas recentes apontam que a confiança dos peruanos nas instituições públicas está entre as mais baixas da América Latina. Levantamentos indicam que a maioria da população demonstra pouca ou nenhuma confiança no Congresso e no governo, além de elevados índices de insatisfação com a democracia.

Nesse cenário de desgaste institucional, a disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez é vista como mais um capítulo de uma crise política que se prolonga há anos e que desafia a governabilidade do país, independentemente de quem saia vencedor da eleição.

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