Flávio Bolsonaro participa nesta terça-feira de audiência nos EUA e pede adiamento de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
07 julho 2026 às 07h42

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Nos Estados Unidos, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) se reúne com a cúpula norte-americana nesta terça-feira, 7, em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que trata sobre as tarifas propostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros.
Durante o encontro que acontece em Washington, o parlamentar deve se posicionar de forma contrária à tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros e a qualquer medida relacionada ao PIX. Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos no último domingo, 5.
A articulação feita pelo senador sobre assuntos internacionais com representantes do governo norte-americano é de maneira independente e não tem relação com o Itamaraty. A lista de participantes também inclui o embaixador Roberto Azevedo, que representa a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Letícia Sperb Masselli, da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), entre outros.
Em manifestação enviada ao Escritório dos Representantes de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão que formula as políticas comerciais americanas, o senador Flávio Bolsonaro defendeu que o Pix não concorre diretamente com os cartões de crédito e propôs barrar a integração do sistema brasileiro a redes financeiras “não ocidentais”.
O parlamentar, que é pré-candidato à Presidência, solicitou o adiamento por 180 dias das tarifas de 25% propostas pelos EUA, sugerindo que qualquer taxação só ocorra após o período eleitoral. Segundo Flávio, as sanções prejudicam os próprios investimentos americanos no Brasil. Ele argumentou ainda que os “tarifaços” anteriores não mudaram a postura de Brasília e que, ironicamente, a pressão de Donald Trump tem gerado um efeito colateral: fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que explora o discurso de defesa da soberania nacional.
“As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna”, afirmou o senador no documento.
Apesar das audiências públicas promovidas por Washington nesta semana, o governo federal optou por não discursar nos painéis. A embaixada brasileira enviará apenas observadores para acompanhar as sessões. O Itamaraty avalia que o ambiente de audiência pública serve mais para debates institucionais e que as negociações reais devem acontecer em reuniões técnicas de alto nível.
Recentemente, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial americano, Jamieson Greer, e novos encontros estão previstos. O Brasil já apresentou uma contraproposta para solucionar os impasses apontados pelos EUA, mas ainda aguarda um retorno formal. O prazo final para um acordo é o dia 15 de julho.
Defesa técnica e críticas ao Pix
Na resposta oficial assinada pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil rebateu as acusações americanas, alegando que o USTR não comprovou barreiras comerciais ou discriminações por parte do mercado brasileiro. Vieira destacou que os questionamentos de Washington sobre o Pix e as decisões do Judiciário brasileiro são interferências em políticas internas e não possuem relação com o comércio bilateral.
Nos bastidores do Palácio do Planalto e do Itamaraty, o clima é de realismo: interlocutores admitem que dificilmente o tarifaço será totalmente cancelado, mas buscam reduzir o percentual das alíquotas ou ampliar a lista de produtos isentos.
O que motivou a crise das tarifas?
O conflito comercial começou após uma investigação do USTR (baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974) classificar as políticas brasileiras como “restritivas” e sugerir uma taxação de 25% sobre as exportações do país. O relatório americano demonstrou preocupação com:
- O funcionamento do Pix e a regulação de plataformas digitais;
- Políticas de combate ao desmatamento ilegal e o mercado de etanol;
- Propriedade intelectual e acordos comerciais do Brasil.
Para piorar o cenário, uma segunda investigação dos EUA acusou diversos países, incluindo o Brasil, de fiscalização inadequada sobre produtos feitos com trabalho forçado, sugerindo uma sobretaxa extra de 12,5%. Caso as duas medidas sejam aplicadas de forma cumulativa, o imposto sobre determinados produtos exportados aos EUA pode saltar para 37,5%.
O que acontece agora?
As medidas ainda dependem da conclusão das consultas públicas para entrar em vigor. Se confirmadas após o prazo de 15 de julho, as tarifas afetarão a economia brasileira, embora os EUA já tenham sinalizado uma lista de produtos estratégicos que devem ficar de fora das sanções, como café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos.
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