População em situação de rua quase dobra no Brasil desde o início do governo Lula; Goiás registra alta de 121%
06 julho 2026 às 19h42

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O número de pessoas em situação de rua cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) aumentou de forma expressiva nos últimos três anos. Dados atualizados até junho de 2026 apontam que o total passou de 198,7 mil, em dezembro de 2022, para 392,4 mil pessoas, um crescimento de 97,4% desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O CadÚnico reúne informações de famílias em situação de vulnerabilidade e serve de base para a concessão de programas sociais do governo federal. Embora os dados não representem um censo da população em situação de rua, eles permitem acompanhar a evolução dos registros ao longo dos anos por utilizarem a mesma base de cadastramento.
O levantamento mostra que, desde janeiro de 2023, aproximadamente 4,6 mil pessoas em situação de rua passaram a ser incluídas no sistema a cada mês. No período entre 2019 e 2022, essa média era de cerca de 2 mil registros mensais.
Goiás supera média nacional
Em Goiás, o crescimento foi ainda maior. O estado contabiliza 6.084 pessoas em situação de rua registradas no CadÚnico, número 121% superior ao observado no início de 2023. A taxa corresponde a 86 pessoas nessa condição para cada 100 mil habitantes.
Governo atribui alta a diferentes fatores
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) afirma que o avanço dos registros não decorre apenas do aumento da população em situação de rua. Segundo a pasta, a retomada da capacitação das equipes responsáveis pelo CadÚnico, a ampliação das ações de cadastramento e o aperfeiçoamento do sistema também contribuíram para elevar os números.
O ministério aponta ainda fatores sociais e econômicos, como desemprego, rompimento de vínculos familiares, violência e eventos climáticos extremos, como elementos que ajudam a explicar o crescimento desse público.
Essa interpretação, no entanto, é contestada pelo ex-ministro da Cidadania Osmar Terra (PL-RS). Para ele, os dados são produzidos pelos municípios e seguem a mesma metodologia há vários anos, não sendo possível atribuir a diferença apenas à melhoria no cadastramento.
Plano federal
Na tentativa de ampliar o atendimento à população em situação de rua, o governo federal lançou, em dezembro de 2023, o Plano Nacional Ruas Visíveis, com investimento inicial de R$ 982 milhões. À época, o CadÚnico registrava 262,5 mil pessoas nessa condição. Desde então, o número cresceu em aproximadamente 130 mil, alcançando 392,4 mil em junho deste ano.
Outra medida adotada pelo governo foi a inclusão, em 2025, de famílias com pessoas em situação de rua entre os grupos prioritários para ingresso no Bolsa Família. A iniciativa, entretanto, passou a ser alvo de questionamentos de parlamentares, que cobraram esclarecimentos sobre o controle e a fiscalização dos benefícios destinados a esse público.
Norte lidera crescimento proporcional
Apesar de os maiores contingentes continuarem concentrados na Região Sudeste, o crescimento proporcional mais acelerado foi registrado no Norte e no Nordeste. O Norte apresentou alta de 367% entre janeiro de 2023 e junho de 2026, enquanto o Nordeste registrou aumento de 109%. No mesmo período, o Sudeste cresceu 85%, o Sul 83% e o Centro-Oeste 79%. Roraima foi o estado com a maior variação proporcional, impulsionada, entre outros fatores, pelo fluxo migratório na fronteira com a Venezuela.
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