Com ordem de prisão preventiva, o ex-secretário de Segurança do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, tem novo prazo para se entregar voluntariamente à Polícia Federal (PF), até a próxima segunda-feira, 16. A data foi determinada pelo ministro da Justiça do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Dino. Do contrário, será pedido a extradição dele ao governo norte-americano.

O decreto de detenção do ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL) foi emitido pelo ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira, 10. Neste mesmo dia, Torres anunciou que interromperia as férias e retornaria ao país. “Temos o anúncio de que o senhor Anderson, nos próximos dias, após a decretação de prisão, iria se apresentar, mas não houve ainda a marcação da data [de apresentação]”, frisa Dino.

“Nós vamos aguardar até a segunda-feira, nós desejamos que ele se apresente. Caso essa apresentação não se confirme, pelos mecanismos de cooperação internacional, vamos deflagrar na próxima semana os procedimentos voltados para a realização de extradição”, emendou.

A expectativa é que o ex-ministro chegue nesta sexta-feira, 13, ao país e seja preso. O Jornal Opção tentou contato com a defesa de Torres, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O espaço segue aberto.

91 anos de prisão

Ibaneis Rocha, governador afastado do DF, e Anderson Torres, ex-secretário de Segurança Pública | Foto: reprodução


Pelos cálculos, se condenado for, o ex-secretário pode pegar até 91 anos de detenção. Ele é acusado de cometer os crimes de terrorismo, golpe de Estado e associação criminosa. Moraes classificou a atitude de Torres “gravíssima”, quanto autoridade que deveria manter a segurança e ordem, porém colocou colocar em risco a vida do presidente, de parlamentares e de ministros do Supremo.

Em cumprimento de mandado de buscas e apreensões na casa dele, na terça, a PF encontrou uma minuta de decreto golpista, que buscava instaurar um estado de defesa na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por nota, Torres disse ter recebido o manuscrito e que estaria junto a documentos que seria destruídos.  

Leia íntegra da nota:

“No cargo de Ministro da Justiça, nos deparamos com audiências, sugestões e propostas dos mais diversos tipos. Cabe a quem ocupa tal posição, o discernimento de entender o que efetivamente contribui para o Brasil.

Havia em minha casa uma pilha de documentos para descarte, onde muito provavelmente o material descrito na reportagem foi encontrado. Tudo seria levado para ser triturado oportunamente no MJSP. O citado documento foi apanhado quando eu não estava lá e vazado fora de contexto, ajudando a alimentar narrativas falaciosas contra mim.

Fomos o primeiro ministério a entregar os relatórios de gestão para a transição. Respeito a democracia brasileira. Tenho minha consciência tranquila quanto à minha atuação como Ministro.”