“Assassino não levou só a Rose, levou uma família inteira”, diz parente de mulher que viveu em Goiânia e foi vítima de feminicídio no ES
30 maio 2026 às 13h05

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Durante mais de duas semanas, familiares de Rose Mary Morselli, de 58 anos, conviveram com a sensação de que algo estava errado. Natural de Presidente Prudente, em São Paulo, ela viveu por mais de 25 anos em Goiânia e, após o fim de um casamento, se mudou para Guarapari, no Espírito Santo, para realizar o sonho de morar perto da praia. Mensagens estranhas, erros de português incomuns e a falta de contato direto com Rose levantaram suspeitas, até que o pior cenário se confirmou: ela foi encontrada morta na última quarta-feira, 27, dentro da casa onde morava.
O principal suspeito é seu companheiro, Alex Almeida de Barros, de 48 anos, preso também quarta, em Rio Casca, município de Minas Gerais, após fugir da polícia e tentar colocar fogo no próprio corpo. O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que ele já havia sido condenado, em 2020, pelo assassinato da ex-noiva, Euzineia Loyola.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, um familiar da vítima, que preferiu não se identificar, relatou os dias de angústia que antecederam a descoberta do crime. Segundo ele, a desconfiança de que algo estava errado começou semanas antes da descoberta do corpo.
A preocupação da família teve início após mudanças no comportamento de Rose. De acordo com o familiar, até o dia 12 de maio, ela mantinha contato frequente com parentes por meio de ligações e mensagens. Depois disso, a comunicação passou a apresentar sinais incomuns. “Ela começou a mandar mensagens com erros de português, coisa que nunca fez na vida. Era uma mulher muito estudada, muito correta, sempre escrevia tudo corretamente”, contou.
Outro detalhe que chamou a atenção dos familiares foi o envio frequente de mensagens de “bom dia” acompanhadas de imagens e textos considerados desconexos, um comportamento que não fazia parte da rotina da vítima. “A gente achou esquisito porque não era o jeito dela. Os textos não faziam sentido, eram mensagens fora de contexto”, afirmou.
As suspeitas aumentaram ainda mais quando Rose deixou de atender ligações e passou a responder apenas por mensagens. Segundo o relato, sempre que os parentes tentavam conversar por telefone, ela alegava estar ocupada ou prometia retornar a ligação em outro momento, o que nunca acontecia.
Fotos suspeitas e busca por respostas
Com a falta de contato e as mensagens estranhas, a família decidiu investigar por conta própria. Um dos fatores que mais aumentou a preocupação foi o recebimento de fotografias supostamente enviadas por Rose ao lado do companheiro. “Tinha imagens que claramente pareciam feitas por inteligência artificial. Não pareciam ela e não combinavam com os lugares que ela costumava frequentar”, relatou.
Diante das suspeitas, familiares registraram um boletim de ocorrência e passaram a buscar informações sobre o paradeiro da vítima. Sem parentes próximos no Espírito Santo, a família contou com a ajuda de uma corretora que tinha contato com Rose por questões relacionadas ao imóvel onde ela morava.
A mulher foi até a residência para verificar se encontrava alguma informação sobre o paradeiro da moradora. Ao chegar ao local, percebeu um forte odor vindo do imóvel e acionou a polícia.
Quando os agentes entraram na casa, encontraram o corpo de Rosi no banheiro, já em avançado estado de decomposição. “Nossa suspeita era que ela estivesse sendo mantida em algum lugar contra a vontade dela. A gente nunca imaginou que ela já estava morta dentro da própria casa”, disse o familiar.
Dor, revolta e busca por justiça
Enquanto a família tentava localizar Rose, a polícia rastreava o veículo utilizado pelo suspeito. Alex Almeida de Barros foi localizado em Rio Casca, em Minas Gerais, onde acabou preso após tentar fugir da abordagem policial e atear fogo ao próprio corpo. Agora, os familiares aguardam a conclusão dos laudos periciais que deverão apontar a causa da morte e ajudar a esclarecer a dinâmica do crime.
Abalado, o entrevistado afirma que a perda ultrapassa a vítima. “Ele não levou apenas a Rose. Levou a família inteira daquela pessoa. É uma dor muito grande.”
A revolta, segundo ele, também está relacionada ao fato de o suspeito já ter sido condenado por outro feminicídio. “Esse cara já matou duas mulheres. O que nos mantém de pé agora é buscar justiça pela Rose.”

A despedida
A família decidiu que Rose será sepultada em Presidente Prudente (SP), cidade onde nasceu, ao lado da mãe. “A ligação delas era muito forte. A gente acredita que era isso que ela gostaria”, contou. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento da vítima.
Em meio ao luto, o familiar deixa um alerta para outras mulheres. “Você nunca conhece completamente uma pessoa em tão pouco tempo. É importante procurar saber quem é essa pessoa, conhecer o histórico dela. Segurança nunca é demais.”
Enquanto aguarda respostas da investigação, a família tenta preservar a memória de uma mulher que enfrentou o câncer, superou inúmeros desafios ao longo da vida e buscava apenas viver uma nova fase ao realizar o sonho de morar perto do mar.
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