Babá é indiciada por homicídio de menina de 2 anos após polícia apontar agressões recorrentes
16 junho 2026 às 12h03

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A Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito sobre a morte da menina Maria Lyz Barros, de apenas 2 anos, ocorrida no último dia 22 de maio, após ser levada para o Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS) do Setor Nova Era, em Aparecida de Goiânia, pela babá, uma mulher de 41 anos.A principal suspeita e indiciada pelo crime é a própria babá, que exercia os cuidados da menina nas semanas que antecederam o caso.
Segundo o delegado do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia, Altair Gonçalves, a criança sofria agressões crônicas e recorrentes e possuía um histórico de vulnerabilidade. Em um episódio anterior, a menina chegou a ter medida protetiva contra a mãe e o padrasto por maus-tratos que teria sofrido em 2025. O processo ainda tramita na Justiça.
Em decorrência disso, a guarda foi transferida ao pai, com quem a criança passou a morar em Goiânia. Nesse período, o genitor contratou os serviços da babá para cuidar da filha enquanto trabalhava.
Ao longo dos três meses seguintes, segundo a investigação, os cuidados evoluíram para uma espécie de guarda de fato. Conforme apurado, o pai chegou a se mudar para a mesma rua da mulher, em Aparecida de Goiânia, para facilitar os cuidados com a criança.
No último mês, a menina passou a permanecer cada vez mais tempo sob os cuidados da babá. Segundo o delegado, ela dormia mais na casa da investigada do que na residência do próprio pai. Enquanto isso, o genitor viajava a trabalho para outras cidades e não conseguia manter contato frequente com a filha. “No período do último mês, principalmente da última semana, a criança estava praticamente dormindo na casa da babá”, afirmou Altair Gonçalves.
Foi durante uma dessas viagens que, segundo a Polícia Civil, as agressões teriam ocorrido. De acordo com os peritos criminais Charley Abreu e Deny Bruce, da Polícia Técnico-Científica, foram identificados três grupos distintos de lesões, com diferentes períodos de ocorrência: aproximadamente cinco dias, três dias e menos de 12 horas antes da morte.
Segundo Bruce, a lesão fatal ocorreu no rim da criança cerca de três dias antes do óbito. O ferimento teria sido provocado por um forte impacto na região das costas, causando uma laceração no órgão. “Temos a possibilidade de tanto ela ter sido golpeada ou arremessada em um objeto, causando um impacto nessa parte do corpo”.
Na unidade de saúde, entretanto, a babá afirmou que um espelho teria caído sobre a cabeça da criança e provocado os ferimentos. Durante a perícia no imóvel, contudo, os investigadores não encontraram indícios compatíveis com essa versão. “A vistoria com luminol revelou alguns pontos de luminosidade pela casa, o que pode ser indicativo de limpeza ou reorganização do ambiente”, afirmou Charley Abreu.
Paralelamente, os investigadores ouviram 17 pessoas que tiveram contato com a menina em seu último dia de vida. Segundo os depoimentos, nenhuma delas percebeu sinais aparentes de agressão. O tempo entre os visitantes irem embora e a babá levar a pequena para a unidade de saúde durou pouco menos que uma hora e meia.
Em um dos casos apurados, uma festa foi realizada na casa da babá no mesmo dia da morte da criança. Todos os participantes identificados foram ouvidos e confirmaram ter visto Maria Lyz em aparente bom estado de saúde.
Com a conclusão das investigações, a babá foi indiciada por homicídio qualificado majorado. As qualificadoras incluem o fato de a vítima ser menor de 14 anos e de o crime ter sido praticado por pessoa que exercia autoridade e guarda sobre a criança.
A pena para esse tipo de crime pode chegar a 50 anos de prisão. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que analisará o caso e decidirá sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
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