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PSB vai fazer campanha “tranquila”

[caption id="attachment_2178" align="alignleft" width="620"]Foto: Jornal Opção Online/Fernando Leite Foto: Jornal Opção Online/Fernando Leite[/caption] Ainda que timidamente, as ações no município para campanha do candidato do PSB ao governo do Estado, Vanderlan Cardoso, já começaram. O coordenador da sigla em Goiás, Ronnie Pessoni, informou que as atividades propostas têm como base o que a população tem dito sobre as campanhas políticas e os resultados das pesquisas qualitativas. Por isso, as ruas anapolinas estarão mais tranquilas, no que depender do PSB. “A população tem rejeitado os carros de som, as grandes carreatas que atrapalham o trânsito e não têm resultados práticos”, afirma. Assim, o partido pretende algo mais pessoal e tranquilo. Um comitê será montado e contará com uma equipe pequena, informa Pessoni, que visitará as casas, levando o Plano de Metas do partido e conversando com os eleitores. O local do comitê ainda está sendo decidido, mas não terá inauguração. O motivo é o mesmo: “Não faremos inauguração, pois é uma simbologia sem o mínimo de retorno político. O comitê é um ponto de referência para atender a população. Não queremos atrapalhar o trânsito e passar raiva nas pessoas”, afirma. Aos poucos, as ações se intensificarão e o candidato Vanderlan fará uma “curriata” por Anápolis. “Curriata”, explica Pessoni, é um carro de pequeno porte, com o qual Vanderlan passeará pelas ruas, ao lado das lideranças no município, anunciando suas propostas para Goiás. Segundo o coordenador, a aproximação à população é maior, sem as grandes movimentações. Além desse trabalho, o PSB conta com o apoio das lideranças em Anápolis, como os candidatos da sigla a deputado estadual Clécio Siqueira, Junio Lima, Paulo Amparo e de Sebastião Reis, segundo suplente do candidato a senador Aguimr Jesuíno. Vanderlan Cardoso pretende acompanhar as reuniões que eles farão no município para incrementar a campanha. As alianças do partido também contribuirão, diz Pessoni. São elas com o PSC e PRP. O pastor Washington Luiz (PSC), candidato a deputado estadual, e José San­tana (PRP), candidato a deputado federal, somam aos outros na frente da campanha. O presidente do PSC, Joaquim Liminha, fecha o quadro dos que caminharão com o PSB no município. Com as atividades suspensas neste final de semana, a sigla continua em estado de choque pelo falecimento do candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, na quarta-feira, 13. “Nós sentimos muito e estamos rezando e pedindo pela família. O candidato Vanderlan está muito entristecido com o fato. Nós pretendemos seguir com o legado de homem sério e ético que foi Eduardo Campos e que sonhava em melhorar o país. Por isso, não desistiremos do Brasil e de Goiás”, diz Pessoni sobre a perda.

Soluções no abastecimento de água

O presidente da Saneago, Júlio Cesar Vaz de Melo, apresentou cronograma de obras e as melhorias no sistema de abastecimento de água para o município, na terça-feira, 13, em audiência pública pro­movida pela Câmara Mu­ni­cipal. Com a execução das obras de novos reservatórios, adutoras e unidades de captação, a capacidade e produção serão ampliadas em 50%, aumentando a vazão para mais de 4,3 milhões de litros de água por hora, garantindo o abastecimento para a população de Anápolis até o ano de 2035, segundo estimativas. A Saneago informou sobre a construção de 15,5 quilômetros de adutoras, no município, para levar água bruta das duas unidades de captação no Ribeirão Piancó até a estação de tratamento de água, que também será ampliada. Seis novos reservatórios serão alimentados com água tratada por uma adutora de 20 quilômetros que compõem a rede de distribuição. Assim, a capacidade de armazenamento em Anápolis cresce para 40 milhões de litros. “Ti­ve­mos alguns contratempos na exe­cução das obras, porém va­mos intensificar estas ações e pos­sibilitar que até o dia 21 de agosto consigamos fazer todas as ligações em Anápolis”, concluiu o presidente.

IV Intermídias reúne grandes nomes da comunicação

Encontro será realizado nos dias 28 e 29 de agosto, no Centro de Convenções de Goiânia

Investimentos na economia

O Programa de Desen­vol­vimento Industrial (Produzir) aprovou o investimento de R$ 12,6 milhões para a economia goiana. Os setores de construção civil e logística anapolinos receberão incremento que proporcionará melhorias para sua cadeia produtiva. As empresas do município são a Agrolog Trans­portes e Montreaço Te­lhas Ltda. A previsão é de que 409 empregos sejam gerados com a execução de dez projetos de todos os municípios contemplados. Além de Anápolis, Aparecida de Goiânia, Itum­biara, Jataí, Nerópolis, Goia­ni­ra, Heitoraí terão até 2040 para que os investimentos sejam validados. A decisão foi anunciada pelo Conselho Delibe­ra­ti­vo do programa, em reunião or­dinária, na terça-feira, 12, pe­lo presidente da secretaria de In­dústria e Comércio, William O’Dwyer.

Espaço para empreender

No próximo final de semana, 22 a 24 de agosto, os empreendedores do município poderão aproveitar a décima edição do Salão dos Empreendedores de Micro­cré­dito. Realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Eco­nô­mico e Agricultura, o evento se­rá no Fei­rão Coberto, na Vila Jai­a­ra. O ob­jetivo é promover um espaço de oportunidades de ne­gócio aos microempreendedores, beneficiados pelo programa Anápolis aCredita. Além de shows culturais e desfiles de moda, cerca de 100 mi­croempresas vão expor seus produtos e serviços nesta edição. O pro­gra­ma propõe alternativas de acesso ao crédito às pessoas fí­si­cas e jurídicas que desejam montar ou ampliar seus negócios. A proposta é mudar o perfil so­cio­­e­conômico dos micro e pequenos empreendedores, do centro e bairros periféricos de Aná­po­lis, com a geração de trabalho e renda.

Melhorias no transporte público dependem da conclusão do processo de licitação

[caption id="attachment_12824" align="alignleft" width="671"]Transporte público foi objeto de reunião entre prefeito e presidente do TJ Transporte público foi objeto de reunião entre prefeito e presidente do TJ[/caption] O transporte público foi pauta da reunião entre o prefeito João Go­mes (PT) e o presidente do Tri­bu­nal de Justiça (TJ), Ney Teles de Paula, na terça-feira, 12. A pro­mo­­tora de Justiça Sandra Mara Ga­berlini ressaltou a importância do processo de licitação para escolha da empresa que realizará o serviço na cidade. “É um pe­dido do Ministério Público para garantir a qualidade do trabalho prestado à população, mas o processo está embargado e precisa de uma atenção do Tribunal de Jus­tiça para ser concluído”, afirmou. O presidente do TJ avaliou que o processo deve ser acompanhado pelo desembargador Fausto Moreira Diniz, responsável pela autorização à continuidade do caso. Ele ressaltou a importância da conclusão do processo para melhorar o transporte coletivo em Anápolis. O prefeito João Gomes destacou: “Avaliamos que existem bairros que precisam de investimentos imediatos em relação a pontos de espera do transporte e, também, mais veículos disponíveis. Mas para exigirmos esses serviços, precisamos do processo de licitação concluído”. O presidente da Câmara Municipal, Luiz Lacer­da, também esteve no ga­binete da presidência do TJ, onde o encontro foi realizado. Não foi prevista uma data para a conclusão do processo.

Por que a ignorância é e sempre será vizinha da maldade

Pesquisas mostram que cada um de nós tem um potencial de violência muito maior do que pode imaginar. O que fazer quando a gente se pega fazendo o mal? artigo_jose maria e silva.qxd Elder Dias Em Goiânia, uma série de assassinatos, aparentemente sem motivação e praticados por alguém (ou “alguéns”) conduzindo motos, vitimam mulheres desde o início do ano. A situação impressiona de tal maneira que chegou-se ao ponto do levantamento de uma suspeita, investigada agora pela polícia — que durante muito tempo descartou essa possibilidade —, de estar em curso a ação de um serial killer na cidade. O terror se espalhou entre as mulheres, especialmente as que se encontram em locais abertos, como ruas, praças, lanches ou pontos de ônibus. Daí vem a exemplificação número 1 da maldade. Como se diz popularmente, “não se fala de outra coisa” em Goiânia. Aproveitando-se do estado de espírito recheado de tensão, certos condutores de moto, ao avistarem mulheres sozinhas, ou em pequenos grupos, passaram a diminuir a velocidade ou até parar seu veículo perto e fazer a menção de retirar alguma coisa do bolso, como o celular. É o que basta para muitas delas se assustarem e até correrem, em pânico. Um amigo, relatando um das cenas que viu, disse que uma mulher chegou a tropeçar em frente a um restaurante, em fuga desesperada depois de ser vítima do trote. Em 7 de junho, às vésperas da Copa do Mundo, o ex-jogador Fernandão, que começou sua carreira no Goiás, tornou-se capitão do Internacional campeão mundial em 2006 e é idolatrado pela torcida do time gaúcho, morreu em um acidente de helicóptero em Aruanã (GO), às margens do Rio Araguaia, onde costumava descansar. A tragédia com o ex-jogador comoveu o mundo do futebol em geral, mas principalmente os torcedores do Inter, onde se deu o auge de sua carreira e sua figura é lendária. Vem então a maldade em uma exemplificação número 2. No domingo, 10, primeiro clássico Gre-Nal após a morte do ídolo do arquirrival, os torcedores gremistas, cercados pela maioria de colorados no Beira-Rio, entoaram um grito, como provocação: “Ô, o Fernandão morreu, o Fernandão morreu, o Fernandão morreu!” A manifestação debochada de algumas dezenas de torcedores no estádio — que causou repulsa severa até mesmo à diretoria do Grêmio — não passou despercebida pela viúva do atleta. Mãe de três filhos, Fernanda Costa presenciou o fato e depois postou seu comentário sobre o acontecido em redes sociais. “Fiquei triste, porque meus filhos estavam lá [no estádio], era o primeiro Gre-Nal deles, e era Dia dos Pais”, publicou. Nesta quarta-feira, 13, o candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) morreu em um acidente em Santos (SP), depois de seu avião ter problemas na aterrissagem no Guarujá, município vizinho do litoral paulista, e o piloto ser obrigado a arremeter. A aeronave caiu no bairro Boqueirão, sem deixar sobreviventes entre seus sete ocupantes. Exemplificação número 3 da maldade. Menos de uma hora após a tragédia ser confirmada pelos noticiários, banners virtuais se espalhavam pela internet ligando com sarcasmo a presidente Dilma Rousseff (PT) à morte do concorrente. “Mandei derrubar mesmo. E se reclamar derrubo o do Aécio [Neves, candidato do PSDB]”, dizia a frase em uma foto da petista com a faixa presidencial. Muitas piadas de humor duvidoso surgiram instantaneamente na web. Uma delas: “Outra má notícia: o avião da presidente Dilma posou com segurança em Brasília”, que teve variações incluindo o nome de Aécio e também o do governador Marconi Perillo (PSDB). Na rua, no estádio ou na rede social, ou em uma rodinha entre amigos, quando ocorre algo do tipo a reação de boa parte é tomar o fato pela graça que enseja. Com humor, convencionou-se que tudo pode e tudo é permitido — e daí foi grande a crise que ocorreu quando do caso em que Rafinha Bastos, então no “CQC”, disse que “comeria ela e o bebê”, ao comentar a notícia de que a cantora Wanessa Camargo estaria grávida. O resultado não foi engraçado para o humorista: um processo e uma condenação na Justiça, em primeira instância, para pagar uma indenização de R$ 150 mil. Mas a maioria das maldades feitas sob a guarida do humor passa longe da penalização. Na verdade, ninguém nem mesmo pensa que elas possam, ou devam, ser punidas. Então, a base para que esse tipo de conduta maligna — sim, é um contrassenso achar que maldades, mesmo as que consideremos pequenas, possam ser benignas ou mesmo não neutras — prolifere é o mesmo de todas as outras violências: a impunidade.

Constatações científicas
Pesquisas mostram que cada um de nós tem um potencial de violência muito maior do que pode imaginar. Alguns estudos são clássicos. Na década de 60, o norte-americano Stanley Milgram desenvolveu um trabalho que verificou que o ser humano é capaz de, submetido a uma autoridade, afligir dor a seu semelhante até níveis insuportáveis, no que ficou conhecido como a Experiência de Milgram. Seu compatriota Philip Zimbardo pôs universitários voluntários numa instalação que simulava um presídio, dividindo-os aleatoriamente entre guardas e presos. Em pouco tempo, os primeiros transformaram-se em guardas violentos e sádicos; os últimos, em prisioneiros perturbados. O experimento rendeu o livro “O Efeito Lúcifer: Entendendo como Pessoas Boas se Tornam Diabólicas” (Record, 759 páginas). Enfim, ambos demonstraram que mesmo o mais tranquilo dos homens cometeria atos horripilantes, caso recebesse ordens para tanto ou estivesse em ambiente propício. Outros estudos veem pessoas que agem de forma violenta por uma questão de hierarquia não apenas movidas por uma obediência cega, mas também por demonstrar satisfação ao realizar atrocidades. Quem é capaz de crueldades não seria, portanto, só um ser passivo diante de ordens, mas também se identificaria e até se regozijaria com esses abusos. Mais: acreditando estar fazendo o correto. O que está em disputa entre a teoria de Milgram e esta última pode ser colocado em um caso memorável — o do julgamento do tenente-coronel Adolf Eichmann, responsabilizado por conduzir a logística que levou à morte milhões de judeus. O dilema foi eternizado no livro “Eichmann em Jerusalém”, de Hannah Arendt. É por meio desse fato que na obra a filósofa alemã desenvolve a teoria da “banalidade do mal”, pelo que ela investiga como o Estado era capaz de igualar o exercício de tal violência exacerbada a um mero cumprimento da atividade burocrática. E é assim que ela transforma Eichmann, um suposto monstro, em um mero cumpridor de ordens do sistema. Mais do que o caso em si — pelo qual, ressalte-se, a incompreendida judia Hannah sofreu hostilidade de seus irmãos de raça —, o princípio leva a uma incômoda e necessária reflexão: confrontados com situações do dia a dia, quem, em um exame de consciência, pode dizer que nunca foi vítima de uma situação em que, de certa forma, tenha sido um burocrata a serviço da maldade?
“Fazer a coisa certa é como atingir um alvo a 50 metros”, diz filósofo
[caption id="attachment_12812" align="alignleft" width="350"]Professor e filósofo Gonzalo Armijos: “Estamos sempre sendo expostos a que nossas paixões aflorem. E em algum momento elas vão aflorar” | Fernando Leite/Jornal Opção Professor e filósofo Gonzalo Armijos: “Estamos sempre sendo expostos a que nossas paixões aflorem. E em algum momento elas vão aflorar” | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] O filósofo e articulista Gonzalo Armijos Palacios, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), diz que há dois sentidos que se misturam quando se fala de mal e maldade. “Há o que individualmente se sente e o que a sociedade sente, por conta de seus códigos éticos e morais, sem os quais não se vive”, explica. Ocorre que as palavras “moral” (do latim “mores”) e “ética” (do grego “ethos”) falam da mesma coisa: os alardeados “bons costumes”, que, nos tempos de hoje, passaram a ser um chavão considerado de origem reacionária. Na verdade, há relatos de que o termo “moral” se origina a partir da dominação do Império Romano e a tentativa de traduzirem, então a palavra grega para o latim. A palavra “ethos” tem a ver também com “habitat”, no sentido de se adequar para sobreviver em um determinado espaço (“habitat”), tendo alguns costumes e não outros. “Isso permite a sobrevivência do grupo”, lembra Gonzalo. “A palavra ‘ética’ tem essa ambivalência, significando a adaptação do grupo ao ambiente e a do indivíduo ao grupo.” O professor e filósofo lembra que tanto Aristóteles como Platão acreditam que aquilo que poderíamos chamar de “eticidade” tem de estar fundamentada no hábito. “Temos de agir corretamente. Não necessariamente nascemos éticos, nascemos necessariamente sociais, mas não éticos. Não são sinônimos. Necessitamos uns dos outros , mas a ética depende de um processo.” Dessa forma, se um grupo faz alguma coisa contra seu próprio ambiente, ninguém vai poder sobreviver ali. “Então, nesse caso fazer o bem e fazer o mal passam a ser algo objetivo”, ressalta o professor. O que leva a deduzir que um nazista como Eichmann, então, não teria outra coisa a fazer do que o que fez, naquele ambiente ideológico? Pode ser. Em casos subjetivos, porém, pode-se gostar de “x” e desgostar de “y”, sem concordância com o grupo. Uma questão de idiossincrasia, em que o que faz bem a um pode não fazer a outro. “Trazemos nossas tendências e inclinações, que não se adequam ao que o grupo precisaria de nós. Então há uma tensão muito problemática, e nem sempre vamos aceitar as imposições do grupo.” É o que ocorre, por exemplo, quando há a postagem de um vídeo com uma pegadinha de mau gosto em uma rede social. A tendência é de que a maioria que comente vá aprovar (“curtir”) o vídeo, mas grande parte talvez o condene silenciosamente. Pelo sentimento de grupo, poucos vão externar sua opinião contra a “maldade”. No fim, ainda que haja uma condenação, a maioria que tiver acesso ao vídeo vai sentir uma espécie de prazer, ainda que interdito a si mesmo. É o mesmo que faz com que se propaguem piadas de conteúdo racista ou discriminatório, fotos de corpos mutilados e cenas de espancamento: o uso do instinto em vez da razão. A conduta “em bando” traz um salvo-conduto para o ato de espalhar esse conteúdo, em condição semelhante à da obediência a um chefe. No caso, a “ordem” é repetir o comportamento do grupo. “Na vida, agir corretamente é como atirar em um alvo a 50 metros: é muito mais fácil errar do que acertar. Somos dominados pelas paixões, e isso é por toda a vida. Estamos sempre sendo expostos a que nossas paixões aflorem. E, em algum momento elas vão aflorar”, conclui Gonzalo. E ele vai além: “Até mesmo a razão é um instrumento das paixões. A razão é escrava das paixões. Eu, Gonzalo, quando escrevo um artigo motivado por uma indignação, estou colocando a razão como instrumento das minhas paixões.”

Parar na faixa ou assustar a velhinha?

Pensei nesta pauta depois do exemplo número 1 dado na abertura do texto principal, mas antes da ocorrência dos dois últimos. Era ao mesmo tempo algo inconcebível e intrigante ouvir relatos (ao todo, quatro) de pessoas que passaram ou viram alguém passar por uma situação de “pegadinha” tendo como pano de fundo uma questão tão séria como a da sequência de mortes de mulheres em Goiânia. Pensar na maldade como algo além de atrocidades e torturas — na maldade não necessariamente com violência física, mas uma maldade ao mesmo tempo sutil e avassaladora — é adentrar em um território que, lá mais adiante, cedo ou tarde (nem tão tarde) vai encontrar cada um de nós. Somos todos habilitados a praticar o mal e, como diz o professor Gonzalo Armijos, é bem mais fácil errar do que acertar o alvo, no que diz respeito a fazer a coisa certa. Para as grandes coisas é preciso planejamento, tempo e dedicação. Assim é quando alguém está por conta de fazer algo “grandioso” ou “maquiavélico — palavras que, pelo uso, adquiriram, “per se”, uma conotação positiva e outra negativa, respectivamente. O bem e o mal de grande porte são trabalhosos, exigem dedicação. Por outro lado, se grandes coisas, para o bem e para o mal, precisam ser construídas com persistência, para pequenos gestos a oportunidade bate diuturnamente à porta. Estamos, então, sempre aptos a fazer uma pequena maldade e uma bondade singela. E, às vezes, uma “ou” outra: ao ver uma senhora idosa esperando para atravessar a faixa, há a opção entre parar educadamente ou acionar a buzina para assustá-la, passando direto. A gentileza ou a brutalidade, ao alcance de cada um. O que decidimos fazer (comportamento), na maioria das vezes, tem a ver com as práticas (hábitos) que adquirimos. Cada um, durante a vida, passa a ser, de certo modo, escravo do que construiu para si — daí os adágios como “pau que nasce torto morre torto” parecerem tanger a verdade. A boa notícia para quem se pega fazendo o mal e não está bem com isso — porque, sim, há os que sabem que fazem mal e vão continuar a usar o livre arbítrio para seguir a fazê-lo — é que o ser humano pode se readaptar. Passar a questionar o que hoje se faz diariamente no modo automático — como lidamos com as redes sociais, como reproduzimos pensamentos machistas ou vertentes autoritárias etc. — é um modo de ir dando uma guinada para o questionamento de crenças consolidadas, porém nada saudáveis, como “quem não quer ver o vídeo do acidente, que não abra” ou “os incomodados que se retirem”. Mudar crenças muda hábitos e impacta o comportamento. Se somos muito mais paixão que razão, ainda assim seremos melhores se melhor usarmos o máximo dessa parte minoritária. (Elder Dias)

“Eduardo Campos teria muito a contribuir à democracia em nossa pátria-irmã”

Péricles Tavares [caption id="attachment_12556" align="alignleft" width="266"]Eduardo Campos (PSB) em Brasília em abril deste ano | Foto: Fernando Leite Eduardo Campos (PSB) | Foto: Fernando Leite[/caption] A União Caboverdiana Inde­pen­dente e Democrática (Ucid) torna público seu pesar diante da trágica e precoce morte do candidato à Presidência da República brasileira, Eduardo Campos, líder do Partido Socialista Brasileiro que tentava o pleito ao executivo pela coligação partidária “Unidos pelo Brasil” (PSB, Rede, PPS, PPL, PRP e PHS). A tragédia que ceifou a vida do candidato certamente causará impacto tanto na corrida eleitoral para as votações de outubro quanto na sucessão presidencial no Brasil. A Ucid mostra-se solidária aos familiares e amigos de todos os envolvidos no acidente, bem como triste pela perda de um líder político jovem, que ainda teria muito a contribuir para a solidificação e a manutenção da democracia da nossa pátria-irmã brasileira. Péricles Tavares é coordenador da Região Ibérica da Ucid.

“Perda de um político visionário”

Theomar Alves Lamentável a perda de um homem visionário. Isso deixa nosso País chocado e o ocorrido ainda merece ser analisado. Portanto, quando falamos em morte, fica em último lugar a condição de presidenciável. Um pai de família se foi e sua família precisa do consolo de todos que estão por perto. E-mail: [email protected]

“O Brasil perdeu um grande homem”

Zumira Alves Que Deus dê forças para a família de Eduardo Campos vencer essa grande perda. O Brasil perdeu um grande homem. E-mail: [email protected]

“Ele era o mais capacitado dos candidatos”

Karlos Julianno Braga De longe, Eduardo Campos era o mais capacitado dos três candidatos. Com maior desenvoltura e propostas concretas para conciliação de crescimento econômico e controle inflacionário. Uma pena, uma grande perda. E-mail: [email protected]

“O partido dará continuidade ao projeto”

Rosmary Machado Eduardo Campos, seu legado será levado à frente. Deus dará sabedoria ao partido para dar continuidade a seu projeto. E-mail: [email protected]

“Que ‘brinco’ Paulo Garcia deixará?”

Arthur de Lucca Gostaria de fazer um comentário da entrevista com o perfeito, ops, prefeito Paulo Garcia (PT), na edição 2040 deste jornal. Ele não explicou que “brinco” deixará para o sucessor. Se de ouro, prata ou bronze. Tudo indica que será de lata. Enferrujada. Todo carcomido. Na questão dos gastos com mídia, o perfeito, ops, prefeito cuspiu no prato, pois o Jornal Opção, em anos anteriores, chegou a colocá-lo como futuro governador de Goiás. Pena que a péssima administração foi mais rápida. E nessa sofrível administração não é só o PT que merece o “bônus”: o PMDB, que está na vice, tem seu quinhão no “emporcalhamento” da linda capital. E, ademais, o “cumpanhêro” comparou os gastos dele só com os de Marconi Perillo (PSDB), não entrando no mérito dos da dra. Dilma “Unicamp”. Não precisava ir muito longe. Poderia ficar aqui próximo, em Anápolis, que tem uma arrecadação menor que a da capital e os munícipes não estão reclamando tanto do “cumpanhêro” [Antônio Gomide] que agora deixou a prefeitura. Quando o perfeito, ops, prefeito falou do ITU e IPTU, lembrei-me do Fernan­do “Enem” Haddad que veio com essa mesma lábia. Au­men­taria o número das pessoas que pagariam menos. E ainda tem pessoas que acreditam. Aliás, a presidenta não propagandeou que estava “dando” de presente o “abaixamento” na conta de energia? Arthur de Lucca é representante comercial. E-mail: [email protected]

“Seria o cúmulo penalizarem o tigre”

Paulo Rosa Na história do menino que per­deu o braço no zoológico de Cas­cavel (PR) e que agora diz que seu pai não é culpado pelo fato de o tigre o ter atacado, só espero que no fim da história o culpado não seja o animal. Seria o cúmulo da ignorância o tigre ser penalizado. E-mail: [email protected]

“Estamos caminhando para uma guerra civil”

Luciano Bellina Acabo de ler o Editorial da edição 2040 deste jornal. Tenho a dizer que nenhum governo teve a real preocupação com os incidentes de violência que se fizeram surgir ou se intensificaram. O descaso é total, apartidário, sem responsabilidade por gênero ou grau de escolaridade. Falta de planejamento, antevisão do futuro, falta de políticas públicas, distribuição de renda, reforma agrária e tantos outros motivos. Estamos caminhando para uma guerra civil. Matamo-nos todos os dias, uns para retirar de outrem sues pertences e outros, seus donos, para mantê-las. O mal maior deste País é a corrupção, originada por um instinto inconsciente de sobrevivência, de amealhar para se sobressair, e a massa, desassistida, segue entre tiros, facadas e a morte iminente. Luciano Bellina é professor. E-mail: [email protected]

“Humberto Machado perderá apoio se renegar Iris”

Daniel Barbosa Se o prefeito de Jataí, Hum­berto Machado (PMDB), renegar Iris Rezende estará sujando a bandeira ideológica que defende. E perde o apoio de muitos, pois Iris continua sendo o maior ícone da história do PMDB de Goiás. E-mail: [email protected]

“Serial killers não precisam seguir padrão”

Lucas Marsiglia Um serial killer se caracteriza por cometer homicídios com certo intervalo de tempo, podendo ou não deixar uma “assinatura”. Existem inúmeras motivações e causas que podem levar uma pessoa a cometer tais atos. Serial killers podem, sim, usar armas de fogo, ao contrário do que alguns estão dizendo por aí. Não precisam necessariamente seguir um padrão. Posso citar inúmeros casos de assassinos em série que não seguiam padrão nem de vítima nem de determinado tipo de arma. E-mail: [email protected]

“Subamos em nossas carteiras”

cartas.qxd Celso Neto Que todos nós subamos em nossas carteiras em homenagem ao “capitão” Robin Williams. E-mail: [email protected]  

Bruna Marquezine confirma fim de namoro com Neymar e revela planos para o futuro

“Eu tenho um carinho muito grande por ele. Carinho, admiração, respeito...vai ser eterno”, declarou a atriz

Justiça rejeita pedido para impugnar candidatura de Agnelo ao governo do DF

agnelo quirozok_capa O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) negou hoje (15), por unanimidade, um pedido de impugnação do registro de candidatura de Agnelo Queiroz (PT) ao governo do Distrito Federal. Os desembargadores entenderam que não há nenhum fato que torne inelegível o candidato à reeleição. Após a decisão, o registro de Agnelo foi autorizado. O pedido de impugnação foi feito pela candidata a deputada federal Raquel Costa Ribeiro (PR). No pedido de impugnação, a acusação alegou que Agnelo não apresentou certidões negativas de processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que o atual governador responde a ações de improbidade na Justiça. A defesa do candidato afirmou que ele está apto a concorrer por ter apresentado todas as certidões negativas e não ter sido condenado em decisão colegiada, conforme previsto na Lei da Ficha Limpa.

Harold Bloom contra os “lemmings”

O crítico norte-americano é um talentoso ironista: apesar de manifestar aversão à ideologia, sua obra capital é um verdadeiro manifesto político, em defesa da alta literatura no ensino acadêmico

Tolstói: a coerência entre o pensar e o agir

Dentre todos os grandes criadores russos, Liev Tolstói foi aquele que maior influência exerceu nas gerações que contestariam o czarismo

Lideranças políticas de Niquelândia reforçam apoio a Marconi Perillo

Entre os apoiadores estão inclusive políticos da oposição, como é o caso do prefeito do município, o peemedebista Luiz Teixeira

A radical Marina Silva vai desafiar o coro dos contentes do tucanato e do petismo

Marina Silva, a candidata do PSB a presidente da República — não há ou­tra possibilidade —, é um “problema” e uma “solução” [caption id="attachment_12777" align="alignleft" width="825"]artigo_jose maria e silva.qxd Marina Silva: a candidatura da socialista quase-missionária indica uma radicalização da política nacional e alianças mais conservadores podem ruir nos Estados | Foto: Miguel Baia Bargas[/caption] “Problema” porque “assusta” mais do que Eduardo Campos, falecido na quarta-feira, 13, aos 49 anos. É provável que assusta progressistas e conservadores (principalmente os do agronegócio, que, a rigor, são menos conservadores do que imagina a vã filosofia patropi). Mesmo com certo ar angelical — inclusive é religiosa — e defensora de causas progressistas, como a preservação do meio ambiente, é conservadora, em termos comportamentais. É uma evangélica radical, se se pode formular assim. É contrária ao aborto e não tem qualquer empatia com causas como “casamento” entre ho­mossexuais. Na política nascida no Acre (de 56 anos) coexistem, numa ambiguidade que chamaria a atenção do escritor americano Henry James, uma conservadora e uma progressista. A defesa intransigente do meio ambiente, com o consequente controle do crescimento capitalista no campo — quiçá inevitável, dadas as pressões do agronegócio e, ao mesmo tempo, do crescimento populacional no Brasil e no exterior —, camufla a Marina adepta do conservantismo questões comportamentais. Entretanto, ao contrário de outros políticos, Marina Silva tem posições claras a respeito de alguns assuntos e tende a não tergiversar. A confusão é mais de quem a interpreta, que em geral a vê quase que exclusivamente como uma radical de esquerda, devido à pregação de que a expansão do capitalismo deve ser controlada pelo Estado — deixando de notar outros aspectos de seu pensamento. Fica-se com a impressão de que a provável presidenciável quer construir um mundo para os “escolhidos”, o que é uma ideia político-religiosa — que, sob o socialismo, gerou uma ditadura implacável, responsável por milhões de mortos (cerca de 100 milhões, e exclusivamente no século 20, depois de 1917) —, e por isso antropólogos e sociólogos, mais do que cientistas políticos e estatísticos, deveriam ser convocados para explicá-la. Marina Silva talvez seja mais bem compreendida se for vista como uma radical de esquerda que incorpora certo radicalismo (comportamental) de direita, derivando posições políticas a partir de uma visão religiosa (evangelizadora e quase fundamentalista) do mundo. Então, a ex-mi­nistra, chefe do grupo político co­nhe­cido como Rede Susten­tabilidade, é de esquerda, politicamente, e de direita, em termos comportamentais? É provável que mesmo esta in­terpretação seja redutora e que a líder socialista — quem sabe, uma so­cialista cristã — careça de uma observação mais aguçada e menos simplista. Porém, o que importa, no momento, não é a clareza ideológica sobre o que é Marina Silva. Até porque o que falta na política patropi é transparência ideológica — e não só de Marina, que, aliás, talvez seja mais bem posicionada, com suas contradições, do que a presidente Dilma Rousseff, que, para governar, assenhorou-se de uma aliança política que, por certo, contraria seu ideário, mas não o de Lula, que é um animal político do primeiro time, que percebeu rápido que política se faz na circunstância e com práticas e aliados possíveis, não com ideias revolucionárias, bonitas e futurísticas. O que define a tática (a intervenção na realidade) é a circunstância — não uma ideia. O que importa é o debate, ainda prematuro mas necessário, sobre a viabilidade de Marina Silva. O cientista político e filósofo Marcos Nobre, da Unicamp, concedeu uma entrevista polêmica e instigante à “Folha de S. Paulo”. Aqui e ali, fica parecendo mais oráculo do que cientista, mas não porque queira ser profeta, e sim porque a política, que é construção no momento, é sempre um terreno escorregadio e pantanoso. Ao contrário do historiador, que trabalha com fatos mais ou menos consolidados, o cientista político comete mais erros porque tem de interpretar os fatos no momento em que estão acontecendo. Trabalham, pesquisam, escrevem e dão entrevistas sob pressão. A “Folha” cobra que Marcos Nobre explique por qual razão a aliança Eduardo Campos e Marina Silva, supostamente representante do “novo”, não havia decolado. A explicação talvez não seja lá muito precisa, mas tem sua pertinência: “Não decola porque a campanha foi lançada na entrevista ao ‘Jornal Nacional’, na véspera de sua morte. A exposição nacional começou ontem” (terça-feira, 12). [caption id="attachment_12779" align="alignleft" width="1022"]Eduardo Campos: o líder pernambucano, progressista e modernizador, era muito mais agregador do  que a líder ambientalista Marina Silva. E ele tinha um pé no coronelismo nordestino, na oligarquia Eduardo Campos: o líder pernambucano, progressista e modernizador, era muito mais agregador do que a líder ambientalista Marina Silva. E ele tinha um pé no coronelismo nordestino, na oligarquia | Foto: Nacho Doce/Reuters[/caption] Marcos Nobre avalia que a morte de Eduardo Campos piora a situação da presidente Dilma Rousseff. Na sua opinião, o PSB não tem saída, exceto lançar Marina Silva. “O sistema político, que excluiu a candidatura de Marina, será obrigado a trazê-la de volta com um cacife gigantesco. Isso acontece antes do horário eleitoral. Vai ter um período de confusão, mas acho que a Marina será candidata por causa da pressão sobre o PSB. Isso é ruim para o governo porque Marina tem carisma, cacife, voto e ‘recall’ [lembrança dos eleitores]. O governo não contava com isso.” Entra aí, pois, Marina Silva como “solução”.

Eleitores em campanha

Pode-se dizer que há eleitores que estão em campanha — uns com Dilma Rousseff, outros com Aécio Neves. Alguns estavam com Eduardo Campos. Mas há os eleitores, ainda que devida ou parcialmente politizados, que não estão em (e na) campanha. A rigor, não estão indecisos. Tão-somente não querem votar em quem está no poder e em quem, mesmo na oposição, não parece oferecer uma alternativa de mudança em relação ao status quo. O próprio Eduardo Campos seguiu o governo do PT durante 11 anos e se considerava neolulista, um apadrinhado do ex-presidente Lula da Silva, que chegou a pensar em lançá-lo a vice-presidente de Dilma Rousseff e/ou a presidente em 2018. Porém, por entender que o PT não abre espaço para político de outro partido, o líder pernambucano decidiu romper a aliança e lançar-se candidato já em 2014. Eduardo Campos era oposição, claro, mas ao mesmo tempo era visto como um homem do “establishment” lulopetista. Marina Silva, mesmo tendo pertencido ao PT e ao ministério de Lula da Silva, é vista como avessa aos conchavos, ao sistema político dominante. Embora seja pragmática em certos pontos — sua estrutura logística não é gratuita nem feita de so­nhos —, é, no geral, purista. Às ve­zes, não parece habitar o mundo dos mortais. É uma outsider, quem sabe até mesmo na Re­de Sus­tentabilidade — grupo no qual, tudo indica, predominam po­líticos avessos à religião e ade­ptos de um socialismo possivelmente diverso da ideia socialista da ex-ministra do Meio Ambiente. Os eleitores que não estão em campanha, e que aparentemente não querem estar em campanha, podem perceber em Marina um par, uma irmã, no descontentamento universalizado com os políticos. Trata-se, lógico, de uma hipótese. O que pode “salvar” Dilma Rousseff, no primeiro ou no segundo turno, é o voto dos eleitores mais pobres. A perda de uma figura nordestina no pleito — Marina, ao se tornar uma política nacional, parece ocupar um não-lugar, quer dizer, é de todos os lugares, mas não é de nenhum especificamente, nem mesmo do Acre, sua antiga base (é mais forte em Brasília) — pode contribuir para aumentar o cacife da petista. No Nordeste o governo, com seus programas sociais, será o principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff. No Nordeste e nas áreas mais pobres do país. No Sudeste, onde não está bem, dada a força da classe média — que, endividada, quer mais do governo, especialmente recuperar o poder de ir às compras —, a presidente vai precisar de uma energia redobrada de seu principal cabo eleitoral, Lula da Silva. Em suma, Marina Silva complica o jogo, mas não apenas para Dilma Rousseff. O principal ameaçado é mesmo Aécio Neves. Como segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, o tucano de Minas Gerais é o primeiro alvo do PSB. Eduardo Campos tinha algum pudor de criticar o amigo Aécio Neves. Marina Silva não terá pudor algum. Na eventualidade de segundo turno entre Dilma Rousseff e Marina Silva, o tucanato fica com a segunda, bem recebido ou não. O que o PSDB mais quer é — com Aécio Neves, o preferido óbvio, ou Marina Silva — arrancar o PT do poder. Agora, se a ex-ministra não deslanchar, vai ser difícil, talvez até muito difícil, o PSB segurar alguns de seus aliados. A tendência é que passem, sem nenhum constrangimento, para o lado de Dilma Rousseff, cristianizando Marina Silva, que, a rigor, “está” mas não “é” do PSB (o PSB vai tentar controlá-la, numa missão impossível, e é provável que a ex-ministra vai tentar controlar o partido). Marina Silva, como se disse antes, é uma outsider — uma espécie de Antônio Con­selheiro de saia, ou, no limite, uma Lula da Silva radicalizada, acima de partidos e grupos políticos.

Morte gera consenso

O dramaturgo Nelson Rodri­gues escreveu que “o mineiro só é so­lidário no câncer”. É uma boutade. Mais certo é dizer que o brasileiro é mais solidário na morte. A mor­te reorganiza o consenso, o pacto da civilidade e, assim, elide as contradições. Eduardo Cam­pos, que mal era citado pelas elites políticas e empresariais, de repente se tornou maior do que certamente é. Fica-se com a impressão de que, morto, tornou-se nacional e um político do porte de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva. A verdade é que o momento apropriado para se avaliar uma pessoa, seja político ou não, não é logo após a sua morte, na hora da comoção privada ou coletiva. (Observe-se que a primeira biografia alentada de Getúlio Vargas, de autoria do jornalista e escritor Lira Neto, só foi publicada integralmente 60 anos depois de sua morte.) Mas obituários não devem excluir a contradição, os problemas. Em alguns jornais ingleses, franceses e norte-americanos, os obituários são escritos antecipadamente por dois motivos. Primeiro, porque escrever às pressas, especialmente sobre pessoas complexas, é sempre um risco. Às vezes não se escapa do reducionismo. Segun­do, porque, escritos antecipadamente, tendem a refletir não a comoção, o clima da morte. Como todos sabem, o que define um homem, político ou não, não é sua morte, ainda que trágica, e sim a inteireza de sua vida. Os 49 anos de E­duar­do Campos não podem ser definidos por um único dia. A morte, por assim dizer, faz “parte” da vida — e não o contrário. Morto Eduardo Campos, de repente começou-se o consenso: “era um grande político”, um elemento da “renovação política” do país. Num momento de confrangimento, de tristeza, é difícil dizer o contrário, desafiando o coro dos recém-contentes. Mas é estranho que ninguém tenha dito que, mesmo com a candidatura, ainda não havia se tornado um político nacional. Ainda estava circunscrito ao Nordeste, sobretudo à sua Paságarda, Pernambuco. A morte, por certo, “transformou” Eduardo Campos num político nacional, ainda que momentaneamente. Era jovem, e a morte de jovens, sobretudo daqueles que falam em renovação, choca muito e cria uma espécie de congraçamento coletivo. A morte, se se pode dizer assim, amplia a civilidade — o que não é negativo. O presidente John Kennedy morreu quando tinha 46 anos e teve quatro filhos com Jacqueline Kennedy. E tornou-se um mito internacional. O político brasileiro deixa cinco filhos e uma mulher jovem, de 46 anos. Com seus olhos azuis e porte ereto, era tão bonito quanto Jack Kennedy. Não se trata, numa adesão insensível à realpolitik, de dizer que Eduardo Campos era mau político. Nada disso. Trata-se, pelo contrário, de exibir o homem em sua grandeza e limites apropriados. No governo, por quase oito anos, contribuiu para ampliar a modernização de Pernambuco. Não se pense que governou como socialista, apesar dos investimentos no social, com prioridade para a educação (estudantes pobres ganharam bolsas para estudar no exterior e incentivou-se a escola de tempo integral). Economista, não tinha veleidades românticas. Era um realista. Por isso, criou um planejamento que combinou incentivo maciço ao crescimento com políticas desenvolvimentistas e, mesmo, assistenciais (não há como descartar o assistencialismo nem mesmo em países muito ricos, como os Estados Unidos, Japão e a Ale­manha, pois a pobreza é um fenômeno universal). No seu governo, caíram os índices de homicídio e o PIB de Pernambuco duplicou. “Tocou obras como o Porto de Suape, a Transnordestina, o estaleiro Atlântico Sul.” Com que dinheiro? Seu governo recebeu espantosos 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. O PT foi seu grande parceiro administrativo e político. Lula da Silva era uma espécie de tutor político. Eram amigos, aliados e, claro, pernambucanos. Portanto, Eduardo Campos, como realçaram os obituários, traduzindo opiniões diversas, era mesmo um gestor moderno e, assim, um agente da renovação. Era um desenvolvimentista e, filiado ao Partido Socialista Brasileiro, nada tinha de comunista. Era, acima de tudo, um modernizador. Mais: era um homem de Estado, de extrema vocação para o serviço público. Um dos melhores perfis de Eduardo Campos saiu na “Piauí”, com o título de “Candidato anfíbio” (a revista diz isto porque ele era “capaz de adaptar às mais diversas situações e ambientes”), da lavra da atentíssima repórter Daniela Pinheiro. É um retrato multifacetado, nem laudatório nem ofensivo. Justo, registrando seus sucessos, ambivalências e problemas. Nas suas conversas e discursos, Eduardo Campos dizia com frequência: “O Brasil parou de melhorar e começou a piorar”. É uma frase de marqueteiro (repetir para ver se pega). Porque o país, apesar dos problemas, não piorou. O país, com erros e acertos do governo do PT — e acrescente-se que um país não é construído tão-somente com os atos dos governos, como se não existisse uma sociedade civil vigorosa que, a duras penas, resiste e sobrevive a quaisquer planos econômicos —, tem melhorado. Per­nambuco, apesar da eficiência de seu governo, tem uma pobreza elevada, “a 19ª posição no ranking do Ín­dice de Desenvol­vi­mento Hu­ma­no (IDH)”. Trata-se de um dos piores índices do país. À repórter Daniela Pinheiro, Eduardo Campos disse, depois de conversar com hóspedes de um hotel: “Falaram que não votavam ‘naquela mulé’ de jeito nenhum. Reparou que agora ficam chamando ela de Dilmão, Dilmona? O povo está com abuso demais dela”. As pesquisas indicam que, de fato, há algum distanciamento, porque a presidente Dilma Rousseff não tem 40% das intenções de voto, mas por que um político do porte de Eduardo Campos tem de reforçar preconceitos contra um ser hu­mano, chamando Dilma Rousseff, que não agride pessoas, de Dilmão e Dilmona? Nos seus discursos e entrevistas, Eduardo Campos dizia que, se eleito, a “raposada do PMDB” não teria vez no seu governo. Lula da Silva pensava da mesma maneira e o mensalão, de alguma maneira, foi um instrumento para, controlando outros partidos, contornar o peemedebismo, que se tornou um sistema na política brasileira. O peemedebismo, mesmo não elegendo um presidente de seus quadros, controla e monitora os governos, tanto de centro quanto de esquerda a partir do domínio no e do Parlamento. É um cavalo de Troia encravado no “disco rígido” do Brasil. Se eleger uma bancada forte de deputados e senadores, o PMDB continuará contaminando e mandando na política nacional e mesmo um governo do PSB terá de compor com seus próceres. O PMDB é um vírus que paralisa qualquer governo que não o acolha (mas também é útil ao colaborar para moderar o PT). Eduardo Campos dizia que “aposentaria” José Sarney. O curioso é que praticamente retirou Severino Cavalcante da “aposentadoria” e trabalhou para ter o apoio de Inocêncio de Oliveira. Fica-se com a impressão que “nossos” coronéis são melhores dos que os coronéis dos “outros”. Reduzir impostos quando há um Estado pantagruélico, altamente centralizador e dispendioso, é praticamente impossível. Mas Eduardo Campos dizia, com frequência, que faria uma reforma tributária “imediata” para diminuir impostos. Um dos coordenadores de sua campanha na área de planejamento econômico, o economista Eduardo Giannetti, PhD pela Universidade de Cambridge, aparentemente não acredita que seja tão fácil assim. Eduardo Campos afirmava que, se eleito, derrubaria a inflação para 3%. Giannetti, embora aliado, ressalva: “O próximo governo vai ter que lidar com a verdadeira herança maldita. No Brasil, há uma dificuldade imensa de convencer a população de que há custos que precedem benefícios. O Brasil acumulou distorções e a correção dessas distorções — que inclui aumento das tarifas — vai, necessariamente, fazer com que a inflação suba 1,5% a 2% de cara”. Porém, como se sabe, não se ganha eleição com discurso excessivamente realista. Ganha-se eleição vendendo esperança e sonhos. A crueza da realidade é “embrulhada” pelo marketing para ser apresentada com certa suavidade ao eleitorado. Giannetti assinala que o próximo presidente deve redefinir o papel do BNDES, “redesenhar o modelo do setor elétrico, restabelecer o tripé econômico — geração de superávits primários nas contas públicas, juntamente com o regime de câmbio flutuante e o de metas para a inflação, além da simplificação do sistema tributário para voltar a atrair investimentos”. “Acho que o Armínio [Fraga] nem vai gostar de ouvir isso, mas, do ponto de vista estrito da economia, há pouca diferença entre o que devem ser as propostas de Aécio e as de Eduardo”, frisa Giannetti. Acrescente-se que o economista é mais ligado a Marina Silva. [caption id="attachment_12780" align="alignleft" width="1173"]Aécio Neves: o senador, candidato a presidente da República pelo PSDB, possivelmente será atingido pelo tom mais agressivo do discurso de Marina Silva | Foto: Orlando Brito/ ObritoNews Aécio Neves: o senador, candidato a presidente da República pelo PSDB, possivelmente será atingido pelo tom mais agressivo do discurso de Marina Silva | Foto: Orlando Brito/ ObritoNews[/caption] O vezo autoritário de Eduardo Campos é o mesmo de Dilma Rousseff e Aécio Neves (que sempre controlou a Imprensa de Minas Gerais com mão de ferro). Quando uma pergunta não lhe agradava, o entrevistado logo era desclassificado como um agente de Aécio Neves (no Brasil, a crítica, que é legítima, é confundida com “ataque”). “Quem era essa mocinha do SBT, que foi treinada só para me perguntar sobre o Aécio?”, disse certa vez. As perguntas eram pertinentes e a “mocinha” comportou-se profissionalmente (afinal, durante certo tempo, Eduardo Campos e Aécio Campos eram carne e unha). Jornalista pode até ter simpatia por um ou outro candidato, mas precisa fazer as perguntas apropriadas, que contribuam para que os eleitores compreendam o quê e como pensam os políticos. Uma das jogadas bem-sucedidas de Eduardo Campos foi, com o apoio do PT, a indicação de sua mãe, Ana Arraes, para o Tribunal de Contas da União. No TCU, há ministros que têm méritos, é claro, mas não chegam lá basicamente por isso. A indicação é, no geral, política. Ana Arraes “derrotou” pesos pesados porque seu filho, Eduardo Campos, era o grande “trunfo” da negociação. Por si mesma, não seria indicada. Antônio Campos, o Tonca, irmão de Eduardo, disse à “Piauí”: “Se ele não ajudar a mãe, vai ajudar quem?” Uma lógica irretorquível, sem dúvida. No governo de Pernambuco, Eduardo Campos nomeou mais de 20 parentes (tios, primos, genro, cunhados), sob o argumento de que eram competentes. Ariano Suassuna, falecido recentemente, tio de sua mulher, ganhou um cargo de acomodação, mas com salário de primeira linha. O que fazia, de fato, não se sabe. Mas todo mês o dinheiro era depositado em sua conta bancária. Nepotismo “ruim” é só o dos “outros”. João Grilo e Chicó decerto aprovariam. Um dos projetos de Eduardo Campos era mudar o setor previdenciário, mas alertando, para não perder votos, que não iria mexer em direitos adquiridos. “Não dá para um desembargador deixar pensão para a segunda mulher novinha. O cara contribui 25 anos e a pensão dura sessenta”, disse à “Piauí”. Ora, no caso, não há o que fazer, porque, como disse, não se mexe em direitos adquiridos, ainda que, eventualmente, possam ser injustos. Para enriquecer o perfil de E­duar­do Campos, contraditando a louvação habitual, Daniela Pinheiro re­cor­reu ao professor Michel Zai­dan, da Uni­ver­sidade Fe­deral de Pernam­bu­co e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). O político de matiz róseo, de agenda positiva, é ligeiramente desconstruído pelo mestre. “Ele [Eduardo Campos] aumentou as secretarias de 18 para 28, e cortou sete antes de sair do governo. Colocou dois postes co­mo herdeiros políticos no Estado para continuar no controle. Eduar­do é o imperador e Pernambuco é o reino”, afirma Zaidan, autor do livro “A Honra do Imperador”. “Não há oposição em Per­nam­buco. Isso não é um bom sinal”, afirma Zaidan. O socialista, segundo o professor, governou com o instrumento das nomeações e liberação de verbas para a­lia­dos políticos. A repórter Da­nie­la Pinheiro comprovou na prática o que Zaidan lhe disse: “O único deputado que aceitou falar comigo contra Campos pediu para ficar no anonimato. Recentemente, uma prima do candidato, a vereadora Marília Arraes, chegou a postar uma carta insinuando que Campos tentava emplacar o filho João na presidência da Juventude do PSB com métodos pouco democráticos”. Zaidan admite que Eduardo Campos não era mau gerente. Mas afirma que “até empresas de transporte com ar-condicionado para a Copa ganharam incentivo fiscal”. O professor-doutor discorda dos que apresentam o político como “fato novo”. “Ele é parte de uma oligarquia. Assim como Aécio Neves. Nesse ponto, são idênticos. Nunca tiveram um emprego, viveram da política, da herança política dos avós e dos velhos hábitos de manutenção do poder”, afirma o pesquisador. Eduardo Campos era neto de Miguel Arraes, apontado como coronel de esquerda. O que se disse acima não diminui Eduardo Campos em nada. Tão-somente nuança o político, mas não retira sua grandeza. Sua história foi fatalmente amputada e, com isso, pesquisadores gabaritados terão de cristalizá-lo como um político mais importante para Pernambuco do que para o país. A morte de jovens, como Eduardo Campos, é sempre lamentável. Fica-se com a sensação de que, com sua energia e vontade, poderia ter feito muito para modernizar o país. Uma pena que a Velha Senhora o tenha levado tão cedo, retirando-o da política nacional e de sua família.

Compromissos com empresários

[caption id="attachment_12758" align="alignleft" width="691"]Marcelo Miranda discursa a empresários em Palmas e promete reforma tributária e diminuição de impostos Marcelo Miranda discursa a empresários em Palmas e promete reforma tributária e diminuição de impostos[/caption] O candidato a governador pelo PMDB, Marcelo Miranda, disse a empresários que uma de suas metas é industrializar o Tocantins. Para isso, sustentou que vai implantar uma po­lítica arrojada de incentivos fiscais. Durante encontro com empresários, no dia 12, em Palmas, Marcelo Miranda afirmou que, se for eleito, vai colocar em prática, logo no primeiro ano de governo, uma reforma tributária, com diminuição de impostos, além de investir na agroindústria, aproveitando a vocação natural de cada região. “Vamos estimular a construção civil, dando fim aos calotes públicos, além do compromisso de uma agenda mensal com os empresários”, sustentou o peemedebista. Ele deu a garantia de que quem vai indicar o futuro se­cretário da Indústria e Co­mér­cio será a classe empresarial. No final do encontro com cerca de 100 empresários, o presidente da Associação Co­mercial e Industrial de Pal­mas (Acipa), Fa­biano do Vale, fez a seguinte observação: “Quere­mos uma ges­tão pública enxuta, moderna e propositiva que nos inspire respeito e confiança, pois o setor produtivo é parceiro de todos os bons empreendimentos do Estado”.