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A obra “Livro de Viagens” traz pequenos flagrantes da natureza, que revelam a maturidade poética do escritor
Nas décadas de 1980 e 1990, a grande influência política no país estava nas mãos dos governadores. Agora, o varejo dá as cartas
Patrimônio brasileiro, as cerâmicas karajá são também matéria-prima de livro recém-lançado
Direção do jornal optou por extinguir o “Almanaque” e o “Magazine TV”, que se tornaram páginas de outro suplemento
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Romário, irreverente, posa da Suíça após negativa sobre conta: “Chateado”[/caption]
A edição de “Veja” que circulou na semana passada trouxe uma matéria que envolvia Romário em um escândalo internacional, quase um Swissleaks particular: o ex-jogador e hoje senador pelo PSB teria cerca de R$ 7,5 milhões em conta na Suíça e não teria declarado esse patrimônio à Receita, o que seria grave, ainda mais para um político. Brasileiros que tenham a partir de US$ 100 mil (cerca de R$ 350 mil, atualmente) no exterior precisam comunicar o fato às autoridades nacionais.
A matéria da “Veja” vinha com o título “Romário tem conta milionária na Suíça – e não a declarou ao Fisco”. O “Baixinho” respondeu com sarcasmo, em nota no Facebook. Disse que recebia a notícia como alguém que ganha na Mega-Sena, porque desconhecia que tivesse feito tal aplicação, “ainda mais em 2013”, como anunciou a revista. E foi até a Suíça para conferir o caso “in loco” — coisa, aliás, que a apuração da matéria deveria ter feito antes de publicá-la. E soltou uma segunda nota irônica (na íntegra): “Galera, bom dia! Chateado! Acabei de descobrir aqui em Genebra, na Suíça, que não sou dono dos R$ 7,5 milhões. Aguardem mais informações... Agora, aqueles que devem, (sic) podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar de todas as formas. Eu não finjo ser decente, não faço de conta ser sério e nem pareço ser correto. Eu sou!!!”
Infere-se que Romário vai processar a revista. Nada incomum esse tipo de ocorrência, veículos de comunicação estão sempre sujeitos a isso. O problema é que o senador alega que “Veja” usou um documento falso para embasar a matéria. E isso, sim, é muito grave. Jornalística e penalmente.
Um dos melhores frasistas dos gramados brasileiros — talvez só perca para Dario, o “Dadá Maravilha”, Romário disse em 2002, ao ser contratado pelo Fluminense: “Quando eu nasci, Deus apontou o dedo em minha direção e disse: esse é o cara.” Parece que desta vez a “Veja” provocou o “cara” errado.
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Reprodução/Maria Macaca[/caption]
Por quatros dias, a Violeta Filmes e Maricota Produções exibem um mosaico de longa, média e curta-metragem no histórico Cine Pireneus da cidade de Pirenópolis. É o Pirenópolis.Doc, um festival dedicado às obras documentais, criadas nas cinco regiões brasileiras. Além da exibição de filmes, pelas Mostra Infantil, Mostra Competitiva Nacional, Mostra Regional e Mostra Especial, há também oficina com o cineasta Eduardo Escorel, homenagem ao documentarista Vladimir Carvalho e lançamento do livro Jornal de Cinema. O festival propõe um encontro de realizadores, debatedores, cinéfilos e documentaristas, a fim de estimular o pensamento crítico e gerar discussões sobre o gênero cinematográfico. Aberto ao público, o Pirenópolis.Doc começa na quinta-feira, 6, e segue até o domingo, 9.
- O cantor André Campelo e o pianista Vagner Rosafa apresentam “Lendas Indígenas e Afro-brasileiras” na noite da terça-feira, 4, no Teatro Goiânia. Entrada franca.
- A Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás apresenta o especial “Walton –– Concerto para Viola e Orquestra”. Com regência de Gottfried Engels e solo de Cleverson Cremer, a apresentação é na terça-feira, 4, às 20h no Teatro Sesi. A entrada é franca.
- Os DJs Alexandre Perini, Carol Maia e Pablo Kossa batem um papo sobre “Profissão DJ: da Direção Artística ao Mercado”. Aberto ao público, o encontro é na noite da sexta-feira, 7, no Espaço Culturama.
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Cenas do quadro que simboliza a nova fase do programa: busca de ironizar situação política e viés reacionário fez sucesso e levantou polêmica[/caption]
A “Zorra” da Globo não é mais a “Zorra Total”. Nem no nome. Ainda bem. Ficou muito melhor — o que, convenhamos, não era missão tão difícil. Sob nova direção (de Marcius Melhem e Mauricio Farias, que compunham o “Tá no Ar”, com Marcelo Adnet), o programa está se aventurando a sair da mesmice de sitcom sexista e pastelão para acertar em cheio a veia da polêmica e do politicamente incorreto. Uma pegada que tem lembrado (com alegria para quem gosta de um humor inteligente e sarcástico de fato) os melhores momentos de “TV Pirata”, “Casseta & Planeta” e “Viva o Gordo”.
De modo especial, no sábado, 26, um dos quadros apresentados, com pouco mais de 5 minutos, caiu nas graças das redes sociais, onde viralizou, e pode ser considerado o marco da nova fase do programa. Chamada de “Fico – Festival Internacional do Coxinha”, a sátira se baseava em paródias de músicas de protesto do período militar. Por exemplo, “Disparada” (música de Geraldo Vandré interpretada belamente por Jair Rodrigues) virou “Disparate”, cantada pelo personagem Capitão Rodrigues, interpretado pelo velho e bom Paulo Silvino. E assim foram todas as músicas, interpretadas por tipos a que se convencionou chamar de “reaças” (militares linha dura e políticos conservadores). No fim, a plateia que pedia a volta da ditadura em cartazes ganha uma surra de presente do último grupo a se apresentar, os “Paramilitares do Retrocesso”.
Interessante foi a repercussão na internet. Sites considerados de esquerda e de direita tentaram achar o “lugar ideológico” do programa. Muitos se surpreenderam com esse tipo de humor na Globo — talvez se esquecendo do humor crítico que a emissora já abrigou em seus programas, com Jô Soares, Chico Anysio, Agildo Ribeiro e outros.
Como se o humor precisasse ter enquadramento — nesse sentido, o chargista Maurício Ricardo também protestou recentemente contra o patrulhamento que sofre de militantes de direita e de esquerda, às vezes pela mesma matéria. Os engajados acabam agindo como o diabo que, ao ver uma criança fazendo um buraco na areia com o dedo, intrigado, pergunta a ela o que significa aquilo. A criança responde: “Estou fazendo um buraco na areia com o dedo.” Ele sai, confuso, e fica a lição da crônica: pobre diabo, não sabe que certas coisas podem ser feitas sem segundas intenções.
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Reprodução[/caption]
O Drops Vaca Amarela dá mais uma palinha do que vem por aí, em setembro. Os artistas Di Melo e DomCasamata se apresentam na quinta-feira, 6, na Diablo Pub. Celebrando 40 anos do álbum “Kilariô”, Di Melo, o Imorível, divide o palco com o trio goiano DomCasamata e a Comunidade, que tocam faixas do vinil lançado em 2015, em comemoração aos 10 anos da banda. Os ingressos custam R$ 20.
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Reprodução[/caption]
A tarde de sábado tem tudo para ficar mais linda com a Feira das Expressões do Evoé Café com Livro. O projeto propõe viabilizar o acesso a produções culturais e aumentar o intercâmbio cultural e artístico entre coletivos de artistas que se encontram fora dos meios formais da produção cultural. Por isso, a moeda ali é o escambo. Vale poesia, livros, artes das mais variadas formas. É no sábado, 8, das 16h às 20h. A entrada tem o valor simbólico de R$ 3. E pode ir quem quiser, pois o Evoé está de braços abertos a quem aprecia a boa arte e a cultura alternativa, de todas as classes, estilos, cores e amores.
Na quinta-feira, 30, em menos de cinco minutos de audição, o programa do jornalista Rosenwal Ferreira na Rádio 730 AM, que vai ao ar pela manhã, apresentou um festival de preconceitos e pré-julgamentos. Com uma capa de descontração, apresentador e convidados “julgaram” o almirante Othon Luiz — preso na Operação Lava Jato acusado de receber propina de R$ 4,5 milhões — comparando-o aos generais da época da ditadura que presidiram o Brasil e “morreram pobres”. Uma condenação prévia, uma analogia incerta (não se sabe realmente se a versão sobre o almirante será provada) e totalmente temerária. Em seguida, a divulgação de uma nota sobre uma mulher inglesa que descobriu que seu namorado, na verdade, tinha nascido com o sexo feminino e se assumido só então como transexual. A mulher teria resolvido ficar com ele mesmo assim. Alguém da mesa soltou algo como “se ela aceitou a situação, é porque então gosta de mulher”. Fora a tentativa de galhofa, totalmente anacrônica, anacrônica também foi a nota: o fato foi notícia, na verdade, ainda em novembro do ano passado. Portanto, veio tão atrasada quanto a atitude dos envolvidos. Ou, talvez, nem tanto. Na rádio, essa linha do programa não é vista com bons olhos por outros profissionais, que, porém, temem algum enfrentamento. Preferem aguardar mudanças. Mas não custa lembrar: jornalismo pode ser irreverente — e o experimentado Rosenwal sabe fazer isso. O que não pode haver é um jornalismo que perca a responsabilidade e o bom senso para não perder a piada. Nesse sentido e nesse ponto específico, a 730, cujo foco é a informação esportiva, pode estar “pisando na bola”. Vale o alerta construtivo.
Livro
O romance que é um verdadeiro manual do mau jornalismo e dos tempos atuais. Trata-se de uma aventura europeia do fim da Segunda Guerra até os dias de hoje.
Número Zero
Autor: Umberto Eco
Preço: R$ 35,00
Record
Música
Em homenagem ao centenário do compositor Lupicínio Rodrigues, Adriana Calcanhotto canta sucessos da MPB como “Felicidade”, “Nervos de Aço” e “Volta”.
Loucura
Intérprete: Adriana Calcanhotto
Preço: R$ 24,90
Sony Music
Filme
A Edição Vampira do longa “X-Men –– Dias de Um Futuro Esquecido” traz cenas adicionais com a mutante, que foram excluídas da versão exibida no cinema.
X-Men – Edição Vampira
Direção: Bryan Singer
Preço: R$ 49,90
Fox/Sony
Em um país em que, apesar de progressos, as coisas continuam a caminhar muito mais de acordo com personagens do que com as instituições, o juiz da Operação Lava Jato não pode se dar o “privilégio” de errar o peso de sua mão, como a imprensa, de forma infeliz, acaba fazendo
Em visita ao Estado, David Plank e Martin Carnoy concederam entrevista exclusiva ao Jornal Opção e apontam: conhecimento acadêmico e política precisam caminhar lado a lado
Divino Alexandre O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDB) em Goiás apresentou na última semana, as inovações do Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/2016. O governo federal vai disponibilizar R$ 28,9 bilhões para apoiar a produção da agricultura familiar, acréscimo de 20% em relação ao ano anterior, o que representa o maior valor já destinado a esse público. Acredito que o fortalecimento da agricultura familiar é imprescindível para garantir a segurança alimentar da população e para manter o trabalho no campo. Um fato que sempre nos chama a atenção é que a agricultura familiar, além de ser o carro chefe na produção de alimentos, promove a interação entre gestão e trabalho, contribuindo de forma expressiva para o desenvolvimento econômico-social do nosso País. Ela é a responsável pela produção de 70% dos alimentos produzidos no Brasil, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e representa 90% da base econômica dos municípios brasileiros. Por isso, precisa ser valorizada, incentivada e integrada à grande rede da produção nacional. Sabemos que o Brasil possui uma enorme extensão de terras férteis, recursos hídricos e um clima favorável, propício à produção de grãos em grande escala. Por isso, devemos trabalhar para ampliar metas que beneficiem os assentados da reforma agrária e os agricultores familiares, visando aumentar a produção e colaborando por melhor qualidade de vida aos pequenos agricultores goianos. Podemos avançar muito mais se as instituições que lidam com o desenvolvimento rural integrarem suas ações. É hora de repensarmos um novo modelo de gestão em todos os segmentos públicos. Pois, a continuar como estamos, vamos assistir a falência do setor rural, prejudicando principalmente os pequenos agricultores, cedendo lugar à monocultura. Como exemplo, a cana de açúcar, que, diga-se de passagem, expulsa os pequenos produtores de suas terras, por falta de recursos e condições. O País precisa se desenvolver observando as questões regionais e locais, pois a sustentabilidade econômica, social e ambiental se dará a partir de um novo arranjo produtivo, onde se valoriza os trabalhadores, em especial, homens e mulheres do campo, subsidiando, disponibilizando tecnologias, técnicos e equipamentos. Enfim, temos um longo caminho pela frente para promover o diálogo produtivo, colaborativo e cooperativo entre agronegócio e agricultura familiar, para assegurar a distribuição de renda, garantir a circulação do dinheiro na economia do município, e incentivar e preservar a cultura alimentar regional. Divino Alexandre é prefeito de Panamá de Goiás e presidente da Federação Goiana de Municípios (FGM)

