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Em 2015, a Sama parou de produzir amianto, em Minaçu, durante três dias. A direção da empresa explicou aos funcionários que o objetivo era conter a superprodução. As vendas caíram interna e externamente — daí a crise. A Sama fechou turnos e demitiu 119 trabalhadores. Acredita-se que em 2016 não será diferente. Funcionários graduados da empresa afirma que, além a crise geral, o amianto é hoje um produto cada vez mais execrado em vários países.
O PT e o PMDB estão no poder em Goiânia há 16 anos, desde 2001, quando o sociólogo Pedro Wilson (PT) assumiu a prefeitura. Em 2004, Iris Rezende foi eleito prefeito, contra Pedro Wilson. Na eleição de 2008, na reeleição, o peemedebista contou com Paulo Garcia (PT) como vice. Em 2010, saiu para disputar o governo do Estado e Paulo assumiu o mandato. Em 2012, Paulo foi reeleito, com Agenor Mariano (PMDB) na vice. Portanto, na campanha de 2016, será difícil desvencilhar os dois partidos.
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Fernando Cunha, o Fernandinho, será o candidato do PSDB | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
A pré-candidatura de Fernando Cunha (PSDB) à Prefeitura de Anápolis vem ganhando musculatura desde o seu anúncio, na segunda-feira, 1º.
Nos bastidores, é dada como praticamente certa a participação de Victor Hugo Queiroz, superintendente executivo de Indústria e Comércio, e do coronel Adaiton Florentino, chefe do gabinete militar da Governadoria, como coordenadores de sua campanha. Ambos, por sinal, também coordenaram a campanha de Marconi Perillo em 2014.
As informações reforçam a ideia de que o governo do Estado está inteiramente fechado com Fernando Cunha. Em declaração recente, o vice-governador José Eliton já havia elogiado o seu trabalho à frente do Produzir e demonstrado entusiasmo pela sua disposição em buscar a renovação da política anapolina.
O prefeito João Gomes acompanhou o governador Marconi Perillo (PSDB) no dia 29 de janeiro, no anúncio da retomada das obras do prédio do centro de convenções de Anápolis, paralisadas desde dezembro de 2014. Com 75% da obra física executada, a previsão é de que o espaço fique pronto ainda este ano. Segundo Marconi, a obra vai transformar Anápolis num grande destino para a realização de feiras e eventos. “Além de referência para o Brasil Central, será um importante centro para a movimentação econômica da cidade”, disse o governador. A visita contou com a presença do vice-governador José Eliton, do presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, do diretor da CCBB, consórcio responsável pelas obras, Wilton Machado, e do deputado estadual Carlos Antonio (SD). João Gomes agradeceu o governador pela retomada da obra e destacou que, por meio de uma parceria com o Estado, Anápolis também vislumbra a construção de um novo distrito agroindustrial. “Temos já uma terceira opção. O governo do Estado vai entrar com incentivos. Anápolis tem perdido receita pela falta de lotes no distrito industrial,” disse João Gomes. O prefeito tem buscado parcerias para garantir a qualidade de vida da população. “O cenário brasileiro é de dificuldades, mas temos nos aproximado dos governos estadual e federal para que Anápolis continue crescendo. Aguardamos a inauguração desta obra e de outros benefícios.”
Anápolis se destaca pelas ações desenvolvidas pela prefeitura na área da Ciência, Tecnologia e Inovação, principalmente pela inclusão digital, como o serviço de internet móvel gratuita e os telecentros digitais. Estes assuntos foram pautas do encontro realizado na terça-feira, 2, em Brasília, no encontro do prefeito João Gomes com o secretário nacional de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social, Edward Madureira — ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na audiência, que contou também com a presença do deputado federal Rubens Otoni (PT), e do secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fabrízio Ribeiro, foram apresentados os relatórios que garantiram o reconhecimento de Anápolis como um dos municípios brasileiros mais digitais do país e que foram elogiadas pelo secretário nacional. O projeto Praças Digitais existe desde 2011 e oferece acesso gratuito com tecnologia wireless/wi-fi (sem fio). São quase 30 pontos de acesso, suportando 100 conexões simultâneas, num total de 2 mil usuários conectados simultaneamente. São cerca de 10 a 15% da população atendida.
Ligado ao PMDB irista, Andrey Azeredo pode ser guilhotinado pelo prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, da Agência Municipal de Trânsito. Não é à toa que Andrey Azeredo já começa a ser chamado de “Danton do Cerrado”.
Para combater ideias, evitando que sejam colocadas em prática, é preciso conhecê-las bem. Se Churchill, Roosevelt e Stálin tivessem lido “Mein Kampf” cuidadosamente teriam percebido as reais pretensões de Hitler e poderiam, talvez, ter evitado a Segunda Guerra Mundial
O jovem peemedebista impôs uma vitória acachapante ao decano do partido. Agora precisa entender que seus principais rivais, daqui pra frente, são José Eliton e Ronaldo Caiado, e não o governador Marconi Perillo
Cerca de 20 minutos do filme “O Homem do Rio” passam-se em Brasília, em 1963, quando a capital do país estava em franca construção. O artista anda numa viga e o espectador fica apreensivo
Os jornalistas Luiz Carlos Merten e Luiz Danin Oricchio, do “Estadão”, são excelentes críticos de cinema. Eles amam o cinema, são dotados de paixão, mas escrevem racionalmente. No sábado, 30, escreveram sobre um filme e um livro a respeito do notável roteirista americano Dalton Trumbo (1905-1976). As críticas são, no geral, muito bem feitas e convidam a ver o filme e a ler o livro. Mas falta nuance e história. O macarthismo é apresentado como um dos maiores constrangimentos da história americana — ignorando-se, por certo, a Guerra Civil Americana, que matou mais de meio milhão de pessoas, a corrupção política dos Estados Unidos no século 19, o racismo exacerbado, o assassinato de Luther King e dos irmãos John e Bob Kennedy, a ação quase livre da Máfia em vários Estados do país e o Caso Watergate. O macarthismo tinha um quê de histeria, perseguiu diretores, atores e roteiristas de cinema, mas, comparado com o comunismo — que matou mais de 100 milhões de pessoas no século 20 —, é frango de granja. Ao defender os perseguidos de Hollywood, como o esquerdista Dalton Trumbo, não se leva em conta que o comunismo era pior do que o macarthismo. Não dá nem para comparar. Os textos sequer relatam que comunistas americanos (e soviéticos infiltrados) roubaram o segredo da bomba atômica do governo dos Estados Unidos e, a partir dos dados obtidos, puderam construir sua própria bomba atômica. O macarthismo era mais uma reação do que uma ação e provocou menos danos à liberdade de expressão — e não gerou mortes em série — do que se imagina.
Será que os críticos de cinema acreditam que, se vivesse na União Soviética de Stálin, Dalton Trumbo poderia ter escrito roteiros com pseudônimos ou assinados por outros colegas? Lá, não teria continuado a viver na mesma cidade, livre, leve e solto. Teria sido enviado para a Sibéria ou teria sido fuzilado.
Na democracia, embora tenha sido perseguido, pôde contestar o sistema e, em seguida, voltar a trabalhar livremente. Como comunista, e sabendo o que os comunistas estavam fazendo na União Soviética e na China — prendendo, matando, perseguindo, tomando empregos de maneira incontornável —, Dalton Trumbo não deve ser tratado como “vítima”. Ele sabia o que estava fazendo, ao ser um agente comunista — ainda que meio festivo —, e o senador Joseph McCarthy também sabia o que estava fazendo ao contribuir para reduzir sua força no establishment de Hollywood.
“Trumbo — A Vida do Roteirista Ganhador do Oscar Que Derrubou a Lista Negra de Hollywood” (Intrínseca, 384 páginas, tradução de Catharina Pinheiro), de Bruce Cook, parece ser um livro extraordinário. O título, se é que é de sua autoria, contém certo ufanismo. “Trumbo — Lista Negra”, filme de Jay Roach, tem sido incensado pela crítica patropi e internacional. Conta a história do roteirista.
Respeitado como roteirista, Dalton Trumbo dirigiu o filme antibelicista “Johnny Vai à Guerra”. Um filme de qualidade.
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Jornalista goiano residente em Porto Alegre usa exemplos cotidianos para falar da falta de empatia no mundo de hoje[/caption]
Marcelo Igor de Sousa
O que está mais em falta neste mundo? Pensei nessa pergunta quando já tinha a resposta na cabeça: empatia. Parece-me que ela está em falta. Duas cenas me chamaram a atenção neste fim de semana em Porto Alegre. 1) Depois do temporal que fez tremendos estragos na cidade, fui atrás de um vidraceiro. No caminho, vi uma árvore derrubada e fiquei olhando e fotografando — como foi o esporte dos moradores da capital neste fim de semana. Foi quando um rapaz passou por mim e me disse: “Imagina para mim, que estou na rua”. Como não havia imaginado isso até aquele momento? Nas praças estão tantas pessoas; e nessas praças estavam dezenas de árvores caídas. A colocação do rapaz me tirou o ar e me fez entender que meu drama era um tanto relativo. E foi assim, que, no domingo à tarde, depois de amenizadas as chuvas e as intempéries, um grande grupo de pessoas se aglomerou na entrada do Banco Bradesco. Vizinhos, não sei bem, se juntaram para reclamar: “Imagina se alguém precisa sacar um dinheiro, não há como!”. Talvez, no domingo à tarde, depois de sexta e sábado, esse seria o primeiro momento de sono daquelas pessoas. Aquilo me fez recordar da fala do rapaz que andava com a mochila quase que procurando um lugar seguro que ainda restasse, pois ter a casa atingida vai ser sempre menos que ter a rua toda atingida. Quiçá os amigos do banco pudessem ser tocados um dia a pensar como é se colocar no lugar do outro, a estar ao lado de pessoas concretas. Como faz bem dispor-se a enxergar o mundo a partir do outro. Enfim, há a chance de, em algum momento, abrir-se à alteridade. 2) Após alguém postar um curto vídeo de uma abordagem violenta por parte de agentes militares, uma pessoa, em poucos minutos, coloca o comentário: “Se está apanhando é porque não deve ter feito coisa boa. Se os pais não souberam educar, então um dia vai levar o que mereceu. Não vejo erro nenhum dos policiais aí”. A generalização tremenda mostra a incapacidade de parar ao menos para pensar que num Estado que se apresenta como democrático a cena não pode ser aceitável. A separação fictícia “cidadão de bem”, sabe se lá por quais motivos, e criminosos (pela cara, pela condição social etc.) impede qualquer empatia. Creio que a mensagem é que, antes de qualquer esbravejamento, determinação ou ditação de regra, cabe aquela pausinha que ensina muito: “E se fosse comigo?” É textão? É. É lição de moral? Não. É preocupação comigo e com o mundo? É. Creio que escrever isto me ajuda a pensar no meu compromisso com este mundo. Em como posso ser mesquinho, egoísta. E como preciso melhorar a cada dia. Marcelo Igor de Sousa é jornalista, doutorando em Comunicação na Unisinos (RS) e servidor público federal na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).“A vida de um professor se prolonga em outras vidas”
Tom Coelho Minha paixão pela banda Supertramp, ainda quando garoto, levou-me a apreciar um instrumento musical em particular: o saxofone. Tanto que decidi comprar um, usado mesmo, e busquei um instrutor na expectativa de, um dia, tocar “The Logical Song” [um dos maiores hits da banda]. Mas para atingir este estágio, descobri que teria de aprender escalas musicais, além de ler partituras. Meses se passaram e, frustrado, descobri-me absolutamente desprovido de talento musical. Olhar para um pentagrama com claves de sol, semibreves, colcheias, bemóis e sustenidos era um atestado de ignorância plena. Era o mesmo que vislumbrar a fórmula do tolueno sem entender nada de química orgânica. Resignado, no auge de minha adolescência, aposentei meu sonho. E, desde então, o sax passou a ser um mero adorno. Aproveitando sua beleza estética, passei a afixá-lo na parede de escritórios e, mais tarde, na sala de estar de minha casa. Quase duas décadas depois, numa daquelas fases da vida que decorrem de uma crise existencial, experimentei o meu “momento da virada”. Dentre diversas deliberações, estabeleci como meta aprender a tocar ao menos uma canção que fosse com o instrumento. Foi quando conheci Alexandre Pena, um jovem professor que, de tão apaixonado por música, desenvolveu seu próprio método. E ele, com ponderação e tolerância, fez-me compreender que eu poderia não ter talento, mas tinha inteligência musical suficiente para aprender a tocar saxofone. Escala por escala, acorde por acorde, rompi o bloqueio mental que se instalara e aprendi a apreciar a música e a estudá-la rotineiramente. Dizem os dicionários que professor é aquele que professa, seja uma crença ou uma religião. E você só pode professar algo em que acredita, confia e segue... Shakespeare, por sua vez, dizia que “heróis são pessoas que fizeram o que era necessário, arcando com as consequências”. Quando elegemos um guru, e muitos professores assumem este papel, em verdade estamos vislumbrando um herói, que ao longo de toda uma trajetória de erros e acertos pavimentou uma trilha pela qual o aprendiz transita com segurança e conforto. O tempo passa e cada um de nós também abre clarões por entre a mata. E nos descobrimos igualmente como heróis, em especial quando dispostos a arcar com as consequências. Como educadores, esta é nossa maior e talvez única missão: inspirar nossos alunos. Ajudá-los a se descobrirem, a desenvolverem suas múltiplas inteligências. Trabalhar habilidades técnicas, mas também comportamentais e valorativas. Proporcionar-lhes a oportunidade de caminhar pelo chão batido ou asfaltado de terrenos abertos e sinalizados pelo prazer ou pela dor de nossas experiências. Muitos já devem ter sido os alunos que capitularam em seus anseios, expectativas e sonhos por conta de maus mestres que, consciente ou inconscientemente, regaram sementes com fel ou as lançaram em terreno infértil. Mas, felizmente, há também aqueles que promoveram o entusiasmo e despertaram vocações. Porque a vida de um professor se prolonga em outras vidas. Tom Coelho é educador, escritor e palestrante em gestão de pessoas e negócios. E-mail: [email protected].[caption id="attachment_58135" align="alignleft" width="246"]
Pesquisa alentada de cinco anos revela como e em que circunstâncias os cineastas Frank Capra, George Stevens, John Ford, John Huston e William Wyler retrataram a Segunda Guerra Mundial . Mera propaganda?[/caption]
Historiadores europeus, como Norman Davies, sugerem que os Estados Unidos criaram o mito de que “venceram” a Segunda Guerra Mundial e salvaram a Inglaterra de Winston Churchill, a França de Charles de Gaulle e a União Soviética de Stálin. De fato, os americanos foram fundamentais para a derrota da Alemanha nazista. Mas não se pode desconsiderar o empenho dos ingleses — se Churchill tivesse sucumbindo às pressões internas para negociar com Adolf Hitler, a Europa teria caído sob controle dos adeptos da “teoria” do espaço vital — e dos soviéticos. Ninguém sofreu tanto no conflito quanto o povo soviético (morreram cerca de 20 milhões de pessoas).
Quando as tropas do país do presidente dos Estados Unidos entraram na guerra, em 1941, depois do ataque do Japão a Pearl Arbor, a Inglaterra de Churchill lutava contra os nazistas há dois anos (a guerra começou em setembro de 1939). Conta-se que o ator Michael Caine teria retirado seus filhos de uma escola americana ao saber que os professores de História estavam ensinando que a batalha começou em 1941.
Se os americanos não pelejaram sozinhos, por que a história dominante enaltece os Estados Unidos e praticamente ignora a União Soviética e, por vezes, até os ingleses? Primeiro, a URSS de Stálin assinou um acordo de não-agressão com Hitler, em agosto de 1939, e por isso os nazistas, sentindo-se encorajados, invadiram a Polônia, em setembro de 1939, deflagrando a Segunda Guerra Mundial. Os políticos ingleses e franceses, que cultivavam uma política de apaziguamento com o nazismo, finalmente perceberam que Hitler não iria parar e, por isso, precisava ser contido o quanto antes. Os soviéticos ficaram, num primeiro momento, como vilões. Depois, lutaram bravamente e foram decisivos, mais do que os americanos, para derrotar o nazismo. Aos poucos, os historiadores, sobretudo os ingleses, reconhecem sua importância. O comunismo era e é uma desgraça, mas o soldado soviético era intrépido.
Segundo, o cinema de Hollywood contribuiu para criar a mitologia do heroísmo americano. Os filmes produzidos nos Estados Unidos no geral são imprecisos (de maneira intencional), praticamente ignoram outros participantes aliados, e criaram um glamour romântico sobre soldados e oficiais do país que pelearam na Europa. Os filmes soviéticos (e mesmo os ingleses) raramente são exibidos fora da Rússia e demais países que pertenceram à URSS. Insistamos num ponto: os Estados Unidos foram importantíssimos para derrotar Hitler, mas, sem a capacidade de resistência dos ingleses e soviéticos, a Alemanha teria se tornado a senhora da Europa.
“Cinco Voltaram — Uma História de Hollywood na Segunda Guerra Mundial” (Objetiva, 560 páginas), de Mark Harris, é, sem dúvida, um livro do balacobaco. Mas deve ser lido a partir do prisma exposto acima. O cinema, no caso da guerra, foi largamente utilizado para propalar propaganda política. Por isso o presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt — tão extraordinário quanto Churchill — enviou cineastas para a Europa. Eles foram destacados para relatar a guerra a partir do ponto de vista americano. Só que, como os diretores Frank Capra, George Stevens, John Ford (foto acima), John Huston (foto abaixo) e William Wyler eram extraordinários, os filmes quase sempre são de qualidade. O talento — a narrativa por vezes precisa, ainda que romantizada, em certos casos — sobrepõe-se à propaganda. Artistas criativos sempre vão além daquilo que lhe pedem e cobram.
Mark Harris percebe a propaganda, admite o vezo americano em detrimentos das visões europeias-soviéticas, mas destaca a importância do cinema do país de John Ford em exibir a crueza da guerra, suas vicissitudes e até, no meio do deserto de sentimentos, momentos belos, de rara humanidade.
A caixa “A Segunda Guerra no Cinema” reúne alguns filmes interessáveis: “Fomos os Sacrificados” (John Ford), “48 Horas!” (Alberto Cavalcanti), “Também Somos Seres Humanos” (William Wellman), “Proibido!” (Samuel Fuller), “Amargo Triunfo" (Nicholas Ray) e “Mercenários Sem Glória” (André De Toth).
Norman Davies e a Segunda Guerra Mundial
O historiador Norman Davies sugere que o cinema simplifica a Segunda Guerra Mundial e concentra-se, na maioria das vezes, nos Aliados, notadamente na participação dos americanos. Confira no link:
https://jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/norman-davies-cinema-americano-simplifica-segunda-guerra-mundial
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Vale Tudo da Notícia mostra, sem meias palavras, que parte da imprensa da desenvolvida Inglaterra é mais suja do que o lixo que recolhe[/caption]
“Vale Tudo da Notícia” (Intrínseca, 480 páginas, tradução de Marcelo Levy), de Nick Davies, conta, de maneira detalhada, o escândalo do extinto jornal britânico “News of the World”, de Rupert Murdoch. O jornal, por meio de editores e repórteres — a prática era aprovada pelo proprietário —, comprava informações obtidas ilegalmente de detetives particulares, que faziam grampos telefônicos e seguiam pessoas. Os repórteres invadiam caixas de mensagens de celulares de pessoas proeminentes da Inglaterra. Com as informações, publicavam reportagem e, por vezes, chantageavam empresários, políticos e artistas. Davies conta as histórias centrais, mostrando que o jornalismo baixo clero era deliberado, e histórias menores. James Murdoch pressionava políticos e buscava obter vantagens comerciais sem nenhum pudor.
Conhecido como “homem do lixo”, Benji percorre as ruas de Londres, na madrugada, vasculhando sacos de lixo em busca de informações para vendê-las aos tabloides (que, na Inglaterra, é sinônimo de sensacionalismo). O repórter Sean Hoare tomava drogas com celebridades.
O livro de Davies mostra como o jornalismo — aquilo, argh!, que é vendido como jornalismo — do chamado Primeiro Mundo pode ser sujo. Tidos como os leitores mais qualificados do mundo, ao lado dos franceses, os ingleses adoram qualidade (a leitura de um escritor excepcional como Ian McEwan, por exemplo), mas apreciam, por intermédio dos tabloides, chafurdar no lixo mais abjeto dos seres humanos. Aliás, muito não é lixo, se não for publicado. É apenas vida íntima, que é mais complexa, rica e diversificada do que imagina a nossa vã filosofia.
Quando o “The Guardian” publicou as denúncias, provocando um debate extraordinário na sociedade inglesa, o ‘News of the World”, desmoralizado, fechou as portas. Um trecho do livro pode ser lido no site da Editora Intrínseca.
O incensado consultor Eduardo Tessler, um dos principais responsáveis pelas reformas editoriais feitas no jornal “O Popular”, teria zarpado de Goiânia — e sem pretensão de voltar. Eduardo Tessler, que atraiu o editor-executivo Fabrício Cardoso, teria sido vencido pela igrejona de jornalistas que, apesar das tentativas de mudança, ainda controla a redação, ou parte dela. Cileide Alves continua forte na redação, apesar de, em teoria, não ter mais cargo de mando. Mas uma coisa é certa: quando estava no comando direto, o jornal era melhor ou menos pior. O nível do “Pop” caiu muito. Hoje, conhecido como “República dos Estagiários”, o jornal parece não se preocupar mais com a qualidade do texto, com a precisão da informação. Até repórteres experientes parecem meio perdidos, escrevendo textos bisonhos, mal escritos, com erros primários. O enxugamento brutal da redação piorou a qualidade do jornal. Isto é consenso na sociedade e na própria redação. Só não percebem ou não querem perceber os dirigentes. Recuperar um jornal que “cai” não é fácil. Deveriam pensar sobre isto o mais rápido possível.

