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Renan começa impeachment sem pressa

Devagar, quase parando, Senado dá início à análise do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff

Capital Inicial apresenta NYC

A banda de rock brasileira, formada em Brasília, no Distrito Federal, em 1982, Capital Inicial, volta a Goiânia no sábado, 30 de abril. O grupo, liderado por Dinho Ouro Preto, apresenta o show acústico NYC, que inclui três faixas inéditas e releituras de grandes sucessos; dentre eles, “Tempo Perdido”, em homenagem à Legião Urbana de Renato Russo. O show acontece na Atlanta Music Hall, a partir das 22h. Os ingressos, já de 2ª lote, custam R$ 70, a meia.

Situação política atual é jogo de dados viciados

[caption id="attachment_64312" align="alignright" width="620"]Estudo com dados mostra que o ser humano mente para si, mas precisa de algum consolo Estudo com dados mostra que o ser humano mente para si, mas precisa de algum consolo[/caption] Flávio R. L. Paranhos Especial para o Jornal Opção A edição de 24 de março da revista Nature, um dos periódicos científicos de mais alto impacto do mundo, traz um trabalho interessante, na medida em que apresenta evidências sólidas para algo que já era intuído, a saber, que quanto mais corrupto o governo de um país, mais corruptos tenderão a ser seus cidadãos. Os autores Gächter e Schulz fizeram o seguinte. Conduziram um experimento em 2568 estudantes de vários países por meio do qual procuraram medir sua honestidade. Estes deveriam jogar um dado duas vezes. Receberiam dinheiro proporcionalmente ao número mostrado pelo primeiro dado, exceto o número seis, que faria com que nada ganhassem. A segunda vez em que jogavam o dado aparentemente não serviria para nada. Aparente­mente, pois tem sua utilidade no experimento, como veremos. Sem serem observados, sua tarefa era, após jogar o dado duas vezes, contar o resultado da primeira vez ao pesquisador, e este lhe pagaria por sua participação de acordo com o número informado. Note que o participante realmente não era observado por ninguém. Isso elimina um desconforto ético grande, que seria o pesquisador saber exatamente quem era desonesto. E elimina também que se mate uma curiosidade sem valor científico, justamente saber individualmente quem era desonesto. Por métodos estatísticos, pode-se inferir qual grupo de pessoas (e não cada pessoa) está sendo mais provavelmente desonesto. O próximo passo é fazer uma correlação com um índice de corrupção do país a que pertence aquele grupo, chamado de Prevalência de Violação de Regras (PRV, da sigla em inglês). O resultado foi o esperado. Gru­pos de estudantes de países com PRV mais alto (como Marrocos e Tanzânia, por exemplo), mentiram mais para ganhar mais dinheiro, enquanto os de países com PRV mais baixo (Ingla­terra, Suécia, para citar dois exemplos), mentiram menos e receberam menos (receberam o que se esperaria de dados jogados ao acaso). Quanto ao Brasil, infelizmente, estudantes brasileiros não foram testados, e só podemos imaginar o que daria. Mas há um detalhe metodológico do experimento que acredito valer para o momento pelo qual passamos. Refiro-me ao segundo dado. Por que jogar duas vezes se só a primeira é que vale? Porque há um mecanismo mental de que os seres humanos nos valemos e que é o alvo desse pequeno detalhe. Por uma fria lógica matemática, as pessoas que mentiram diriam todas que o dado deu cinco, certo? Errado. As pessoas, mesmo quando desonestas, precisam se agarrar em algo para justificar sua desonestidade. A racionalização da culpa, que é humana, demasiado humana, precisa de uma ajudinha. O que fazem, então? Não dizem o que deu o primeiro dado, mas, sim, o que deu o número maior. Você, com a distância que o fato de não ter participado do experimento lhe permite, deve estar se perguntando: mas, que diabo, que lógica é esta?! Se a regra é dizer o que deu no primeiro, tanto faz que se jogue zero, um ou um milhão de vezes depois, pois o que vale é o que deu no primeiro. A mentir, que se minta sem precisar do segundo resultado. Mas não é o que acontece. O ser humano precisa ter um bom conceito de si próprio, precisa de ganchos cognitivos (ainda que fajutos) para racionalizar, moer, remoer sua culpa até se perdoar. Para isso serve o segundo dado. O sujeito diz a si mesmo, poxa, não foi o primeiro, mas foi o segundo, foi de fato jogado, mero detalhe que não tenha sido o primeiro etc. E num passe de neurociências, o sujeito se perdoa e fica “em paz com a própria consciência”. Algo assim está acontecendo on line no Brasil hoje. Tanto mortadelas quanto coxinhas têm sistematicamente escolhido o segundo dado, exercitando uma espécie de doutrina do duplo efeito (uma escolha/ação que tem como consequência um efeito bom e um mau). Os primeiros ignoram inacreditavelmente todas as evidências da sangria criminosa da Petrobrás. Os segundos fecham os olhos (e ouvidos e narinas) às constrangedoramente gigantes evidências contra a conduta do maestro do impeachment, o presidente da câmara, e seus aliados. O problema é que para que seja moralmente aceitável, o efeito mau não pode ser instrumento para o efeito bom. Para que se obtenha este, aquele não pode ter sido intencional. Algo a que nem coxinhas nem mortadelas estão dando a mínima. O que nos deixa numa posição absurda, vença quem vencer, no fim todo mundo perde. Este é um jogo de dados viciados. l

Flávio R. L. Paranhos é médico (UFG), mestre em Filosofia (UFG), doutor (UFMG) e postdoc research fellow (Harvard) em Oftalmologia. Doutor em Bioética (UnB).

Rápidas

[caption id="attachment_64305" align="alignright" width="250"]Konka e Uó Foto: Reprodução[/caption]

- Na noite da sexta-feira, 29 de abril, a casa brasiliense Victoria Haus recebe a rapper paranaense Karol Conká e a goiana Banda Uó. O show começa às 22h30 e os ingressos custam R$ 40, na bilheteria. A Victoria Haus fica no Setor de Armazenagem e Abasteci­men­to Norte (SAAN), em Brasília.

- Na tarde do sábado, 30 de abril, o anfiteatro externo do Planetário da UFG vira palco do projeto “Arteria Cultural”, que leva 14 artistas para o local, onde construirão dois painéis de graffiti. A ideia é de um sarau aberto para quem quer se expressar, ser visto e ouvido.

“A política da troca de favores e do aparelhamento tem de morrer com o impeachment”

Senadora diz que todos precisam estar preparados para as ações corretivas que precisarão ser feitas no rumo do Brasil

Lançamentos

LIVRO Livro

Donnie Darko

Com tradução de Antonio Tibau e prefácio de Jake Gyllenhaal, que viveu o personagem principal nos cinemas, “Donnie Darko”, o livro, apresenta na íntegra o roteiro original.

Autor: Richard Kelly Preço: R$ 49,90 Darkside Books

  MÚSICA Música

Coleção

“Coleção” reúne canções de filmes, documentários e duetos   gravados por Marisa Monte ao longo de sua carreira. Dentre elas, listam “Carinhoso”, “Ilusão” e “Esqueça”.

Intérprete: Marisa Monte Preço: R$ 35,90 Universal

  FILME os oito odiados Os Oito Odiados A última obra do aclamado diretor de “Pulp Fiction” e “Kill Bill”, Quentin Tarantino, traz no elenco os atores Samuel L. Jackson, Kurt Russell e Jennifer Jason Leigh. Diretor: Quentin Tarantino Preço: R$ 39,90 Imagem Filmes

“Não é porque Dilma teve 54 milhões de votos que pode cometer crime”

Relator do processo de impeachment na Câmara traça a derrocada da presidente e diz que erros na economia e na articulação política são os motivos para a saída da petista

Fechados contra Dilma, senadores goianos já falam sobre futuro governo Temer

Senado decidirá afastamento da presidente até meados de maio. O trio da bancada goiana — Lúcia Vânia, Ronaldo Caiado e Wilder Morais — vai votar pelo afastamento

Não é missão da OAB pedir cassação do deputado Jair Bolsonaro porque elogia ditadura e torturador

A Ordem dos Advogados do Brasil é uma “casa” de todos, não é um “edifício” ideológico das esquerdas [caption id="attachment_64287" align="alignright" width="620"]Jair Bolsonaro e Brilhante Ustra: o deputado revisa a história e defende o coronel do Exército, que é apontado como torturador Jair Bolsonaro e Brilhante Ustra: o deputado revisa a história e defende o coronel do Exército, que é apontado como torturador[/caption] É consenso entre pesquisadores, ideológicos ou não, que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o doutor Tibiriçá, comandou parte dos grupos de tortura na ditadura civil-militar. Independentemente do fato de que esquerdistas — terroristas, no dizer dos militares — não queriam implantar uma democracia no Brasil, pugnavam por outra ditadura, a do proletariado, portanto havia uma guerra entre forças políticas e militares, a tortura é execrável. Há quem diga que, na guerra, vale tudo — menos perder. Os militares, para combater a guerrilha, que queria derrubar o governo, precisavam de informações rápidas — para prender novos militantes da Ação Libertadora Nacional (ALN) e da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), as maiores organizações da luta armada; daí a lógica da tortura. O presidente-general Ernesto Geisel chegou a dizer: “Acho que a tortura, em certos casos, torna-se necessária para obter confissões”. O capitão esquerdista Carlos Lamarca e seus camaradas mataram um militar friamente, a coronhadas, quando poderiam tê-lo deixado amarrado. Em fuga, temiam ser descobertos.

  1. Livros de história, e se está falando dos mais equilibrados, e depoimentos sugerem que muitos presos foram torturados e, vários, mortos quando não tinham mais nada a revelar que pudesse ajudar no combate à guerrilha. A partir de certo momento, a ordem, de cima, era para torturar e matar. Era cortar o “mal” pela raiz. Fala-se em porões da ditadura, locais onde guerrilheiros eram torturados e não raro mortos, quando, na verdade, não eram bem porões, porque a cúpula do governo sabia o que estava acontecendo nas suas dependências. Os porões eram, por assim dizer, extensões das áreas oficiais — eram para-oficiais. A tortura, por si, é grave. Trata-se de um crime, mesmo na guerra. As mortes em combate, com trocas de tiros de ambos os lados, têm sua justificativa. Fala-se, com alguma propriedade, que chumbo trocado não dói. Mas as mortes nas prisões, oficiais ou não, como na Casa da Morte, em Petrópolis, ferem as próprias convenções dos soldados que se combatem. O preso é um ser indefeso e, como tal, deve ser protegido. Quem diz isto é ingênuo? Pode até ser. Mas precisa-se, mesmo em circunstâncias difíceis, de limites. Sem regras de contenção, os homens, militares ou não, tendem à barbárie. O delegado Sérgio Paranhos Fleury, tido como besta-fera dos porões, era uma espécie de James Bond da ditadura civil-militar. Não se pode esquecer de que um dos chefes da ALN, Carlos Eugênio Sarmento Paz, comandou o assassinato de Márcio Toledo única e exclusivamente porque ele queria deixar a guerrilha. É uma morte que clama por lembrança e, até, condenação.
Se a tortura é um crime, na ou fora da guerra, pode-se e deve-se criticá-la. Alinho-me entre seus críticos, embora condene o projeto da esquerda, que, de fato, planejava destronar os ditadores militares para instituir outra ditadura no país, a de partido único. Na Rússia e em Cuba, para citar dois países, as esquerdas inicialmente eram multifacetadas, com vários grupos políticos. Aos poucos, prevaleceu a hegemonia do Partido Comunista, que absorveu ou, quando não foi possível, massacrou as demais correntes — torturando e matando sem nenhuma contemplação. Curiosa ou sintomaticamente, parte da esquerda que desanca Brilhante Ustra defende (ou defendeu) Stálin, o brutal assassino de mais de 20 milhões de soviéticos. Porém, se condeno a tortura, se a considero uma prática anti-humanista, próxima da barbárie, devo propor censura àqueles que defendem a ditadura civil-militar e até torturadores, como Brilhante Ustra? Não estou entre os que propõem que o deputado federal Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, deve perder o mandato porque elogia a ditadura e o coronel Brilhante Ustra. Ele que elogie quem quiser. Entendo, inclusive, que a condenação acerba ao coronel-torturador tem o objetivo de uma condenação geral aos militares, a uma espécie de demonização dos que vestem farda. A sociedade democrática permite que uma pessoa, deputado ou não, possa elogiar o quê e quem quiser. O elogio de Jair Bolsonaro à ditadura e a Brilhante Ustra não afeta em nada a democracia — para melhor ou para pior. Portanto, não deixa de ser risível o propósito de a OAB do Rio de Janeiro propor a cassação de seu mandato. A ação da casa representante dos advogados é uma forma de censura, é uma tentativa descabida de interferência na vida de um indivíduo, de um parlamentar. A ação da OAB é tão despropositada que nem parece ter saído do cérebro de um advogado, quer dizer, de um legalista, e sim da mente de um político que, totalitário, quer excluir o pensamento divergente. No caso, o mais adequado é que o debate circunscreva-se à exposição do pensamento de Jair Bolsonaro e à crítica de seus adversários. O debate pode ser agressivo, com palavras candentes e até cusparadas mal educadas — como a dada pelo deputado federal Jean Wyllys em Jair Bolsonaro —, mas morre aí. O jogo democrático é duro, por vezes, e os contendores não precisam acatar e nem mesmo respeitar as ideias de seus adversários. Mas não devem tentar proibi-las. A OAB, ao propor a cassação do parlamentar carioca, está passando ao largo da questão democrática e apresentando uma faceta autoritária. O que é uma pena, porque o legalismo da OAB é importante para a democracia, para a defesa da liberdade dos indivíduos. Jair Bolsonaro seria preocupante para a OAB se, como deputado federal, estivesse propondo leis, ainda que isto seja absurdo, que contribuíssem para a “volta” da ditadura. Não há notícia de que o parlamentar esteja apresentando projetos que contrariem a tenra democracia do país. Não se tem informação de que está organizando milícias paramilitares com o objetivo de “restaurar” a ditadura civil-militar. Suas palavras, por mais que doam em algumas pessoas, sobretudo na sensível pele dos esquerdistas — muitos, por sinal, apaixonados pelo comunismo de Cuba e pelo híbrido capitalismo-socialismo de Estado da China —, e por mais que sejam ofensivas para seus rivais, no e fora do Congresso Nacional, são inofensivas para a democracia. Na sociedade do espetáculo, em que muitos se tornam midiáticos, mesmo quando não querem, Jean Wyllys e Jair Bolsonaro ganham espaço, por causa de palavrões e cusparada, mas têm menos importância do que às vezes imaginamos. A democracia, com ou sem cuspe, com palavras delicadas ou grosseiras, permanece intocada. É o que importa. O resto é filigrana. A OAB, muito mais importante que os dois deputados, não deve se envolver em questiúnculas sem nenhuma importância. A OAB não pode se tornar uma casa ideológica, ou melhor, não deve ser transformada numa célula da esquerda ou de qualquer outra corrente política. A OAB é a casa da liberdade e, como tal, não deve se tornar instrumento ideológico de alguns de seus integrantes.

Jornalismo da Globo apresenta com correção versão do outro lado. Mídia de esquerda não faz o mesmo

Execrado pelo esquerdismo, o Jornal Nacional procura oferecer aos telespectadores uma visão ampla dos problemas. Veículos de esquerda só atacam os “adversários” william-bonner-e-renata-vasconcellos-homenageiam-o-sr-spock-no-jornal-nacional-1425081990463_1920x1080 Petistas dizem que o jornalismo da TV Globo tem sido parcial a respeito das denúncias da Operação Lavajato. Pode ser que, dada a exposição da história do petrolão, quando os vilões estão associados ao PT, tal ideia fique cristalizada. Mas é visível a tentativa de o “Jornal Nacional” divulgar as denúncias e, ao mesmo tempo, procurar expor o outro lado com extremo cuidado. Ocorre que, muitas vezes, o outro lado não quer falar ou apenas emite uma declaração curta, mais protocolar do que esclarecedora, em geral elaborada por advogados. As publicações de esquerda, quando acusam, têm o mesmo cuidado que o “Jornal Nacional”? Em geral, não têm. Há, nas publicações de esquerda, uma mistura de fatos com ideologia e, a partir de certo momento, não se sabe mais o que são fatos e o que é ideologia. Fica-se com a impressão de que a esquerda está certa única e exclusivamente porque é a esquerda. Ouvir o outro lado? Nem pensar. Das publicações ligadas ao petismo, ou ao lulismo — o Lulopetismo —, a “CartaCapital” é uma das poucas que procuram ouvir o outro lado com algum cuidado. Mas, nos últimos meses, a revista está quase toda editorializada, praticamente militante, em defesa do governo da presidente Dilma Rousseff e do “legado” do ex-presidente Lula da Silva. Parece um onipresente cão de guarda do Lulopetismo. Os blogs que apoiam o PT e o governo de Dilma Rousseff criticam o facciosismo dos outros, mas são extremamente facciosos. Alguns chegam a ser fanaticamente petistas, divulgando boatos como se fossem fatos e fazendo uma defesa irracional do petismo. Tudo que é ligado ao PT é “maravilhoso”. Tudo que é ligado ao PSDB é “demoníaco”. A revista “Veja” é a besta-fera do apocalipse. A imparcialidade que cobram da “Veja”, os blogs petistas não exigem de si.

Folha de S. Paulo erra ao apostar que Dilma Rousseff havia contido as forças do impeachment

Ao contrário da “Veja” e dos jornais “O Globo” e de “O Estado de S. Paulo”, que mostraram que o impeachment da presidente Dilma Rousseff seria aprovado, a “Folha de S. Paulo”, na edição de sábado, 16, possivelmente baseada em fontes pouco confiáveis — o que revela que a sucursal de Brasília falhou gravemente —, comprou e publicou a tese, de matiz governista, que, no domingo, revelou-se equivocada: “Governo Dilma contém favoritismo do impeachment a 48 horas da votação”. O impeachment foi aprovado na Câmara dos Deputados por larga maioria, o que deve ter surpreendido os repórteres da “Folha”. Não há a menor dúvida de que o jornalismo político do jornal paulistano está ficando para trás em comparação aos demais jornais, notadamente o “Estadão” e “O Globo”, e revistas, como “Veja” e “Época”.

Desafiando a crise, Sirlene e Joaquim Milhomem lançam a revista “Elementar”

imprensa_logo0001Com muita ousadia em tempos de crise e um projeto planejado durante anos, os empresários Sirlene e Joaquim Milhomem lançaram a bela publicação “Elementar”, com distribuição dirigida a consumidores e formadores de opinião das classes A e B e executivos da cadeia produtiva de alimentos e bebidas, do produtor rural ao vendedor. O objetivo é ser uma plataforma goiana para o Brasil. Em seu número inaugural, com 64 páginas, “Elementar” traz reportagens sobre batata, aquicultura, cervejas, glúten e biscoitos. Com pauta aberta, outros temas são abordados, como produção e produtividade agrícola, pets e uma bela reportagem sobre distribuição de alimentos a famílias carentes na Ceasa de Goiânia, assinada pelo editor Warlem Sabino. Destaque para entrevista exclusiva com representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic. “Acreditamos no mercado”nota Sirlene Milhomem acredita que a ousadia pode fazer a diferença. Com esse espírito, ela e o marido-sócio Joaquim Milhomem colocaram no mercado a revista “Elementar”. “As pessoas falam em crise, e realmente os tempos estão difíceis. Mas ninguém pode deixar de comer e de beber. Nós acreditamos que há espaço para uma boa publicação que coloque essa necessidade básica em pauta, de forma atrativa, leve mas ao mesmo tempo com profundidade. Durantes uns dez anos pesquisamos, ouvimos o mercado. O resultado é ‘Elementar’”, diz a empresária, também jornalista por formação, à frente da Oficina de Comunicação, agência goiana que oferece soluções de comunicação empresarial, há 15 anos no mercado. O mercado editorial tem fechado empresas e cortado oportunidades. É mais que louvável o nascimento da “Elementar”. Que tenha vida longa.

Michel Temer, se assumir a Presidência da República, pode fortalecer o projeto político de Daniel Vilela para 2018: a disputa do governo
Michel Temer na Presidência fortalece candidatura de Daniel Vilela a governador de Goiás

[caption id="attachment_64275" align="alignright" width="620"]Michel Temer, se assumir a Presidência da República, pode fortalecer o projeto político de Daniel Vilela para 2018: a disputa do governo Michel Temer, se assumir a Presidência da República, pode fortalecer o projeto político de Daniel Vilela para 2018: a disputa do governo[/caption] Não há favas contadas em política e a realidade, sempre dinâmica, muda de uma hora para outra. O PSDB acreditava que ficaria no mínimo 20 anos no poder e acabou ficando “apenas” oito anos (sem contar o período de Itamar Franco). O PT parece ter projetado um período ainda maior, ao estilo do PRI no México, mas, dada a corrupção sistêmica que criou para governar e, em seguida, para locupletar-se — contaminando políticos de vários partidos, como PMDB, PP, PTB e PR —, tende a deixar o poder este ano, depois de um longo reinado de 13 anos. Se confirmado o impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, Michel Temer assume a Presidência e, como em 1992, o PMDB se tornará protagonista. O resultado é que o fortalecimento nacional tende a fortalecer o partido no plano estadual. Em Goiás, para a eleição de 2018, há dois projetos básicos para o PMDB. O primeiro é bancar seu presidente, o deputado federal Daniel Vilela, para o governo. Político jovem, com boa estampa e discurso cada vez mais afiado, com a incorporação de uma argumentação mais técnica e abrangente — escapando ao populismo caboclo de Iris Rezende —, o parlamentar tem condições de disputar o governo. Pode até não ganhar de José Eliton, que deve ser o candidato do PSDB, mas tende a fazer boa figuração. Tanto pode jogar para ganhar em 2018 quanto pode jogar para ganhar musculatura tendo a disputa de 2022 como meta prioritária. O segundo jogo do PMDB é apostar na figura experimentada do senador Ronaldo Caiado. Este pode candidatar-se pelo DEM ou pode trocar este partido, em 2018, pelo PMDB. Mas os velhos e novos peemedebistas sabem que, se eleito, o presidente do partido Demo­cratas tende a trabalhar para constituir um grupo político com o objetivo de não cair sob controle do PMDB. Então, ganhar com Caiado pode ser, mais do que uma vitória, uma perda. Por isso, o mais certo é que, aproveitando-se do “empurrão” de Michel Temer, Daniel Vilela dispute o governo do Estado.

Os oito goianos mais influentes junto ao “presidente” Michel Temer

pag2 Há pelo menos oito goianos que são influentes junto ao “presidente” Michel Temer — em Brasília, nem o petismo o chama de vice-presidente — na República Temerista. Confira a lista a seguir, com breves comentários. Alexandre Baldy — Apesar de ser considerado “almofadinha” pelos temeristas, articulou, furiosa e eficientemente, pelo impeachment de Dilma Rousseff. Teria contribuído para convencer Eurípedes Júnior, chefão do PROS, a entrar no trem dos que defendem a queda da petista. Michel Temer o vê como um “menino”, mas, via Eduardo Cunha, aprovou sua conduta. Pertence ao PTN. Daniel Vilela — Embora não tenha sido protagonista, votou pelo impeachment. Michel Temer avalia que o jovem parlamentar deu um voto partidário e admite que tem apreciado conversar com o jovem, que percebe como “firme” e aposta em seu futuro político. Em Goiás, ao menos no PMDB, é um dos principais interlocutores do “presidente”. Eduardo Machado — O presidente nacional do PHS tem falado com Michel Temer com frequência. Ele lidera uma bancada razoável e o “presidente” tem um olhar atentíssimo para os parlamentares. O PHS e o PTN, se se mantiverem unidos, poderão indicar, inclusive, um ministro num possível governo temerista. Jovair Arantes — Relator da Comissão do Impeachment que detonou a presidente Dilma Rousseff, o deputado federal caiu nas graças tanto de Eduardo Cunha quanto de Michel Temer, que já o chama de “Jovadeus”. O “presidente” pode bancá-lo tanto para presidente da Câmara dos Deputados — Eduardo Cunha tende a se afastar para não ser afastado — quanto para um ministério. É líder do PTB. Marcelo Melo — O nome do ex-deputado federal não tem sido mencionado. Mas é um político que frequenta a cozinha de Michel Temer. O “presidente” sinalizou que vai bancar sua candidatura a prefeito de Luziânia. Ao se filiar ao PSDB, supostamente por ter sido “sabotado” pelo grupo de Iris Rezende, o ex-peemedebista comunicou o fato ao líder nacional do PMDB. Marconi Perillo — O governador de Goiás não pertence ao grupo que entra e sai do Palácio do Jaburu a todo momento. Mas tem o respeito do “presidente” Michel Temer. Porque apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tanto que 16 deputados federais goianos — procede que alguns, ligeiramente desgarrados, agiram de maneira independente — votaram pelo impeachment. Só um, o petista Rubens Otoni, votou contra. Acrescente-se que dois senadores goianos, Lúcia Vânia (PSB) e Wilder Morais (PP), pertencem à base política do marconismo. É do PSDB. Ronaldo Caiado — O senador tem feito discursos contundentes contra o governo de Dilma Rousseff, mas sempre preservando Michel Temer. O líder do DEM pode acabar se tornando ministro da Agricultura, o que liberaria seu mandato de senador para um peemedebista. Sandro Mabel — Nenhum político de Goiás tem tanto peso junto a Michel Temer quanto o empresário e ex-deputado federal. É cotado tanto para a Casa Civil quanto para o Ministério dos Transportes. É apontado pelos temeristas como hors concours. É do PMDB.

Reportagem da revista Época incentivou Iris Rezende a disputar a Prefeitura de Goiânia

[caption id="attachment_64269" align="alignright" width="620"]Iris Rezende: o peemedebista nunca esteve tão animado Iris Rezende: o peemedebista nunca esteve tão animado[/caption] Iris Rezende confidenciou a dois aliados que vai mesmo disputar a Prefeitura de Goiânia, este ano, pois não sabe se, em 2018, aos 85 anos, terá energia suficiente para trafegar por um Estado que, geograficamente, é maior do que Israel, Portugal e Cuba juntos. O peemedebista, que está disposto a disputar, protela o anúncio por três motivos. Primeiro, o partido não tem alternativa a ele. Segundo, não quer gastar dinheiro antes do tempo que avalia como apropriado. Terceiro, sabe que todos os demais candidatos vão armar seu jogo a partir de sua definição — então prefere deixá-los supostamente “desnorteados”. Agora, a denúncia de enriquecimento ilícito feita pela revista “Época” — não comprovado e seus advogados já pediram direito de resposta —, longe de desanimá-lo, aumentou a sua vontade de disputar a Prefeitura de Goiânia. A reportagem parece que se tornou, por assim dizer, o incentivo que faltava. É provável que em maio, no mais tardar junho, ele faça o anúncio de sua candidatura. A revista “Época” deveria ter usado os documentos do SNI com cautela. Porque agentes, às vezes orientados por seus chefes e políticos, organizavam ou plantavam documentação falsa com o objetivo de prejudicar determinados políticos, tanto do governo quanto da oposição. Historiadores sabem que documentos devem ser usados com o máximo de cuidado, sobretudo quando produzidos por serviços de informação e polícias políticas.