Notícias
Cotado para ser vice de Iris Rezende, na “cota” do senador Ronaldo Caiado, Joel Santana Braga disse ao Jornal Opção que o DEM vai compor com o pré-candidato do PMDB. Irmão do deputado federal Alexandre Baldy, Joel Santana Braga afirma que o médico Sílvio Fernandes, que era cotado para ser vice de Iris Rezende, deve ser candidato a vereador. Sobre uma possível candidatura do deputado federal Alexandre Baldy a prefeito de Anápolis, Joel Santana Braga afirma: “Ele não tem interesse em disputar a prefeitura. Está bem em Brasília, conseguiu ampliar seu espaço político, tornou-se presidente de um partido, o PTN. Mas é fato que aparece bem nas pesquisas de intenção de voto”. Alexandre Baldy pode apoiar o pré-candidato do DEM a prefeito de Anápolis? “Baldy vai ouvir os dois vereadores do PTN no município. A aliança local vai depender do que eles disserem. Um dos objetivos do deputado é fortalecer o PTN em todo o Estado”. Joel Santana Braga sustenta que o senador Ronaldo Caiado deve disputar o governo de Goiás em 2018. “Por isso a aliança com Iris Rezende e o PMDB é tão importante.”
O esquema do caso “UTIgate” mostra a sordidez de profissionais da área de saúde que, formados e pagos para salvar vidas, estão mais preocupados em ganhar dinheiro fácil e de maneira corrupta
[caption id="attachment_69461" align="alignnone" width="620"]
Foto: Divulgação[/caption]
Roberto Mello
Especial para o Jornal Opção
— Richard, Gere, o nome dele é Richard, como o teu, Gere. Ele também gosta dos japoneses, do Japão, contanto que fiquem lá, bem longe, porque acha que, no fundo, são racistas, não foi à toa que se associaram com os nazistas, e o medo que ele diz ter sentido quando viu, pelo cinema americano, a crueldade deles, se eles tivessem vencido a guerra, babau pros negros, ciganos, pardos e mulatos e comunistas e brancos e tudo o mais que não fosse pureza racial. Gere, o Richard entrou numas que podia te incorporar meio assim pela umbanda ou coisa parecida, e aí deu pra puxar os olhinhos, os seus olhinhos infantis como os olhos de um bandido — já dizendo a canção. Aí, o cara me diz que baixou o santo e que ficou incorporado, se bem que pra ele seria mais é encorpado porque suas mãos avultaram e ele de repente sentiu que elas andavam sozinhas nas curvas deliciosas de sua mulher que, pelo jeito, não desconfiava de nada, sem saber que estava trepando com um bandido chegado a mistificações quânticas. É, é isso mesmo, o cara é perfeccionista e gosta de ir fundo nas coisas. Não vê que ele procurou um professor de física daqueles que dizem que São Paulo, a cidade, é mera ilusão, que não existe, e aí perguntou pro teacher se era possível aquilo, transar com sua mulher como se fosse tu, Gere, e não só na ilusão do pensamento, mas na batatolina das coisas naquele entremeio de corpúsculo-onda, mais pra um, mais pra outra, a ponto do Chico Xavier dizer “com esses aí eu não me meto”, nem sei se isso é verdade, foi o que ele, Richard, me contou, depois que foi consultar o médium pra saber se sua mãe estava passando bem lá no além. Que, segundo ele, Richard, e o tal professor, também não existe mais, pelo menos daquele jeito que aprendemos no espiritismo ou no catolicismo, já que a essa altura do campeonato tudo dá no mesmo, que o além é bem aqui, do meu lado, no paralelo, que nem alelo da lua. Bom, mistifiquei, porque eu também não ia perder a chance; tem certeza que tua mulher não percebeu nada, perguntei, e aluí, no sentido goiano, que nem Bernardo Élis no seu Veranico de janeiro, abonado por Aurélio disse: “Falou, papudo — pensou o rezador sem aluir do lugar”, e eu não era nem rezador nem nada, se bem que pensando melhor a reza não é um teletransporte? mas eu só queria usar o verbo aluir que sempre me coçou o quengo, no sentido de arruinar a dialética do Richard, só que esse verbo é danado e quer dizer também sem se mexer, sem sair do lugar, e era como eu me sentia, teletransportado-fixo ali, ouvindo àquelas patranhas da cabeça de um infeliz pobre diabo que, pra fazer algum carinho na mulher, precisa de ti, Gere, fantasminha inoculado em celuloide na cabeça de um vagau jeca tatu cotia não. Mãos grandes e fortes de um gigolô bem prof cobrindo em toda a extensão “omnimodamente”, carteirou o desgraçado, a carne macia de sua mulher. Era um foder por procuração, Gere, mas quem sou eu para condenar o Richard, ou quem quer que seja depois da física quântica?
Roberto Mello é psicanalista
Pela primeira vez no Brasil, e com apresentação única, o The Royal Ballet of Flanders, da Bélgica, abre o evento que conta ainda com uma programação de competições e workshops
Presente no livro “Corpo de Baile”, o conto foi adaptado e também dirigido teatralmente por Fayad, a quem a literatura tanto inspira. O goiano já imergiu nas obras de Artaud e Cassiano Ricardo
[caption id="attachment_69329" align="alignnone" width="620"]
Foto: Divulgação[/caption]
Na noite do sábado, 2 de julho, o Teatro Rio Vermelho vira palco do grande encontro de Flávio Venturini, Sá & Guarabyra e 14 Bis. Intitulada “Encontro Marcado”, a apresentação conta com um repertório de clássicos dos artistas, os quais planejam se reencontrar desde a década de 1970, quando a dupla Sá & Guarabyra convidou Venturini para participar da gravação de seu disco, o intitulado “Nunca”; este promoveu o encontro do artista com os demais integrantes da banda que viria a ser o 14 Bis. O show também traz novidades, como a composição “Espanhola”, de Venturini e Guarabyra, que nunca foi executada antes pelos dois juntos; e outras canções, como “Caçador de Mim” e “Sobradinho”. Com início às 21h, a apresentação tem ingressos a valores variados, que vão de R$ 90 a R$ 420.
[caption id="attachment_69463" align="alignright" width="300"]
Foto: Divulgação[/caption]
Na quarta-feira, 29 de junho, a capital goiana ganha mais um club; desta vez, voltado para comédia. “Benjamin Comedy Club” propõe aliar o bom-humor com o melhor da gastronomia local. E para sua estreia, o Benjamin recebe o ator, escritor e também apresentador Oscar Filho. Com estreia em 2008, no telejornal humorístico CQC —Custe o que Custar, Oscar dividiu a bancada do programa ao lado de Marcelo Tas e Marco Luque, após se destacar com seu quadro “Proteste Já”. Ele recebe mais alguns convidados para um show de stand up, na inauguração da casa, que abre às 23h. O couvert custa R$ 30.
[caption id="attachment_69464" align="alignnone" width="620"]
Foto: Reprodução[/caption]
- “Queriam que eu te esquecesse, Elena. Mas eu volto pra Nova York na esperança de te encontrar nas ruas.” De Petra Costa, a obra fílmica “Elena” é um documentário de 2012.
- Baseado na vida da atriz Elena Andrade, irmã mais velha de Petra, o longa ganha as telas do Cine Pagu da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás.
- O longa tem exibição única na quarta-feira, 29 de junho, às 16h. A entrada é franca. O Cine Pagu fica no Campus Samambaia.
[caption id="attachment_69475" align="alignright" width="300"]
Reprodução/CTB-RJ[/caption]
Na noite da segunda-feira, 27, o Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFG vira palco da Audiência Pública sobre a Cultura do Estupro. Realizado pela Defensoria Pública de Goiás, em parceria com o Coletivo Feminista Pagu, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres e a Superintendência Executiva da Mulher e da Igualdade Racial de Goiás, o encontro propõe debater as estruturas históricas que pautam práticas, na atual sociedade, que objetificam e inferiorizam a mulher e que ainda naturalizam a violência contra a mulher.
Livro
A Companhia das Letras estreia a coleção “Poesia de Bolso” com este clássico contemporâneo de Ana Cristina Cesar, seu único livro lançado em vida
À Teus Pés
Autor: Ana Cristina Cesar
Preço: R$ 19,90
Companhia das Letras
Música
Segundo DVD da carreira solo da artista, “Meu Canto” conta com a participação especial de Gilberto Gil e Tiago Iorc.
“Meu Canto — Ao Vivo”
Intérprete: Sandy
Preço: R$ 24,90
Universal
Filme
Sucesso da TV aberta brasileira, “Verdades Secretas” chega agora em DVD. De Walcyr Carrasco, a minissérie é estrelada por Rodrigo Lombardi e Drica Moraes.
Verdades Secretas
Direção: Mauro Mendonça Filho
Preço: R$ 189,90
Som Livre
Antônio Lopes O ídolo adolescente Justin Bieber disse: “Escola é uma droga. Eu quero que o meu mundo seja divertido. Sem regras, sem pais, sem nada. Como se ninguém pudesse me parar” . A mídia local estampa a manchete da prisão de mais um sujeito sem face da sociedade apressada, banal e violenta. Redundam hipocrisias, normas, empurra a geração pós-moderna e efêmera estruturada na era dos signos, contemporânea, que assinala o território mental da vida remanescente do século passado, uma conjuntura que, de acordo com Hobsbawm, tornou “o mundo, ou seus aspectos relevantes, tornou-se pós-industrial, pós-imperial, pós-moderno, pós-estruturalista, pós-marxista, pós-Gutemberg, qualquer coisa”. Preso pela Polícia Militar nada mais que um homem, estanque ao corpo de menino, 10 anos de idade, junto a três outros adolescentes de 17 anos, apreendidos por fumar maconha, substância ilícita (Lei de Drogas 11.343/06) na periferia de Goiânia. Há um dito popular que ensina, a partir da história de um Brasil “descoberto, catequizado, explorado e expropriado” que existem leis e “leis”, segundo o barão de Montesquieu: “Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda parte”. No local do “crime”, a casa suja desmorona – destoa das mansões instaladas pelo cifrão em condomínios de luxo ou aquários sociais –, abriga e esconde jovens pobres alienados pelo tráfico articulado os quais tocam a “vida loka”. A pistola calibre ponto 45 e 300 gramas de cocaína denunciam o consumo e tráfico de substâncias; numa foto a criança segura seu brinquedo: uma arma de verdade, e, de fogo; o aparelho celular vaza áudios e vídeos que dão o tom de ameaça: “E aí, doido! Quem mandou foto minha aí vai cair na bala”. Provas materiais de uma “contravenção” abstrata, notícia que é raspa no prato do debate, denúncia da realidade concreta, “proposta de salário fácil” pago ao soldado da vida bandida protegida, proporcionada e assassinada pela máfia do tráfico organizado. Segundo Hart, “não precisamos apenas compreender os resultados de uma política, mas também analisar determinadas formas pelas quais as estratégias de combate ao uso de drogas vieram a ser usadas para fins políticos”. Para entender os verdadeiros efeitos das drogas sobre o comportamento e a fisiologia do usuário, é preciso estancar a hemorragia social de uma realidade provocada pelo nome da rua onde aconteceu o fato: Avenida Canaã, para muitos cristãos, a cidade bíblica, ou lugar que tem em abundância “leite e mel”, propiciador de conquistas materiais retratadas pelos fetiches capitalistas. Trespassada pela violência concreta, toda uma região, onde, muito antes da introdução da maconha e outras drogas, diversas famílias já eram esfaceladas pelo racismo institucionalizado, a pobreza e outras forças, como a do mercado imobiliário, alimentando a patologia social constatada em outros pontos da metrópole erguida para abrigar 50 mil habitantes. O serviço social determina a questão como resultado do processo histórico-político do modo de produção capitalista moderno, monopolista cumulativo, escancara sua consequência imediata, a desigualdade fomentada na má distribuição da riqueza socialmente produzida, fenômeno que alavanca a vulnerabilidade social e determina a luta de classes, história mal contada a partir dos vencedores ou a miséria da razão. A Carta Magna de 1988 esclarece que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei; por isso, pelo fato de ser justa a garantia dos direitos e a proteção à infância e adolescência brasileira, o ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] deve ser lei, e como tal deve ser cumprido por todos”. O senso comum e hipocrisias da moral inundam a discussão sobre a expressão social da droga, enterra sua condição ontológica ao sugar direito, liberdade e saúde, estampa a mídia impressa que vocifera e lucra com a novidade da velha mentira que culpa o sujeito e não a droga. A realidade antropofágica de um garoto de 10 anos, “boca”, “gerente” ou “patrão” obrigado a comer sua própria história, coloca em xeque sua restrição de liberdade, denuncia o sistema que omite a criança, seus hormônios e sua adolescência. A coletividade, ocupada e covarde, endossa a negação de direito avalizada pela assistência social desarmada em conhecimento da causa e comprometida com o poder, revela-se incapaz de questionar e processar, ao contrário do menino, o Estado. Enquanto isso, na esquina, e, lá fora, direitos são negados, o sistema se omite, o baseado queima. A “boca”, braço lucrativo do Estado paralelo, retrata duas falácias: a do sistema capitalista e a do Estado. E o pulso ainda pulsa. Antônio Lopes é filósofo e mestre em Serviço Social pela PUC-GO.
“Henry McCullough criou um dos solos mais bonitos do rock”
João Paulo Lopes Tito Henry McCullough, guitarrista do Wings (já que a banda acabou, não tem por que dizer que ele é ex-guitarrista, não é verdade?), faleceu dia 14 de junho, aos 72 anos. Ele ajudou a moldar o álbum “Red Rose Speedway” (1973) e criou um dos solos mais bonitos do rock'n roll, a partir dos dois minutos do hit “My Love” (dizem que Paul McCartney ficou perplexo ao ouvi-lo pela primeira vez). Achei que valia a menção, pelo muito que fez em tão pouco. João Paulo Lopes Tito é assessor jurídico no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).“Não somos mais o País do futebol”
Arnaldo B. S. Neto Quando eu era garoto, nossa seleção era objeto de devoção. Sugerir que não éramos simplesmente os melhores do mundo não passava pela cabeça de ninguém. Éramos os colecionadores de Copas, o celeiro dos craques, a pátria de Pelé e Garrincha. Isso parece que acabou. Não somos mais o País do futebol. Esta é, provavelmente, a única dimensão da sociedade brasileira em que passamos da glória para a decadência (nas demais, nunca fomos gloriosos). Mas nem por isso vou deixar de dormir. Arnaldo B. S. Neto é professor da Faculdade de Direito da UFG.“Brexit foi uma vitória da xenofobia”
Wellington dos Santos Aqui no olho do furacão, a percepção é de que foi uma vitória da xenofobia. Toda a campanha para o Brexit [expressão resultante da fusão das palavras “Britain” (Grã-Bretanha) e “exit” (“saída”, em inglês)] foi baseada em cima do ódio e da raiva sobre os imigrantes. O que se sente é que não querem nenhum tipo de imigrante em UK. Mas se esqueceram de que esses mesmos imigrantes pagam uma bolada em impostos e que virá uma retaliação forte, por parte da União Europeia (UE), para servir de exemplo para outros países não seguirem o mesmo caminho do Reino Unido. Ainda sobre os imigrantes, os que eles mais odeiam – indianos, paquistaneses e africanos – em sua maioria têm documentação inglesa, pois a imigração deles para cá aconteceu há vários anos desde a reconstrução de Londres após a Segunda Guerra Mundial. No final, foi um tiro no pé. O primeiro ministro incendiou a casa para salvar os móveis e acabou sem a casa e sem os móveis. Wellington dos Santos é goiano e mora em Londres.“Nada de positivo para o Reino Unido com sua saída do bloco”
Itamar Oliveira Pra mim não tem nada de positivo para Inglaterra. Irão perder o controle sobre a Escócia e a Irlanda do Norte provavelmente. Terão problemas com a política de imigração, digo com os ingleses que vivem fora de lá em outros países do bloco. Vários acordos comerciais serão desfeitos, tudo isso em nome dessa falso moralismo nacionalista. E o que é pior, se um dia quiserem voltar, terão de ter aprovação unânime de todos os países do bloco. Itamar Oliveira é engenheiro ambiental.“Penso que os britânicos se precipitaram”
Paulo Júnior Engraçado que a diferença de resultado nas regiões do Reino Unido foram parecidas com a que vimos aqui nas últimas eleições no Brasil, guardadas as devidas proporções. Enfim, penso que toda decisão tomada em momento emotivo é ruim e tal decisão foi tomada em um desses momentos. Momento conturbado no mundo, principalmente envolvendo ataques, crise econômica em algumas regiões, diferenças religiosas. Penso que os britânicos se precipitaram, sim, assim como se realizassem um plebiscito sobre pena de morte ou redução da idade penal em um momento de explosão de violência no Brasil. Teríamos uma triste mudança sem as devidas discussões das implicações que isso poderia resultar. Paulo Júnior é funcionário público.“A verdade que ela defende é mais verdade que a verdade dos demais?”
Mario Junior Essa sra. Sandra Lima de Vasconcelos Ramos se diz pesquisadora. Bom, ela acredita que por um lado há “doutrinação ideológica” aceitando “x” pensamentos. Mas aceitar os “y” pensamentos que ela acredita serem legítimos e ensiná-los de igual modo não seria “doutrinação ideológica” da mesma forma? Ou a verdade que ela defende é mais verdade que a verdade dos demais? Vamos ler Michel Foucault, minha gente! Não existe “a” verdade. Toda crença tem para si um discurso legitimador. As verdades são construídas. A palavra ideologia é neutra. Tudo é ideológico. Causa-me admiração que uma “educadora” não saiba disso. Os cristãos fundamentalistas (sim, porque existem aqueles que não o são) achavam que estariam para sempre inabalados com suas fogueiras inquisidoras de verdades perenes. Sinto muito, “perdeu, playboy”. A tal “família tradicional” e a “verdade biológica” que a suposta professora Sandra defende continuarão a existir, mas não mais sozinhas. Há outras famílias e outras verdades e, que bom, que já há sistemas de ensino (como o de Goiânia) que se alargam para incluir e não se estreitam para segregar. ["Prova de concurso público em Goiânia é mais um caso de estupro coletivo", no online do Jornal Opção] E-mail: [email protected]“Escolas não têm intenção de doutrinar as pessoas, mas de abrir discussões”
Fran Brasil Não há doutrinação ideológica na educação, o que existe é o acesso à informação. As escolas e as bancas de concursos não têm a intenção de doutrinar pessoas, ao contrário das religiões, cujo propósito é bem claro. O que se vê nas salas de aulas é a abertura de pautas atuais para discussão de ideias. O que é bem saudável e construtivo. Nenhum professor e nenhuma banca têm a intenção de pregar valores e exigir uma conduta ou um ponto de vista específico, unilateral, dos cidadãos, ao contrário das igrejas; o que se busca é o conhecimento. Pois esse é o papel dos educadores: apontar as fontes de conhecimento, de produção científica, a fim de atualizar e inserir o educando na realidade do dia a dia. Não são descartadas as concepções do indivíduo como religioso e sua formação familiar, muito pelo contrário. O que é descartada é a visão unilateral, a bitolagem, o preconceito e censura de temas com demandas populares. Até mesmo para descartar uma ideologia, para renegá-la ou mesmo invalidá-la é necessário ter conhecimento do objeto que se critica. Esse conhecimento não deveria ser considerado nocivo, ou uma ameaça, se as concepções são condizentes, adequadas, sólidas e bem embasadas. Se o que se acredita for a postura correta e adequada para a atualidade em que está inserida, se não for algo inadequado e fraco de bom senso. Atualizem suas mentes e não tenham medo do novo e do conhecimento, porque o novo sempre vem, concordando ou não, achando-o válido ou não. E até mesmo para saberem posicionar-se contra ele, é de extrema importância que as pessoas fiquem atualizadas e que tenham conhecimento sobre essas ideologias. Não precisam concordar, mas é necessário que conheçam, sim. Afinal, a filosofia, a sociologia, a antropologia e a história nunca param de produzir, é preciso acompanhá-las para saber onde se está e onde se colocar. E-mail: [email protected]
“Num universo de 125 cargos relevantes” da equipe do ex-presidente José Sarney, “a taxa de sobrevivência dos quadros do governo de Figueiredo fora de 60%, a maior já registrada”
Pelo menos 30% dos pacientes não buscam os medicamentos que a Justiça obriga o Estado a comprar
Iúri Rincon Godinho
Especial para o Jornal Opção
[caption id="attachment_69304" align="alignleft" width="300"]
Ademar Ferrugem[/caption]
Dezembro de 1944 já ia pela metade quando bateram na porta da casa número 753, da Avenida Paraná, em Campinas, Goiânia, onde morava o casal Teodoro Ferrugem e Nicolina Honório Borges. Uma carta assinada pelo general Canrobert Pereira da Costa, secretário-geral do Ministério da Guerra, seria o assunto de todas as rodas da cidade a partir dali: “Lamento sinceramente ter de vos transmitir essa infausta notícia, mas é oportuno e confortador, principalmente para os parentes mais próximos, saber que o soldado Aldemar Fernandes Ferrugem em terra estrangeira soube honrar as tradições do soldado brasileiro, demonstrando no campo de batalha nobres virtudes morais. Entregue inteiramente ao serviço da pátria, cuja honra defendeu com a própria vida, deu assim um sublime exemplo de amor ao Brasil”.
Era isso. Depois de cinco anos do início da Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, um goiano havia morrido no campo de batalha italiano. A carta do general — um texto padrão enviado a todos que pereceram na luta — dava tons mais heroicos do que o que realmente aconteceu. Aldemar morreu de maneira mais prosaica. Ele estava na batalha que ficou conhecida como Monte Cassino, na verdade uma série de fortificações alemãs no norte da Itália. Defendia a Torre di Nerone, também guardada pelos alemães. A torre na realidade era uma montanha e o inimigo ficava a apenas 50 metros dos brasileiros. Da posição alemã saíam até 98 tiros de artilharia a cada 15 minutos. Os soldados ficavam aos pares nas trincheiras e há casos de combatentes que permaneciam até 90 dias sem tomar banho, sem trocar de roupa e sem cortar a barba. De manhã saíam correndo no morro para tomar café e na hora que retornavam os alemães os bombardeavam.
Ferrugem enfrentou, encolhido na trincheira, um frio que chegava a 18 graus negativos, sem contar o vento gelado do inverno europeu. Ele e todos sabiam que ali o menor descuido seria fatal, pois o local estava cheio de franco-atiradores alemães. No dia 12 de dezembro, o militar dividia o frio da trincheira com Jair Dias Ferreira, de Mogi das Cruzes (SP). O que mais faziam era esperar. E temer. Tomavam cuidado para se mover e mal colocavam a cabeça para fora do buraco. Eram 18h30 da tarde. Estava escuro há pelo menos duas horas. Jair perguntou as horas. No movimento para olhar o relógio, Ferrugem foi visto pelo alemão — um franco-atirador, possivelmente — mesmo naquele negror. O tiro foi certeiro. E atingiu também Goiânia. Em 2016 a rua paralela onde morou o expedicionário se chama “Ademar” Ferrugem, sem o “l”, embora o portal da Força Expedicionária Brasileira na internet e os jornais da época grafem seu nome como Aldemar.
A origem humilde de Aldemar em Catalão e a história de luta da família aumentaram o sofrimento na capital. Ele tinha oito irmãos (cinco homens e três mulheres) e ajudava o pai, que era pedreiro. Deixou uma noiva, que trabalhava ali perto, na Avenida Rio Grande do Sul, 509, em uma pequena loja que tingia roupas usadas. Nas cartas, o combatente só falava na saudade de Goiás e na vontade de voltar logo da guerra. Nem a iminência das férias e do reveillon impediu que autoridades, familiares e populares lotassem o “santuário” do Ateneu Dom Bosco em uma sexta-feira, 8 horas da manhã, do dia 29 de dezembro. Os jornais falavam que Ferrugem dera a sua vida “em holocausto pela pátria”. (Texto do livro “Anos 40: Goiânia em Guerra”, com lançamento previsto para outubro.)
Iúri Rincón Godinho é publisher da Contato Comunicação.
Tratado de livre comércio entre UE e EUA divide opiniões e, se não sair rápido, pode não sair mais

