A arte da dança de todos os cantos do mundo nos palcos goianos

Pela primeira vez no Brasil, e com apresentação única, o The Royal Ballet of Flanders, da Bélgica, abre o evento que conta ainda com uma programação de competições e workshops

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“Dance, dance, dance, caso contrário estamos perdidos”
Pina Bausch

Yago Rodrigues Alvim

Que é dançar? Do dicionário, “movimentar-se/pôr-se em cadência”. É também um jeito de se expressar, de dizer algo sem palavras. Já ouviu aquela máxima de que o corpo não mente? Lembrando alguns versos, por aí embalados: “Palavras podem nunca fazer jus àquilo que você faz” (Lykke Li). Prepare-se, então, pois muito vem a ser dito em frase alguma, a não ser dançada.

O Festival Internacional de Dança de Goiás, que começou em 2012, chega a mais uma edição. No programa, que se extende de 28 de junho (abertura) a 3 de julho, com com: mostras competitivas (com prêmios), apresentações livres, workshops e uma galera das diversas modalidades da dança do mundo todo. Elas se encontram nos palcos e plateia do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), onde todas as apresentações serão realizadas, gratuitamente — salvo a abertura, que será realizada no Teatro Rio Ver­melho. Na ocasião, a cia belga The Royal Ballet of Flanders vem ao Brasil para apresentação única. Goiânia é agraciada com o balé que conta com 23 bailarinos.

Salvo 2013, o evento não constou no programa oficial cultural do estado goiano. Motivo: falta de patrocínio. Presidente do Conselho Brasi­leiro da Dança (CBDD) e uma das organizadoras do Festival, Gisela Vaz, diz abertamente o que muitos já sabem: trabalhar com dança, e a arte em geral, sofre com a falta de patrocínio; não é nada fácil. “Se fosse futebol, talvez o tivéssemos.” Ainda assim, comemora a edição, que tem o apoio estadual: o governo liberou o CCON com uma programação totalmente gratuita, o que é um convite ao público, como diz Vaz.

A organizadora conta que a história do Festival começou há muitos anos; afinal, ele se desdobrou do Festdança, criado no ano 2000. De lá para cá, o que era um evento nacional abarcou, cada vez mais, artistas além-fronteiras. Vaz se lembra do Festival de Dança de Joinville, um dos maiores do país, que teve início com um palco montado em um ginásio. “O nosso festival tem crescido exponencialmente e propiciado à cidade atividades valorativas cultural e artisticamente”, acrescenta.

The Royal Ballet of Flanders

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Da Bélgica, a cia The Royal Ballet of Flanders traz para os palcos goianos 23 bailarinos, um diretor artístico e um diretor de palco. O grupo apresenta quatro coreografias, o que marca o encontro do trabalho de dois coreógrafos de gerações distintas: Hans Van Manen e Sidi Larbi Cherkaoui.

Idealizada para três bailarinos, “Solo”, de Manen, tem um tempo acelerado, no qual os solistas se revezam, dentre movimentos abruptos, ao longo de seis minutos. Criada a partir da obra de Bach “Partitas Para Violino Solo”, a peça estreou em 1997. Já “Four Schumann Pieces”, também de Manen, data de 1975. Nela, o brasileiro Ricardo Ama­rante, que há 15 anos reside na Europa, interpreta, ao som de composições de Robert Schu­mann, os desejos obscuros e melancolia de um homem que se encarna ainda em mais cinco outros bailarinos.

Com estreia em 2009, “Faun”, de Cherkaoui, figura um fauno onde ele se depara com sua contraparte feminina. Inspirada no solo místico do bailarino russo Vaslav Nijinski, “Prélude à l’après-midi d’un faune”, a coreografia se faz ao som do músico francês Claude Debussy. Por fim, o programa se encerra com “Pärt”, uma obra também de Cherkaoui. Inspirada nas obras do compositor contemporâneo Arvo Pärt, o solo é sua peça mais recente, tendo estreado em 2015.

Oficinas

Para as oficinas, o Festival traz diversos nomes da dança tanto do Brasil quanto do exterior. A professora de Belo Horizonte Cristina Helena ministra um workshop de balé clássico intermediário. Como ela, a russa Maria Bylova realiza uma oficina de balé clássico intermediário e também avançado. Desde 1974, Bylova é a primeira bailarina do teatro acadêmico de Bolshoi; ela se formou na Academia de Balé de Moscou Bolshoi, na capital russa.

O argentino Sergio Yannelli também dará um workshop de balé clássico intermediário e avançado. Também será ministrada uma oficina de balé clássico para o público infanto-juvenil pela especialista em técnicas de dança clássica inglesa, russa e cubana, Alice Arja, do Rio de Janeiro. Já o francês Brice Mousset, fundador, diretor artístico e coreógrafo da companhia de dança Oui Danse, ministrará conteúdos de dança contemporânea intermediá­rio/avançado. Dos Estados Uni­dos, Derek Mitchell, promoverá dois workshops: um de jazz intermediário e outro de jazz avançado.

A professora de danças urbanas que difundiu a cultura Dancehall pelo Brasil, Karla Mendes, e Márcio Alves, que já realizou trabalhos também na área das danças urbanas para diversos artistas, ministram workshops de hip-hop. Mendes realizará uma oficina sobre ragga jam, enquanto Alves será o responsável por conteúdos de hip-hop e jazz funk.

Os paulistas Fran Manson, que se aprofundou nos estudos de hip-hop, vogue e waacking, e Thiago Spósito, profissional com bagagem internacional e idealizador do evento “Dancehall Brazil Weekend”, vão realizar um workshop sobre os relatados estilos.

A programação completa do festival, com os horários das apresentações e demais informações sobre as oficinas, seus horários e locais, você por conferir no site (www.festivaldancagoias.com.br).

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