Notícias

Encontramos 149702 resultados
Prefeito de Mineiros é o Matusalém do Sudoeste. Mas eleitor não aprova aliança dos que se atacavam

O prefeito de Mineiros, Agenor Rezende, do PMDB, é chamado entre os amigos de Matusalém do Sudoeste. Mesmo assim, é o favorito. Por quê? Segundo um vereador, a explicação é simples: “Os adversários são fracos”. O vereador afirma que Ernesto Vilela, candidato do PDT a prefeito de Mineiros, passou a vida atacando os ex-prefeitos Aderaldo Barcelos e Neiba Barcelos, que são casados, e agora se aliaram (Aderaldo é seu vice). Os eleitores não conseguem entender tais ginásticas estrambóticas e aí votam no Matusalém do Sudoeste, que pelo menos permanece o mesmo, como uma árvore de carvalho há quase 100 anos.

Prefeito de Morrinhos ensina aos gestores públicos os três segredos do sucesso numa prefeitura

[caption id="attachment_45134" align="alignright" width="620"]Prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso | Foto: reprodução / Facebook Prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso | Foto: reprodução / Facebook[/caption] O prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso, do PTB, pode ter 95% dos votos dos eleitores. Quando perguntem o segredo do sucesso de sua administração, o petebista, que não tem o hábito de ficar reclamando de crise econômica e arrecadação em queda, diz que são “três”. Quando afirma que são três os segredos do sucesso, os interlocutores perguntam de imediato: “Um deles é ter bons interlocutores em Brasília para, assim, conquistar mais recursos federais?” Rogério Troncoso admite que ter o apoio de um deputado federal como Jovair Arantes em Brasília, por ser atuante, ajuda muito. É fato. Mas os três segredos são outros: “Trabalho, trabalho e, finalmente, trabalho”. Conversar menos e trabalhar mais é o que ajuda mesmo a enfrentar a crise e a desenvolver uma gestão proativa e criadora. Além, é claro, de ter uma equipe eficiente.

Rodrigo Zani diz que Thiago Albernaz faz a diferença na campanha de Vanderlan Cardoso

O comentário é generalizado: Thiago Albernaz está fazendo a diferença na campanha de Vanderlan Cardoso. “Thiago é um vice articulado, que convoca a militância jovem e a coloca na linha de frente da campanha”, afirma Rodrigo Zani. “Não tenho receio de errar: Thiago Albernaz vale por quatro políticos e tem um grande futuro político pela frente. Ele é diplomático, sobretudo é infatigável e sabe liderar”, acrescenta Zani.

Marconi Perillo avalia que Vanderlan Cardoso vai disputar o segundo turno contra Iris Rezende

O governador Marconi Perillo tem examinado todas as pesquisas para prefeito de Goiânia. Sejam qualitativas, sejam quantitativas. Com seu olho clínico, tem ressaltado que Iris Rezende bateu no teto — cerca de 37% —, o que não garante vitória no primeiro turno. Outro detalhe é que Vanderlan Cardoso, que ainda não retira votos de Iris Rezende, está mexendo no eleitorado de quase todos os outros candidatos. Trata-se do voto útil — há uma migração para o candidato do PSB a prefeito de Goiânia. Após resultados sequenciais de trackings, além das pesquisas quantis e qualis, e cruzando informações, o governador Marconi Perillo concluiu que Goiânia terá segundo turno e será entre Iris Rezende e Vanderlan Cardoso e numa situação de quase empate técnico (o tucano-chefe está considerando, evidentemente, a ascensão do postulante do PSB). Sempre atento, e de um realismo ímpar, pouco dado a emocionalismo em termos de política, Marconi Perillo aposta suas fichas que Vanderlan Cardoso tem plenas condições de derrotar Iris Rezende no segundo turno.  

Marconi e Vanderlan mantém diálogo e ações para a disputa em Goiânia

O governador de Goiás, Marconi Perillo, e o candidato a prefeito de Goiânia pelo PSB, Vanderlan Cardoso, conversam com frequência, não raro duas vezes por dia, para definir estratégias e ações da campanha. O tucano contribui de maneira acentuada para formatar e ampliar o trabalho político do postulante socialista.

Rostos tristes em multidões sorridentes

Cidadãos virtuais do século 21 são autocentrados demais para desenvolverem felicidade mediante contágio, o que se vê em êxtase festivo é jogo social

Adriana Accorsi e Francisco Jr. devem sair das eleições maiores do que entraram

Adriana Accorsi, do PT, e Francisco Júnior, do PSD, têm perfis parecidos. Eles estão fazendo uma campanha técnica, concentrados em propostas. A ressalva é que, devido à polarização entre Iris Rezende, do PMDB, e Vanderlan Cardoso, do PSB, os eleitores não estão prestando a mínima atenção ao que estão dizendo. Adriana Accorsi ainda carrega duas cruzes pesadas: o PT de Dilma Rousseff e Lula da Silva e o prefeito Paulo Garcia. Mas tanto Adriana quanto Francisco Júnior sairão maiores desta campanha. O líder do PSD é visto como bem preparado, dos que sabem debater em alto nível e que conhece a cidade como poucos. Adriana é apontada como uma política que tem personalidade própria e é firme.

Virmondes Cruvinel sai menor e carimbado como um político tradicional das eleições deste ano

[caption id="attachment_46660" align="alignright" width="620"]Virmondes é bem qualificado | Foto: Marcos Kennedy Foto: Marcos Kennedy[/caption] Conclusão geral de segmentos organizados e dos jovens: Virmondes Cruvinel sai menor, bem menor, das eleições deste ano. Ao deixar de apoiar o candidato bancado de seu partido, Vanderlan Cardoso, optando por apoiar Waldir Soares, deixou a impressão de que fidelidade partidária não lhe importa. O que importa é o interesse pessoal, familiar. Virmondes Cruvinel está carimbado como um político igual a todos os outros e o que dizia antes era apenas discurso. Espera-se que se recupere do mau passo, que cheira a fisiologismo.

Magda Mofatto, que quer Senado, concentra energia política no interio

A deputada federal Magda Mofatto é uma política pragmática. Ao pressentir cheiro de derrota em Goiânia — uma tragédia política anunciadíssima —, está concentrando suas energias em eleger prefeitos de algumas cidades do interior. Magda Mofatto, que tem faro político e empresarial, está certíssima. Afinal, pretende ser candidato a senadora em 2018. Ela e Flávio Canedo fazem um trabalho muito bem articulado no interior. Em Goiânia, até tentam ajudar, mas não conseguem, nem são ouvidos.

Marconi Perillo vai para Catalão ajudar na campanha de Jardel Sebba

[caption id="attachment_65451" align="alignright" width="620"]Jardel e o governador Marconi Perillo | Foto: Eduardo Ferreira Jardel e o governador Marconi Perillo | Foto: Eduardo Ferreira[/caption] O governador de Goiás, Marconi Perillo, desembarca em Catalão na quinta-feira, 15. O tucano-chefe vai participar de concentração pública da campanha do prefeito Jardel Sebba. Ele acompanha com lupa a campanha eleitoral do tucano de Catalão, que ele considera como um de seus melhores amigos. Em Catalão, Adib Elias lidera, mas a frente vem caindo de maneira acentuada. Uma vira, embora difícil, não é considerada impossível.

Saída de “Bessias” é simbólica do desmonte de governo inepto

Exoneração de integrantes do gabinete pessoal mantido pela ex-presidente Dilma Rousseff desaparelha equipe mais próxima de Temer

Cadáver de Celso Daniel continua assombrando o PT

[caption id="attachment_74724" align="alignright" width="620"]Celso Daniel: assassinato pode ter sido queima de arquivo Celso Daniel: assassinato pode ter sido queima de arquivo[/caption] O cadáver do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel continua a assombrar os petistas. Na sexta-feira, 9, foi divulgado que mais de catorze anos depois do assassinato o ex-prefeito e depois de novas revelações da Operação Lava Jato, a Justiça de São Paulo vai retomar o julgamento do acusado de mandar sequestrar e matar Daniel. Ocorre que há um novo juiz no caso. Trata-se de Wellington Urbano Marinho, que marcou para o dia 17 de outubro a primeira audiência de instrução, debate e julgamento do único réu ainda em liberdade, o ex-guarda-costas do prefeito e empresário Sergio Gomes da Silva, vulgo “Sombra”. Wellington Urbano mostrou que pretende acelerar a instrução de um caso que subiu à instância máxima da Justiça brasileira e voltou quase que à estaca zero por ordem do Supremo Tribunal Federal. Urbano Marinho não quer mais “eternizar a instrução” do processo. Mas ainda não há sequer uma previsão de quando o réu pode ir – nem se vai mesmo – a júri popular. Sombra está em liberdade e faz tratamento de um câncer. As testemunhas listadas para depor são ligadas a Celso Daniel, à investigação e a outro criminoso, o acrobático Dionísio de Aquino Severo. Dionísio havia fugido de helicóptero de um presídio paulista pouco antes do sequestro e da morte do petista. Conhecia detalhes do crime ocorrido na noite de 18 de janeiro de 2002. Mas foi assassinado na cadeia antes de revelar o que sabia. Morte de testemunhas do caso Celso Daniel, aliás, foram uma constante nos últimos anos. Nada menos que oito pessoas foram mortas, algumas em situação misteriosa. Familiares de Daniel acreditam que o crime teve motivação política, porque ele comandava um esquema de desvio de dinheiro da prefeitura para financiar campanhas do PT. O crime Na noite de 18 de janeiro de 2002, três carros fecham o veículo onde está o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, que saía de um restaurante nos Jardins, em São Paulo. Homens armados disparam contra o carro e sequestram o petista. Celso Daniel só seria encontrado morto dois dias depois, numa estrada de terra a 80km da capital paulista. O primeiro médico-legista a analisar o corpo, Carlos Delmonte Pires, constatou sinais de tortura. Celso Daniel era considerado uma estrela em ascensão no PT. Quando morreu, era um dos principais conselheiros econômicos de Lula, que seria eleito naquele ano. A morte do prefeito foi considerada crime comum pela polícia de São Paulo. O Ministério Público, no entanto, contestou a versão e sustentou que a morte foi encomendada por uma quadrilha que desviava verbas da prefeitura. Seis acusados foram condenados. Sérgio Gomes da Silva, apontado como mandante do crime, recorreu e foi absolvido pelo STF. Ele acabaria condenado em novembro de 2015 por integrar um esquema de cobrança de propina de empresas contratadas pela prefeitura de Santo André na gestão de Celso Daniel. Em 2012, as investigações sobre o crime ganharam novos elementos. O operador do mensalão, publicitário Marcos Valério, em julgamento no STF, disse que o ex-presidente Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho estariam sendo extorquidos por criminosos envolvidos no caso. O motivo: um esquema de cobrança de propinas na prefeitura comandada por Celso Daniel.

Um conto magnífico de Yúri Kazakov sobre um (quase) encontro entre Liérmontov e Púchkin

[caption id="attachment_74719" align="alignright" width="620"]Yúri Kazakov, Tchekhov, Liérmontov e Púchkin: grandes escritores russos. “Só“ o primeiro é do século 20 Yúri Kazakov, Tchekhov, Liérmontov e Púchkin: grandes escritores russos. “Só“ o primeiro é do século 20[/caption] Três nomes expressivos da literatura russa se misturam no conto, que também pode ser uma novela, uma crônica ou uma reportagem, com o título de “No Soar do Relógio”. O primeiro é o próprio autor, o contista e novelista russo Yuri Kazakov (1927-1982) que muitos apontam como um moderno Tchekhov. Fazem a ele um favor, mas pequeno. Poucos autores de histórias curtas podem ser comparados a Anton Tchekhov (1860-1904), na literatura mundial. Mas Kazakov é grande e domina como ninguém seu gênero de histórias: as em que a natureza é, também, um personagem. Um rio, uma floresta, uma região, um lago, um animal, um braço de mar, uma montanha ou até uma nevasca podem, numa narrativa de Kazakov, adquirir a proeminência, assumir o protagonismo, misturar-se com os sentimentos dos homens e das mulheres retratados, fundir-se, de maneira sempre poética, com a história e a circunstância humana. Suas histórias seguem suas experiências de vida na Carélia, no mar de Barents, no norte russo, vasto ambiente com seus camponeses, comerciantes, caçadores e pescadores. Enquanto Tchekhov fotografava, e, num retoque, embelezava a alma dos seus personagens, homens e mulheres, ou simplesmente a mostrava sem retoques, em toda sua ora bela, ora dura, ora divertida, mas sempre natural realidade, Kazakov é fotógrafo do homem na natureza. Ela é sempre o pano de fundo, nas narrativas desse autor que teve a sorte de escrever quando Stálin já estava morto, e cujo pai havia desaparecido no Gulag, quando ele tinha 6 anos. Quando Kazakov caminhava para a carreira das letras, o tirano já marchava para a morte, e cessava sua nefasta influência sobre a literatura russa, uma das mais ricas do mundo. A história que Kazakov conta em “No Soar do Relógio” se passa toda no dia 10 de fevereiro de 1837, e conta como correu esse dia na vida do escritor Mikhail Liérmontov (1814-1841). Liérmontov, o segundo personagem de que falamos, era prosador (autor do romance “O Herói de Nosso Tempo”, traduzido do russo por Paulo Bezerra) e poeta, mas era também oficial de um regimento de hussardos. Viria a ser conhecido como “O Poeta do Cáucaso” e tinha grande admiração por Aleksandr Púchkin (1799-1837), tido como o maior poeta russo, e o terceiro personagem de que falamos. Segundo o relato dramático de Kazakov, Liérmontov, que já tinha uma produção poética razoável, ansiava, há muito, submetê-la a Púchkin, que ainda não conhecia em pessoa. Ensaiara fazê-lo algumas vezes, mas faltara coragem ou oportunidade. Mas agora estava resolvido. Marcara uma visita à casa de Púchkin e lá iria ouvir a opinião de seu venerado poeta. Não fora difícil combinar o encontro. O jovem oficial pertencia a uma família nobre e de posses e Púchkin não deixaria de recebê-lo, mas a ansiedade de Liérmontov era grande. Conhecer o famoso poeta, apresentar a ele seus versos, ouvir alguns conselhos e, quem sabe, algumas palavras de elogio e incentivo era tudo que Liérmontov, um tanto já entediado da vida artificial da nobreza de Moscou e São Petersburgo, estava esperando. A chegada à casa de Púchkin, na tarde daquele dia, surpreende Liérmontov: o poeta, a despeito do encontro marcado, havia saído. Mas logo voltaria, informaram. Liérmontov resolve aguardar na rua, e enquanto caminha se lembra de quando vira, à distância, Púchkin e a deslumbrante esposa, Natália, em uma festa. Lembra-se dos rumores sobre a infidelidade da bela, que rumores abraçavam um seu colega hussardo, Georges d’Anthès, e murmúrios de que Púchkin, alertado, pretendia bater-se em duelo com o amante de Natália. É então que chega a carruagem de uma das testemunhas de Púchkin no duelo, que tinha acontecido enquanto Liérmontov aguardava. Nela, Púchkin está agonizante. Liérmontov, abalado, vai para casa e escreve um de seus mais famosos poemas, “A Morte do Poeta”. Turbulento, indisposto com figuras da corte, é transferido para o Cáucaso, onde quatro anos depois, exatamente como Púchkin, enfrenta um duelo e recebe uma bala no coração. O leitor, infelizmente, não vai encontrar em português nem o conto “No Soar do Relógio” e nem os versos de “A Morte do Poeta”. Poderá encontrá-los em francês. Mas como sei que virá uma cobrança do Euler de França Belém, vou me comprometer a, brevemente, traduzir para o português o conto, bem como fazer uma tradução livre dos versos de “A Morte do Poeta”, para os leitores do Jornal Opção.

Poemas de Mikhail Liérmontov com tradução de Jorge de Sena

O Rochedo A nuvem de ouro dorme a noite inteira no seio do gigântico rochedo. Pela manhã, levanta-se bem cedo, e descuidada vai-se pelos céus, ligeira. Mas lá restou de orvalho um breve traço nas rugas do penedo solitário. E é como se ele ficara multivário chorando suavemente ante o vazio espaço. Nuvens Ó nuvens pelos céus que eternamente andais! Longo colar de pérolas na estepe azul, exiladas como eu, correndo rumo ao sul, longe do caro norte que, como eu, deixais! Que vos impele assim? Uma ordem de Destino? Oculto mal secreto? Ou mal que se conhece? Acaso carregais o crime que envilece? Ou só de amigos vis o torpe desatino? Ali não: fugis cansadas da maninha terra, e estranhas a paixões e o sofrimento estranhas eternas pervagais as frígidas entranhas. E não sabeis, sem pátria, a dor que o exílio encerra.

Nada abala a insaciável cúpula da pior política brasileira

Existem dois tipos opostos de coragem: a altruísta, a coragem que constrói, que beneficia a sociedade, como aquela do presidente Juscelino Kubitschek quando enfrentou pessoas, fatos e notícias para construir Brasília; como a que impulsionou o marechal Rondon a desbravar o interior brasileiro e estender as linhas do telégrafo até o norte intocado do Brasil; como a do presidente Ernesto Geisel para fazer a Abertura que os radicais de esquerda e de direita abominavam, cada um querendo viver seu modelo de ditadura; como a coragem dos policiais que enfrentam bandidos muito mais bem pagos e armados que eles. Essa, a coragem admirável. Mas há outra coragem, abominável. É a coragem egoísta, a que só beneficia o corajoso ou os que lhe são próximos, ainda que em prejuízo de muitas pessoas em seu ambiente social. É a coragem dos assaltantes, por exemplo. Ou dos que, não assaltando, fisicamente, armam os desvios, as corrupções, os benefícios que, mesmo não sendo para si, são para protegidos que os não merecem, enquanto os merecimentos são esquecidos. É preciso, por exemplo, muita coragem para roubar de um médico cubano e entregar o ganho de seu trabalho à ditadura de seu país. Para montar um Mensalão ou um Petrolão, e fazê-los funcionar. Para gatunar um fundo de pensão ou um empréstimo consignado, sabendo que esses recursos faltarão na mesa de um velho aposentado. E assim por diante. Quanta coragem vimos naquela votação “fatiada” do impeachment da presidente. Foi de fato necessário reunir muita coragem para montar uma tal fraude contra o povo e a Constituição brasileira. A matéria é de tal maneira clara que não inspira dúvidas, mesmo no mais humilde rábula ou no mais inexperiente estudante de Direito. Como poderia abalar o presidente da Suprema Corte do país? E de seu parceiro no julgamento, o presidente do Senado? E também houve grande coragem de uma parte do PMDB no Senado — dizem que a parte mais imprestável dele —, embora na relação dos que votaram a favor da fraude esteja o senador Raimundo Lira, que conheci como pessoa séria e correta. A despeito de grandes empresários presos, de tesoureiros petistas engaiolados, de bens de ex-diretores da Petrobrás e de fundos de pensão indisponíveis, de multas bilionárias, de sentenças lavradas atribuindo muitos anos de prisão a figurões, de inúmeros processos correndo em Curitiba, essas figuras graúdas da política brasileira ostentam muita coragem quando combinam, executam e não escondem um golpe como esse, que zombou da Constituição, para permitir à ex-presidente manter seus direitos políticos. É claro que a impunidade estimula. Os políticos de cúpula, na maioria, mesmo há anos processados no Supremo, não são incomodados. Por vezes são soltos logo após uma prisão. Não são objeto de uma cobrança mais enérgica por parte da Procuradoria Geral da União. Haja má coragem. Mas ainda há bastante também — consolemo-nos — da boa coragem. Por exemplo, nas atitudes do juiz Sergio Moro, em Curitiba.

Gramsci ataca no Brasil e prejudica ação da polícia

A recente notícia de que o Ministério Público Federal irá monitorar a Polícia Militar nas manifestações de rua revela um absurdo. E a conformidade com que foi recebida essa notícia mostra o estado de hegemonia esquerdista que já se conseguiu estender sobre a sociedade brasileira. Num confronto violento de rua, onde se acha, de um lado, uma polícia institucional no cumprimento de sua função legal e, de outro, uma quadrilha de depredadores, previamente arregimentados, mascarados, logo dispostos a transgressões sem serem reconhecidos, o MPF se declara disposto a vigiar a ação policial e não a ação dos vândalos ilegais. Há algo de profundamente errado nisso. As gangues vão se sentir mais libertas para delinquir, e os policiais estarão inibidos, pois qualquer ação sua poderá ser increpada de excesso. O Ministério Público se coloca ao lado da ilegalidade, da violência e contra a sociedade.