Cezar Santos
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Cadáver de Celso Daniel continua assombrando o PT

Celso Daniel: assassinato pode ter sido queima de arquivo

Celso Daniel: assassinato pode ter sido queima de arquivo

O cadáver do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel continua a assombrar os petistas. Na sexta-feira, 9, foi divulgado que mais de catorze anos depois do assassinato o ex-prefeito e depois de novas revelações da Operação Lava Jato, a Justiça de São Paulo vai retomar o julgamento do acusado de mandar sequestrar e matar Daniel.

Ocorre que há um novo juiz no caso. Trata-se de Wellington Urbano Marinho, que marcou para o dia 17 de outubro a primeira audiência de instrução, debate e julgamento do único réu ainda em liberdade, o ex-guarda-costas do prefeito e empresário Sergio Gomes da Silva, vulgo “Sombra”.

Wellington Urbano mostrou que pretende acelerar a instrução de um caso que subiu à instância máxima da Justiça brasileira e voltou quase que à estaca zero por ordem do Supremo Tribunal Federal. Urbano Marinho não quer mais “eternizar a instrução” do processo. Mas ainda não há sequer uma previsão de quando o réu pode ir – nem se vai mesmo – a júri popular. Sombra está em liberdade e faz tratamento de um câncer.

As testemunhas listadas para depor são ligadas a Celso Daniel, à investigação e a outro criminoso, o acrobático Dionísio de Aquino Severo. Dionísio havia fugido de helicóptero de um presídio paulista pouco antes do sequestro e da morte do petista. Conhecia detalhes do crime ocorrido na noite de 18 de janeiro de 2002. Mas foi assassinado na cadeia antes de revelar o que sabia.

Morte de testemunhas do caso Celso Daniel, aliás, foram uma constante nos últimos anos. Nada menos que oito pessoas foram mortas, algumas em situação misteriosa. Familiares de Daniel acreditam que o crime teve motivação política, porque ele comandava um esquema de desvio de dinheiro da prefeitura para financiar campanhas do PT.

O crime

Na noite de 18 de janeiro de 2002, três carros fecham o veículo onde está o então prefeito de Santo André, Celso Daniel, que saía de um restaurante nos Jardins, em São Paulo. Homens armados disparam contra o carro e sequestram o petista. Celso Daniel só seria encontrado morto dois dias depois, numa estrada de terra a 80km da capital paulista. O primeiro médico-legista a analisar o corpo, Carlos Delmonte Pires, constatou sinais de tortura.

Celso Daniel era considerado uma estrela em ascensão no PT. Quando morreu, era um dos principais conselheiros econômicos de Lula, que seria eleito naquele ano. A morte do prefeito foi considerada crime comum pela polícia de São Paulo. O Ministério Público, no entanto, contestou a versão e sustentou que a morte foi encomendada por uma quadrilha que desviava verbas da prefeitura.

Seis acusados foram condenados. Sérgio Gomes da Silva, apontado como mandante do crime, recorreu e foi absolvido pelo STF. Ele acabaria condenado em novembro de 2015 por integrar um esquema de cobrança de propina de empresas contratadas pela prefeitura de Santo André na gestão de Celso Daniel.

Em 2012, as investigações sobre o crime ganharam novos elementos. O operador do mensalão, publicitário Marcos Valério, em julgamento no STF, disse que o ex-presidente Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho estariam sendo extorquidos por criminosos envolvidos no caso. O motivo: um esquema de cobrança de propinas na prefeitura comandada por Celso Daniel.

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