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Presidente da Alego anuncia o corte de 20% nos contratos de prestação de serviços da Casa, entre outras medidas. Entenda
Dados da plataforma Meu Crediário apontam que redução gerada pela pandemia chega a 25%. Consultas de crediário reduziram 58%
Por Alisson Azevedo Mantive esta coluna no jornal Opção entre 2011 e 2015, com regularidade quase espartana. Parei porque deixei de ver graça e propósito na minha própria escrita. Numa palavra, parei porque perdi a mão. Generoso, o jornal manteve minha coluna na nuvem, o que, se por um lado me embalava o ego, desafiava meu senso de responsabilidade por tantas crônicas que escrevi e que preferiria não ter escrito. Ou, por outra, por tantas crônicas que poderia escrever e... Agora preferia não fazê-lo. Felizmente, crônica não faz falta. Trata-se de um gênero menor da literatura, cultivado por um escritor menor ainda. Não, não é falsa modéstia nem autoestima em baixa, como diz uma amiga. Sou um escritor menor na medida em que escrevo pouco, tanto em quantidade como em extensão: só escrevo crônicas, parcas e curtas. E nestes dias não está fácil ser cronista. Otto Lara Resende cunhou para si uma definição que vale pra todo cronista que se preze, ainda que, como eu, não tenha a verve nem a genialidade do mineiro. Otto se dizia um “especialista em generalidades”. Mas num mundo de especialistas em tudo, e em que quase tudo são generalidades banais, qual será mesmo o lugar do cronista? Foi nessas datadas reflexões existenciais que em 2015 eu me perdi. Quando veio o golpeachment de 16 – aquele impeachment com cara de golpe, ou golpe com cara de impeachment --, trabalhava em Brasília e tive muita vontade de voltar a escrever, agora na pele de um cronista engajado e de esquerda. Mas, embora de esquerda, nunca consegui acreditar em literatura engajada. Depois veio o Temer, com a dona Marcela em casa e os agrobrothers da Friboi na garagem, e eu quase escrevi um tratado sobre a deletéria influência de uma singular dupla sertaneja goiana na política nacional: Wesley e Joesley. Mas achei de péssimo gosto e tive medo que o Euler Belém – meu mestre e editor de quem quase sempre discordo --, censurasse minha crônica por razões estéticas, o que aliás nunca fez por razão alguma. Meu censor era eu mesmo. Ai, a praga da autocensura! Depois desse episódio, e com a ascensão da vanguarda antiliterária bolsonariana, passei a invejar vivamente a obscura categoria dos escribas de fake news verossímeis, de memes irados e de twits corrosivos. De novo planejei voltar a escrever, mas fui atropelado por um “golden shower” de carnaval. Enquanto isso Lula foi preso, gritaram Lula Livre até na Globo e ele foi solto –, e continua dividindo opiniões. (Prometi a mim mesmo ser isentão nesse assunto, e passar longe da gasta palavra “polêmica”.) Falando em isentão, Quando o juiz Sérgio Moro virou ministro do Bolsonaro minha mão coçou de novo. Cogitei escrever um tratado de direito -- e de direita -- sobre a imparcialidade dos magistrados ou sua discreta e pouco judiciosa militância política. Mas o ministro Gilmar Mendes foi tão cirúrgico em suas críticas a Moro que tive vergonha de minhas veleidades de jurista chinfrim. Gilmar é o gênio da raça! Depois vieram os vazamentos do Intercept e tudo se acertou. Nunca mais, never more, o pra sempre sempre acaba. Tudo isso pra me convencer que esse negócio de cronista já era. Escrever fora para mim um arroubo de juventude. E como diz o Riobaldo, herói rosiano de “Grande sertão: veredas” --, “mocidade é tarefa para mais tarde se desmentir”. Mas nada melhor que o ócio pra reativar um negócio. A quarentena, o medo de morrer ou a simples falta do que fazer reavivaram em mim a vontade de escrever. A quarentena para mim é especialmente opressiva. Crônica e patologicamente avesso à disciplina, preciso dos grilhões da rotina pra me atar à realidade e não cair no vagabundo canto de sereia pirata numa cidade sem mar -- e agora também sem bar. Preciso acordar, ler o jornal, ir ao Pilates, ir ao trabalho... Agora o Pilates está indefinidamente suspenso. O trabalho, pra mim, é tão remoto quanto o foi, na minha mocidade, a musa inacessível. Mas esse é assunto – o trabalho, não mais a musa –, pra próxima crônica. Por hora sobra o jornal, que ecoa a pandemia e seus contrários, ambos potencialmente letais. Fico em casa, sem trégua ou visitas. Cego de nascença – como sabem sobejamente os raros leitores da fase heróica desta coluna --, uso as mãos para tudo o que faço. Inclusive para andar na rua e em ambientes maiores que a minha casa. Para nós cegos, a bengala é a ponta do dedo indicador tocando o chão. Isso é literal, e em tempos de Covid-19 nos coloca em situação de vulnerabilidade. Existe até manifestação da ONU nesse sentido, extensiva às pessoas com deficiência de modo geral. Daí meu medo de morrer. Quer dizer, em tempos de pandemia o demasiado humano medo de morrer vira precaução, mas no meu caso e de meus colegas de cegueira esse medo é potencializado pelo involuntariamente abusivo uso das mãos. O medo agora paralisa os sensatos – e os que podem parar. Então vem a falta. Na quarentena, a falta do que fazer é eufemismo para uma falta que é bem maior e demasiado humana. Ela vive quase sempre oculta e agora vem à tona, elevada ao paroxismo: a falta do convívio, do trabalho, da autoridade eficaz, do toque, da igreja, do boteco – mais a ameaça do fim do mundo, pelo menos esse que conhecemos --, tudo isso amplifica aquela sensação de incompletude com a qual, uns mais, outros menos, todos nascemos, e que sempre foi tão minha companheira. Por isso volto a escrever neste espaço: para com esta fugaz coluna tentar em vão preencher uma impreenchível lacuna: a da falta de sempre. A da falta que ora nos imobiliza, mas que também é a falta que nos move em direção à vida. E apesar dos negacionistas de sempre, eu fecho com Vinicius: “a vida tem sempre razão”.
Informação da coluna "Painel", da Folha, afirma ainda que o governador destaca alimentação como prioridade a ser perseguida pelo governo Bolsonaro
No Estado, há 1.626 casos suspeitos em investigação. Outros 660 já foram descartados
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Levantamento feito pela Ipsos ouviu clínicos gerais de quatro países da América Latina: Brasil, Colômbia, Argentina e México
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Sessão remota está prevista para as 16h. Às 10h, os líderes se reunirão para discutir outras votações prioritárias da semana
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Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado[/caption]
O Senado vota nesta segunda-feira, 30, o pagamento de um auxílio emergencial por três meses, no valor de R$ 600, destinado aos trabalhadores autônomos, informais e sem renda fixa. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), havia confirmado a data da votação em postagem no Twitter, na última sexta-feira, 27.
A sessão está prevista para ocorrer às 16h. Antes, às 10h, os líderes se reunirão, também remotamente, para discutir outras votações prioritárias da semana.
Pelas manifestações de senadores nas redes sociais, a expectativa é que a medida seja aprovada sem objeções. Inicialmente, na primeira versão do relatório, o valor proposto era de R$ 500. Após negociações com o líder do governo, deputado Vitor Hugo (PSL), o Executivo decidiu aumentar para R$ 600 e a proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados na última quinta-feira, 26.
A medida é uma forma de amparar as camadas mais vulneráveis à crise econômica causada pela disseminação da Covid-19 no Brasil, e o auxílio será distribuído por meio de cupons
Projeto
A medida emergencial foi incluída no PL 9.236/17, de autoria do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), e aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados na quinta-feira (26). De acordo com o projeto, será permitido a duas pessoas de uma mesma família acumularem benefícios: um do auxílio emergencial e um do Bolsa Família. Se o auxílio for maior que a bolsa, a pessoa poderá fazer a opção pelo auxílio. Para as mães que são chefe de família (família monoparental), o projeto permite o recebimento de duas cotas do auxílio, totalizando R$ 1,2 mil. Já a renda média será verificada por meio do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) para os inscritos e, para os não inscritos, com autodeclaração em plataforma digital. Serão considerados todos os rendimentos obtidos por todos os membros que moram na mesma residência, exceto o dinheiro do Bolsa Família.Requisitos
- Para ter acesso ao auxílio, a pessoa deve cumprir, ao mesmo tempo, os seguintes requisitos:
- ser maior de 18 anos de idade;
- não ter emprego formal;
- não receber benefício previdenciário ou assistencial, seguro-desemprego ou de outro programa de transferência de renda federal que não seja o Bolsa Família;
- ter renda familiar mensal per capita (por pessoa) de até meio salário mínimo (R$ 522,50) ou renda familiar mensal total (tudo o que a família recebe) de até três salários mínimos (R$ 3.135,00); e não ter recebido rendimentos tributáveis, no ano de 2018, acima de R$ 28.559,70.
- exercer atividade na condição de microempreendedor individual (MEI);
- ser contribuinte individual ou facultativo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS);
- ser trabalhador informal inscrito no CadÚnico;
- ter cumprido o requisito de renda média até 20 de março de 2020.
Forma de pagamento
Segundo o projeto, o auxílio emergencial será pago por bancos públicos federais por meio de uma conta do tipo poupança social digital. Essa conta será aberta automaticamente em nome dos beneficiários, com dispensa da apresentação de documentos e isenção de tarifas de manutenção. A pessoa usuária poderá fazer ao menos uma transferência eletrônica de dinheiro por mês, sem custos, para conta bancária mantida em qualquer instituição financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central. A conta pode ser a mesma já usada para pagar recursos de programas sociais governamentais, como PIS/Pasep e FGTS, mas não pode permitir a emissão de cartão físico, cheques ou ordens de pagamento para sua movimentação. Se a pessoa deixar de cumprir as condições estipuladas, o auxílio deixará de ser pago. Para fazer as verificações necessárias, os órgãos federais trocarão as informações constantes em suas bases de dados. O Executivo poderá prorrogar o pagamento do auxílio enquanto durar a epidemia. (Com informações da Agência Senado)
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