Notícias

Encontramos 150198 resultados
shot_251102_110651
Mulheres
Saiba quais são as 10 modelos mais famosas (e bonitas) de Goiás

Modelos goianas fazem sucesso pelo Brasil e mundo

Luta
Xamuel vence Jhony MC por unanimidade no Fight Music Show 7 em São Paulo

Mais jovem e mais rápido, Xamuel impôs ritmo intenso desde o primeiro round

alx_jose-batista-junior-friboi-20090325-01_original
Declaração
“Trump foi mal informado sobre o Brasil”, afirma Júnior Friboi em fórum em Londres

Segundo Júnior, seu irmão Joesley Batista e representantes da JBS se reuniram com Trump e apresentaram um retrato positivo do país

Rafael Soares 3 Divulgação
Chefe de gabinete de Bruno Peixoto vai ser candidato a deputado estadual

Aliados do presidente da Assembleia Legislativa pedem para Rafael Soares disputar mandato em 2026. Ele trabalha com Bruno Peixoto há mais de 10 anos

Império
De açougue familiar a império bilionário: a jornada da J&F, dona da JBS, PicPay e Âmbar Energia

A expansão do grupo seguiu uma lógica simples e agressiva

Atenção
Golpe do falso advogado expõe vítimas à perda de dados e dinheiro, alerta especialista

Advogada Gabrielle Andrade explica que o crime se baseia na simulação de uma atuação legítima de advogado

G4uDEMCWUAAdZ--
Atentado
Ataque com faca em trem deixa 10 feridos na Inglaterra; dois suspeitos são presos

De acordo com as autoridades, nove vítimas foram atendidas em estado grave

Prefeita de Formosa não articula com a Câmara e pode acabar sofrendo impeachment

Numa votação recente, 16 vereadores se posicionaram contra projeto de Simone Dias Ribeiro. A gestora não recebeu um voto favorável

Lula com José Eliton e Geraldo Alckmin foto Reprodução
As condições de Zé Eliton para ser candidato a governador pelas esquerdas

O integrante do PSB não quer apenas um apoio formal, para cumprir tabela. Ele quer uma chapa e uma campanha consistentes

Ken Follett foto de Jake Curtis Divulgação
CULTURA
Círculo dos Dias, de Ken Follett, narra a história da construção de Stonehenge

O monumento de pedras está localizado na Inglaterra, data da Idade da Pedra e até hoje intriga visitantes, historiadores e cientistas

Coreia do Sul Foto Divulgação 1300 por 867
AVANÇO?
Entenda por que o Brasil perde para Coreia do Sul e Singapura em renda per capita

Somos um país instável, sob todo ponto de vista institucional e suportamos um Estado mastodonte, ineficiente e corrupto. Como desenvolver com velocidade, arrastando todo esse peso?

Edward Hopper pintura Reprodução
REFLEXÃO
Série Violência Contra as Mulheres — Conto de Daniana Freitas (10)

O canto da mulher sem nome

Daniana Freitas

Todos os dias, eu subia a ladeira úmida da vila, para vender os quitutes que vó fazia e eu levava no surrão. O ano, 1966, 1976, ou 1986, não importa. O que me lembro, tão nítido quanto o dia claro de hoje, o som dos pássaros que acabei de ouvir ou o frescor do vento que senti agora, era dela. A mulher sem nome, que bailava na janela daquele apartamento, no alto do único prédio que existia nas redondezas.

Ali viviam os grã-finos, os bacanas, eu sempre quis entrar lá. Por isso, dava um jeito de passar perto, para olhar, apreciar, sonhar viver em um lugar tão bonito. Aquele edifício era uma antiga novidade, bem distante do barraco quente em que vivia, onde a vida continuava às custas de maços de vela e querosene queimando em latas de óleo.

E ela sempre aparecia na enorme janela, saltando como uma bailarina nas pontas, pulando de um lado a outro – eu via tudo, de longe. Parecia uma fada, colombina, Ceci, era nuvem de calor nos meus amargos secos dias. Ela deveria, de fato, ter uma vida calma, orgulhosa, completa. Podia dançar livremente, tocar o céu com sua leveza, se esticar na janela e abanar os braços como quem se rodopia num palco aberto, o palco do mundo.

Bailarina 444

Sim, era um palco. Eu, menino calado, fedendo a chulé e dente podre, não sabia para quantos mais ela se apresentava. No fundo, eu imaginava que fosse somente para mim, e era reconfortante pensar que aquela mulher me via também, parado, observando sua facilidade, felicidade, sua exibição diária de leveza e ternura, seus gestos e movimentos cadenciados que brilhavam sobre mim como estrelas de Davi...

Fingindo desinteresse, eu continuava meu caminho, depois que ela se cansava de dançar e fechava as janelas. Na verdade, quem fechava era um homem - talvez seu namorado, que, enciumado pela ‘plateia’ que apreciava e desejava sua vida e sua amada, encerrava o espetáculo bruscamente. Eu o vaiava em silêncio, fazia de conta que ia tacar pedra, dava pirueta invisível; desconfio que era para amenizar a frustração de ter que esperar até amanhã, para vê-la novamente. Todos os dias, eu devia esperar até amanhã.

Um dia, ela começou a cantar. Me rendi à emoção de ouvir o som de sua voz, pela primeira vez, e me ensurdeci para o resto. O barulho que saía de si preenchia toda a minha cabeça, e eu apenas contemplava, extasiado com o abalo de seus braços, de seus pulos, que agora também eram incitados pelo melodioso canto da sereia. O palco lá em cima, e eu cá embaixo – à época, não descreveria esse momento como nada menos que singular. Era uma percepção de unidade, plenitude, retidão. Uma ópera. Arte total. Theatro Mvnicipal (li assim uma vez).

Pintura de Claude Cahun

Sonhei com ela por muitas noites. Uma coisa tinha certeza: eu iria me casar com aquele anjo. Trabalharia em dois ou três turnos, vendendo doce, engraxando sapato, entregando jornal, o que pintasse. Daria a ela uma vida de rainha, em um castelo maior que aquele prédio, bem maior, muito maior! Eu precisava bolar um plano: talvez em cinco, ou dez anos, já poderíamos ser felizes juntos. Enfim, bastasse que eu crescesse, trabalhasse muito, e tratasse essas minudências com minha querida, quando fosse certa a oportunidade.

E amanhã eu trouxe a flor. Era perfeita; roubei de um jardim bonito, no caminho para o prédio. Na banca do seu Zé Mathias, vi à frente da magazine, um homem ajoelhado entregando uma rosa para uma donzela, e ela sorria maravilhada. Então, era essa a sensação de amar alguém!  Uma flor representava o respeito, a dedicação, o fascínio em conviver com a minha sereia de doce canto. Eu não tinha experiências sobre o deslindado amor, mas compreendi sozinho - através daquela capa de revista - que devíamos florescer, perfumar e observar a quem desejávamos o bem.

Apanhei a mais bonita, sem nenhuma pétala enrugada ou folha enferrujada, jamais. Enferrujados já bastavam meus dentes, que um dia eu consertaria para beijá-la, claro. Também esfreguei os pés na bacia; a vó fez sabão de bola e o cheiro era ruim, mas o pé era pior. Escovei a brilhantina no cabelo, a calça pega-marreco por crescimento do dono, limpei as unhas com a ponta da faca. Finalmente estava pronto, com a flor na mão, para entregar à mulher dos meus sonhos, aquela que bailava em um palco perto do céu. Preparei também uns docinhos, ela ia gostar de adoçar a vida com o meu carinho.

Corri chorando, e me joguei no córrego poluído da vila. Quis me afogar naquele pântano asqueroso, aspirar a lama e me deixar levar para o fundo. Alguém me puxou pelo braço e os cabelos, para que eu não morresse, onde esse menino estava com a cabeça?!

Não falei por uma semana, com ninguém. Até hoje, não souberam o que me deu aquele dia, em que voltei desesperado da rua. A vó deu um salto de susto, quando larguei o bornal com doces pelo chão, o espinho da rosa espetado na mão sangrante, coração saltando no peito e me joguei no córrego. Gritei, gente em cima de mim, tentando me acalmar; minha boca se abria numa dor dolorida, de assombro, de medo, dor de menino homem que não sabe o que fazer. Tudo em mim sacudia, arranhei o rosto com as mãos e espinhos de sangue, para apagar dos olhos a imagem da mulher dos meus sonhos, caída no chão à beira do prédio - tristeza saindo de sua boca, nariz, ouvido, um rosto que já não era rosto. Estranhos confabulando, lastimando, sequer sabiam o seu nome. Ela pulou, disseram. Tão nova.

E hoje, muito tempo se passou. Sei que ela sucumbiu ao medo e ao desgosto de sobreviver naquele maldito prédio, sob a mão covarde que lhe apagava a face no vexame da própria vida; sob a mão covarde que lhe cominava castigo sem sequer um dolo versado. Sua dança não era encanto. Seu canto... não era ópera. Pela janela rogou ajuda, inúmeras e diversas e centenas de vezes, todos os dias. O único que a viu fora um garoto de faltos anos, que a amava sem dizer. E ela nunca soube.

Sua última dança aconteceu no ar, quando se lançou pela janela; uma lágrima escorrida de seu olho esquerdo restou-lhe como única companhia, no fatídico ato. Encerrou assim o espetáculo estúpido que fora sua vida infeliz, onde a beleza dos dias lhe foi tirada, em sua existência ingrata, rainha sem coroa, nem tudo, nem nada.

Comprei o apartamento, nele convivo com a solidão e uma flor, que todos os dias eu trago para ela.

Que ela tivesse paz, naquela época. Descobri seu nome, era Maria.

Adão e Eva na pintura de Peter Paulo Rubens
PARAÍSO
A volta ao paraíso na Terra

Não teremos que suar a testa para ganhar o pão. E, acima de todas as conquistas do “free lunch”, seremos premiados com a liberação total e irrestrita do consumo do fruto da árvore do bem e do mal

Pintura de Edward Hopper 1 de 1300 por 867
As duas arcas e o Dia de Finados

Penso nas minhas amadas pessoas que repousam em suas arcas eternas, enquanto eu, tecelã de fuso nas mãos, continuo urdindo os fios do novelo das minhas alfaias, olhando estranhos que passam pelas ruas

Aristóteles Drummond escritor
BRASIL-PORTUGAL
Uma visão do mundo luso-brasileiro em livro de Aristóteles Drummond, crítico de Laurentino Gomes

Nova obra de Aristóteles Drummond reúne artigos publicados em Portugal sobre as relações entre os dois países nos últimos 200 anos. Ele critica pesquisador brasileiro que estuda o sistema escravagista