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Marconi Perillo conversa com Armando Vergílio mas não fecharam acordo político

O governador Marconi Perillo conversou demoradamente com o deputado federal Armando Vergílio, presidente do Solidariedade.

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O tucano-chefe disse a Armando Vergílio que, independentemente das posições políticas de ambos, deveriam preservar a amizade.

A conversa foi extremamente cordial. Mas os dois não fecharam, pelo menos por enquanto, nenhum acordo político.

Magrinha

Antônio José de Moura [caption id="attachment_3117" align="alignleft" width="400"]Cultural_1885.qxd Aeich Thimer[/caption] Há seis dias o general Zarastru assumiu o governo da República, abocando sua parte de leão no acordo previamente selado com o diminuto e misterioso comando da ditadura de revezamento de generais no poder. De óculos escuros montados no narigão de pera, durante a posse Zarastru presidiu solenidades e festejos castrenses, sempre escondido atrás de vidros à prova de bala e protegido por aparato de segurança digno de bunker de todos os ditadores, caso eles se agrupassem para formar um único centro de decisão na Terra. Cercava-o quantidade quase inverossímil de homens e de armas, capaz de guardar a Cor­dilheira dos Andes e abater até mesmo um inseto que quisesse voar sem sua permissão sobre ela. No domingo posterior à posse daquela casca-grossa que até então detivera a chefia do exército, aproveitamos o telão recém-instalado no Cascatinha Bar Show Dançante para permanecermos sem maiores riscos e por algum tempo juntos sob o pretexto de assistir à que, dependendo do resultado, seria a partida final do campeonato carioca de futebol. Vasco e Flamengo, o clássico dos milhões. Quase todos tínhamos televisão em casa, mas deliberamos nos reunir em torno da 24 polegadas do cascatinha porque ela nos permitiria, antes e após o jogo, conversar de assuntos prazerosos — peixes, mulheres, cardumes de uns, escassez de outras, pescaria, caça, imponderabilidades climáticas — e confraternizar, apesar das emoções dentro e fora de nós exasperadas, tão exasperadas quanto as cigarras de um poeta cujo nome esqueci. Refiro-me às emoções soltas em campo, nos pés dos artilheiros e no berro da torcida, cujo contágio e pressão mantínhamos como panela a custo tampada, enquanto, à guisa de água, deitávamos cerveja na fervura, fosse rubro-negra, ou cruzmaltina. No grupo, felizmente não havia nenhum pinguço, somente homem de conceito e respeito. Na tela e no Maracanã tremendo de gritos e de gente, um jogo de arrepiar. Final: 1 a 1 — resultado que transferiu a decisão do campeonato para o próximo domingo. Ainda bem, pois vivíamos naqueles dias entorpecidos de medo, atormentados por imprevistos e sobressaltos, de modo que um Vasco e Flamengo caía do céu como uma espécie de comoção compensadora e talvez providencial para os nossos nervos exauridos. O Cascatinha Bar Show Dan­çan­te fica defronte à Praia da Farofa, um nome que veio calhar bem, devido encontrar-se ela ulteriormente infestada de turistas, de cocô e da promiscuidade dos turistas. Com o tempo, de tal modo suas águas foram afetadas que mudaram de cor e ainda se veem obrigadas a aguentar a impostura dos jet-ski e da cáfila de imbecis pendurados em telefones celulares e outras engenhocas eletrônicas. Naquela época porém nem fedentina era tanta, nem o ar se encontrava tão emporcalhado. Do Cascatinha, construído sobre uma elevação, descortinava-se todo o movimento do porto de Aruanã, já então meio frenético na temporada, mas de certo modo calmo, quase tranquilo, nos mais períodos do ano. A vista se fazia de tal maneira magnífica que, debruçada com seu dono de uma das janelas num cair de tarde, a imaginação se deixava levar rio abaixo ou rio acima, até se perder na linha do horizonte, a crepitar no incêndio de crisântemos e begônias de pura substância etérea, celestial — um incrível, verdadeiro espetáculo de cores projetadas do paraíso original, antes da queda do homem: o pôr-do-sol do Araguaia. Também o nascer do astro-rei em nada diferia do sol-posto, exceto que em vez do lento mergulho parecia levantar-se devagarinho e no entanto poderosamente das águas, noutra metáfora de luz ampliando-se em bola de fogo colossal — quiçá o olho de Deus. Antes de transladarem o lixo e a loucura do que julgam progresso para cá, representado até por boates e discotecas que enchem o ar e as madrugadas de relinchos à laia de música, a cidade oferecia la­zer noturno natural, sadio, que não degradava a paisagem nem o sono das gaivotas. Aruanã era a réplica do Éden. Sem tirar nem pôr. O Cascatinha Bar Show Dan­çante tinha muito de bar e nada de show dançante, salvo de tempos em tempos um bailezinho-família no salão alugado a preço simbólico por ranchos de rapazes e moças, determinados a angariar fundos para algum acontecimento de peso nas efemérides da cidade, incluindo as religiosas. Pertencia a Arióbulo Trinchinchelo, alcunhado o Jacaré. Entre as naturais da terra, ninguém compreendia porque lhe pespegaram e Arióbulo sustentava o sáurio apelido, que assentaria melhor em sua grandalhona cara-metade, a senhora Adrianola. De outro lado, bem considerada as coisas, ninguém também teria peito para chamar a jacaroa de jacaroa, mesmo tratando-se visivelmente de uma espécie aruá gigante de saia, braba como dez leoas, de traseiro que nem dois braços longos dariam conta de abarcar, as narinas salientes, convulsionárias, resfolegantes, ruidosas, e os bugalhos do globo ocular lembrando limões galegos, e dos grandes, dando a impressão de plantados no cocuruto e não perto do septo nasal, se vistos no lusco-fusco da noite ou da manhã. Sem falar nos dentes preênseis, fortes como palhetas de aço e cortantes feito facas. Enfim, uma crocodilona, uma calangona d’água das mais ferozes e temíveis. Virago? Machona? Já excogitaram que sim, porém sem um fiapo de prova a favor. No entanto, tirante este aspecto, saltava aos olhos que Adrianola ilicitamente se livrara da alcunha aderida ao marido, ao passo que nele cairia — justo como dois dedos no nariz — o apelido de Camaleão; além de poltrão, ou da impressão de poltronice que emitia, percebia-se que o mimetismo do mocorongo moleirão derivava dos humores da mulher: de manhã, quando ela amanhecia de cara fresca como as hortaliças no meio das quais se metia, regando, estercando, exterminando lagartas e outras pragas, Arióbulo Trin­chin­chelo se disfarçava em verde, contemplando-a com olhos esgazeados; de tarde, geralmente, Arióbulo punha-se todo cinzento, tal e qual o humor de folha seca da patroa. Noutras horas, a cada hora, o paspalhão assumia a impreterível cor correspondente às disposições e tonalidades de espírito da robustona, inclusive a cor negra, mal a noite caía ou quando a alma dela se fingia de enlutada. Arióbulo Trinchinchelo deveria ser coroado imperador dos seres que desembarcam no mundo com a finalidade única de não incomodarem nem serem incomodados por nada e por ninguém, pois tudo o que pediram a Deus foi um lugar em que se encostar, uma árvore que lhes dê sombra a ignorar sua presença, não ligando a mínima se eles escorregam um pouquinho para apanhar qualquer restiazinha de sol refratado dos galhos. E com a cabeça tomada de largo pensamento: que à noite podem com tato escalar-lhe o tronco, trepar nela, em busca da forquilha na qual vão se enganchar. Dona Adrianola era a árvore da vida de Arióbulo Trinchinchelo, o (sob protestos) Jacaré. E ela, com efeito, o deixava em paz no seu canto, pela recíproca razão de que ele não a estorvava em seu objetivo feminino (embora vigoroso) de mandar. Não obstante o jeitão e disposição a de jacaroa, ou machona, que infundia medo despistado em respeito ao redor, especialmente nas crianças e nos adventícios, dona Adrianola encarava vários aspectos da existências com ternura, e às vezes os envolvia em amor, conquanto fossem um amor e uma ternura tão ásperos por fora que quase sempre permaneciam impercebidos aos olhos que a observassem apressados. E já que falar sem pensar é atirar sem apontar, falemos com cuidado e devagar: sem pôr a mão no fogo, porque as aparências não se cansam de iludir, no fundo dona Adrianola nada possuía de lésbica, mulher-macho ou fanchona. Tão durona pros demais, Adrianola se tomou de amores — um amor terno e derretido de mãe — por sua sobrinha-neta, Mágora, a Magrinha. Mágora, a Magrinha, nasceu aqui, à beira do Araguaia, fez o primário no antigo Grupo Escolar Modelo e depois se mandou pra capital, onde estudou tanto quanto um doutor de Salamanca. Ou mais. E como quem muito lê, treslê, desde o ginásio Mágora, a Magrinha, principiou a manifestar ideias esquisitas, arauta de utopias, porta-voz de verdades e coisas tiradas a proféticas — destoantes; Gogó de Ouro, eis o epíteto que lhe aderira à identidade como o sol à flor, o verde à água do mar; os jornais a chamavam assim, exaltando-lhe os méritos nas artes oratórias, nas quais Mágora ganhara todos os concursos e largos espaços na mídia. Achava língua para tudo, e tão bonitas palavras. Aliás, as palavras lhe acudiam com uma presteza de súditas, uma obediência carola, parecia que Mágora, a Magrinha, nem precisava chamá-las ao pensamento, posto se acharem ali, prontas a lhe sair pela boca, ordenadas, ordeirinhas, cada qual em seu lugar, encaixando-se umas nas outras, como flores num buquê. Daí por que em fulgurações de metáforas as frases cascateavam em sua voz qual água que se derrama em cachoeira a compor cenário que não parece deste mundo, de tão sublime, refratando o arco-íris; e de fato ditas por ela tinham cores, as palavras, cores fortes e harmonia, e também muito vigor. Em resumo: poesia. Deus, vê-la discursando em praça pública era o mesmo que ver um nascer ou pôr-de-sol no Araguaia, impossível descrever tal fenômeno de emoção irisada. E aí, na volúpia da empolgação, ela se transfigurava, e tarari, tererê, que queremos pão e justiça, que a terra é de quem trabalha e não de quem a domina, e liberdade, e oportunidades, e igualdade de direitos para todos, e não sei mais o quê. Mesmo versando matéria de vasta controvérsia, todos ou quase todos dela se encantavam. Muito meiga e fragilzinha, nestes momentos Mágora, a Magrinha, se agigantava, feita de seiva e calor. Tinha olhos castanhos claros, cabelos da mesma cor, rosto ovalado e bonito, mamilos que se adivinhavam durinhos e róseos sob a blusa encarnada, um delta-de-vênus que por nunca exposto acendia sonhos de posse e também de imaginação pictórica, tez de um branco quase diáfano, corpo bem proporcionado e belo apesar de carecer um pouco mais de suculência. E lábios nem muito finos nem tão carnudos, os quais se abriam em sorrisos que qualquer um gostaria de sequestrar e guardar como tesouro ou talismã. Dela os homens se agradavam, pois nascera pra agradar. Tornada insigne em altos estudos e altíssimas virtudes, Mágora, a Ma­grinha, comandava a ligas dos universitários, na capital da província. Tão logo os generais instauraram a tirania de farda, à qual e da qual se serviam os lambe-botas civis, Mágora, a Magrinha, viu-se de súbito dentro de um torvelinho, privada até à morte de um minuto de sossego. Primeiro prenderam-na e a conduziram para uma fortaleza militar distante, a Fortaleza de Lajes, em pleno Atlântico, mas decorridos seis meses de muita lábia e artimanhas, ela com alguns companheiros, e também com a cumplicidade do chefe da guarda e de dois barqueiros, conseguiu render as sentinelas e pisar clandestina em terra firme, no Rio de Janeiro. No curso de seis anos, percorreu labirintos, socada em ocos de perigos clandestinos, sempre procurada pela Organização dos Vigilantes de Mil Olhos (OVMO), a rede de espionagem criada em 1964 como o braço armado e tentacular do regime. Por milagre, e por ventura outros pretextos que produzem os milagres, oculta no breu de certa noite de setembro, enquanto os de Mil Olhos a supunham no estrangeiro, Mágora, a Magrinha, veio ter novamente a estas plagas, metida em disfarces de transformismo de atriz. A tia Adrianola a recebeu e a enlapou em locais tão ignotos e invioláveis, que a julgou trancadinha a sete chaves, podendo afiançá-la invisível. Mas céus! no quarto ano de esconderijo araguaiano, Mágora, a Magrinha, caiu nas unhas dos opressores, por artes de um infame delator, alcunhado ulteriormente de Judas Dedo-Duro. A Judas Dedo-Duro reservou-se destino em essência igual ao do seu avô Iscariotes, o que ao enforcar-se assistiu ao próprio derramamento das entranhas e cujas trinta moedas da traição serviram apenas para comprar campo de sangue, consoante o evangelista e a predição do profeta Jeremias. Ignora-se se morrendo ou não de remorso, mas decerto já picado de remorso, e desprezado de todos, num beco escuro Judas Dedo-Duro amanheceu certo dia casado com a mulher da foice, e de forma ignominiosa: a boca cheia de formiga, a cabeça espatifada por paulada semelhante em efeito a dez cachamorradas de feroz borduna xavante. Há simulacros de conjecturas rebuçando a certeza de quem desferiu o golpe daquela morte vindicante e talvez necessária. Sabemos e conhecemos muitíssimo bem quem a executou e, antes, quem a premeditou em seus mínimos detalhes: o mesmo homem e a mesma mulher que mais tarde dariam cabo do chefe de beleguins que entregara o pecúlio da delação ao imundo e execrado Dedo-duro. Mágora, a Magrinha, morreu por excesso de suplícios — ou descuido, sofisma a que davam o nome de “erro técnico”, coisa comum naquela quadra de terror. Mágora, a Magrinha, a quem os algozes preferiram chamar de subversiva, padeceu e sobreviveu às várias modalidades de tortura institucionalizadas, começando pelo pau-de-arara, em que põem a vítima — joelhos dobrados, abraçados e amarrados — dependurada de uma barra de ferro entre dois cavaletes, submetendo-a a espancamentos e outras formas adicionais de interrogatório que não prescindem nem da eletricidade nem de sevícias rupestremente animalescas. Repetidas vezes, Mágora, a Ma­grinha, sobreviveu ao limite máximo do pau-de-arara — três horas —, findo o qual é impossível evitar-se a morte, o que pasmou os próprios seviciadores. Mágora, a Magrinha, sobreviveu às descargas elétricas da máquina de choque chamada triplicemente de pimentinha, manivela e perereca, de cujos terminais se alongam fios ligados ao corpo da vítima, inventada, como se sabe, pela Gestapo, no apogeu do nazismo, e aprimorada nestes trópicos. Mágora, a Magrinha, sobreviveu à polé ou roldana entre contorções e gritos de dor que lembravam os inimigos da Inquisição na Idade Média: pés amarrados por corda que passa pela polia presa ao teto, o corpinho nu suspenso do chão, de cabeça para baixo, espancado, chutado, queimado com pontas de cigarros, retalhado a gilete e navalha, e ainda por cima acicatado pelos disparos elétricos da máquina de muitos volts. Mágora, a Magrinha, sobreviveu às torturas químicas, ao pentotal sódico, o soro da verdade, às torturas em cuja composição entram o éter e o amoníaco, ao torniquete que é o círculo de folha de aço ajustado ao crânio mediante mecanismo de rosca e parafusos, os quais, à medida que são apertados, produzem dilaceração encefálica e afundamento, a ponto de obrigar a saltar para fora o globo ocular. Mágora, a Magrinha, sobreviveu à cadeira-do-dragão, poltrona tosca de madeira revestida de metal eletrificado, na qual se viu amarrada despida inúmeras vezes, por correias, enquanto, ao elevar o volume da voz através do dispositivo ligado aos eletrodos e apodado por gracejo carcereiro de “microfone dos shows” (o das perguntas de respostas impossíveis), o torturador aumentava a voltagem das descargas da energia doida por eletrocutar o corpo da prisioneira. Mágora, a Magrinha, sobreviveu ao inferno de ruídos e gelidez de nevasca no negro cubículo dito geladeira, onde prisioneiros enlouquecem sem arbitrar ou sequer se situar no tempo. Um invento de tortura, esse, dos ingleses, mas ao qual os milicos do Brasil, para desfrute e deleite dos pinochets do continente, acrescentaram melhorias. Mágora, a Magrinha, sobreviveu ao telefone das manzorras em concha de gorilas que lhe arrebentaram os tímpanos. Mágora, a Magrinha, sobreviveu à palmatória, aos chicotes, sobreviveu aos pedaços de madeira, às cordas molhadas, aos cassetes de borracha recheados com cabo de aço — os infames e infamantes “pênis-de-boi” — que lhe introduziram na vagina, no ânus e em outras partes. Mágora, a Magrinha, sobreviveu a tantas formas de tortura, incluindo velas e cigarros acesos para sua pele apagar, socos e pontapés, agulhas e estiletes. Mágora, a Magrinha, sobreviveu a todos os métodos inomináveis de esfolamento e fraturas, físicas e morais. No entanto, Mágora, a Magrinha, cujo calvário por ineptas as palavras se recusam a descrever —, Mágora, a Magrinha, veio entregar a alma ao Criador exatamente na mais primária das práticas de suplício — a do afogamento. No poço — o nosso poço, ou o que pelo menos deveria ser o nosso poço. Adicionaram-lhe pedras aos pés. Amarrada à corda de náilon deslizando através de roldana suspensa de uma galho de árvore a sombrear o rio — remanso de afluente do Berocan-Araguaia —, calcula-se que durante horas imergiam e içavam-lhe o corpo das águas no último limite do fôlego, a fim de que ela confessasse o que eles inventaram para ser confessado; logo, o inconfessável. Decerto — e esta não é uma dedução fora de lógica — Mágora, a Magrinha, pedia a morte, suplicava pela morte, desde que lhe pusesse fim aos padecimentos sem termo. Contudo, embora sofrendo muito, a vida no corpo de Mágora, a Magrinha, relutava em abandoná-lo. Num tempo contado em séculos, descontrolados, ensandecidos, os verdugos continuaram infligindo a Mágora, a Magrinha, as imersões, ou naufrágios compulsórios. Até que, Cristo, vupt! quando a içaram, numa dessas imersões de quase morta, para nova rodada de perguntas, a vida havia abandonado aquele corpo de menina nua. Um corpo só empanzinamento hidráulico e hematomas, um corpo que vagamente lembrava a inquilina que o habitara. Conforme a praxe em imprevistos assim, simularam e propalaram um suicídio tão inverossímil que nem os jornais sob censura acharam jeito de veicular a versão oficial. De modo solertemente análogo ao empregado na prisão, os esbirros converteram na calada da noite nossa pobre igrejinha em cenário do autocídio forjado e levado a efeito de maneira tão ou mais absurda que a utilizada para a expedição e conhecimento público do atestado de óbito com que pretenderam legitimar aquela morte. De crocodilo ou autêntica, ambas inconcebíveis numa mulher de seu feitio, dona Adrianola jamais deixara escapar uma lágrima. A mulher que nunca chora — oxalá esta lhe calhasse como definição exatíssima. Pois ao recolher o corpo desfigurado de sua sobrinha-neta — e ela o buscou sozinha, junto ao altar, apesar de a cidade inteira encontrar-se à sua volta, solidária — não escondeu o pranto que os seus olhos vertiam. Talvez fossem lágrimas de toda uma vida, represadas só Deus sabe por quê. Ao romper os primeiros passos, com os frágeis despojos da suicida de fabricação nos braços, cingindo-os como se acalentasse uma criancinha de peito, ela parou três vezes e por três vezes volveu o rosto a fim de encarar a Virgem e o Cristo crucificado nos olhos; deixou tombar dois pares de cordas grossas dos cantos das órbitas, que anularam ou incorporaram o choro regular, ao passo que seus lábios mussitaram algo que somente ela e a consciência divina conseguiram captar e entender. Ao transpor o umbral da igrejinha e ganhar a rua, o marido de um salto colocou-se a seu lado, executando-lhe doravante as ordens com uma presteza e vigor de que ninguém antes o julgaria capaz. — O castigo vem a pé. Mas um dia chega. Então, não ficará um para contar o caso do outro — ela rugiu, após o enterro. Sem poder esperar pelo padre, que nos acudia de raro em raro em desobriga, o corpo desceu à sepultura debaixo de nossas rezas e cânticos. A melodia que mais subiu às alturas, porque mal a encerrávamos alguma voz a puxava de novo, foi “Segura na Mão de Deus”: “Se as águas do mar da vida quiseram te afogar, segura na mão de Deus e vai. Se as tristezas desta vida quiserem te sufocar, segura na mão de Deus e vai. Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus, pois ela te sustentará. Não temas, segue adiante e não olhes para trás: segura na mão de Deus e vai”. Ao final, todos choravam, dando-se as mãos e cantando “Segura na mão de Deus e vai”. Ao sairmos da missa de sétimo dia, que a nosso chamado padre Zezinho de bom grado oficiou, Arióbulo Trinchinchelo, tão diferente do Jacaré que conhecíamos no Cascatinha Bar Show Dançante, levou a mão à garganta. Tomamos este gesto ritualístico de quem decepa o pescoço, à maneira maçônica, como a chancela do carrasco à sentença exarada e inelutável. Rotina — De modo que ainda nos encontrávamos no bar de Arióbulo e Adrianola — uns, renitentes, comentando lances do clássico dos milhões; os mais conversando de pescarias e outros leves assuntos — quando o homem chegou perguntando por um tal Anterino. Dissemos que não sabíamos, mas o homem não se conformava. Sobre quem ele era, porém, tínhamos certeza — uma certeza que o homem ignorava. Apesar do tempo e dos diferentes disfarces, a nosso ver inúteis, que agora ostentava, apesar da ausência da antiga careca e dos remotos bigodes grisalhos, o que ante olhos comuns fariam dele um perfeito desconhecido, não havia dúvida de que nos defrontávamos com o chefe dos capturadores que suplicaram e remeteram por outro mundo Mágora, a Magrinha. — Quero que informem onde está o Anterino. — Que Anterino, meu? Aqui não mora nenhum Anterino. — O Anterino, um que tem olho de vidro. Mora nessa rua — o homem insistiu. — Nessa rua, não — alguém protestou. — Nessa rua, sim — o homem disse, limpando a boca com as costas da mão. — Aqui não mora nem Anterino nem João Quirino — outro dos nossos falou. — Conheço todo mundo e posso garantir pro senhor que não tem nenhum Anterino na rua. — Fazendo gracinha, é? Se eu disse que mora, é porque mora; tão querendo acoitar? — o presumido forasteiro gritou; e bateu o copo de dose no balcão. Fregueses distanciados assustaram-se e dois que jogavam sinuca, lamentando o empate que adiara a decisão dos cariocas, quiseram ir embora. — Não vai sair ninguém, sem minha ordem — disse o homem, sacando ao mesmo tempo dois revólveres. — Fechem as portas. Avaliei a situação, sem no entanto encarar o homem que procurava Anterino. Olhava-o de banda e, quando sentia seus olhos queimando meu rosto, disfarçava com o pé, de um jeito bobo, esfregando qualquer coisa invisível no chão. Mas quando o homem olhava para o outro lado, examinava-o com um rabo de olho. Não conheço hipnotizadores, mas penso que o homem era um deles. E os dois revólveres em suas mãos também brilhavam. — Fila indiana. Agora, contra a parede! — o homem ordenou, os dedos ágeis brincando com as armas, como se fora caubói. Obedecemos maquinalmente e houve quem exagerasse, ajoelhando-se com as mãos na nuca, o que parece tê-lo irritado ainda mais. — Não sei o que faço que não acabo logo com vocês — ganiu, acertando uma cusparada na eletrola. Deu um tempo e voltou a lembrar-se do Anterino. — Vão ou não vão dizer onde está o jovem? — gritou, colocando com o polegar um dos revólveres no descanso e apontando-o em nossa direção. Um silêncio de casa sem ninguém. O falso desconhecido tirou o dedo do gatilho e depositou a arma no balcão. Sacou a latinha do bolso e conversou em código. — Câmbio! — concluiu. Cinco minutos depois, homens armados de escopeta punham as portas no chão. Varejaram tudo. Nem mesmo uma agulha teria escapado à revista. — Concluía com êxito, Grande Chefe, a Operação Viver-em-Ordem! — o homem soprou na latinha. — Câmbio! E, virando-se, advertiu que se alguém ali abrisse o bico, para dizer que eles andaram atrás do Anterino, ira parar no poço. O poço, ora, o poço! Por alguma razão, o homem cometera um erro — e talvez não somente um “erro técnico”, para usar a nomenclatura deles — ao mencionar o poço no qual, além de outras vítimas, há anos imolaram Mágora, a Magrinha, porque, não sendo adivinha bem mentirosa, ela não pudera fornecer detalhes, pretendidos pelos desalmados, acerca de certo e inexistente Comando Revolucionário de Resgate do Ideário Trotskista, em cuja direção fictícia igualmente a encastelaram. De qualquer modo, por mais perdido no tempo e sossegado no rio, era de causar arrepios para que servira o poço. — Ou então será esfolado vivo — o homem avisou, antes de ir-se com os outros, lembrando que o que acabavam de fazer era coisa banal, sem importância: mero exercício de rotina, para manter os rapazes em forma. Antes, porém, de eles se irem, do fundo do corredor que dava para a cozinha, dona Adrianola olhava com fixidez absurda o homem da latinha falante. Quando ele se retirou com os outros e suas ameaças, ela escarrou satisfeita e chamou o marido para uma conferência. Os dois sumiram de nossas vistas, lá pros fundos, na cozinha. Antônio José de Moura, escritor, é autor de “Sete Léguas de Paraíso” e “Umbra”.

Subestimados, soviéticos e judeus mataram nazistas e fugiram do campo de extermínio de Sobibór

“A maior fuga de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial” aconteceu em Sobibór, na Polônia, em 14 de outubro de 1943

Frederico Jayme diz que Gilberto Naves não deve ser candidato a deputado estadual

Líderes políticos de Goianésia dizem que o ex-prefeito Gilberto Naves vai disputar mandato de deputado estadual, atendendo convocação do pré-candidato a governador do PMDB, Júnior Friboi.

Na sexta-feira, 2, o Jornal Opção ouviu Frederico Jayme, um dos principais aliados de Gilberto. “Até onde sei, Gilberto não será candidato a deputado estadual.”

O prefeito Misael Oliveira deve apoiar três candidatos a deputado. Mas o preferido é Túlio Sérvio

O prefeito de Senador Canedo, Misael Oliveira (PDT), hipotecará apoio a pelo menos três candidatos a deputado estadual. Porém, o nome de seu coração é do médico Túlio Sérvio.

Pesquisa feita em apenas três cidades não serve de base para uma eleição estadual

Vanderlan Cardoso “inventou” a pesquisa que, feita em três cidades, deve servir para todo o Estado.

Citando “institutos de pesquisa de fora”, aliados do líder do PSB garantem que, em Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Goiânia, Vanderlan se aproxima dos 25%.

Ocorre que a votação de um candidato a governador é feita em todo o Estado. Não só. Um número entre 23 e 25% não significa muito. Porque Marconi tem mais de 30% e Friboi tende a superar o candidato do PSB.

Paulo Teles quer disputar presidência da OAB. Mas Leon Deniz fez compromisso com Lúcio Flávio

O desembargador aposentado e advogado atuante Paulo Teles pretende ser candidato a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de Goiás em 2015.

Paulo Teles planeja ser candidato pela oposição e, para tanto, quer o apoio de Leon Deniz. O problema é que Leon Deniz teria feito um compromisso para apoiar Lúcio Flávio na próxima disputa.

Vanderlan Cardoso pressiona Liminha para disputar mandato de deputado federal

Como a deputada federal Flávia Morais (PDT) se tornou “limão” para o candidato do PSB a governador de Goiás, Vanderlan Cardoso, este vai bancar Joaquim Liminha, presidente regional do PSC, para deputado federal.

Joaquim Liminha não quer disputar, alegando falta de estrutura e que deverá coordenar a campanha de Vanderlan. Mas o líder do PSB exige que dispute e, por isso, o ex-vereador por Anápolis deve ser candidato.

Praticamente todos os candidatos a governador, exceto Gomide, vão bater na gestão de Paulo Garcia em Goiânia

Quase todos candidatos a governador vão bater no prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, com o objetivo de conquistar o apoio dos 900 mil eleitores da cidade. Acredita-se que aquele candidato que fizer as críticas mais contundentes a Paulo Garcia pode ser o mais bem votado em Goiânia.

Um petista, meio lamentoso mas leal, diz: “É pena que, ao contrário de Marconi Perillo, Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi, o pré-candidato do PT a governador, Antônio Gomide, não poderá criticar Paulo Garcia abertamente”.

O mesmo petista sugere que, depois do túnel que virou lago e de Goiânia ter se tornado a cidade-lixão, Paulo Garcia “precisa pelo menos se benzer. É preciso espantar a urucubaca”.

O governador Marconi Perillo decidiu, contra a corrente, que não vai atacar com volúpia o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia. Vai, isto sim, ajudá-lo a recuperar a cidade.

Publicamente, o empresário Júnior Friboi pode até dizer o contrário, mas já avisou aos aliados que não fará campanha para Dilma Rousseff e sugeriu que vai abrir “baterias” contra o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia.

Kennedy Trindade aposta que Marconi Perillo terá 42% dos votos no primeiro turno

De Kennedy Trindade, conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios: “Marconi Perillo (PSDB) terá 42% dos votos no primeiro turno, Júnior Friboi (PMDB) terá de 25% a 30%, Antônio Gomide (PT) terá de 10 a 15% e Vanderlan Cardoso (PSB) terá um digito.

Espécie de Malba Tahan do TCE, por ser engenheiro, Kennedy Trindade costuma acertar em seus prognósticos.

Joaquim de Castro deve ir para o TCM. Pode ser o mesmo destino de Helder Valin

Uma coisa é líquida e certa, diria Zygmunt Bauman: Joaquim de Castro irá para o Tribunal de Contas dos Municípios, possivelmente na vaga de Virmondes Cruvinel. A segunda vaga pode ficar para Helder Valin. O presidente da Assembleia Legislativa prefere o Tribunal de Contas do Estado (TCE), mas não rejeitará uma indicação para o TCM. Afinal, mais vale um pássaro na mão do que dois voando. Valin é cotado para a vaga de Tião Caroço.

“Devemos nos orgulhar de sermos caipiras”

Ronaldo Brasil Sobre a nota “TV Anhanguera busca identidade com Goiás mas novela da TV Globo avacalha os goianos” (Jornal Opção 2025), na coluna “Imprensa”, não vejo em que a novela avacalha os goianos assim como não vejo nada de negativo sermos caipiras. A novela tem personagens como Virgílio, de Humberto Martins, que representa muito bem a mansidão e bondade do povo goiano; a Shirley, de Viviane Pasmanter, que mostra o nosso lado expansivo, alegre, festeiro — apesar de ela ser vilã, até gosto dela. Tem também o Laerte, de Gabriel Braga Nunes, um homem do mundo, que conquistou o público fora do País com seu talento para a música clássica, e não tem nada de caipira. A novela só peca por não mostrar mais a nossa linda Goiânia. Nós goianos temos de parar com essa bobagem de nos ofendermos quando nos chamam de caipira, já que somos caipiras, sim, e devemos nos orgulhar disso. Quando chamou Goiânia de “fazenda asfaltada”, o “Rei” Roberto Carlos não queria ofender, foi uma expressão de carinho, o que ele sentiu e foi o que muita gente de fora sente quando vê nossa esplêndida capital pela primeira vez, afinal em poucas grandes cidades do Brasil se encontra tantas áreas verdes em pleno centro e, podem crer, nossos bosques têm mais vida. Onde se consegue comer goiaba ou seriguela madurinha colhida do pé, sentado na praça ouvindo o joão-de-barro cantar? E-mail: robaldobrasil@hotmail.com

“O ‘novo’ já cansou o goiano”

Odlan Cruzeiro Com a saída de Iris, ganhou novamente Marconi, e ganharam Gomide e Vanderlan. Perdeu o PMDB. Parabéns para Maguito Vilela, seu filho [deputado estadual Daniel Vilela] e seu sobrinho [deputado federal Leandro Vilela] e o “novo” Junior Friboi. Vamos ver se conseguem ganhar de Marconi, o que duvido muito. Como eleitor, acredito que esta proposta de “novo” através de Junior Friboi. Infeliz­mente não pegou e não vai pegar. É só ver o que o Tempo Novo fez, quando se fala em “novo”, todos engolem em seco e viram a cara. É muito mais interessante para o PMDB ter algo real e consistente do que esse “novo” de marketing, que tudo mundo está cheio. Se Júnior aceitar ser o candidato a vice, com certeza ela será o mais beneficiado de todos: vai ganhar a eleição, será respeitado e realizará um sonho que ele vem tentando há vários anos: consolidar-se como politico. Marconi, vai ficar sozinho na reta final, o único que é um politico fiel é Ronaldo Caiado, os outros da base, se analisarmos bem, já pularam de galho em galho. E os que nunca pularam não sabem se vão ou se ficam. Quanto a Iris versus Friboi, está em jogo a sigla: se ganha Iris, o PMDB ganha e Junior também ganha; se Friboi ganha, perdem todos, inclusive o “novo”. Dessa palavra, “novo”, os goianos já estão cansados. E-mail: odlan.cruzeiro@gmail.com

“Parece que só o paciente tem obrigações nos tratamentos psicológicos”

Márcio Costa Rodrigues O caso de Suindara Alexandre Coelho me faz pensar quando o preconceito quanto as pessoas que apresentam este tipo de problema vai diminuir. Fui diagnosticado com bipolaridade, mas ninguém levanta os motivos que levaram ao desenvolvimento da doença. As pessoas parecem agir como se fôssemos a uma prateleira e escolhêssemos uma determinada enfermidade, como se fosse voluntário nosso comportamento. São doenças de difícil diagnóstico, às vezes. Frequentemente médicos diferentes apresentam diagnósticos também diferentes. Pior: além disso são de difícil tratamento e nem todos — apesar de ostentarem seus títulos de filiados à Sociedade Brasileira de Psiquiatria ou ao CRP [Conselho Regional de Psicologia] — estão capacitados para o tratamento. Apesar de prontamente cobrar para fazê-lo. Falo isso como paciente que levou 23 anos desde uma manifestação inicial da doença e o seu correto tratamento. Só para o diagnóstico “correto” foram 20 anos, mais 3 ainda para o tratamento adequado. Somos questionados: você não procurou ajuda, você não manteve o tratamento? Parece que o único que tem obrigações é o paciente. Afinal, aqueles que lhe aplicam os tratamentos estão protegidos pelo direito discricionário, como me alertou um advogado. Já fui chamado do psicopata, demitido da Embrapa Amapá, ameaçado de prisão, internação, etc. Tratado como pessoa indesejável, ao qual deveria ser aplicada alguma solução. Isso eu sendo concursado e regido pela Lei 8.112/90. Hoje vivo em Goiás, meu Estado natal, mas, como no Amapá não havia condições para tratamento — e por eu ter sido qualificado como indesejável pela Superintendência Federal de Agricultura do Amapá —, estou privado do convívio familiar com minha esposa e filhas, pois minha esposa é servidora do governo do Amapá e não pode ser “transferida” para Goiás. Daqui a pouco, eles vão pedir meu voto de novo. Como se diz nas redes sociais: “kkkkkkkkkk”. E-mail: marciocr.go@hotmail.com

Suindara 2“Linda homenagem a Suindara”

Vera Lucia Fonseca Linda a mensagem a Suin­dara Coelho [encontrada morta no domingo, 27] feita por seu amigo, o jornalista Frederico Vitor [Jornal Opção Online]. Sua amizade, com toda a certeza, e essa vibração de amor humano e de Deus, que você enviou a ela nessas palavras, a ajudarão a atravessar os portais por onde passar, a caminho da luz. Pedirei a Deus por ela, também. Vera Lucia Fonseca é jornalista. E-mail: veralucia.fonseca@hotmail.com

“Pela 1ª vez não vou votar no PMDB”

Rosimeire Campos Sou e sempre fui PMDB, mes­mo antes de ter idade para votar. Mas, pela primeira vez, não vou vo­tar em meu partido. Não voto em oportunista, não voto no “Boi”. E-mail: rosi5442@yahoo.com.br

“Só aparece corrupção quando há oposição”

Túlio Henrique Sobre a reportagem “Bom era na ditadura, quando não tinha corrupção. Ah, não?” (Jornal Opção 2012), é complicado encontrar um militar que se enriqueceu/corrompeu, até mesmo porque a ditadura militar não fez — e não faria — um levantamento a partir de uma CGI [Comis­são Geral de Investigação] de si própria. O que dizer dos documentos oficiais do Exército do período militar que são inacessíveis à consulta civil? Se alguém quiser pesquisar sobre a história deste período, tem de se contentar com o arquivo presente na biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que contém uma parte desses documentos. Só aparece corrupção na medida em que exista oposição direta, com acesso a meios de comunicação e tudo, o que bem sabemos que não existia na ditadura. O perigo de uma ditadura, tanto de esquerda quanto de direita, é a legitimação da violência de Estado constitucionalmente, e por seu caráter autoritário que cria a ilusão da inexistência de corrupção, sendo mais viável se pensar sobre a inexistência de denúncia sobre risco de morte. Não se trata de “co­nhecer a história” apenas pra saber o que aconteceu. Trata-se de conhecer o “que é história” primeiro. E-mail: tuliohsqueiroz@hotmail.com

“Ótimo texto do futuro do jornalismo”

Júnior Bueno Poucas vezes me deparei com um texto tão primoroso e sensível como “Autorretrato de uma reportagem velha” (Jornal Opção 2024). O futuro do (bom) jornalismo descansa em braços excelentes. Parabéns, Kaito Campos. E-mail: lucano.junior@hotmail.com

“Parabéns ao Opção por seu moderno portal de notícias”

Darlan Braz de Oliveira Gostaria de parabenizar o Jornal Opção, este importante veículo da comunicação goiana e do Brasil, pelo lançamento de seu portal de notícias. Sem dúvida alguma, um importante instrumento de informação a todos os seus leitores. Acreditamos que, com essa nova e moderna ferramenta, teremos acesso a informações de forma mais ágil e maior interatividade e acessibilidade. Desta forma, nós, leitores assíduos que somos, nos orgulhamos muito com a qualidade e a simplicidade da informação nessa nova ferramenta e plataforma tecnológica. Darlan Braz de Oliveira é vice-presidente estadual do PPS e presidente do diretório municipal de Goiânia. E-mail: d_braz@hotmail.com

“Será que as pessoas se absteriam do benefício de experiências com animais?”

Bruno Flamarion Segundo Paulo Freire, “a leitura de mundo só adquire significado se contextualizada”. É isso que constantemente não acontece. Por não estarem no âmbito de pesquisas científicas com animais, muitas pessoas sequer têm o reconhecimento da real importância dessas pesquisas na evolução humana. Assim, muitas vezes acabam partindo para o lado da ignorância, como no caso ocorrido no Instituto Royal. Não faz parte de seus “contextos” matar cruelmente um animal apenas para brincar de cientista. É assim que muitos enxergam o procedimento, mas faz parte do contexto das mesmas pessoas utilizar todas as novidades científicas que foram conquistadas por meio desses recursos. Já que os mesmos não concordam com tais experimentos, poderiam se abster de todos os benefícios que os mesmos experimentos proporcionam, não concordam? Por isso tudo, é muito bom o pon­to de vista do professor Elder Sales no artigo “E se não usássemos os a­ni­mais... ou vegetais?” (coluna “Bio Lógica”, Jornal Opção On-Line). E-mail: brunoflamarion@hotmail.com

“É preciso pensar também no poder de compra do salário”

Rafaela Kelly Em relação ao texto “Invasão chinesa abala indústria goiana” (Jornal Opção 1913), só para deixar claro, o salário da China pode até ser baixo, mas isso vai de acordo com o poder de compra que ele oferece. Eu escrevo da China, em Guangdong, e o salário médio aqui é de US$ 300 dólares, mas esse valor dá a uma pessoa daqui o mesmo nível de vida que uma classe C no Brasil. Na Índia, por exemplo, o salário médio é de US$ 200 e o mesmo ocorre. Não se podem comparar apenas valores, mas o poder de compra que aquele salário dá ao cidadão. E-mail: rafaela_kelly@hotmail.com

 cartas.qxd“Texto sobre menoridade penal deveria ser enviado aos senadores”

Denise Duarte Só mesmo José Maria e Silva para salvar o jornalismo goiano. O texto “Estatuto cria a figura do infrator de família que substituiu o menor de rua” (Jornal Opção 2020) está impecável. Digno de ser enviado a todos os senadores que votaram contra a maioridade penal. Vou compartilhá-lo no meu Facebook e no Twitter. Faço uma sugestão: escreva, brilhantemente como sempre, da incoerência da trupe do PC do B querendo fechar o SBT, acho que só pessoas como você conseguem falar com fundamento sobre tal bizarrice. Parabéns mais uma vez. Denise Duarte é jornalista. E-mail: deniseduartevargas@gmail.com

cartas.qxd“Francisco Ludovico merece as maiores homenagens”

Antônio Macedo Já havia lido essa excelente entrevista republicada pelo Jornal Opção com o médico Francisco Ludovico (edição 2022), com quem tive a satisfação de conversar algumas vezes. Era muito receptivo. Ocupa posição de destaque na história da medicina em Goiás não só por ser o fundador da Faculdade de Medicina, mas também pelos relevantes serviços prestados à população goiana no Hospital Santa Genoveva. Tinha conhecimentos sólidos e uma ampla visão de clínica médica e cirurgia, além de sentir prazer pelo exercício da profissão. Foi, portanto, um grande médico e uma ótima figura humana. É merecedor das maiores homenagens. Antônio Macedo é médico. E-mail: ammacedo@terra.com.br

“Precisamos mudar muito até termos um país decente”

Antonio Alves Parabéns a José Maria pelo texto esclarecedor e sensato. Uma coisa é certa: contra os fatos não existem argumentos. A incoerência dos intelectuais, do Legislativo, do Executivo, do Judiciário e muitas entidades da sociedade civil ao tratar bandidos de alta periculosidade como reeducandos é gritante. Se fora dos presídios, no convívio com cidadãos de bem, eles não foram capazes de se adaptar aos princípios de comportamento social, imagine dentro de um presídio, onde estão lidando com criaturas da pior espécie. Enquanto o Estado e a sociedade estiverem pensando mais no bem-estar do bandido preso e de seus familiares, o restante da sociedade continuará a perecer. Está claro que o Brasil ainda precisa mudar muito para se tornar um país decente, desde a maneira de pensar da sociedade em geral até a forma de agir dos três Poderes. E-mail: alvesantonio6@gmail.com

“Uma história que os comunistas daqui não contaram”

P. C. Albuquerque Diante do exposto no texto “China de Mao Tsé-tung e Chu En-Lai não deu apoio decisivo à Guerrilha do Araguaia” (Jornal Opção 2016), posso muito bem chegar à conclusão de que debaixo do “tapete” da história do Partido Comunista do Brasil não se encontra apenas pó e poeira, mas, essencialmente, certas verdades que não poderiam jamais ser reveladas aos demais camaradas, ilustres iludidos, que verdadeiramente se engajaram na luta com arma em punho, sob o risco de colocar em xeque a própria moral e autonomia do PCdoB no sentido de levar adiante esse projeto revolucionário (guerrilha do Araguaia). Como se vê, o PCdoB não recebeu do PC Chinês uma espécie de “credencial” revestida de autoridade e reconhecimento para levar adiante um movimento fadado ao mais absoluto fracasso. Esse é mais um aspecto dessa história que os “iluminados” comunistas nunca nos contaram. E-mail: pcalbuquerque@hotmail.com  

Irmãos Bielski enfrentaram nazistas e salvaram 1.200 judeus

“Não posso garantir que não enfrentaremos privações na floresta, mas pelo menos temos uma chance de viver. Saiam imediatamente", disse Tuvia Bielski

Candidatura de Mauro Bento a deputado federal limpa a área para Vitor Priori e tira votos de Daniel Vilela em Jataí

O vereador de Jataí Mauro Bento Filho, do PHS, não tem qualquer chance para deputado federal. Porém, picado pela mosca azul, deve trocar uma eleição para deputado estadual, com muito mais chance de sagrar-se vitorioso, por uma disputa na qual, para ser eleito, precisa ter uma votação extraordinária.

Com habilidade, o tucanato quer bancar Mauro Bento Filho para deputado federal sobretudo para “limpar” a área para o empresário milionário Vitor Priori, que será candidato a deputado estadual pelo PSDB. Ótima jogada para... Priori.

Mas uma candidatura de Mauro Bento Filho também tem outro objetivo: reduzir o impacto da candidatura de Daniel Vilela no Sudoeste goiano, notadamente em Jataí.

Petismo vai criticar, na campanha, a suposta gastança de Júnior Friboi

O petismo avalia que, mesmo torrando uma fortuna, Júnior Friboi não conseguirá ser eleito governador de Goiás. Petistas apostam que o excesso de dinheiro vai colocá-lo em confronto com o eleitor.

Antônio Gomide tende a fazer uma campanha modesta e deve criticar a suposta gastança do de Friboi.