“As marcas não competem apenas por atenção, mas por compreensão.” A avaliação é de Eric Saboya, fundador e CEO da Criamente, apresentada por ele como a primeira agência especializada em Generative Engine Optimization (GEO) do Brasil. Segundo o executivo, a expansão de ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity alterou a forma como consumidores pesquisam produtos e serviços e, no mercado imobiliário, fez com que a inteligência artificial passasse a participar de etapas cada vez mais precoces da jornada de compra.

Para Saboya, a principal mudança está no ponto de partida das pesquisas. Em vez de abrir diferentes sites, portais e páginas para comparar informações, o consumidor pode recorrer diretamente a um assistente virtual para tirar dúvidas sobre imóveis, construtoras e investimentos. “Hoje boa parte dessas pessoas vai direto para o GPT fazer a pesquisa: ‘Vale a pena comprar na planta? A construtora X é confiável?’. E a IA entrega a resposta pronta, faz curadoria, identifica as fontes e faz as recomendações”, afirma. Segundo ele, isso é especialmente relevante no setor imobiliário, no qual a decisão envolve valores elevados e pode ser precedida por meses de pesquisa.

Como funciona o GEO

Nesse cenário, a Criamente trabalha com os conceitos de Generative Engine Optimization e “Encontrabilidade”, estratégia voltada a tornar as informações sobre uma empresa mais claras e estruturadas para os sistemas de inteligência artificial. De acordo com Saboya, não se trata de simplesmente inserir palavras-chave em conteúdos, como ocorre em estratégias tradicionais de SEO. “O ChatGPT só recomenda aquilo que está bem representado e estruturado. Meu trabalho é tornar a marca legível para a máquina, e a encontrabilidade é o resultado natural disso”, explica.

O executivo afirma que a estratégia envolve identificar as dúvidas que o público costuma apresentar às IAs e produzir conteúdos capazes de respondê-las de maneira objetiva e citável. Também é necessário manter informações consistentes em diferentes fontes consultadas pelos modelos. “Não se compra uma posição nas respostas da IA, você a constrói. Isso significa responder com clareza às perguntas que o público realmente faz, em um formato que a IA consiga extrair e citar”, diz. Segundo ele, uma empresa que apresenta informações diferentes em seu site, redes sociais e outras fontes pode dificultar a interpretação dos sistemas.

Eric Saboya
Para Saboya, a principal mudança está no ponto de partida das pesquisas | Foto: Acervo pessoal

Case no setor imobiliário

Um dos exemplos citados pela Criamente é o trabalho desenvolvido para a Dommus Tecnologia, plataforma de CRM e ERP voltada a incorporadoras e construtoras. Segundo os dados apresentados pela agência, a empresa registrou crescimento superior a 200% em sua presença nos ecossistemas de inteligência artificial generativa e passou a figurar entre as 20 marcas mais citadas por assistentes virtuais no segmento. Saboya atribui o resultado à organização de informações que a empresa já possuía e à adaptação do conteúdo para as perguntas feitas pelo mercado.

“Foi um trabalho focado, de algumas semanas, e o resultado veio de um princípio que repito sempre: GEO não inventa autoridade, ele revela a que já existe”, afirma. De acordo com ele, a estratégia incluiu o mapeamento de perguntas relacionadas a CRM e gestão no setor imobiliário, a reestruturação dos conteúdos para respostas mais diretas e a padronização da presença da marca nas fontes consultadas pelos modelos de IA. Apesar do avanço na presença digital, Saboya ressalta que ainda há limitações para atribuir diretamente uma conversão comercial à interação com uma inteligência artificial.

Medição e confiabilidade

Para acompanhar os resultados, a Criamente monitora indicadores como citabilidade, presença nas respostas e a forma como as marcas são descritas pelos sistemas. A agência utiliza plataformas de acompanhamento, como a Searchable, para observar os prompts executados diariamente e avaliar a evolução da presença das empresas. “A atribuição direta de conversão a partir do trabalho de GEO ainda é imperfeita. O que medimos com segurança é aumento de citabilidade, presença nas respostas e, principalmente, como ela é descrita, com precisão ou com erro”, explica.

Outro ponto destacado por Saboya é a necessidade de garantir que as informações disponíveis sobre uma empresa sejam verificáveis e coerentes. Segundo ele, sistemas de inteligência artificial podem apresentar informações equivocadas quando encontram dados contraditórios, incompletos ou insuficientes sobre uma marca. “Nosso trabalho é fazer com que a versão correta e verificável seja a mais clara e disponível, para que a IA tenha a verdade à mão”, afirma. O executivo acrescenta que a estratégia não deve ser usada para atribuir a uma empresa características ou promessas que não correspondam à sua estrutura e atuação real.

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