Goiás monitora avanço do El Niño diante de risco de seca, calor e queimadas
07 junho 2026 às 10h16

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O fenômeno climático El Niño deve ganhar força ao longo de 2026 e já coloca o Brasil em estado de atenção diante do risco de eventos extremos, como secas severas, ondas de calor e enchentes. Embora ainda haja incerteza sobre a intensidade do evento, previsões meteorológicas indicam alta probabilidade de formação do fenômeno no segundo semestre.
O El Niño está associado ao aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.
No Sudeste Asiático, na Austrália, no sul da África e em áreas do Norte e Nordeste do Brasil, o fenômeno costuma favorecer períodos mais secos. Já no Sul do Brasil, o El Niño tende a aumentar o volume de chuvas, elevando o risco de enchentes.
Em 2015, o fenômeno contribuiu para uma seca histórica na Amazônia, enquanto o Sul registrou chuvas intensas e alagamentos. Em 2023, o padrão voltou a se repetir, com crise hídrica nos rios Negro e Madeira, além de eventos extremos no Rio Grande do Sul.
Em entrevista anterior ao Jornal Opção, o gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, afirmou que Goiás tem se preparado para lidar com os dois extremos climáticos por meio da Operação Cerrado Vivo, desenvolvida pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros Militar.
Amorim reforçou, no entanto, que a conscientização da população é essencial para reduzir os impactos do período seco. Entre os cuidados, ele destacou a economia de água e a prevenção de incêndios florestais. “A pessoa pensa que está ajudando fazendo uma limpeza do local [colocando fogo no mato seco], mas ela causa um grande problema, com fuligem e poluição atmosférica. Isso só traz problemas”, afirmou.
Segundo ele, as mudanças climáticas têm intensificado a frequência e a força desses fenômenos, especialmente pelo aquecimento das águas oceânicas. “Há uma aceleração do aparecimento desses fenômenos e eles ficam cada vez mais extremos”, completou.
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