O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores da história da televisão brasileira, morreu nesta terça-feira, 7, aos 95 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), que informou que o novelista faleceu em decorrência de complicações provocadas por insuficiência renal crônica.

Em janeiro deste ano, Benedito permaneceu internado por 19 dias para tratar uma infecção urinária associada ao quadro renal, mas voltou a enfrentar complicações nos últimos meses.

Com uma carreira que atravessou mais de cinco décadas, Benedito Ruy Barbosa marcou a dramaturgia nacional ao levar para a televisão histórias ambientadas no campo, retratando o universo rural, os conflitos pela terra, a imigração italiana e grandes romances. Entre suas obras mais conhecidas estão Pantanal (1990), Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999), Cabocla, Meu Pedacinho de Chão, Sinhá Moça e Velho Chico.

Nascido em 1931, na cidade de Gália, no interior de São Paulo, Benedito passou a infância em Vera Cruz. Após perder o pai ainda jovem, precisou trabalhar cedo para ajudar a família, exercendo diversas funções antes de ingressar no jornalismo como revisor no jornal O Estado de S. Paulo.

Foi justamente a paixão pela escrita que abriu caminho para sua carreira artística. Seu primeiro romance, Fogo Frio, foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), impulsionando sua entrada na televisão.

A estreia como autor de novelas aconteceu em 1966, na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por outras emissoras até consolidar sua carreira na TV Globo, onde escreveu algumas das produções mais emblemáticas da televisão brasileira.

Em 1990, durante passagem pela extinta TV Manchete, revolucionou a dramaturgia com Pantanal. A novela inovou ao utilizar extensas gravações em locações externas e apresentar ao público a beleza e os mistérios do bioma pantaneiro. O sucesso foi tão expressivo que a obra ganhou um remake décadas depois, escrito por seu neto, Bruno Luperi.

O mesmo aconteceu com Renascer, outro clássico criado por Benedito e regravado recentemente, mantendo viva a obra do autor para novas gerações.

Em O Rei do Gado, abordou temas como reforma agrária e conflitos fundiários sem abrir mão das histórias de amor, enquanto Terra Nostra retratou a chegada dos imigrantes italianos ao Brasil no início do século XX.

Ao longo da carreira, Benedito costumava dizer que uma boa novela precisava, acima de tudo, de uma grande história de amor. A frase se tornou uma síntese da obra de um escritor que ajudou a transformar a teledramaturgia brasileira e deixou personagens, cenários e histórias que permanecem na memória do público.