Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, morreu nesta segunda-feira, 22, aos 100 anos. A informação foi divulgada pela imprensa norte-americana e confirmada por sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell. Segundo ela, o economista morreu em casa em decorrência de complicações causadas pela doença de Parkinson.

Considerado uma das figuras mais influentes da economia mundial nas últimas décadas, Greenspan esteve à frente do Federal Reserve entre 1987 e 2006, tornando-se um dos dirigentes mais longevos da história da instituição. Durante quase 19 anos no cargo, conduziu a política monetária dos Estados Unidos em períodos de forte crescimento econômico, crises financeiras e transformações tecnológicas que moldaram a economia global.

Em nota, Andrea Mitchell destacou não apenas a relevância profissional do economista, mas também sua trajetória pessoal. “Ele ajudou a moldar a economia americana durante décadas e sempre teve a honestidade de reconhecer seus próprios erros”, afirmou.

Quase duas décadas no comando da economia americana

Nascido em Nova York em 6 de março de 1926, Greenspan formou-se em Economia pela Universidade de Nova York e iniciou sua carreira como consultor financeiro. Sua projeção nacional começou nos anos 1970, quando integrou o governo do presidente Gerald Ford como presidente do Conselho de Assessores Econômicos.

Em 1987, foi escolhido pelo presidente Ronald Reagan para comandar o Federal Reserve. Poucos meses após assumir o cargo, enfrentou seu primeiro grande desafio: a chamada “Segunda-Feira Negra”, quando a Bolsa de Valores de Nova York sofreu uma das maiores quedas de sua história.

A resposta rápida da autoridade monetária ajudou a evitar uma crise mais profunda e consolidou sua reputação nos mercados financeiros. A partir dali, Greenspan tornou-se uma das vozes mais respeitadas da economia mundial.

Durante sua gestão, atravessou os governos de Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush, período marcado pela expansão da economia americana, pela revolução tecnológica dos anos 1990 e pela consolidação da globalização.

Legado e críticas

Greenspan ficou conhecido por defender a atuação limitada do Estado na economia e por acreditar na capacidade dos mercados de se autorregularem. Essa visão influenciou decisões importantes do Fed e ajudou a moldar a política econômica dos Estados Unidos durante quase duas décadas.

No entanto, após a crise financeira de 2008, sua atuação passou a ser alvo de críticas. Especialistas apontaram que a flexibilização regulatória do sistema financeiro e a tolerância a operações de maior risco contribuíram para a formação da bolha imobiliária que antecedeu o colapso econômico.

O próprio Greenspan reconheceu posteriormente que parte das premissas que orientavam sua visão sobre os mercados havia se mostrado equivocada.

Defesa da independência do banco central

Mesmo após deixar o Federal Reserve em 2006, Greenspan continuou participando do debate econômico internacional como consultor, palestrante e autor.

Nos últimos anos, voltou ao centro das discussões ao defender publicamente a independência do banco central americano diante de pressões políticas. Ao lado de outros ex-presidentes do Fed, como Janet Yellen e Ben Bernanke, assinou manifestos em defesa da autonomia da instituição e da preservação de sua credibilidade.

Sua atuação ajudou a consolidar o papel do Federal Reserve como uma das instituições mais influentes do sistema financeiro mundial.

Com a morte de Alan Greenspan, desaparece uma das figuras mais marcantes da história econômica contemporânea, responsável por decisões que influenciaram não apenas os Estados Unidos, mas também os mercados e governos de todo o mundo.