Campus do IFG em Cavalcante tem entrega prevista para o fim de 2026 e promete transformar a educação na Chapada
07 julho 2026 às 16h24

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A autorização para o funcionamento do Câmpus Cavalcante do Instituto Federal de Goiás (IFG), publicada pelo Ministério da Educação (MEC), representa mais do que a criação de uma nova unidade de ensino. Para moradores da Chapada dos Veadeiros, especialmente das comunidades Kalunga, a medida simboliza a possibilidade de estudar sem precisar deixar a região, uma realidade que por décadas obrigou jovens a migrarem para Goiânia, Brasília e outras cidades em busca de formação profissional.
A portaria publicada pelo MEC define a estrutura administrativa da unidade e permite o avanço das etapas de implantação do campus. Em sua capacidade plena, o instituto contará com 40 professores, 26 técnicos administrativos e capacidade para atender até 800 estudantes. As obras, financiadas com recursos do Novo PAC, já atingiram cerca de 40% de execução e a previsão é de conclusão até o fim deste ano. O investimento total é estimado em R$ 25 milhões.
Para o prefeito de Cavalcante, a chegada do IFG representa uma mudança histórica para uma região que convive há décadas com a escassez de oportunidades educacionais. “A demanda é antiga. Eu mesmo precisei sair da comunidade para fazer um curso superior. Muitos jovens deixam Cavalcante porque não encontram oportunidade de estudar aqui. Agora teremos uma virada de chave não apenas para Cavalcante, mas para todo o Nordeste goiano e para o povo quilombola”, afirma em entrevista ao Jornal Opção.
Morador da comunidade Kalunga do Engenho II e formado em Ciências da Natureza e Matemática, o prefeito lembra que muitas famílias deixam de investir na formação dos filhos porque não conseguem custear moradia em outras cidades.
“Muitas pessoas têm vontade de estudar, mas não podem abandonar a família ou deixar os filhos para morar em outro município. O Instituto Federal traz dignidade e permite que o jovem realize esse sonho perto de casa.”

Cursos serão definidos junto à população
Embora o funcionamento da unidade tenha sido autorizado, os cursos que serão ofertados ainda não foram definidos.
Segundo o IFG, a construção da grade de cursos está sendo realizada por meio de consultas públicas, estudos de demanda e diálogo com representantes da sociedade civil, movimentos sociais, lideranças quilombolas, setor produtivo e gestores públicos. A intenção é que a oferta esteja alinhada às vocações econômicas e ambientais da Chapada dos Veadeiros.
O prefeito afirma que a expectativa é justamente que os cursos reflitam a identidade da região.
“O instituto vai ter a nossa cara, a cara do Cerrado. Queremos cursos ligados à nossa cultura, ao meio ambiente e às necessidades da população. Tudo está sendo construído em conjunto com a comunidade.”
O IFG também informa que a capacidade inicial de atendimento e o número de vagas da primeira turma ainda serão definidos durante o processo de implantação, acompanhando a contratação de servidores e a conclusão da infraestrutura.
Impacto econômico
Além da formação profissional, a expectativa é de que o campus movimente a economia local.
A administração municipal estima que a circulação diária de estudantes, professores e técnicos deverá ampliar a demanda por moradia, alimentação, transporte e comércio.
“Estamos nos preparando porque serão mais pessoas vivendo na cidade. Isso movimenta restaurantes, comércio, serviços e gera novas oportunidades. É um crescimento que precisa acontecer com planejamento e responsabilidade”, diz o prefeito.
Na avaliação do IFG, os impactos vão além da geração de empregos durante a construção da unidade. A instituição aposta na qualificação da mão de obra, fortalecimento da inovação, estímulo ao associativismo e apoio ao desenvolvimento sustentável da região, contribuindo para atrair investimentos e melhorar os indicadores socioeconômicos de Cavalcante e dos municípios vizinhos.
Berço da comunidade Kalunga
A escolha de Cavalcante também possui forte simbolismo social.
O município abriga parte do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, considerado o maior território quilombola do Brasil em extensão territorial. Para o IFG, a implantação da unidade reforça políticas de inclusão, equidade e justiça social ao ampliar o acesso da população tradicional à educação pública, gratuita e de qualidade.
O terreno destinado ao campus, com 122 mil metros quadrados, foi doado pela prefeitura. Na primeira etapa serão construídos salas de aula, laboratórios, biblioteca, restaurante estudantil, miniauditório, bloco administrativo, estacionamento e demais estruturas necessárias ao funcionamento da unidade.
Mesmo após a conclusão da obra, o início das atividades dependerá da aquisição de equipamentos, mobiliário e da realização de concurso público para contratação dos servidores, etapas que ainda não possuem cronograma definido.



