Correios fecham 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões em meio à reestruturação da estatal
23 abril 2026 às 17h11

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Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, segundo balanço apresentado pelo presidente Emmanoel Rondon nos primeiros 100 dias do Plano de Reestruturação da estatal. Este é o 14º trimestre consecutivo de resultados negativos, e o déficit é três vezes maior que o registrado em 2024.
Do total, 75% correspondem a despesas com dívidas reconhecidas judicialmente, os chamados precatórios. Além disso, o faturamento bruto da empresa caiu 11%, atingindo R$ 17,3 bilhões.
Representantes dos Correios afirmam que R$ 2,63 bilhões do valor gasto com precatórios foram herdados de gestões anteriores. Em comunicado interno que detalhou os resultados financeiros de 2025, afirmou-se que esses gastos são referentes a ações trabalhistas sobre adicional de atividade de distribuição e coleta externa.
No mesmo documento, foi explicado que a principal queda de receita foi causada pela redução de encomendas internacionais, que diminuiu 66% em relação a 2024. Para garantir liquidez imediata, os Correios contrataram R$ 12 bilhões em crédito junto a um grupo de bancos.
Esse valor já foi repassado quase integralmente aos Correios no dia 30 de dezembro de 2025, mas pouco afetou o balanço do ano, pois o objetivo inicial dessa verba era pagar gastos pré-existentes, e não reduzi-los. O dinheiro veio principalmente da Caixa Econômica Federal (R$ 3 bilhões), Bradesco (R$ 3 bilhões), Itaú Unibanco (R$ 1,5 bilhão) e Santander Brasil (R$ 1,5 bilhão). O acordo tem validade até 2040 e conta com a garantia da União.
O pagamento deve começar a ser feito a partir de 2029 e tem taxa de juros de 115% do CDI. Se os Correios não arcarem com a dívida, o governo federal deverá assumir o pagamento das parcelas.
Além disso, serão leiloados imóveis sem uso operacional. A expectativa é que essa arrecadação chegue a R$ 1,5 bilhão. Também foi iniciado o Programa de Demissão Voluntária (PDV), que já teve adesão de 3.181 funcionários, cerca de 31% da meta total. Segundo a estatal, a iniciativa pode gerar economia de R$ 1,4 bilhão a partir de 2027.
O PDV garante o pagamento de indenizações e benefícios previstos em regulamento e é um mecanismo recorrente em processos de reestruturação de estatais. Só em 2025, houve economia de R$ 147,1 milhões com o programa e, neste ano, a expectativa é de redução de custos de R$ 775,7 milhões.
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