Aparecida prevê mais de R$ 1 bilhão em investimentos e mantém R$ 90 milhões para amortização
01 setembro 2026 às 13h05

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Mesmo sem uma previsão para eliminar os cerca de R$ 200 milhões em dívidas herdadas da gestão anterior, a Prefeitura de Aparecida de Goiânia mantém uma programação de investimentos superior a R$ 1 bilhão. Ao mesmo tempo, o orçamento municipal prevê R$ 90 milhões para amortização da dívida, mostrando que a administração precisa conciliar a regularização do passivo com a execução de novos projetos e a manutenção dos serviços públicos.
Os números constam do orçamento de 2025 do município. A peça prevê R$ 3,39 bilhões em receitas e despesas. Do total das despesas de capital, de R$ 1,18 bilhão, R$ 1,07 bilhão são destinados a investimentos, enquanto R$ 90 milhões estão previstos para amortização da dívida e outros R$ 17 milhões para despesas relacionadas a operações de crédito anteriormente contratadas.
O cenário financeiro ganha relevância diante da informação apresentada pelo prefeito Leandro Vilela de que aproximadamente R$ 300 milhões do passivo herdado já foram pagos. Segundo ele, a dívida encontrada pela atual administração era de aproximadamente R$ 500 milhões e ainda restam cerca de R$ 200 milhões.
Vilela, no entanto, não estabelece uma data para que a conta seja totalmente encerrada. Segundo o prefeito, os pagamentos são realizados conforme a disponibilidade financeira do município e após uma avaliação individual dos débitos.
“Não tem previsão, não dou previsão, não sei ainda. Tudo é analisado criteriosamente para que possa sendo cumprido conforme a condição de fluxo de caixa”, afirmou.
Folha de servidores está entre os débitos herdados
Entre os compromissos deixados pela administração anterior, Vilela cita uma dívida de aproximadamente R$ 60 milhões referente à folha de pagamento dos servidores de 2024.
De acordo com o prefeito, a Prefeitura não adota simplesmente uma ordem cronológica para definir quais débitos serão pagos. As obrigações são avaliadas conforme a situação de cada credor, a disponibilidade de recursos e as prioridades da administração.
“Cada uma é analisada criteriosamente, minuciosamente, para que a gente possa, quando tiver recurso, também cumprir com esses que são credores da Prefeitura Municipal de Aparecida”, disse.
A estratégia permite que o município avance simultaneamente na redução do passivo e em obras e projetos considerados prioritários pela atual gestão.
Mais de R$ 2 bilhões em despesas correntes
Além dos investimentos e da dívida, uma parcela expressiva do orçamento é destinada ao funcionamento da máquina pública. O orçamento de 2025 prevê R$ 2,05 bilhões em despesas correntes.
Desse valor, R$ 1,18 bilhão correspondem a pessoal e encargos sociais, enquanto R$ 871,3 milhões estão previstos para outras despesas correntes.
Já as receitas correntes foram estimadas em R$ 2,52 bilhões. O município também projetou R$ 947 milhões em receitas de capital, incluindo R$ 584 milhões em operações de crédito — R$ 254 milhões no mercado interno e R$ 330 milhões no mercado externo.
O orçamento ainda prevê R$ 154,2 milhões em reserva de contingência.
No total, a previsão orçamentária foi fechada em R$ 3,391 bilhões, sem déficit ou superávit projetado.
Prefeitura não quer comprometer investimentos
Ao comentar a situação, Vilela afirmou que a Prefeitura não pode direcionar todos os recursos disponíveis para quitar débitos deixados pela administração anterior. Para ele, é necessário encontrar um equilíbrio entre o pagamento das obrigações e a execução de ações que atendam às demandas atuais da cidade.
“Eu não vou ficar aqui só pagando conta da gestão anterior irresponsável que fez o que fez com a cidade. Agora, é preciso que a cidade possa ter os investimentos. E é isso que nós temos feito”, declarou.
A avaliação individual dos débitos, segundo o prefeito, é uma forma de adequar os pagamentos ao comportamento do caixa municipal.
“É assim que a gente tem feito, avaliando cada caso, cada necessidade, diante daquilo que nós precisamos fazer para a cidade e para a população”, afirmou.
Assim, embora a atual gestão diga já ter reduzido de forma significativa o passivo herdado, o município ainda não trabalha com uma data para zerar os débitos. Enquanto isso, o planejamento financeiro mantém uma fatia superior a R$ 1 bilhão para investimentos, além dos recursos destinados ao pagamento e à amortização das obrigações financeiras.


