Com taxa de 36,1%, Goiás mantém informalidade abaixo da média nacional e vê desemprego cair para 4%
29 agosto 2026 às 17h32

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AA taxa de informalidade em Goiás chegou a 36,1% no segundo trimestre de 2026. Apesar de permanecer abaixo da média brasileira, de 37,4%, o índice avançou em relação aos três primeiros meses do ano, quando estava em 34,2%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mesmo com o aumento de 1,9 ponto percentual entre os dois trimestres, Goiás permanece entre os estados com menores níveis de informalidade do país. O período também registrou redução do desemprego: a taxa caiu de 5,1% no primeiro trimestre para 4% no segundo, ficando abaixo da média nacional, de 5,4%.
Ao Jornal Opção, o economista Eurípedes Júnior explica que o desempenho do mercado de trabalho está relacionado, entre outros fatores, às características da economia goiana. Segundo ele, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado tem apresentado crescimento acima da média brasileira e a atividade econômica é diversificada.
“Goiás é privilegiado do ponto de vista econômico, há anos o PIB cresce mais que a média do Brasil, tem menores níveis de desemprego em relação à média do Brasil.”

Além do agronegócio, serviços, comércio e indústria têm participação relevante na ocupação dos trabalhadores goianos. No primeiro trimestre, os três segmentos reuniam mais de 85% dos ocupados no Estado: 50,7% estavam nos serviços, 22,1% no comércio e 12,5% na indústria.
“Isso ocorre em função da composição econômica do Estado, forte no agro, mas também na indústria, por exemplo”, afirma Eurípedes.
Atração de empresas impulsiona mercado de trabalho
A capacidade de Goiás de atrair novos investimentos também é apontada pelo economista como um dos fatores que contribuem para o cenário. Segundo Eurípedes, a posição geográfica e a política de incentivos fiscais favorecem a instalação de empresas e estimulam outras atividades econômicas ligadas a elas.
“Goiás tem posição geográfica privilegiada, benefícios fiscais e isso acaba atraindo muitas empresas para cá. Como essas companhias precisam de fornecedores, acaba-se por criar toda uma rede na área de serviços, comércio e outros.”
Para o economista, o fato de a informalidade goiana permanecer abaixo da média brasileira por sucessivos períodos indica que o resultado não é apenas circunstancial.
“Há um componente estrutural, porque Goiás já vem há vários trimestres com informalidade abaixo da média brasileira”, avalia.
Investimentos e empregos formais
O secretário de Estado de Indústria, Comércio e Serviços, Joel de Sant’Anna Braga Filho, atribui parte do desempenho às medidas voltadas à atração de investimentos e à qualificação profissional.
“Esse resultado é fruto de um conjunto de ações que vêm criando um ambiente cada vez mais favorável para quem quer empreender, investir e gerar empregos em Goiás”, afirma ao Jornal Opção.
Entre os investimentos mencionados pelo secretário estão cerca de R$ 700 milhões da John Deere em Catalão, R$ 100 milhões da Weichai em Itumbiara e R$ 2,8 bilhões previstos pela Aclara em Nova Roma. Joel também cita investimentos da Caoa e da Chery em Anápolis.
“Tudo isso movimenta a economia, fortalece as empresas que já estão aqui e, principalmente, abre novas oportunidades de emprego formal para os goianos”, diz.

Cenário ainda pode oscilar
Apesar dos indicadores favoráveis, Eurípedes considera prematuro afirmar que a informalidade seguirá uma trajetória contínua de queda. Além do histórico recente, ele aponta mudanças na escolaridade e na composição do mercado de trabalho.
“Há um componente estrutural, porque Goiás já vem há vários trimestres com informalidade abaixo da média brasileira e observamos aumento da escolaridade e formalização em serviços, indústria e partes da cadeia do agronegócio”, explica.
O economista ressalta ainda que Goiás não apresenta a menor taxa de informalidade do Centro-Oeste. Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso registraram percentuais inferiores no segundo trimestre.
Na avaliação de Eurípedes, o Estado reúne condições para continuar com uma taxa abaixo da média brasileira, mas fatores econômicos podem alterar o cenário.
“Eu evitaria projetar uma queda automática nos próximos meses.”
Entre os elementos que podem influenciar o mercado de trabalho estão o nível dos juros, uma eventual desaceleração da atividade econômica e o crescimento das ocupações por conta própria.
A formalização, segundo o economista, traz impactos diretos para os trabalhadores ao ampliar o acesso a direitos e mecanismos de proteção social.
“Para o trabalhador, sem dúvida é a segurança. Direitos como FGTS, INSS, Seguro Desemprego passam a ser adquiridos por estes trabalhadores.”
Além da maior proteção ao trabalhador, a ampliação dos empregos formais pode favorecer a produtividade, o acesso ao crédito e o consumo. O cenário em Goiás, portanto, combina desemprego relativamente baixo e informalidade inferior à média brasileira, embora o avanço registrado no segundo trimestre mostre que os indicadores continuam sujeitos às oscilações da economia.
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