Pedreiro estuda leis, faz a própria defesa na Justiça do Trabalho e surpreende juiz: “Pode mudar de profissão”
29 agosto 2026 às 16h31

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O pedreiro Edilson Takahara chamou a atenção de magistrados ao assumir a própria defesa durante o julgamento de uma ação trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), no Amazonas. Sem advogado durante a sustentação oral, ele foi à tribuna para explicar a relação que mantinha com uma empresa e defender o reconhecimento do vínculo de emprego.
Antes de apresentar os argumentos sobre o processo, Edilson contou aos magistrados que precisou superar a insegurança para falar diante da Corte. Segundo ele, pessoas próximas chegaram a dizer que não conseguiria se expressar durante o julgamento.
“Primeiramente, excelências, eu gostaria de agradecer o acolhimento e dizer que para mim não é tão fácil, acho que todo mundo sabe disso, porque eu tive que me esforçar para vencer essa barreira de criar coragem e vir aqui, mesmo com todo mundo dizendo que eu não ia saber falar”, afirmou.
Apesar do receio inicial, o trabalhador conseguiu detalhar aos julgadores como funcionava sua rotina profissional e contestou a alegação de que prestava os serviços de maneira autônoma.
Argumentação chama atenção
Durante a sustentação, Edilson apresentou as circunstâncias que, na avaliação dele, demonstravam a existência de uma relação de emprego. A forma como organizou e apresentou os argumentos chamou a atenção dos integrantes do tribunal.
Ao analisar o caso, a Corte manteve o reconhecimento do vínculo empregatício entre o pedreiro e a empresa.
O desempenho de Edilson também rendeu um comentário do relator do processo, juiz Sandro Nahmias Melo. Em tom descontraído, o magistrado sugeriu que o trabalhador poderia considerar uma nova carreira.
“Pode mudar de profissão porque a lógica de argumentos acaba sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido”, disse.
A cena ganhou repercussão justamente pelo contraste entre a falta de experiência jurídica do pedreiro e a desenvoltura demonstrada diante dos magistrados. Mesmo sem advogado naquele momento, Edilson conseguiu apresentar pessoalmente sua versão dos fatos e saiu do julgamento não apenas com a decisão favorável mantida, mas também com elogios pela própria defesa.
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