Enquanto ostenta uma rotina de alto padrão em suas redes sociais, com viagens internacionais e jantares em restaurantes sofisticados, a empresária Roberta Luchsinger enfrenta na Justiça uma realidade oposta: processos judiciais por dívidas não pagas que se acumulam em São Paulo e Minas Gerais. Além disso, a lobista apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também é alvo de investigações da Polícia Federal por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em Brasília.

Os prestadores de serviço que entraram na Justiça para cobrar valores antigos esbarraram em dificuldades para localizar a empresária nos endereços informados. Da mesma forma, as autoridades não encontraram bens ou dinheiro em contas bancárias que pudessem ser penhorados para quitar os débitos. Em duas ações, Roberta chegou a alegar que não tem capacidade financeira para arcar com os custos dos processos, o que contrasta com a imagem de sucesso que projeta nas plataformas digitais.

As investigações da Polícia Federal (PF) apontam que Luchsinger teria apresentado Lulinha ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, atualmente preso preventivamente. Segundo os investigadores, a empresária teria atuado na movimentação de valores e em estruturas empresariais utilizadas para lavagem de dinheiro. 

A RL Consultoria e Intermediações Ltda., empresa de Roberta, recebeu cerca de R$ 1,5 milhão de uma consultoria ligada ao lobista, apontada pela investigação como fachada. A Operação Sem Desconto, que apura descontos irregulares no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), estima que o esquema tenha provocado um prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. 

Em dezembro de 2025, a empresária foi alvo de busca e apreensão. Sobre sua relação com Lulinha, Roberta declarou ao Fantástico: “Eu e Fábio somos amigos. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista.”

O trânsito político de Luchsinger começou em 2011, quando se casou com o ex-deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB), de quem se separou em 2014. Em 2017, ela afirmou que faria uma doação milionária a Lula e, no ano seguinte, foi candidata a deputada estadual pelo PT em São Paulo, sem sucesso. Apesar de se apresentar como herdeira de um fundador do banco suíço Credit Suisse, registros civis mostram que seu avô nasceu no Rio de Janeiro e era proprietário de uma lavanderia. Questionada, a empresária informou não possuir documentos que comprovem a origem suíça do familiar. 

Além disso, um dos pivôs dos calotes foi um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani, orçado em US$ 4 milhões. Para viabilizar as gravações enquanto aguardava a liberação de um suposto fundo de investimento do Bahrein, Roberta recorreu a um empréstimo-ponte de US$ 300 mil (cerca de R$ 1,5 milhão na cotação da época).

Foi nesse contexto que ela convenceu o empresário Lauro Vallejo a atuar como avalista da operação, oferecendo uma fazenda no interior de Minas Gerais como garantia. Em troca, ele teria direito a uma participação na bilheteria do filme e a uma comissão de R$ 40 mil.

“Acebei aceitando. Me prometeram uma participação na bilheteria do filme. Iam me pagar uma comissão…acho que na época eram R$ 40 mil. Tudo o que eu tinha estava lá [na fazenda, tomada pelo credor]. Não é a questão da propriedade em si, é o sonho. Não é fácil, cara”, desabafou Lauro ao Fantástico.

Paralelamente, a longa lista de credores insatisfeitos inclui ainda o tapeceiro Nilton Cézar Pires, que em 2011 foi contratado pela empresária para reformar móveis de sua residência. O serviço, que abrangia desde sofás até camas, foi entregue, mas o pagamento de R$ 61 mil nunca foi quitado.

“A casa inteira, de sofá a cama, tudo. Entregamos tudo certinho, mas o pagamento não veio. A gente teve de acioná-la na Justiça, porque já não tinha mais o que fazer, né?”, relatou o profissional ao Fantástico.

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