O debate entre os candidatos ao governo de Goiás promovido pela PUC TV neste domingo, 30, o primeiro desde o início da campanha com a presença dos quatro principais nomes na disputa pelo Palácio das Esmeraldas, teve como um dos pontos altos um confronto direto entre o governador Daniel Vilela (MDB), que pleiteia a reeleição, e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que tenta retornar ao Executivo.

Depois de uma primeira parte marcada por Luis Cesar Bueno (PT) usando boa parte de suas intervenções como uma extensão do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por uma dobradinha de Marconi e Wilder Morais (PL), que parecem ter adotado uma estratégia de ataques indiretos a Daniel ao escolherem um ao outro para as perguntas, o governador emedebista confrontou o tucano e disparou: “Nunca respondi a um processo de corrupção, ao contrário do senhor”.

Perillo questionou a concessão do Estádio Serra Dourada e acusou o governo de ter “torrado” um patrimônio que, segundo ele, vale R$ 2 bilhões por R$ 10 milhões. Daniel reagiu acusando o adversário de distorcer a natureza da operação. “Marconi, ou você falta com a verdade ou ficou parado no tempo? Você sabe o que é concessão e o que é privatização. São duas coisas muito diferentes”, respondeu.

Segundo o governador, a iniciativa privada deverá investir R$ 500 milhões no complexo ao longo dos 30 anos de concessão. “Pode ter certeza absoluta: nós temos segurança e integridade. Fizemos esse leilão na Bolsa de Valores, em São Paulo, e há segurança jurídica e contrato”, acrescentou.

Debate na PUC TV | Foto: LeoIran/Divulgação

Daniel aproveitou a resposta para lembrar que o governo Caiado, posterior à gestão do PSDB, pegou o estádio em situação precária e equipamentos “caindo aos pedaços”.

O embate seguiu quente. Marconi disse que Daniel era “leviano com os adversários”, ao que o governador respondeu: “Talvez o senhor esteja olhando no espelho. Eu nunca respondi a nenhum processo de corrupção, ao contrário do senhor, que é réu por corrupção”. Na sequência, afirmou que Marconi esteve presente em “todos os escândalos da história recente da política brasileira” e cobrou explicações do tucano sobre R$ 15 milhões recebidos do Banco Master, de Daniel Vorcaro (hoje, preso).

“O senhor começou lá no Mensalão e, agora, recebeu R$ 15 milhões do Banco Master. Daniel Vorcaro, esse banqueiro que está preso, depositou R$ 15 milhões na conta do senhor. O senhor é que tem que explicar a razão de ter recebido esses R$ 15 milhões. Porque, quando perguntado, o senhor disse que era uma complementação de renda. O senhor não explicou qual foi o trabalho que fez por aí”, provocou.

A referência de Daniel ao processo contra Marconi remonta a uma denúncia apresentada em 2017. O tucano foi acusado de corrupção passiva sob a suspeita de ter recebido vantagens indevidas para beneficiar a Delta Construções em contratos com o governo de Goiás. Marconi negou as acusações.

A denúncia foi aceita pela Justiça em 2018, quando Marconi se tornou réu por corrupção passiva. O processo não resultou, até o momento, em condenação do ex-governador.

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