Enquanto o Brasil chega às Eleições 2026 com o maior número de candidaturas indígenas registrado em eleições gerais desde 2014, Goiás segue na direção oposta em termos proporcionais. Apenas três dos 890 pedidos de registro de candidatura apresentados no Estado são de pessoas que se autodeclaram indígenas, o equivalente a 0,34% do total.

Os três candidatos disputam vagas no Legislativo. Humberto Chaves (PSOL) e Betinha da Laranja (PSD) concorrem à Câmara dos Deputados, enquanto João Tapuia (PSB) tenta uma cadeira na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

A diferença fica mais evidente quando os dados goianos são comparados aos nacionais. Em todo o país, 191 candidaturas indígenas foram contabilizadas em 2026, dentro de um universo de 20.560 candidaturas. Isso representa aproximadamente 0,93% do total.

Na prática, são cerca de 3,4 candidatos indígenas para cada mil candidaturas em Goiás, contra 9,3 a cada mil no país. A participação proporcional registrada no Estado corresponde, portanto, a pouco mais de um terço da média brasileira.

O contraste ocorre justamente no ano em que a presença indígena nas eleições gerais alcança um novo patamar. Em 2014, primeiro pleito em que o TSE passou a reunir informações de cor ou raça dos candidatos, foram 85 registros. O número avançou para 133 em 2018 e 186 em 2022. Em 2026, chegou a 191, crescimento de 125% em 12 anos.

O Centro-Oeste soma 27 candidaturas indígenas neste ano. A região fica atrás da Amazônia Legal, que concentra 80 registros, do Sudeste, com 37, e do Nordeste, com 34.

Candidaturas indígenas representam 0,34% dos registros em Goiás, enquanto a média nacional é de 0,93%, segundo dados da Justiça Eleitoral | Foto:Reprodução/IA

Dois disputam vaga na Câmara

Humberto Rodrigues Chaves, de 55 anos, concorre a deputado federal pelo PSOL, com o número 5050. Natural de Goiânia, declarou à Justiça Eleitoral ter ensino superior completo e trabalhar como professor do ensino médio.

Humberto Chaves (PSOL) disputa uma vaga de deputado federal por Goiás nas Eleições 2026 e se autodeclara indígena no registro eleitoral | Foto: Reprodução

Esta não é a primeira eleição de Humberto. Ele já concorreu a vereador em Goiânia e Aparecida de Goiânia e integrou uma chapa para o Senado como primeiro suplente em 2022. No registro eleitoral deste ano, declarou-se indígena.

A segunda candidatura indígena à Câmara dos Deputados é de Maria Elizabete do Nascimento, a Betinha da Laranja. Filiada ao PSD, ela concorre com o número 5550.

Betinha da Laranja (PSD) concorre a uma vaga de deputada federal por Goiás e aparece no registro eleitoral como candidata indígena | Foto: Reprodução

Aos 64 anos, Betinha nasceu em Independência, no Ceará, e possui domicílio eleitoral em Goiás. Ela declarou ensino médio completo e informou à Justiça Eleitoral exercer a ocupação de vereadora.

Betinha também acumula participações em eleições anteriores. Em 2024, disputou uma cadeira na Câmara Municipal de Abadia de Goiás e ficou como suplente.

Um detalhe chama atenção no registro de 2026: no campo específico destinado à etnia, a candidata aparece classificada como pertencente a “outras etnias indígenas de outros países”.

JJoão Tapuia busca vaga na Alego

A única candidatura indígena registrada para deputado estadual em Goiás é a de João Batista da Silva, que adotou João Tapuia como nome de urna.

João Tapuia (PSB) é candidato a deputado estadual por Goiás e se autodeclara indígena no registro de candidatura | Foto: Reprodução

Filiado ao PSB, ele concorre com o número 40666. João tem 62 anos, nasceu em São Miguel do Araguaia, no Norte goiano, declarou ensino médio completo e informou trabalhar como comerciário.

O candidato já participou de outra disputa eleitoral. Em 2020, concorreu à Prefeitura de Taquaral de Goiás pelo Solidariedade, mas não foi eleito.

O nome escolhido para as urnas faz referência à identidade Tapuia. Entre os povos indígenas presentes em Goiás estão os Tapuia do Carretão, além dos Iny-Karajá e Avá-Canoeiro.

Brasil chega a 64 povos representados

Além do crescimento no número total de candidaturas, os registros de 2026 abrangem 64 povos indígenas. Os Macuxi aparecem com a maior quantidade, 13 candidatos, seguidos pelos Guarani Kaiowá, com 12. Guarani, Munduruku, Mura, Terena, Tupinambá e Wapichana também aparecem entre os grupos com maior presença.

A Câmara dos Deputados concentra 75 candidatos indígenas, três vezes o número registrado em 2014, quando eram 25. Outras 99 candidaturas são para as assembleias legislativas, quatro para o Senado e três para governos estaduais.

As mulheres representam parcela expressiva dessa participação. São 84 candidatas indígenas em 2026, equivalentes a cerca de 44% dos registros indígenas no país. Em 2014, eram 29.

Apesar do avanço nacional, os números mostram que esse crescimento ocorre de forma desigual pelo país. Em Goiás, onde apenas três candidatos se autodeclaram indígenas, a presença nas urnas permanece proporcionalmente distante do cenário observado no conjunto das Eleições 2026.

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