Em debate sem Lula, Flávio e Zema, Caiado enfatiza feitos na segurança pública e alfineta adversários: “Nunca me viram em rachadinha, petrolão, em Vorcaro”
23 agosto 2026 às 22h53

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Com Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) fora do primeiro debate presidencial das eleições de 2026, Ronaldo Caiado (PSD) aproveitou o espaço na Band, na noite deste domingo, 23, para enfatizar os feitos em áreas como segurança pública, educação e contas públicas em sua gestão, em Goiás. O candidato também mirou os adversários ausentes, aos quais se referiu como “café requentado”.
Ao longo do encontro, Caiado citou medidas adotadas em seu governo no Estado goiano e defendeu o endurecimento do combate ao crime, mas reservou para as considerações finais uma das principais alfinetadas da noite. “Nunca me viram em rachadinha, petrolão, em Vorcaro e Master. Nunca me viram vinculado em roubalheira de roubar aposentado”, disparou, em alusão a escândalos envolvendo Flávio e Lula.
Lula havia dito que não pretendia participar de debates em que, segundo ele, “se fale besteiras”. Em vez de comparecer ao encontro da Band, o presidente concedeu entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record. Flávio, por sua vez, deu como condição para sua participação a presença do petista. Já Zema confirmou a ausência no início da tarde deste domingo. “Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial”, informou a assessoria do candidato do Novo.
Durante o debate, Caiado voltou a colocar a segurança pública no centro do discurso. Questionado pelo jornalista Ernesto Paglia, da TV Cultura, sobre a PEC da Segurança Pública, o candidato do PSD reafirmou, por exemplo, sua posição contra a proposta por considerar que ela interfere na autonomia dos governadores.
“O Brasil vive em clima de guerra”, afirmou, ao citar a atuação de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Caiado defendeu, ainda, maior autonomia aos estados no enfrentamento às facções criminosas.
O tema também apareceu quando Caiado foi questionado por Cury sobre violência contra as mulheres. O goiano defendeu o endurecimento das medidas contra agressores e citou políticas adotadas em Goiás.
Quando cheguei ao governo, diziam que briga de marido e mulher não se bota a colher, mas no Goiás meti algema, tornozeleira no covarde e coloquei todo um processo de botão do pânico. Avancei no que seria o engajamento da polícia na área de inteligência artificial
Conforme Caiado, medidas semelhantes seriam adotadas nacionalmente caso seja eleito presidente. “A pessoa agride a mulher porque se acha dono dela, como se fosse propriedade”, disse. Ele também voltou a defender o confisco de bens e o aumento das penas para agressores de mulheres, proposta que já vinha apresentando antes da campanha.

Já em outro momento, ao ser questionado sobre ajuste fiscal, redução da dívida pública e taxa de juros, Caiado destacou que “derrotar o Lula” seria o primeiro passo para colocar as medidas em prática. O ex-governador de Goiás defendeu um “choque de credibilidade”, contenção de despesas e afirmou que pretende levar a taxa de juros a “patamares de 6%”, além de manter a inflação em torno de “3% ou 4%”.
“Agressivo”
O debate também teve momentos de tensão entre os demais candidatos. Em uma réplica, Renan Santos atacou Lula e seus eleitores e disse que “tirando o eleitor que está no Bolsa Família, que ainda acredita que o Lula é a única fonte de comida dele, de maneira errônea, o eleitor que responde que apoia esse cara está sendo canalha”. “Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, declarou.
Cury reagiu. “Você tem um nível de agressividade que me assombra. As ideias podem ter fundamento, mas agressividade asfixia a capacidade das pessoas terem as suas próprias opiniões. Nós estamos numa democracia”, respondeu.
Você pode criticar as ideias de Lula, mas você não pode criticar a pessoa transformando ela numa escória humana
Na reta final do encontro, Caiado direcionou suas críticas justamente aos dois principais candidatos ausentes, Lula e Flávio Bolsonaro. “Se esses dois não têm coragem de vir ao debate, eles não têm como explicar todos os escândalos em que estão envolvidos”, afirmou. “Como vocês podem aceitar esse café requentado? Todos eles já tiveram oportunidade.”
Caiado encerrou recorrendo aos cerca de 40 anos de trajetória política e comparando seu histórico ao dos adversários. “Tudo o que falei aqui vem de uma experiência de 40 anos de vida na política e vocês nunca viram nada que atingisse minha honra. Nunca me viram em rachadinha, petrolão, em Vorcaro e Master. Nunca me viram vinculado em roubalheira de roubar aposentado”, declarou, ao também destacar sua carreira como médico e cirurgião.
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