O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) promove nesta terça-feira, 16, às 18h, na Câmara Municipal de Cavalcante, o lançamento do livro Kalunga em Versos: Vozes, Poemas e Poesias de Cavalcante. A obra reúne textos produzidos por moradores das comunidades quilombolas Kalunga e de outros quilombos localizados em Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás. Os escritos abordam temas como ancestralidade, memória, território, cultura e identidade.

O evento é aberto ao público e contará com a presença dos autores, representantes das comunidades, autoridades locais e integrantes do Judiciário goiano.

Segundo o presidente do TJGO, desembargador Leandro Crispim, a obra representa um espaço para que a própria comunidade registre sua história e suas experiências. “Este livro nasce da palavra da própria comunidade Kalunga. Depois dos serviços, dos atendimentos e da presença institucional, era preciso abrir espaço para que a memória, a identidade e a poesia desse povo também fossem registradas. Justiça não se faz apenas com documentos e decisões. Justiça também se faz com respeito, escuta e reconhecimento da história de quem ajudou a formar Goiás”, afirmou.

A publicação integra as ações do projeto Raízes Kalungas – Justiça e Cidadania, desenvolvido pelo TJGO para ampliar a aproximação institucional com as comunidades tradicionais do Nordeste goiano. O livro foi idealizado pelo presidente do tribunal e coordenado pelo juiz auxiliar da Presidência, Reinaldo de Oliveira Dutra.

Os textos foram selecionados por meio de edital público lançado pelo TJGO em 2026. Participaram integrantes das comunidades quilombolas da região, que puderam inscrever até três poemas ou poesias, inéditos ou não. As obras foram avaliadas por uma comissão formada por magistrados e servidores do tribunal.

A coletânea reúne autores com idades entre 14 e 64 anos e traz relatos sobre infância, fé, trabalho, tradição oral, resistência, pertencimento e vivências nas comunidades quilombolas. De acordo com o TJGO, a proposta da publicação é registrar, a partir da voz dos próprios moradores, histórias, memórias e experiências ligadas ao território Kalunga.

Para o coordenador do projeto, juiz Reinaldo de Oliveira Dutra, o livro contribui para valorizar a produção cultural das comunidades ao reunir textos escritos pelos próprios moradores. Já Luciene Camargo, colaboradora da iniciativa, destaca que as poesias retratam elementos marcantes da vida local, como serras, cachoeiras, roças, festas tradicionais, saberes populares e as memórias transmitidas pelos mais velhos.

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