Quase um ano após o crime que chocou Anápolis, o Tribunal do Júri condenou Valdizio Neto dos Santos Almeida a 14 anos de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato da mulher trans Samylla Alves Guimarães, de 27 anos. O julgamento foi realizado na última quarta-feira, 10, e a acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça Caio Affonso Bizon, do Ministério Público de Goiás (MPGO).

A decisão encerra uma etapa importante de um caso que mobilizou familiares, amigos e autoridades desde julho de 2025, quando Samylla foi encontrada morta em uma estrada vicinal na zona rural do município. Os jurados reconheceram a autoria e a materialidade do crime e acolheram a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, rejeitando a tese de negativa de autoria apresentada pela defesa.

Segundo a denúncia apresentada pela promotora de Justiça Adriana Marques Thiago, Samylla e o acusado conversaram pelas redes sociais antes de marcarem um encontro. Na noite de 18 de julho de 2025, ela saiu de casa após combinar um programa sexual e entrou no carro de Valdizio. O momento foi registrado por uma câmera de segurança e se tornou uma das principais peças da investigação.

De acordo com as apurações da Polícia Civil, o acusado levou a vítima para uma região isolada próxima à Universidade Estadual de Goiás (UEG). No local, Samylla foi atingida por quatro disparos de arma de fogo, sendo três deles efetuados à curta distância. Ela morreu antes que pudesse receber qualquer tipo de socorro.

As investigações apontaram que, pouco antes de desaparecer, Samylla havia trocado mensagens com o acusado. Inicialmente, ele afirmou ter deixado a vítima em outro ponto da cidade e negou qualquer envolvimento no homicídio. No entanto, testemunhas relataram ter ouvido sons semelhantes a tiros na região onde o corpo foi encontrado e, logo depois, viram um veículo deixando o local em alta velocidade.

A partir das imagens de monitoramento e da identificação da placa do automóvel, os policiais localizaram o suspeito e efetuaram sua prisão. Durante as diligências, vestígios de sangue encontrados em suas roupas reforçaram os indícios que embasaram a acusação.

A sentença destaca ainda que o crime foi cometido em uma área de mata e de difícil acesso, circunstância que reduziu qualquer possibilidade de socorro à vítima. A motivação do assassinato não foi esclarecida ao longo do processo.

Além da pena de prisão, o juiz determinou o pagamento de R$ 150 mil em indenização à família de Samylla por danos morais.

Durante a investigação, chegou a ser analisada a possibilidade de o crime ter relação com publicações feitas por Samylla nas redes sociais sobre clientes. Contudo, segundo o delegado Cleiton Lobo, não foram encontrados elementos que ligassem o condenado a qualquer exposição realizada pela vítima.

Para o Ministério Público, a condenação representa o reconhecimento da responsabilidade do acusado e uma resposta da Justiça diante da violência praticada contra Samylla. Procurada pela reportagem, a defesa de Valdizio Neto dos Santos Almeida não se manifestou até o fechamento desta matéria.

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